terça-feira, 30 de novembro de 2010

A missão do Brasil



A missão do Brasil
Richard Simonetti

As comemorações da proclamação da República, em 15 de novembro, evocam o “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Como admitir essa revelação diante da corrupção quase institucionalizada, a violência urbana, a escalada dos vícios, a dissolução dos costumes e a exclusão social que afetam considerável parcela da população?

É preciso levar em conta que não se trata de um decreto divino, mas de uma proposta do Cristo, conforme a informação do Espírito Humberto de Campos, em psicografia de Chico Xavier, no livro que leva esse título proclamatório. Sua realização depende dos brasileiros. Podemos fracassar, como fracassaram outras nações, como destaca Emmanuel no livro A Caminho da Luz, em psicografia do mesmo Chico.

O Espiritismo, além de informação dessa natureza, tem uma contribuição em favor da missão do Brasil?

Sem dúvida, a partir da bandeira desfraldada por Allan Kardec na máxima Fora da Caridade não há Salvação. A caridade é o antídoto do egoísmo, sentimento gerador de todos os males citados na pergunta anterior. Se vencermos o egoísmo, realizaremos tranquilamente essa proposta grandiosa.

Poderíamos situar os espíritas como um novo sal da terra?

Sim, a favorecer o tempero da fraternidade, com a edificação de obras sociais espíritas, onde se cultiva espírito de serviço, onde se trabalha pelo bem de todos. Poderíamos resumir a temática espírita em favor de um mundo melhor numa única palavra: participação. Na medida em que há participação, multiplicam-se creches, hospitais, albergues, escolas, lares da infância e da velhice, que divulgam pelo exemplo o verbo renovador do Espiritismo, demonstrando que somente se estivermos dispostos a participar, vendo no serviço prestado ao próximo a única ponte para a felicidade autêntica, estaremos a caminho de um mundo melhor.

Quais seriam os grandes desafios a serem vencidos pelo movimento espírita nesse mister?

São dois a meu ver. O primeiro é o desafio das sombras. Lembro a afirmativa famosa de Paulo, contida na Epístola aos Efésios (6:12), segundo a qual teremos que lutar contra os príncipes e as potestades do mal, contra Espíritos que se infiltram nas instituições devotadas ao Bem, comprometendo os trabalhadores de tal forma que acabam abandonando as suas tarefas.

O que fazem esses Espíritos?

Diz Humberto de Campos, numa crônica famosa, Bichinhos, psicografada por Chico Xavier, que esses Espíritos estimulam a inveja e o ciúme, a incompreensão e a suspeita. Explica: Quando o “disse-me-disse” invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual. E acentua: Dentro de minha nova condição, apenas conheço um remédio: nossa adaptação individual e coletiva à prática real do Evangelho do Cristo. Contra os corrosivos bichinhos do egoísmo degradante, usemos os antissépticos da Boa Nova.

E o segundo desafio?

É o da moralização, pelo combate a antigas tendências à irresponsabilidade que caracterizam considerável parcela da população brasileira, em iniciativas que a sabedoria popular denomina o jeitinho brasileiro. Esse jeitinho quase sempre é uma mentira, um infringir regulamentos.

Como vencer esse desafio?

Com o empenho de não fazer nada, absolutamente nada passível de levar prejuízos ao próximo, o que está implícito na recomendação de Jesus de que devemos fazer ao próximo o bem que desejamos para nós.

Não estaremos em prejuízo numa sociedade onde todos querem levar vantagem?

Se Jesus pensasse assim, não teríamos o Evangelho, onde ele demonstra, com a clareza do exemplo, que se queremos eliminar o mal, é preciso praticar o Bem; se queremos eliminar as sombras, é preciso fazer luz; se desejamos acabar com a corrupção, é preciso que não a exercitemos em circunstância alguma, a partir de infrações aparentemente insignificantes, como furar fila, estacionar em lugar proibido, sonegar impostos, mentir para tirar vantagem…

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO - ALLAN KARDEC

Voluntárias da Casa do Caminho, Nêga, Rainili (de costa) e Cátia,
 em sala de evangelização infantil.

Valor e humildade são expressões de inteligência sublime.
Se o cume mais alto recebe a chuva em primeiro lugar, o vale mais baixo recolhe, ao fim, a maior parte da água.

André Luiz


Se estás na fé cristã e esperas tão-somente: caminhos sem problemas, paz sem obrigações, dias de céu sempre azul, vantagens sem trabalho, conquistas sem suor, direitos sem deveres, apoio sem serviço e vida sem provações, lembra-te de Jesus.


(...) Não nos detenhamos na expectativa dos que adoram o Senhor, sem qualquer esforço para servi-Lo. Ele próprio legou-nos com a boa nova, o mapa luminoso para a romagem da terra.
Libertemos a claridade que jaz enclausurada em nossos corações e avancemos.
Há espinhos, reclamando o trabalho eficiente de extinção.
Feridas que pedem bálsamo.
Aflições que mendigam paz.
Pedras á espera de braços amigos que as removam. (...)

Emmanuel


Allan Kardec modelo de honra e dignidade
 para todos nós Espíritas.


O objetivo que todo espírita deve perseguir, se quiser merecer esse título, é o seu próprio melhoramento moral. Sou melhor do que o era? Corrigi-me de algum defeito? Fiz o bem ou o mal ao próximo? Eis o que todo espírita sincero e convicto deve se perguntar.
 
Allan Kardec





domingo, 28 de novembro de 2010

SERVIÇO E TEMPO


SOS. O TEMPO URGE!
 IRMÃOS do Caminho de SOUSA! 
SERVIÇO E TEMPO. UM LEMBRETE.
SERVIÇO E TEMPO



A senhora Juvercina Trajano era um prodígio de minudencias.

Aos quase sessenta de idade, reafirmava a sua condição de missionária do Cristo, no amparo à infância, com particularidades preciosas de informação.

Espírita fervorosa, sabia-se reencarnada para o desempenho de grande tarefa. Cabia-lhe socorrer crianças desprotegidas. Antevia a obra imensa. Mentalizava-se rodeada de pequeninos a lhe rogarem ternura.

Enternecia-se ao narrar às próprias recordações da sua vida de Espírito, antes do berço, pois dona Juvercina chegava a lembrar-se do tempo em que se via, no Plano Espiritual, preparando a existência física em que se reconhecia habilitada ao grande empreendimento.

Revia-se em companhia de vários benfeitores desencarnados, visitando instituição assistencial de zonas inferiores e anotando dezenas de Espíritos, positivamente desorientados e infelizes, aos quais prestaria auxilio eficiente, depois de reinstalada na Terra.

E a senhora Trajano explicava, vezes e vezes, para os amigos admirados:

- Torno a ver o sitio escuro e esquisito, como se fosse agora ... Um vale extenso, repleto de almas agoniadas, necessitando retomar a experiência do mundo, à feição de alunos aguardando ansiosamente os benefícios da escola. Creiam que ouço ainda a voz do instrutor paternal que me dizia ser o Irmão Ambrosio, a falar-me confiantemente: "- Sim, minha irmã, você renascera' na terra com a missão de patrocinar crianças em abandono, será benfeitora maternal dos filhinhos da expiação e do sofrimento ... Deste recanto de aprendizado, partirão oitenta Espíritos transviados, mas sequiosos de esclarecimento e de amor, ao encontro de seus braços ...

Você organizara para eles um lar regenerador. Não lhe faltarão recursos para situá-los no ambiente preciso. Volte à Terra e trabalhe ...

Compreenda que para assegurar os alicerces de sua obra, você carregara à responsabilidade sobre o reajuste de oitenta irmãos nossos, desorientados e enfermos que tomarão, depois de você, o corpo carnal para o esforço restaurativo ... Seguirão eles, a pouco e pouco, sob nossa vigilância, na direção do seu carinho ..."

A senhora Trajano alinhava reminiscências, entre entusiasmada e comovida. E, realmente, desde os trinta e dois anos de idade, iniciara, com êxito, a construção de um lar para os rebentos do infortúnio.

O empreendimento, lançado por ela em terreno fértil, encontrara a melhor acolhida. Corações nobres haviam chegado, colocando-lhe nas mãos os recursos imprescindíveis. Facilidades, ofertas, dinheiro e cooperação.

Em cinco anos, erguera-se o vasto domicilio, simples sem penúria e confortável sem excesso. Juvercina, todavia, se fizera exigente e, por isso, conquanto a casa se patenteasse digna e pronta, prosseguia descobrindo detalhes que considerava de especial importância. Nunca se sentia com bastante conforto para albergar as dezenas de crianças desventuradas que lhe batiam 'as portas. Depois do edifício acabado, quis aumentá-lo. Efetuados numerosos acréscimos, reclamou mais terras. Compradas as terras, decidiu a formação de pomares.

Multiplicaram-se campanhas, projetos, apelos e doações. Mas não ficou nisso. Resolveu modificar, por varias vezes, o sistema de água, a iluminação, a estrutura das paredes, os tetos e os pisos. Deliberou experimentar sementeiras diferentes, em hortas e jardins, reformando as, insatisfeita. Quando tudo fazia prever a inauguração, solicitou varandas e pérgulas, alem de galpões e caprichosas calcadas. Se a obra não se alterava por dentro, surgiam as novidades de fora. E vinte e seis anos passaram na expectativa...

Todo esse tempo se desdobrara em pormenores e pormenores, quando, na reunião mediúnica semanal de que era companheira solicita, compareceu, por um dos médiuns psicofonicos, o Irmão Ambrosio em pessoa.

Partilhando a surpresa dos circunstantes, Dona Juvercina chorou, empolgada. Aquela voz ... Conhecia aquela voz ...

O mensageiro exortou-se ao cumprimento da promessa e explanou, com elegância e beleza, sobre as necessidades da infância, no estagio da reencarnação terrestre.

Juvertina escutou e escutou, mas, percebendo que a palavra do instrutor continha para ela expressiva inflexão de advertência, indagou, respeitosa, quando o comunicante se dispunha despedir-se:

- Irmão Ambrosio, não estarei sendo leal a mim mesma? O irmão admite que me mantenho fiel às obrigações que abracei?

O interlocutor fixou inesquecível gesto de brandura e respondeu com a bondade de um pai que aconselha uma filha:

- Sim, minha irmã, você tem sido muito exata no programa traçado, tem trabalhado e sofrido pela obra, mas não se esqueça do tempo ... As horas são empréstimos preciosos!...

E acrescentou sob o espanto geral:

- Trinta Espíritos necessitados de recondução e assistência, dos oitenta que você se comprometeu a socorrer e reeducar, são agora delinqüentes de novo ... Dois são obsidiados perigosos na vida pública, seis estão fichados por doentes mentais em penitênciarias e os restantes vinte e dois se encontram internados em diversas cadeias.



Irmão X, transcrito do Livro Cartas e Crônicas, psicografado por Francisco Xavier

sábado, 27 de novembro de 2010

A LUZ DA MORTE

Sociedade Espírita Casa do Caminho - Cabo de SAnto Agostinho  PE.



A LUZ DA MORTE



Nada mais desafiador para o homem do que a morte. Quem já não tremeu ao pensar nessa fatalidade biológica ou já não questionou a natureza ante o corpo cadaverizado de um ente amado?


A morte tem despertado as mentes mais poderosas da civilização ao longo dos séculos. Embora as religiões assegurem a imortalidade do ser, não tem sido o bastante, pois o medo da morte continua paralisando vidas em todos os quadrantes do planeta. Isto ocorre face a aspectos culturais, a maneira como as religiões tem envolvido os cadáveres em seus rituais e devido à ciência mecanicista, enfronhada na ilusão da matéria desde Isaac Newton (embora este fosse crente em Deus). Divisa-se, no entanto, novos horizontes nesses dias que passam. Mutações profundas vêm ocorrendo em todos os ângulos da vida humana. A ciência, com seus avanços extraordinários, seus potentes aparelhos, seus instrumentos de alta tecnologia, tem vasculhado a vida, a natureza, aprofundando seu conhecimento, ampliando seus horizontes e detectando a inexistência da matéria, equacionada, segundo a física mais avançada, como energia condensada.

Toda mudança efetiva necessita de tempo. E, com respeito à morte, não poderia ser diferente.


O Espiritismo vem trabalhando a mente humana na direção da maturidade espiritual. fazê-la pensar a vida de uma forma mais ampla. O homem deveria se vê como um ser indestrutível, imortal, que experiência hoje na carne, mas que não é a carne. O volume de provas e evidencias dessa imortalidade resplandece em grande soma nos arquivos das pesquisas psíquicas, dentro e fora do campo espírita. Desde estudos criteriosos realizados com médiuns e sensitivos por cientistas de alta qualificação da época do surgimento da Doutrina Espírita, nos meados do século 19, até os dias atuais, passando por milhares de casos narrados pelo povo ao longo do tempo, casos estes que teimam em persistir e convocar o homem a tomar a consciência de sua imortalidade.

A admirável psiquiatra suíça Elizabeth Kubler Ross trouxe magnífica contribuição a respeito do tema e, sobretudo, deixou estudos significativos em que a morte apresenta-se não com um aspecto aterrador e sim como uma experiência positiva, luminosa e acariciadora. Ela apresentou-nos a luz da morte. Não que tenha sido a única a fazê-lo, mas pela forma corajosa e pioneira com que o fez. Foram muitos anos de pesquisas junto a moribundos e pessoas ressuscitadas em hospitais, mais de vinte mil casos estudados com pessoas de diversos credos ou sem eles, de várias nações e culturas, múltiplas condições sócio-econômicas. E o que fora narrado por esses pesquisados guardava inúmeros pontos convergentes, demonstrando estágios do que se passa no transe da morte e os fatos comprobatórios da imortalidade com a presença de espíritos de parentes dos vitimados junto ao leito de dor.

Recomendamos as obras de Kubler Ross. Vale à pena. Afinal, onde encontraremos por aí alguém que afirme e comprove que há beleza e doçura no processo da morte?



A LUZ DA MORTE 2
 - MORRER: UMA EXPERIENCIA SOLITÁRIA?


Sim, podemos afirmar que o momento da morte é extremamente solitário no que diz respeito ao seu aspecto emocional. Ocorra à desencarnação num acidente coletivo ou no leito de um hospital, a experiência é inefável, individual, própria. Estaremos conosco mesmo, com nossa realidade mais profunda. Psicologicamente, somos nós em contato com toda a carga que conquistamos de ordem intelectual, espiritual e emocional.

Ainda que recebamos reconforto de corações amigos, nos voltamos umbilicalmente ao universo pessoal. Por outro lado, em termos de acompanhamento, nunca extremos sozinhos no instante da passagem à outra dimensão da vida. Todos os depoimentos relatados no mundo inteiro são concordes no que toca à presença de guias protetores e parentes já falecidos, além de uma luz cálida, de amor transbordante, preenchedora, formando uma caravana que nos acompanha no delicado momento. Óbvio que estes relatos a que me refiro são de pessoas que tiveram a experiência de "quase morte", porem, mensagens mediúnicas, recebidas por médiuns idôneos, dignos, também relatam a vivencia dos missivistas do alem que afirmam terem sido recebidos por avós, tios, irmãos, pais e orientadores espirituais na entrada no mundo espiritual. E isto conforta os familiares que na Terra permanecem. Afinal, é consolador não só saber que os entes amados continuam a viver como prosseguem em família e amparados do outro lado.

Quem está desencarnando está mergulhado em seu universo pessoal de maneira emocionalmente solitária mas interagindo, também, com as forças mentais circundantes, com energias pulsantes dos ambientes. Nossos pensamentos, assim, são importantíssimos para que eles, os entes queridos que estejam partindo, se sintam bem, tranqüilos e passam ter um desligamento mais aprazível. É nossa forma de auxiliá-los a deixar o mundo com mais conforto e sensação de segurança. Quanto à nossa hora, ordenemos as emoções, preenchamos nossa consciência de paz e tenhamos a certeza que estaremos sempre amparados pelos amigos de lá, embora estejamos em qualquer desenlace, com nossas próprias obras, na intimidade da consciência.

Texto de Frederico Menezes


















sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NOTA DE SOLIDARIEDADE




29.08.1955 -  25.11.2010.


NOTA DE SOLIDARIEDADE

É ainda sob o peso da dor profunda que nos causou a prematura partida de nosso querido irmão Salomão Benevides Gadelha, onde cumpre-nos desempenhar nosso dever de consciência para registrar e agradecer, de público, a colaboração preciosa de Salomão, desde a fundação da Casa do Caminho, em 1983, até o momento que Deus permitiu permanecer conosco, onde seus serviços não se limitou apenas à doação material, mas, sobretudo, nos legou seu entusiasmo à Obra nascente.

A sua sensibilidade, sua perspicácia, coração bom e justo, aliada a pujante inteligência nos alimentava e comovia, pois, concebia a existência da alma e da vida futura, com alicerce na pluralidade das existências.

Na verdade, Salomão foi, como tantos outros, recobrar-se no Espaço, procurar elementos novos para restaurar o seu organismo gasto por uma vida de incessantes labores e de dores purificadoras. Partiu com os que serão os fanais da nova geração, para voltar em breve com eles a continuar e acabar a obra deixada em delicadas mãos.

O homem Salomão já aqui não está; a alma imortal, porém, permanecerá entre nós. Será um protetor seguro, uma luz a mais, um trabalhador incansável que as falanges do Espaço conquistaram.

Assim, nos associamos a todos os familiares, sousenses e amigos, nesse momento difícil, de retorno à Casa do Pai, regressastes ao verdadeiro Lar, onde os familiares e fraternos irmãos que te antecederam o acolhem com os braços abertos.
Sousa (PB), 25 de novembro de 2010.
Walter Sarmento de Sá Filho
Presidente














quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A LEI DO TRABALHO

Argamassa preparada para o Educandário de Luz.
O trabalho não é uma necessidade econômica, mas uma necessidade moral.
 Ao conceito de trabalho econômico tem que substituir-se o de
 trabalho função-social.


A LEI DO TRABALHO

Os caminhos da evolução no nível humano são ciência e trabalho. Para preparar o reino do espírito é indispensável, antes, transformar a Terra, para que as construções superiores tenham suas bases em continuidade. É necessário, antes de pensar no progresso futuro, amadurecer o progresso presente. Maravilhoso é vosso dinamismo trabalhador e criador, não o tomeis, todavia, como meta absoluta, como tipo definitivo e completo de vida, mas apenas como meio para atingir um estado mais distante e algo superior. Aprendei a ver seus pontos fracos e a querer superá-los, porque neles também estão as culpas, os males e as dores que vos afligem. Admirai e, acima de tudo, aperfeiçoai; mas não tomeis a sério demais vossa civilização mecânica, que vos prepara um amanhã bem triste se não "completar-se” pelos caminhos do espírito. Não é inútil, mesmo praticamente, conhecer o universo, sua lei, a linha do destino, as forças do bem e do mal que nele agem, corrigi-las, dominar a dor e as provas para a própria felicidade numa vida sem limites. Aceitai o trabalho e a ciência, mas colocai-os no nível que lhes compete: o de apenas arar o campo em que deverá florescer um jardim. Mesmo o tipo médio terá de esperar sua ascensão e preparar-se para as super construções sutis do espírito. Vosso dinamismo violento exprime vosso tipo dominante, vosso trabalho de criação nos níveis mais baixos da vida humana é apenas a base do grande edifício, cujo vértice se perde no céu.

Se o trabalho, tal como o entendeis, transforma a terra, não modifica, porém, o homem. O homem é o valor máximo, o centro dinâmico que sempre retorna. É a fase de consciência alcançada, a matriz de todas as construções futuras. Não basta criar o ambiente, indispensável agir também no âmago e criar o homem. Vossa atividade humana ilumina-se, então, com luz interior; valoriza-se com significado imensamente mais alto. Vossa mentalidade utilitária fez do trabalho uma condenação, transformastes o dom divino de plasmar o mundo à vossa imagem num tormento insaciável de posse. A lei “do ut des” (Dou para que tu dês), que impera no mundo econômico, fez do trabalho uma forma de luta e uma tentativa de furto. É uma dor que pesa sobre vós, mas isso é justo e cabível, porque exprime exatamente o que sois e o que mereceis. Todos os vossos males são devidos à vossa imperfeição social e à vossa impotência de saber fazer melhor.

Por isso, tantos males, como a guerra, são ocasionados pelo que sois e pelo que eles são, inevitáveis, até que vos transformeis. O trabalho não é uma necessidade econômica, mas uma necessidade moral. Ao conceito de trabalho econômico tem que substituir-se o de trabalho função-social. Direi mais: função biológica construtora. Tem a função de criar novos órgãos exteriores (a máquina), expressão do psiquismo; a função de fixar, com a repetição constante, os automatismos (sempre escola construtora de aptidões); a tarefa de coordenar o indivíduo no funcionamento orgânico da sociedade. Ao conceito limitadíssimo, egoísta e socialmente danoso, de trabalho-lucro, é preciso substituir o conceito de trabalho-dever e de trabalho-missão. Isto é um encaminhamento ao altruísmo, não um altruísmo sentimental e desordenado mas prático e ponderado, cujas vantagens são calculadas. Dado o tipo humano dominante, o altruísmo só pode nascer como utilidade coletiva. Utilidade que, pela lei do menor esforço, coloca-o, inexoravelmente, na linha da evolução. Limitar o trabalho, mesmo material, com a única finalidade egoísta do lucro, é diminuir-se, abdicando da consciência do próprio valor de que o trabalho é prova e confirmação; é um mutilar-se, uma renúncia à função de célula social, de construtor, que por menor que seja, tem seu lugar no funcionamento orgânico do universo.

Concebei o trabalho como instrumento de construção eterna, mas cujo fruto vos pertence, em forma de capacidade conquistada para a eternidade e não como lucro de vantagens imediatas e caducas. A verdadeira recompensa está em vosso valor, que o trabalho cria e mantém; não vos pode ser roubado. Amai o trabalho como disciplina do espírito, como escola de ascensões, como absoluta necessidade da vida, correspondente aos imperativos supremos da Lei, que impõe vosso progresso mediante vosso esforço. Ele dará um sentido de seriedade, de dever, de responsabilidade perante a vida, fazendo dela um campo de exercícios, ao invés de um carnaval de gozadores; evitará o espetáculo de tantas leviandades que insultam o pobre; dará alto valor ao dinheiro que deve ter sabor de esforço e que é o único honesto.


Assim, o trabalho não é uma condenação social dos deserdados, mas um dever de todos, a que não é lícito fugir. Na minha ética é imoral quem se subtrai à própria função social de colaborar no organismo coletivo, em que cada um tem de estar em seu posto de combate. O ócio não é lícito, mesmo se permitido pelas condições econômicas. Esta é a moral mais baixa “do ut des”. Moral selvagem que tendes de ultrapassar. Assim, não é apenas por dever social, mas também por si mesmo; para não morrer, pois, o espírito deve nutrir-se cada dia de atividades; cada dia reconstruir-se, realizando-se no mundo da ação. Parar além do repouso indispensável é culpa de lesa-evolução. Quem vadia rouba à sociedade e a si mesmo. O novo mandamento é: trabalhar.


Estas são as bases do mundo econômico do futuro, em que urge introduzir os conceitos morais de função e de coordenação de atividades. Em nenhum campo se pode ser agnóstico, amoral, espiritualmente ausente, numa sociedade consciente, orgânica e decidida a progredir. Só assim se eliminará tanto atrito inútil, de classes; tantos antagonismos de indivíduos e de povos. É necessário formar esta nova consciência de trabalho, porque só então ele se elevará à função social, à coordenação solidária (colaboracionismo) de forças sociais. Os conceitos do velho mundo econômico são absolutamente insuficientes. Temos que purificar a propriedade, tornando-a filha do trabalho. É necessário consolidar e não demolir essa instituição, reforçando-a nas bases, no momento da formação, que deve corresponder de modo absoluto a um princípio de equidade.

Em minha ética, rouba aquele que, por vias transversas, pouco importa se legais, acumula rapidamente, enriquecendo de um golpe; rouba quem vive de bens hereditários, no ócio; rouba quem não dá à sociedade todo o rendimento de sua capacidade. Para evitar esses males, temos que cortar o mal pela raiz, que está na alma humana. Este o primeiro passo a dar no campo das ascensões humanas: fazer um homem que saiba quem é, qual é seu dever, qual sua meta na Terra e na eternidade; um homem que se mova não no círculo estreito de um separatismo egoísta, mas num mundo de colaborações sociais e universais; um homem mais evoluído, que saiba acrescentar às suas aspirações materiais, as mais poderosas, de caráter espiritual; que faça do trabalho não uma condenação, mas um ato de valor e de conquista. Se ao retrocedermos no passado, o trabalho era posição de vencido e de escravo, ao contrário, ao progredirmos no futuro, mais o trabalho se tornará ato nobre de domínio e de elevação.

Eis o que vos aguarda no futuro. O progresso científico e mecânico iniciou novo ciclo de civilização. As forças naturais serão dominadas e submetidas, e o homem, tornando-se verdadeiramente rei do planeta, aí assumirá a direção das forças da matéria e da vida. As civilizações futuras vos imporão um regime de coordenação e de consciência, na qual se valorizará grandemente o tão depreciado valor moral e psíquico, fator fundamental para um ser que, em plena responsabilidade e conhecimento das consequências, terá que assumir a função de central psíquica, em torno da qual girarão, não mais o presente estado de luta e de anarquia, mas todas as forças do planeta, em perfeito funcionamento orgânico.

A luta presente é viva, porque é ativo o esforço que tende à construção das novas harmonias. A ciência se espiritualizará. Exaurida sua função utilitária, ultrapassará aquele seu caráter, adquirindo valor moral e metas espirituais. A sutilização dos meios de pesquisa levar-vos-á, inevitavelmente, ao contato com essa mais profunda realidade do imponderável. A ética será um fato demonstrável, portanto, obrigatório para qualquer ser racional. Não será mais lícita a inconsciência do egoísmo, do vício, do mal, que tantas dores semeia em vossa vida. A evolução vos aperta e constrange fatalmente de todos os lados; vosso irrequieto dinamismo já trabalha vivamente para isso. A beleza do futuro será, sobretudo, o funcionamento harmônico de vosso mundo; vosso progresso será uma conquista de ordem, que vos harmonizará com a ordem reinante no universo. A matéria que completou seu ciclo de vida, atingiu o estado de ordem no universo astronômico; também o espírito, que hoje está para vós no período das primeiras formações caóticas, realizará a fase de ordem tanto mais quanto mais avançar no ciclo da vida.

Esperam-vos: ascensão e dilatação do concebível, transformações de consciência para dimensões superiores e contatos com os mais inexplorados ângulos do universo e campos de conhecimento. Deus se aproximará de vós, em vossa concepção, e o sentireis cada vez mais presente, cósmico, surpreendente. Vós, fundidos em Sua ordem, sereis muito mais felizes que hoje. Esse será o prêmio de vosso esforço.

 

Extraído do livro "A Grande Síntese", de Pietro Ubaldi.

Título do original Italiano
La Grande Sintesi
Copyright by
Fraternidade Francisco de Assis
18ª Edição — 1997
(Revista pela Fraternidade Francisco de Assis)

















Assim, o trabalho não é uma condenação social dos deserdados,
 mas um dever de todos, a que não é lícito fugir.







Concebei o trabalho como instrumento de construção eterna, mas cujo
fruto vos pertence, em forma de capacidade conquistada para a eternidade
e não como lucro de vantagens imediatas e caducas.








quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MENSAGEM DA UNIFICAÇÃO

APEDREJAMENTO DE ESTEVÃO

O serviço da unificação em nossas fileiras é urgente mas não apressado.

Uma afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque define objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma.

Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender, e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus. Nós que nos empenhamos carinhosamente a todos os tipos de realização respeitável que os nossos princípios nos oferecem, não podemos esquecer o trabalho do raciocínio claro para que a vida se nos povoe de estradas menos sombrias.

Comparemos a nossa Doutrina Redentora a uma cidade metropolitana, com todas as exigências de conforto e progresso, paz e ordem. Indispensável a diligência no pão e no vestuário, na moradia e na defesa de todos; entretanto, não se pode olvidar o problema da luz. A luz foi sempre uma preocupação do homem, desde a hora da furna primeira. Antes de tudo, o fogo obtido por atrito, a lareira doméstica, a tocha, os lumes vinculados às resinas, a candeia e, nos tempos modernos, a força elétrica transformada em clarão.

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.

Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja. Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizado sem arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento e libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.

Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.

Libertação da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém bastante força moral para se não prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas. Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.

Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.

Falamos em provações e sofrimentos, mas não dispomos de outros veículos para assegurar a vitória da verdade e do amor sobre a Terra. Ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas.

Somente aqui, na vida espiritual, vim aprender que a cruz de Cristo era uma estaca que Ele, o Mestre, fincava no chão para levantar o mundo novo. E para dizer-nos em todos os tempos que nada se faz de útil e bom sem sacrifícios, morreu nela. Espezinhado, batido, enterrou-a no solo, revelando-nos que esse é o nosso caminho –o caminho de quem constrói para Cima, de quem mira os continentes do Alto.

É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.

Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as Verdades do espírito, imutáveis, eternas.

Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.

Amor de Jesus sobre todos,

verdade de KARDEC para todos.

Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do Mestre Divino.

Sigamos para a frente, buscando a inspiração do Senhor.

BEZERRA

No ano de 1963, Chico Xavier psicografou a mensagem “Unificação”, em que Bezerra de Menezes propõe uma clara diretriz para o trabalho de unificação da divulgação espírita. Essa mensagem vem corroborar com o estudo do ECE do qual utilizamos o livro “No Invisível – Cap: X –Léon Denis” onde estudamos as regras e diretrizes junto com o “Livro dos Médiuns – Cap: XXX –Allan Kardec” que trata sobre os regulamento se diretrizes da divulgação doutrinária.





Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba, MG, transcrita de Reformador de dezembro de 1975, p. 275.)










































terça-feira, 23 de novembro de 2010

A vida é grande e bela, mesmo na dor mais atroz e tenaz é sempre digna de ser vivida.


A ORAÇÃO DO VIANDANTE

Alma cansada, abatida à margem da estrada, pára um instante na eterna trajetória da vida, larga o fardo de tuas expiações e repousa.

Ouve como está plena de harmonias a obra de Deus! O ritmo dos fenômenos irradia doce e grandiosa música. Por meio das formas exteriores, os dois mistérios, da alma e das coisas, observam-se e se sentem. Das profundezas, o teu espírito ouve e compreende. A visão das obras de Deus produz paz e esquecimento; diante da divina beleza da criação, aquieta-se a tempestade do coração; paixão e dor adormecem em lento e doce canto sem fim. Parece que a mão de Deus, através das harmonias do universo, acalenta, qual brisa confortadora, tua fronte prostrada pela fadiga aí se detém como uma carícia. Beleza, repouso da alma, contato com o divino! Então o viandante deprimido se reanima, com renovado pressentimento de sua meta. Não parece mais tão longa a jornada, tão comprida, quando se pára um instante para dessedentar-se numa fonte. Então a alma contempla, antecipa e se alivia na caminhada. Com o olhar fixo para o Alto, é mais fácil retomar em seguida o caminho cansativo.

Na estrada dolorosa, pára, enxuga tua lágrima e ouve. O canto é imenso, as harmonias chegam do infinito para beijar-te a fronte, ó cansado viandante da vida. Ao lado do trovão das vozes titânicas do universo, murmuram num sussurro de beleza as delicadas vozes das humildes criaturas irmãs: “Também eu, eu também sou filha de Deus, luto e sofro, carrego o meu peso e busco minha vitória. Também eu sou vida, na grande vida do Todo”. E tudo, desde o fragor da tempestade, até o canto matutino do sol, do sorriso do recém nascido ao grito dilacerante da alma, tudo, com sua voz, revela-se a si mesmo e sintoniza com as vozes irmãs; tudo exprime seu mistério íntimo; cada ser manifesta o pensamento de Deus. Quando a dor atinge as mais íntimas fibras de teu coração, ouves uma voz que te diz: DEUS; quando a carícia do crepúsculo te adormece no sono silencioso das coisas, uma voz te diz: DEUS. Quando ruge a tempestade e a terra treme, uma voz te diz DEUS! Essa estupenda visão supera qualquer dor.

Pára, escuta e ora. Abre os braços à criação e repete com ela: “Deus, eu te amo”! Tua oração, não mais admiração amedrontada pelo poder divino, agora é mais elevada: é amor. Oração doce, que brota como um canto que a alma repete, ecoa de fraga em fraga por toda a terra, de onda em onda pelos mares, de estrela em estrela pelos espaços infinitos. É a palavra sublime do amor que as unidades colossais dos universos repetem contigo, em uníssono com a voz perdida do último inseto que, tímido, esconde-se entre a grama. Parece perdida; no entanto, Deus a conhece também, recolhe-a e a ama. No infinito do espaço e do tempo, somente esta força, essa imensa onda de amor, mantém tudo compacto em harmônico desenvolvimento de forças. A visão suprema das últimas coisas, da ordem em que caminham todas as criaturas, dar-te-á sozinha um sentido de paz; de verdadeira paz, de paz profunda, de alma saciada, porque percebe sua mais elevada meta.

Assim Deus Se afigura-te ainda maior do que em seu poder de Criador, afigura-Se-te na potência de Seu amor. Explode, ó alma! Não temas! O novo Deus da Boa-Nova do Cristo é bondade. Não mais os raios vingativos de Júpiter, mas a verdade que convence, o carinho que ama e perdoa. O abismo infinito que olhas assustado não está para engolir-te, nas trevas do mistério, abre-se cheio de luz e, no âmago, canta sem fim o hino da vida. Lança-te afoito, porque nesse abismo reside o amor. Não digas: “não sei”, dize antes: “eu amo!”

Ora! ora diante das imensas obras de Deus, diante da terra, do mar, do céu. Pede-lhes que te falem de Deus, pede aos efeitos a voz da causa, pede às formas o pensamento e o princípio que a todas anima. E todas as formas se aglomerarão em redor de ti, estender-te-ão seus braços fraternos, olhar-te-ão com mil olhos feitos de luz e o eterno sorriso da vida te envolverá como uma carícia. Essas mil vozes dirão: “Vem, irmão, sacia teu olhar interior, busca força na visão sublime. A vida é grande e bela, mesmo na dor mais atroz e tenaz é sempre digna de ser vivida”. Tomar-te-ão pelo braço, gritando: “Vem, atravessa o limiar e olha o mistério. Vê: não podes morrer jamais, jamais morrer. Tua dor passa, com ela sobes e fica o resultado. Não temas a morte nem a dor: não são o fim, nem o mal, são o ritmo da renovação e caminhos de tuas ascensões. A vida é um canto sem fim. Canta conosco, canta com toda a criação, o canto infinito do amor”.

Ora assim, ó alma cansada: “Senhor, bendito sejas, sobretudo pela irmã dor, porque ela me aproxima de Ti. Prostro-me diante de Tua imensa obra, mesmo se nela minha parte é esforço. Nada posso pedir-Te, porque tudo já é perfeito e justo em Tua criação, mesmo meu sofrimento, mesmo minha imperfeição transitória. Aguardo no posto de meu dever a minha maturação. Repouso em Tua contemplação”.

Responde, ó alma, ao imenso amplexo, verdadeiramente sentirás Deus. Se a inteligência dos grandes se prostra e venera, curva-se diante do poder do conceito e de sua realização, e se aproxima do Divino pelas cansadas vias da mente, o coração dos humildes atinge a Deus pelos caminhos da dor e do amor. Sente-O pelas estradas dessa sabedoria mais profunda.

Ora assim, ó alma cansada. Descansa a cabeça em Seu peito e repousa.

Ubaldi, Pietro, 1886/1972.
A Grande Síntese — Síntese e solução dos problemas da ciência e do espírito — Pietro Ubaldi; tradução de Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieira da Silva.
18ª edição — Fraternidade Francisco de Assis, 1997.







segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Somente os orgulhosos fogem ao trabalho com medo de que possam notar suas imperfeições.

Voluntários apresentam histórias à Luz do EVANGELHO,
 durante a Evangelização infanto-juvenil,
do DIJ da Casa do Caminho, em Sousa. 


HISTÓRIAS À LUZ DO EVANGELHO

“dona loba”

Dona loba levava vida ociosa, indiferente à fome e à necessidade do próximo.

Um dia leu sobre a caridade. Com preendendo-a sentiu-se profundamente transformada e resolveu exemplificar amparando a todos.

Na floresta, todos acompanhavam sua crescente atividade assistencial. E era assim...

— Dona loba, o Porco Espinho tem febre. Ela corria atender.

— Dona loba, o filhinho da Onça está doente. Lá ia ela atender.

Todos os necessitados recebiam sua agradável visita. Certo dia ocorreu uma epidemia na floresta. Dona loba passou a recolher em seu lar, animaizinhos órfãos, cujos pais haviam desencarnado com a epidemia.

Prolongando-se a doença, a casa de dona loba tornou-se pequena para tantos.

Então teve uma idéia feliz. Iria construir um lar para os órfãos.

O plano fez-se comentado na floresta. Alguns bichos, o Chacal, a Onça e o Bicho Preguiça, duvidavam das suas intenções benévolas.

No dia marcado para o início da obra, dona loba tomou coragem e partiu em direção ao terreno. Chegou sozinha. Ninguém se fez presente.

Seus amigos de véspera, espiavam de longe, apontando, rindo, comentando.

Dona loba chorou e seus sentimentos subiram em direção à Espiritualidade Maior como um pedido de socorro.
Um Bom Espírito apareceu e lhe disse:
— Por que chora dona loba? Ela respondeu.

— Pelos meus erros, Espírito Amigo.

— Dona loba, Jesus sabe de nossos enganos. Reaja e aceite o desafio do trabalho. Eles não deverão desanimá-la.

— Veja o Chacal, afeito a alimentar-se dos restos das coisas, só sabe ver defeitos no semelhante.

— A Onça, incapaz de reconhecer os que se reformam moralmente não vê a própria necessidade de mudar de vida, preferindo acusar os outros.

— O Bicho Preguiça foge de tudo que exige esforço próprio. Acha mais fácil impedir a obra do que contribuir nela trabalhando.

— Que devo fazer então Espírito Amigo?
Ele respondeu.
– Simplesmente trabalhar.


— Que farei com os falsos amigos?
 -Receba-os como filhos de seu coração.

Somente os orgulhosos fogem ao trabalho com medo de que possam notar suas imperfeições.

O humilde caminha sempre se corrigindo para atingir seu alvo, que é o Bem com Jesus, servindo sempre as criaturas.
O Espírito despediu-se e dona loba começou a trabalhar.

Os bichos ouvindo o ruído de suas tarefas, foram se achegando, se achegando e entre resmungos e risos, acusando e defendendo, ocuparam as próprias mãos no trabalho nobre.

Surgiu na floresta o grande lar para órfãos.

“Dona loba compreendeu que o verdadeiro amparo da caridade em toda obra se fundamenta no Evangelho de Jesus, começando com a tolerância mútua entre os próprios obreiros a ela chamados.”

Roque Jacintho



















































domingo, 21 de novembro de 2010

Libertação da Consciência

Crucificação de Jesus
Libertação da Consciência
Não aguardemos que o aplauso do mundo coroe as nossas expectativas.
Não esperemos que as alegrias nos adornem de louros ou que uma coroa de luz desça sobre a nossa cabeça, vestindo-nos de festa.

Quem elegeu Jesus, não pode ignorar a cruz da renúncia.

Quem O busca, não pode desdenhar a estrada áspera do Gólgota.

Quem com Ele se afina, não pode esquecer que, Sol de primeira grandeza como é, desceu à sombra da noite, para ser o porto de segurança luminosa, no qual atracaremos a barca de nosso destino.

Jesus é o nosso máximo ideal humano, Modelo e Guia seguro.

Aquele que travou contato com a Sua palavra nunca mais O esquece.

Quem com Ele se identifica, perdeu o direito à opção, porque a sua, passa a tornar-se a opção d’Ele, sem o que, a vida não tem sentido.

Não é esta a primeira vez que nos identificamos com o Seu verbo libertador. Abandoná-lo é infidelidade, que O troca pelos ouropéis e utopias do mundo, de breve duração.

Não é esta a nossa experiência única no santuário da fé, que abraçamos desde a treva medieval, erguendo monumentos ao prazer, distantes da convivência com a dor.

Voltamos à mesma grei, para podermos, com o Pensamento Divino vibrando em nós, lograr uma perfeita identificação.

Lucigênitos, procedemos do Divino Foco, para o qual marchamos.

Seja, pois, a nossa caminhada assinalada pelas pegadas de claridade na Terra, a fim de que, aquele que venha após os nossos passos, encontre as setas apontando o caminho.

Jesus não nos prometeu os júbilos vazios dos tóxicos da ilusão. Não nos brindou com promessas vãs, que nos destacassem no cenário transitório da Terra. Antes, asseverou, que verteríamos o pranto que precede à plenitude, e teríamos a tristeza e a solidão que antecedem à glória solar.

Não seja, pois, de surpreender que, muitas vezes, a dificuldade e o opróbrio, o problema e a solidão caracterizem a nossa marcha. Não seja de surpreender, portanto, que nos vejamos em solidão com Ele, já que as Suas, serão as mãos que nos enxugarão o pranto, enquanto nos dirá, suavemente: Aqui estou!

Perseveremos juntos, cantando o hino da alegria plena na ação que liberta consciências, na atividade que nos irmana e no amor que nos felicita.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Psicografia de Divaldo Franco.

sábado, 20 de novembro de 2010

BOFETADA VIBRATÓRIA


BOFETADA VIBRATÓRIA
 (Casos do Chico Xavier)
Era uma sexta-feira. Muita gente aglomerava-se em volta de Chico. Zeca Machado tomava providências para o início da reunião. O irmão Barbosa postou-se à cabeceira da mesa, Lico, Dr. Rômulo e outros dirigentes do “Luiz Gonzaga” puseram-se a postos.

Chico, de pé, abraçava um, dirigia a palavra a outro.

Aproximou-se dele uma jovem senhora, reclamando de forte dor de cabeça. Chico a ouviu atentamente e convidou-a a sentar-se na assistência para participar.

A palestra transcorreu normalmente, com os colaboradores dando sua parcela de cooperação nos comentários.

Depois da meia-noite, finda a reunião, a senhora que reclamara da dor de cabeça achegou-se ao médium, com a fisionomia radiante e feliz. A dor de cabeça cessara nos primeiros minutos das tarefas. Chico sorriu docemente, despedindo-se dela com carinho.

Instantes depois, explicou:

— Emmanuel me disse que aquela senhora teve uma discussão muito forte com o marido, chegando quase a ser agredida fisicamente. O marido desejou dar-lhe uma bofetada e não o fez por recato natural. Contudo, agrediu-a vibracionalmente, provocando uma concentração de fluidos deletérios que lhe invadiram o aparelho auditivo, causando a dor de cabeça. Tão logo começou a reunião, Dr. Bezerra colocou a mão sobre sua cabeça e vi sair de dentro de seu ouvido um cordão fluídico escuro, negro, que produzia a dor. Eu estava psicografando mas, orientado por Emmanuel, pude acompanhar todo o fenômeno.

 
(Publicado no diário do Nordeste, Fortaleza)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Evangelização em Sousa. Evangelizadores falam
da moral dos ensinos de Jesus.

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Incrédulos! Podeis rir dos Espíritos, zombar daqueles que crêem em suas manifestações; ride, pois, se ousais, dessa máxima que ele acaba de ensinar e que é a vossa própria salvaguarda, porque se a caridade desaparecesse de cima da Terra, os homens se dilacerariam mutuamente e seríeis deles, talvez, as primeiras vítimas. Não está longe o tempo em que esta máxima, proclamada abertamente em nome dos Espíritos, será uma prova de segurança e um título de confiança em todos aqueles que a carregarão gravada em seu coração.

Um Espírito disse: "Zombe-se das mesas girantes; não se zombará jamais da filosofia e da moral que delas decorrem".

É que, com efeito, hoje estamos longe, depois de apenas alguns anos, desses primeiros fenômenos que serviram, por um instante, de distração aos ociosos e aos curiosos. Essa moral, dizeis, é antiquada: "Os Espíritos deveriam ter bastante espírito para nos dar alguma coisa de nova." (Frase espirituosa de mais de um crítico). Tanto melhor! Se ela é antiquada, isso prova que é de todos os tempos, e os homens não são senão culpados por não tê-la praticado, porque não há verdades verdadeiras senão aquelas que são eternas. Os Espíritos vêm vos chamar, não por uma revelação isolada feita a um único homem, mas pela voz dos próprios Espíritos que, semelhante à trombeta final, vêm proclamar-vos:

"Crede que aqueles que chamais mortos, estão mais vivos que vós, porque eles vêem o que não vedes, ouvem o que não ouvis; reconhecei, naqueles que vêm vos falar, vossos pais, vossos amigos, e todos aqueles que amastes na Terra e que acreditáveis perdidos sem retorno; infelizes aqueles que crêem que tudo acaba com o corpo, porque serão cruelmente desenganados, infelizes aqueles que tiverem falta de caridade, porque sofrerão o que tiverem feito os outros sofrerem! Escutai a voz daqueles que sofrem e que vêm vos dizer: "Nós sofremos por termos desconhecido o poder de Deus e duvidado de sua misericórdia infinita; sofremos de nosso orgulho, de nosso egoísmo, de nossa avareza e todas as más paixões que não reprimimos; sofremos de todo o mal que fizemos aos nossos semelhantes pelo esquecimento da caridade".

Incrédulos! Dizei se uma doutrina que ensina semelhantes coisas é risível, se é boa ou má! Não encarando-a senão do ponto de vista da ordem social, dizei se os homens que a praticassem seriam felizes ou infelizes, melhores ou maus!
 
AllanKardec
Extraído do livro - O Espiritismo em sua mais simples expressão -



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

TRINTA ANOS DE ORATÓRIA ESPÍRITA

Em clima de fraternidade, os amigos de Fred, comemoraram
 os 30 anos de trabalho mediúnico na Seara Espírita.

Allan Kardec trabalhava, então, em O Livro dos Médiuns, que apareceu na primeira quinzena de janeiro de 1861, editado pelos Srs. Didier & Cia., livreiros-editores.

O mestre expõe a sua razão de ser nos seguintes termos, na Revista Espírita:

"Procuramos neste trabalho, fruto de longa experiência e de laboriosos estudos, esclarecer todas as questões que se prendem à prática das manifestações; ele contém, de acordo com os Espíritos, a explicação teórica dos diversos fenómenos e condições em que eles se podem produzir; mas a parte concernente ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade foi, sobretudo, de nossa parte, objeto de atenção toda especial.

"O Espiritismo experimental está cercado de muito mais dificuldades do que se acredita geralmente, e os escolhos, que aí se encontram, são numerosos; é o que produz tanta decepção aos que dele se ocupam sem ter a experiência e os conhecimentos necessários. O nosso fim foi acautelar os investigadores contra tais dificuldades, nem sempre isentas de inconveniente para quem quer que se aventure, com imprudência, por esse novo terreno. Não podíamos desprezar um ponto tão capital, e o tratamos com cuidado igual à sua importância."

O Livro dos Médiuns é, ainda, o vade-mécum de quantos se querem entregar com proveito à prática do Espiritismo experimental; nada apareceu de melhor nem de mais completo nessa ordem de ideias. É ainda o mais seguro guia de que nos podemos servir para explorar, sem perigo, o terreno da mediunidade.


Emocionado e feliz, Frederico, um dos trabalhadores de Jesus, informa
que de um trabalho de 1.000 anos percorreu apenas 30 anos.
"Reconhecei, pois, o verdadeiro espírita na prática da caridade por pensamentos, palavras e obras, e persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade, de rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si próprio se tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo.

"O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares, como matam os povos e a sociedade em geral..."

ALLAN KARDEC

O que é o Espiritismo