domingo, 31 de janeiro de 2010

DO MÉTODO

18. Muito natural e louvável é, em todos os adeptos, o desejo, que nunca será demais animar, de fazer prosélitos. Visando facilitar-lhes essa tarefa, aqui nos propomos examinar o caminho que nos parece mais seguro para se atingir esse objetivo, a fim de lhes pouparmos inúteis esforços.

Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar. O Espiritismo, também já o dissemos, entende com todas as questões que interessam a Humanidade; tem imenso campo, e o que principalmente convém é encará-lo pelas suas conseqüências.


Formar-lhe sem dúvida a base a crença nos Espíritos, mas essa crença não basta para fazer de alguém um espírita esclarecido, como a crença em Deus não é suficiente para fazer de quem quer que seja um teólogo. Vejamos, então, de que maneira será melhor se ministre o ensino da Doutrina Espírita, para levar com mais segurança à convicção. Não se espantem os adeptos com esta palavra - ensino. Não constitui ensino unicamente o que é dado do púlpito ou da tribuna. Há também o da simples conversação. Ensina todo aquele que procura persuadir a outro, seja pelo processo das explicações, seja pelo das experiências. O que desejamos é que seu esforço produza frutos e é por isto que julgamos de nosso dever dar alguns conselhos, de que poderão igualmente aproveitar os que queiram instruir-se por si mesmos. Uns e outros, seguindo-os, acharão meio de chegar com mais segurança e presteza ao fim visado.


19. É crença geral que, para convencer, basta apresentar os fatos. Esse, com efeito, parece o caminho mais lógico. Entretanto, mostra a experiência que nem sempre é o melhor, pois que a cada passo se encontram pessoas que os mais patentes fatos absolutamente não convenceram. A que se deve atribuir isso? É o que vamos tentar demonstrar.


No Espiritismo, a questão dos Espíritos é secundária e consecutiva; não constitui o ponto de partida. Este precisamente o erro em que caem muitos adeptos e que, amiúde, os leva a insucesso com certas pessoas. Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma. Ora, como pode o materialista admitir que, fora do mundo material, vivam seres, estando crente de que, em si próprio, tudo é matéria? Como pode crer que, exteriormente à sua pessoa, há Espíritos, quando não acredita ter um dentro de si? Será inútil acumular-lhe diante dos olhos as provas mais palpáveis. Contestá-las-á todas, porque não admite o princípio. Todo ensino metódico tem que partir do conhecido para o desconhecido. Ora, para o materialista, o conhecido é a matéria: parti, pois, da matéria e tratai, antes de tudo, fazendo que ele a observe, de convencê-lo de que há nele alguma coisa que escapa às leis da matéria. Numa palavra, primeiro que o torneis ESPÍRITA, cuidai de torná-lo ESPIRITUALISTA. Mas, para tal, muito outra é a ordem de fatos a que se há de recorrer, muito especial o ensino cabível e que, por isso mesmo, precisa ser dado por outros processos. Falar-lhe dos Espíritos, antes que esteja convencido de ter uma alma, é começar por onde se deve acabar, porquanto não lhe será possível aceitar a conclusão, sem que admita as premissas. Antes, pois, de tentarmos convencer um incrédulo, mesmo por meio dos fatos, cumpre nos certifiquemos de sua opinião relativamente à alma, isto é, cumpre verifiquemos se ele crê na existência da alma, na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte. Se a resposta for negativa, falar-lhe dos Espíritos seria perder tempo. Eis aí a regra. Não dizemos que não comporte exceções. Neste caso, porém, haverá provavelmente outra causa que o toma menos refratário.


DO MÉTODO CAPÍTULO III
O Livro dos Médiuns,de Allan Kardec.
FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
Tradução de GUILLON RIBEIRO
da 49ª edição francesa
Foto: DENISE LINO, é expositora espírita, pesquisadora e estudiosa da Doutrina Espírita. Obreira da SEJA - Sociedade Espírita Joanna de Ângelis, cujo objetivo é espalhar a riqueza do ensino contida na terceira revelação, na oportunidade, colaborando na divulgação do Consolador Prometido.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Grandes Homens

Quem faz jus ao título de "grande homem"? Não sei...
O homem inteligente? Não basta ter inteligência para ser grande...

O homem poderoso? Há poderosos mesquinhos...

O homem religioso? Não basta qualquer forma de religião...

Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.

Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.

Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito..

Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.

Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.

O grande homem é silenciosamente bom...

É genial - mas não exibe gênio...

É poderoso - mas não ostenta poder...

Socorre a todos - sem precipitação...

É puro - mas não vocifera contra os impuros...

Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...

Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...

Domina - mas Sem insolência...

É humilde - mas sem servilismo...

Fala a grandes distâncias - sem gritar...

Ama - sem se oferecer...

Faz bem a todos - antes que se perceba...

"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu clamor nas ruas...

"Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...

Abre largos espaços - sem arrombar portas...

Entra no coração humano - sem saber como...

Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...

Assim é, e assim age o homem verdadeiramente bom - porque é instrumento nas mãos de Deus...

Desse Deus de infinita potência - e de supremo amor...

Desse Deus cuja força governa a imensidade do cosmos - e cuja preciência sabe das fraquezas do homem...

O grande homem é, mais do que ninguém, imagem e semelhança de Deus...

Texto de Huberto Rohden
Foto: Sebastião (de pé), Natércio e Raimundo, ao final da tarde em harmoniosa inspeção ao plantio de hortaliças, pois, depois de algumas caminhadas, cansam e discutem qual a mais bela rosa/planta da horta(certamente, cada um defende a que mais lhe agrada).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fora da caridade não há verdadeiros espíritas.

Senhores e caros irmãos espíritas,

Não sois mais principiantes em Espiritismo. Assim, hoje deixarei de lado os detalhes práticos sobre os quais, devo reconhecer, estais suficientemente esclarecidos, para considerar a questão sob um aspecto mais largo, sobretudo em suas conseqüências. Este lado da questão é grave, o mais grave incontesta-velmente, pois que mostra o objeto para onde se inclina a Doutrina e os meios para atingi-lo. Serei um pouco longo, talvez, pois o assunto é muito vasto e, contudo, restaria ainda muito a dizer para o completar. Assim, reclamarei vossa indulgência considerando que, não podendo ficar convosco senão por algum tempo, sou forçado a dizer de uma só vez o que, em outras circunstâncias, eu teria dividido em várias partes.


Antes de abordar o ângulo principal do assunto, creio dever examiná-lo de um ponto de vista que, de certo modo, me é pessoal. Todavia, se não se tratasse senão de uma questão individual, seguramente com ela eu não me ocuparia; porém, ela se liga a várias questões gerais, podendo resultar instruções para todo mundo. Foi esse o motivo que me levou a aproveitar esta ocasião para explicar a causa de certos antagonismos que muita gente se admira de encontrar em meu caminho.


No estado atual das coisas aqui na Terra, qual é o homem que não tem inimigos? Para não os ter, fora preciso não estar na Terra, por ser esta a conseqüência da inferioridade relativa de nosso globo e de sua destinação como mundo de expiação. Para isso, bastaria fazer o bem? Oh! Não; o Cristo não está aí para o provar? Se, pois, o Cristo, a bondade por excelência, foi alvo de tudo quanto a maldade pôde imaginar, por que nos admirarmos de que assim suceda com aqueles que valem cem vezes menos?


O homem que pratica o bem - isto dito em tese geral - deve, pois, esperar contar com a ingratidão, ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo fortalecidos para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, pondo em xeque, pela maledicência ou pela calúnia, aqueles que os ofuscam.


Ouve-se constantemente dizer que a ingratidão com que somos pagos endurece o coração e nos torna egoístas; falar assim é provar que se tem o coração fácil de ser endurecido, porquanto esse temor não poderia deter o homem verdadeiramente bom. O reconhecimento já é uma remuneração do bem que se faz; praticá-lo tendo em vista esta remuneração, é fazê-lo por interesse. E depois, quem sabe se aquele a quem se faz um favor, e do qual nada se espera, não será levado a melhores sentimentos por um reto proceder? É talvez um meio de levá-lo a refletir, de abrandar sua alma, de salvá-lo! Esta esperança é uma nobre ambição; se nos decepcionamos, não teremos realizado o que nos cabia realizar.


Entretanto, não se deve crer que um benefício que permanece estéril na Terra seja sempre improdutivo; muitas vezes é um grão semeado que só germina na vida futura do beneficiado. Várias vezes já observamos Espíritos, ingratos como homens, serem tocados, como Espíritos, pelo bem que lhes haviam feito, e essa lembrança, despertando neles bons pensamentos, facilita-lhes o caminho do bem e do arrependimento, contribuindo para abreviar-lhes os sofrimentos. Só o Espiritismo poderia revelar este resultado da beneficência; só a ele estava dado, pelas comunicações de além túmulo, mostrar o lado caridoso desta máxima: Um benefício jamais é perdido, em lugar do sentido egoísta que lhe atribuem. Mas, voltemos ao que nos concerne.


Pondo de lado qualquer questão pessoal, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não penseis que me lastime: longe disto! Quanto maior é a animosidade deles, tanto mais ela comprova a importância que a Doutrina assume aos seus olhos; se fosse uma coisa sem conseqüência, uma dessas utopias que já nascem inviáveis, não lhe prestariam atenção, nem a mim. Não vedes escritos muito mais hostis que os meus quanto aos preconceitos, e nos quais as expressões não são mais moderadas do que a ousadia dos pensamentos, sem que, no entanto, digam uma única palavra? Dar-se-ia o mesmo com as doutrinas que procuro difundir, se permanecessem restritas às folhas de um livro. Mas, o que pode parecer mais surpreendente, é que eu tenha adversários, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Ora, é aqui que uma explicação se faz necessária.


Entre os que adotam as idéias espíritas, há, como bem sabeis, três categorias bem distintas:


1. Os que crêem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que não lhes deduzem nenhuma conseqüência moral;


2. Os que vêem o lado moral, mas o aplicam aos outros e não a si próprios;


3. Os que aceitam para si mesmos todas as conseqüências da Doutrina, e que praticam ou se esforçam por praticar a sua moral.


Estes, vós bem o sabeis, são os verdadeiros espíritas, os espíritas cristãos. Esta distinção é importante, porque explica bem as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreender-se a conduta de certas pessoas. Ora, o que reza esta moral? Amai-vos uns aos outros; perdoai aos vossos inimigos; retribuí o mal com o bem; não tenhais ódio, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme; sede severos para convosco mesmos e indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos de um verdadeiro espírita, daquele que vê o fundo e não a forma, que põe o Espírito acima da matéria; este pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois não deseja o mal a ninguém e, com mais forte razão, não procura fazer o mal a quem quer que seja.


Como vedes, senhores, este é um princípio geral, do qual todo mundo pode tirar proveito. Se, pois, tenho inimigos, não podem ser contados entre os espíritas desta categoria, porque, admitindo-se que tivessem legítimos motivos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, isto não seria motivo para me odiarem, considerando-se que não fiz mal a ninguém. O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que significa dizer: Fora da caridade não há verdadeiros espíritas. Concito-vos a inscrever, doravante, esta dupla máxima em vossa bandeira, porque ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o dever que ele impõe.


Texto extraído do Discurso pronunciado nas Reuniões Gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux, do livro Viagem Espírita em 1862 e outras viagens de Kardec, de Allan Kardec, FEB, 2005.

Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - dezembro/2005

Foto: Divaldo Franco em Caicó-RN, NO DIA 22.01.2010.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

SORRISOS DA MORTE

Nunca esteve tão cheio de homens o círculo imenso do Coliseu...
Diocleciano sorri, satisfeito, em seu trono excelso de ouro e marfim...
Entra na vasta arena uma jovem patrícia romana — mais menina que moça...
Flutua às carícias das auras matutinas a alvejante leveza da graciosa túnica...
E, lá do alto das galerias, milhares de olhos contemplam a gentil criança...
Ao longo, no escuro subterrâneo do anfiteatro, rugem leões da Núbia e panteras da Mesopotâmia...
Resoluta, dirige-se a graciosa menina ao centro da vasta arena...
Há, no passo firme da jovem romana, algo da energia férrea das legiões dos Césares que conquistaram o mundo...
E ela se dispõe a conquistar mundos ainda mais belos que aqueles...
Arde-lhe nas negras pupilas fulgor estranho — que lembra invisíveis clarões da eternidade...
O Império Romano contempla uma criança...
Por instantes, procuram os olhos da gentil heroína, nas imensas bancadas, as suas companheiras de adolescência...
Com um sorriso se despede de todos, e envia com as mãos carinhosas beijos — de eterno adeus...
De súbito — duas feras irrompem do subsolo da arena imensa...

A jovem, com a alvejante túnica feita um campo de rosas sanguíneas, arranca das veias abertas um punhado de sangue e, erguendo ao céu matutino as mãos ruborizadas, “Ave Christe, moritura te saluto!...” (*)
E desapareceu, qual pétala de rosa arrebatada por insano vendaval...
E quando nas galerias amainou a grita da plebe sanguinária, cantaram nas alturas vozes divinas:
“Aleluia! potências eternas...
Aleluia! espírito imortal!...
Que valem algemas, ó homens,
Se a alma é sopro de Deus?...
Que valem fogueiras e feras,
Que valem suplício e cruzes,
Que valem martírios e morte.
Se imortal é o Evangelho do Cristo?
Se onipotente é o amor de Jesus...
Se a morte perde os horrores
Em face da ressurreição e da vida?
________________________
(*) Isto é: “Salve, ó Cristo, morrendo te saúdo”. Costumavam os gladiadores pagãos, agonizantes, lançar ao ar um punhado de sangue e saudar o imperador, bradando: “Ave, Caesar, moriturus te saluta!” (Salve, César, quem está a morrer te saúda!). Refere a história, ou a lenda, que alguns mártires cristãos saudavam a Jesus Cristo com palavras idênticas quando por ele morriam.
_________________________
(De “De alma para alma”, de Huberto Rohden)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Agradeço, Senhor!

Agradeço, Senhor,
Quando me dizes, “não”
Às súplicas indébitas que faço,
Através da oração.


Muitas daquelas dádivas que peço,
Estima, concessão, posse, prazer,
Em meu caso talvez fossem espinhos,
Na senda que me deste a percorrer.


De outras vezes, imploro-te favores,
Entre lamentação, choro, barulho,
Mero capricho, simples algazarra,
Que me escapam do orgulho...


Existem privilégios que desejo,
Reclamando-te o “sim”,
Que, se me florescessem na existência,
Seriam desvantagens contra mim.


Em muitas circunstâncias, rogo afeto,
Sem achar companhia em qualquer parte,
Quando me dás a solidão por guia
Que me inspire a buscar-te.


Ensina-me que estou no lugar certo,
Que a ninguém me ligaste de improviso,
E que desfruto agora o melhor tempo
De melhorar-me em tudo o que preciso.


Não me escutes as exigências loucas,
Faze-me perceber
Que alcançarei além do necessário,
Se cumprir meu dever.


Agradeço, meu Deus,
Quando me dizes “não” com teu amor,
E sempre que te rogue o que não deva,
Não me atendas, Senhor!...


Agradeço, Senhor! (Maria Dolores)
Do Livro: Antologia da Espiritualidade FEB
Foto: Casimiro (95), presença constante nas reuniões da Casa do Caminho, responsável pela irrigação das plantas, alegre, sorriso fácil, cooperador de Jesus e sempre agradecido pela oportunidade da atual existência.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

De Alma para Alma

Escuta, alma querida!
Ante as perturbações e os empeços da vida,
Onde não possas ajudar
A dissipar a treva e extinguir o pesar,
Nada fales, em vão!...
Uma palavra, às vezes, tão-somente,
Na moldura de um gesto irreverente,
Basta para espancar o coração.


Se anotas sombra e dor, por onde jornadeias
Dá consolo e respeito às aflições alheias...
Tempo vai, tempo vem...
E assim como o carvão se faz diamante puro,
Na forja do destino, em louvor do futuro,
Todo o mal se converte em coluna do bem.


Usa o verbo, esparzindo novas luzes,
Não condenes, não firas, não acuses!...
Onde enxergares pedra, lodo, espinho,
Cobre de paz e amor as lutas do caminho.


Lembremos nossos erros, teus e meus!...
Todos sofremos provas, alma boa,
Trabalha, serve, ajuda, ama e abençoa
E encontrarás contigo a presença de Deus.

De Alma para Alma (Maria Dolores)
Do livro: Antologia da Espiritualidade - FEB.
Foto: Momentos de descontração de Cidália e Joanita(in memmorium, inclusive, quando na escola Terra, auxiliou a muitos com suas rezas reconfortantes e balsâmicas). Casa Transitória - Sousa-PB.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Deus é Caridade

Não guardes e nem fales, coração,
Palavras de azedume ou desesperação.
O verbo que escarnece, esfogueia, envenena,
Traz em si mesmo a dolorosa pena
De amarga frustração!


Muitas vezes nós mesmos, trilha afora
No pensamento que se desarvora,
Nas teias da ilusão sem motivo ou sem base,
Para sair do mal e regressar ao bem
Precisamos apenas de uma frase
Do carinho de alguém!


Na dor que nos renova,
Quantas vezes na vida a gente espera
Simplesmente um sorriso,
Para fazer o esforço que é preciso,
A fim de não perder nas lágrimas da prova
A paz da fé sincera!...


Pensa nisso e abençoa
Àquela própria mão que espanca ou aguilhoa.
Fel, tristeza, amargura,
Transformam desventura em maior desventura!
Se a mágoa te domina,
Observa a lição da Bondade Divina!


Se o homem tala o campo aos horrores da guerra,
Deus recama de verde as úlceras da Terra.
Cerre-se a noite fria,
Deus recompõe sem falta os fulgores do dia.
Atire-se um calhau à fonte na espessura,
Deus protege a corrente
E a fonte lava a pedra a beijos de água pura
E prossegue indulgente,
Doce, clara, bendita,
Fertilizando o campo em que transita.
Isole-se a semente pequenina
Na clausura do chão
E eis que Deus a ilumina
E ela faz a alegria e a fartura do pão!


Que a poda fira a planta a golpes destruidores
E Deus reveste o tronco em auréolas de flores!...


Conquanto seja em tudo a Justiça perfeita
Que nos premia, ampara, aprimora e endireita
Pelo poder do amor incontroverso,
Deus quer que a Lei do amor seja cumprida
Para a glória da vida,
Nas mais remotas plagas do Universo!


Serve, pois, coração,
À tolerância, à paz, à bondade e à união!
Embora desprezado, anônimo, sozinho,
Agradece, em silêncio, a injúria, o pranto, o espinho
E serve alegremente...
Dor é nova ascensão à Vida Superior!...


Rende-te a Deus e segue para a frente,
Pois Deus é Caridade e a Caridade ardente
Tudo cobre de amor!...

Deus é Caridade (Maria Dolores)

(Lembrança aos companheiros da Doutrina Espírita)
Do Livro Antologia da Espiritualidade FEB
FOTO: Divaldo Franco (82) autografando em Caicó - Rio Grande do Norte, na noite de 22.01.2010, sereno, permaneceu tranquilo com os aplausos materiais, trabalhador incansável, verdadeiro Espírita, cuja intenção é semear a palavra de Esperança e Amor do Consolador Prometido por Jesus.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Loucura, suicídio e obsessão

V. — Certas pessoas consideram as ideias espíritas como capazes de perturbar as faculdades mentais, pelo que acham prudente deter-lhes a propagação.
A. K. — Deveis conhecer o provérbio: "Quem quer matar o cão — diz que o cão está danado.

"Não é, portanto, estranhável que os inimigos do Espiritismo procurem agarrar-se a todos os pretextos; como este lhes pareceu próprio para despertar temores e suscetibilidades, empregam-no logo, conquanto não resista ao mais ligeiro exame. Ouvi, pois, a respeito dessa loucura, o raciocínio de um louco.


Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura; as ciências, as artes, a religião mesmo, fornecem o seu contingente. A loucura provém de um certo estado patológico do cérebro, instrumento do pensamento; estando o instrumento desorganizado, o pensamento fica alterado.


A loucura é, pois, um efeito consecutivo, cuja causa primária é uma predisposição orgânica, que torna o cérebro mais ou menos acessível a certas impressões; eisto é tão real que encontrareis pessoas que pensam excessivamente e não ficam loucas, ao passo que outras enlouquecem sob o influxo da menor excitação. Existindo uma predisposição para a loucura, toma esta o caráter de preocupação principal, que então se torna ideia fixa; esta poderá ser a dos Espíritos, numir.divíduo que deles se tenha ocupado, como poderá ser a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. É provável que o louco religioso se tivesse tornado um louco espírita, se o Espiritismo fosse a sua preocupação dominante.


É certo que um jornal disse que se contavam, só em uma localidade da América, de cujo nome não me recordo, 4.000 casos de loucura espírita; mas é também sabido que os nossos adversários têm a ideia fixa de se crerem os únicos dotados de razão; é uma esquisitice como outra qualquer. Para eles, nós somos todos dignos de um hospital de doidos, e, por consequência, os 4.000 espíritas da localidade em questão eram considerados como loucos. Dessa espécie, os Estados Unidos contam centenas de milhares, e todos os países do mundo um número ainda muito maior. Esse gracejo de mau gosto começa a não ter valor, desde que tal moléstia vai invadindo as classes mais elevadas da sociedade.


Falam muito do caso de Vítor Hennequin, mas se esquecem que, antes de se ocupar com os Espíritos, já ele havia dado provas de excentricidade nas suas ideias; se as mesas girantes não tivessem então aparecido (as quais, segundo um trocadilho bem espirituoso dos nossos adversários, lhe fizeram girar a cabeça), sua loucura teria seguido outro rumo.


Eu digo, pois, que o Espiritismo não tem privilégio algum, nesse sentido; mas vou ainda além: afirmo que, bem compreendido, ele é um preservativo contra a loucura e o suicídio.


Transcrito do livro O QUE É O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC
Foto: Divaldo Franco aguardando o momento de proferir a palestra(22.01.2010) na cidade de Caicó-RN e a humilde e eficiente coordenadora do Evento Sandra Borba (roupa estampada, de óculos).

sábado, 23 de janeiro de 2010

SINAIS DE ALARME

Há dez sinais vermelhos, no caminho da experiência, indicando queda provável na obsessão:
quando entramos na faixa da impaciência;

quando acreditamos que a nossa dor é a maior;

quando passamos a ver ingratidão nos amigos;

quando imaginamos maldade nas atitudes dos companheiros;

quando comentamos o lado menos feliz dessa ou daquela pessoa;

quando reclamamos apreço e reconhecimento;

quando supomos que o nosso trabalho está sendo excessivo;

quando passamos o dia a exigir esforço alheio, sem prestar o mais leve serviço;

quando pretendemos fugir de nós mesmos, através do álcool ou do entorpecente;

quando julgamos que o dever é apenas dos outros.

Toda vez que um desses sinais venha a surgir no trânsito de nossas idéias, a Lei Divina está presente, recomendando-nos a prudência de amparar-nos no socorro da prece ou da luz do discernimento.

Espírito: SCHEILLA
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Ideal Espírita” - Edição FEB

Foto: Divaldo Pereira Franco (82) autografando. A seguir, realizou palestra ontem(22.01.10), em Caicó-RN., com a presença de representantes de dezenas de cidades do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Com certeza noite inesquecível por todos os presentes, em vitude, das colocações brilhantes e emocionantes do Semeador de Estrêlas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O homem bom

Conta-se que Jesus, após narrar a Parábola do Bom Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil:
— Mestre, que farei para ser considerado homem bom?

Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:

— Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.

Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garantindo-te a segurança.

Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos.

Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.

Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento.

Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.

Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.

Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia.

Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo:

— Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias?

— Os que usassem de compreensão e misericórdia para comigo —explicou o interlocutor.

— Então — repetiu Jesus com bondade —. segue adiante e faze também o mesmo.


O homem bom
Reunião pública de 6/7/59
Questão nº 918
Religião dos Espíritos
EMMANUEL CHICO XAVIER
Foto: Divaldo Franco (HOMEM BOM) estará realizando palestra hoje na cidade de Caicó - RN.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Toda crença é respeitável.

Toda crença é respeitável.

No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.

Toda religião é sublime.

No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.

Toda religião é santa nas intenções.

No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.

Toda religião auxilia.

No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.

Toda religião é conforto na morte.

No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.

Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.

No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.

Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.

No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.

Toda religião educa sempre.

No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.

Toda religião fala de penas e recompensas.

No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.

Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.

No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.

Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.

Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.


«Espírita» deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.

«Espírita» deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.

«Espírita» deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.

«Espírita» deve ser o claro adjetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo. E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.

Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.


Reunião pública de 13/11/59

Questão nº 838

Livro Religião dos Espíritos - EMMANUEL - CHICO XAVIER.
Imagem: Jesus em conversação com pescadores.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Orientações Precipitadas

“*Como é que eu vou dar opinião, se não faço parte da equipe de vocês?! *
*Para opinar, precisaria participar do grupo. *
*Resolvam entre vocês mesmos.

Troquem idéias e chegarão a uma conclusão.*”

Estas palavras foram ditas pelo Chico, numa tarde ao ar livre, para um grupo de passistas que o procuraram, pedindo-lhe orientação para o trabalho de passes que realizam num hospital de atendimento a cancerosos.
Registramos esse ensinamento, por que julgamos ser útil a muitos grupos espíritas que ficam na dependência de orientações de guias espirituais ou de pessoas estranhas ao trabalho que realizam, esquecendo-se que, com o diálogo entre os elementos da equipe, solucionariam os problemas encontrados.
Ele é válido também para qualquer um que queira precipitadamente orientar atividades alheias, sem bases no espírito de fraternidade legítima.
Dentro do assunto, recolhemos a seguinte orientação de Emmanuel, intitulada:
“Agindo, saberás”(*)
"*Se trabalhas com fé em Deus na Seara do Bem, não precisas articular muitas perguntas acerca daquilo que te compete fazer*”.
(*) Emmanuel/”Livro de Respostas – Editora Cultural Espírita União – SP

Livro: *Além da Alma*Casos da Vida de Francisco Cândido Xavier

Colaboração enviada por Marcos Paterra.

Foto: Dos dirigentes(Evangelizadores) do DIJ-da Casa do Caminho, da esquerda para a direita: Wellington, Cátia (Coordenadora), Rainilly e Cláudia. Orientadores de crianças e jovens, com base nas ricas apostilas da Federação Espírita Brasileira.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Em plena prova

Aguardas a melhora que parece tardia...

Suspiras em vão pelo amigo ideal...

Anseias inutilmente pela concórdia doméstica...

Clamas debalde pelo socorro em serviço...

Todavia, mesmo nos transes mais duros, espera com paciência.






*Ontem devastamos lares alheios.



Hoje é preciso reconstruí-los.



Ontem traçamos caminhos de lodo e sombra aos pés dos outros.



Hoje é preciso purificá-los.



Ontem retínhamos sem proveito a fortuna de todos.



Hoje é preciso devolvê-la em trabalho, acrescida de juros.



Ontem cultivamos aversões.



Hoje é preciso desfazê-las, a preço de sacrifício.



Ontem abraçamos o crime, supondo preservar-nos e defender-nos.



Hoje é preciso reparar e solver.



Ontem cravamos no próximo o espinho do sofrimento.



Hoje é preciso experimentá-lo por nossa vez.






*Se sobes calvário agreste, irriga em suor e pranto a senda para o futuro.



Qual ocorre ao enfermo que solicita assistência adequada antes da consulta, imploraste, antes do berço, a prova que te agracia.



Aspirando a sanar as chagas do pretérito, comissionaste o próprio destino para que te entregasse à existência o problema inquietante e a frustração temporária, o embaraço imprevisto e a trama da obsessão, o parente amargoso e a doença difícil.



Não atraiçoes a ti mesmo, fugindo ao merecimento da concessão.



Milhares de companheiros desenleados da carne suplicam o ensejo que já desfrutas.



Mergulhados na dor maior, tudo dariam para obter a dor menor em que te refazes.






*Desse modo, quando estiveres em oração, sorvendo a taça de angústia, na sentença que indicaste a ti próprio diante das Leis Divinas, roga a bênção da saúde e a riqueza da paz, a luz da consolação e o favor da alegria, mas pede a Deus, acima de tudo, o apoio da humildade e a força da paciência.


Reunião pública de 26/10/59

Questão nº 266

Religião dos Espíritos - EMMANUEL - CHICO XAVIER.

Foto: Vó Raimunda, impossibilitada de andar, é feliz em sua cadeira de rodas. (Casa Transitória - Sousa-PB.)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Consolador

O Consolador - Quarta Parte
Livro: *O Consolador*

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
*E S P I R I T I S M O*
*PRÁTICA*




372 -*Como deveremos entender a sessão espírita? *

- A sessão espírita deveria ser, em toda parte, uma cópia fiel do cenáculo fraterno, simples e humilde do Tiberíades, onde o Evangelho do Senhor fosse refletido em espírito e verdade, sem qualquer convenção do mundo, de modo que, entrelaçados todos os pensamentos na mesma finalidade amorosa e sincera, pudesse a assembléia constituir aquela reunião de dois ou mais corações em nome do Cristo, onde o esforço dos discípulos será sempre santificado pela presença do seu amor.

373 -*Como deve ser conduzida uma sessão espírita, de sua abertura ao encerramento? *

- Nesse sentido, há que considerar a excelência da codificação kardequiana; contudo, será sempre útil a lembrança de que as reuniões doutrinárias devem observar o máximo de simplicidade, como as assembléias humildes e sinceras do Cristianismo primitivo, abstendo-se de qualquer expressão que apele mais para os sentidos materiais que para a alma profunda, a grande esquecida de todos os tempos da Humanidade.

374 -*Nas sessões, os dirigentes e os médiuns têm uma tarefa definida e diferente entre si? *

- Nas reuniões doutrinárias, os papéis do orientador e do instrumento mediúnicos devem estar sempre identificados na mesma expressão de fraternidade e de amor, acima de tudo; mas, existem características a assinalar, para que os serviços espirituais produzam os mais elevados efeitos, salientando- se que os dirigentes das sessões devem ser o raciocínio e a lógica, enquanto o médium deve representar a fonte de água pura do sentimento. É por isso que, nas reuniões onde os orientadores não cogitam da lógica e onde os médiuns não possuem fé e desprendimento, a boa tarefa é impossível, porque a confusão natural estabelecerá a esterilidade no campo dos corações.

375 - *Os agrupamentos espiritistas podem ser organizados sem acontribuição dos médiuns? *

- Nas reuniões doutrinárias, os médiuns são úteis, mas não indispensáveis, porque somos obrigados a ponderar que todos os homens são médiuns, ainda mesmo sem tarefas definidas, nesse particular, podendo cada qual sentir e interpretar, no plano intuitivo, a palavra amorosa e sábia de seus guias espirituais, no imo da consciência.

376 - *Há estudiosos da Doutrina que se afastam das reuniões, quando as mesmas não apresentam fenômenos. Como se deve proceder para com eles? *

- Os que assim procedem testemunham, por si mesmo, plena inabilitação para o verdadeiro trabalho do Espiritismo sincero. Se preferirem as emoções transitórias dos nervos ao serviço da auto-iluminação, é melhor que se afastem temporariamente dos estudos sérios da Doutrina, antes de assumirem qualquer compromisso. A compreensão do Espiritismo ainda não está bastante desenvolvida em seu mundo interior, e é justo que prossigam em experiências para alcançá-la. O êxito dos esforços do plano espiritual, em favor do Cristianismo redivivo, não depende da quantidade de homens que o busquem, mas da qualidade dos trabalhos que militam em suas fileiras.

378 - *Por que motivo à doutrinação e a evangelização nas reuniões espiritistas beneficiam igualmente os desencarnados, se a estes seria mais justo o aproveitamento das lições recebidas no plano espiritual? *

- Grande número de almas desencarnadas nas ilusões da vida física, guardadas quase que integralmente no íntimo, conservam-se, por algum tempo, incapazes de aprender as vibrações; do plano espiritual superior, sendo conduzidas por seus guias e amigos redimidos às reuniões fraternas doEspiritismo evangélico, onde, sob as vistas amoráveis desses mesmos mentores do plano invisível, se processam os dispositivos da lei de cooperação e benefícios mútuos, que rege os fenômenos da vida nos dois planos.

379 - *Como deverá agir o estudioso para identificar as entidades que se comunicam? *

- Os Espíritos que se revelam, através das organizações mediúnicas, devem ser identificados por suas idéias e pela essência espiritual de suas palavras. Determinados médiuns, com tarefas especializadas podem ser auxiliares preciosos à identificação pessoal, seja no fenômeno literário, nas equações da ciência, ou satisfazendo a certos requisitos da investigação; todavia, essa não é a regra geral, salientando-se que as entidades espirituais, muitas vezes, não encontram senão um material deficiente que as obriga tão-só ao indispensável, no que se refere à comunicação. Devemos entender, contudo, que a linguagem do Espírito é universal, pelos fios invisíveis do pensamento, o que, aliás, não invalida a necessidade de um estudo atento acerca de todas as idéias lançadas nas mensagens, guardando-se muito cuidado no capítulo dos nomes ilustres que porventura as subscrevem. Nas manifestações de toda natureza, porém, o crente ou o estudioso do problema da identificação, não pode dispensar aquele sentido espiritual de observação que lhe falará sempre no imo da consciência.

380 - *É justo que o espiritista, depois de sofrer pela morte a separação de um ente amado, provoque a comunicação dele nas sessões medianímicas? *

- O espiritista sincero deve buscar o conforto moral, em tais casos, na própria fé que lhe deve edificar intimamente o coração. Não é justo provocar ou forçar a comunicação com esse ou aquele desencarnado. Além de não conhecerdes as possibilidades de sua nova condição na esfera espiritual; deveis atender ao problema dos vossos méritos. O homem pode desejar isso ou aquilo, mas há uma Providência que dispõe no assunto, examinando o mérito de quem pede e a utilidade da concessão. Qualquer comunicado com o Invisível deve ser espontâneo, e o espiritista cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano, ponderando quanto à necessidadede repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais convenientes e oportunos.

381 - *Muita gente procura o Espiritismo, queixando-se de perseguições do Invisível. Os que reclamam contra essas perturbações estão, de algum modo, abandonados de seus guias espirituais? *

- A proteção da Providência Divina estende-a a todas as criaturas. A perseguição de entidades sofredoras e perturbadas justifica-se no quadro das provações redentoras, mas, os que reclamam contra o assédio das forças inferiores dos planos adstritos ao orbe terrestre, devem consultar o próprio coração antes de formularem as suas queixas, de modo a observar se o Espírito perturbador não está neles mesmos. Há obsessores terríveis do homem, denominados "*orgulho*", "*vaidade*", "*preguiça*", "*avareza*", "*ignorância*" ou "*má-vontade* ", e convém examinar se não se é vítima dessas energias perversoras que, muitas vezes, habitam o coração da criatura, enceguecendo-a para a compreensão da luz de Deus. Contra esses elementos destruidores faz-se preciso um novo gênero de preces, que se constitui de trabalho, fé, esforço e boa-vontade

Colaboração de Marcos Paterra João Pessoa/PB Brasil

domingo, 17 de janeiro de 2010

NO REINO DA PALAVRA

Não grite.
Conserve a calma.
Use a imaginação sem excesso.
Fale com inteligência, sem exibição de cultura.
Responda serenamente em toda questão difícil.
Evite a maledicência.
Fuja a comparações, a fim de que seu verbo não venha a ferir.
Abstenha-se de todo adjetivo desagradável para pessoas, coisas e circunstâncias.
Guarde uma frase sorridente e amiga para toda situação inevitável.
Recorde que Jesus legou o Evangelho, exemplificando, mas conversando também.

Espírito: ANDRÉ LUIZ
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Aulas da Vida” - Edição IDEAL



REMÉDIO DE BASE

É possível haja você caído em profundo desânimo, por estar sofrendo:

a falta de alguém;

a incompreensão de amigos;

o frio da solidão;

o conflito de idéias;

acusações indébitas;

desajustes no trabalho;

dívidas agravadas;

prejuízo em negócios;

doenças no próprio corpo;

moléstias em família;

complexos de culpa;

reprovações e críticas;

sensações de abandono;

lutas e desafetos;

deserções de entes caros;

e obsessões ocultas...

Seja qual for, porém, a sua prova em si, erga a própria cabeça, ponha os olhos no Alto e retome a tarefa em que deva servir, confiando-se a Deus, porque Deus proverá e em Deus qualquer problema achará solução.


Espírito: ANDRÉ LUIZ
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Busca e Acharás” - Edição IDEAL
Foto: Comunhão Espírita Cristã A Casa do Caminho - BR 230, KM 470 - Sousa - PB.

sábado, 16 de janeiro de 2010

ANOTAÇÕES PREVENTIVAS

Retome o seu dia, buscando olvidar as ocorrências infelizes da véspera.
A casa protegida, habitualmente, promove faxinas pela manhã.

Se alguém se lhe fixou na mente como sendo um ponto enfermiço, envolva a imagem desse alguém no bálsamo da prece.


Uma chaga no corpo exige recurso cicatrizante.


Lance boatos e injúrias ao cesto do esquecimento.


A moradia claramente limpa reclama a presença do esgoto.


Abstenha-se de entreter assuntos alusivos à delinqüência.


Ninguém lava as mãos num vaso de lama.


Dissipe tentações no calor do trabalho.


As aranhas não resistem ao espanador em movimento.


Ganhe distância dos ambientes que lhe incitem a alma à distorção e ao desequilíbrio.


Não se lembraria você de banhar-se num pântano.


Evite comentários deprimentes.


Você não serviria um bolo envenenado aos amigos.


Reguardemos o coração nas fontes do bem, pensemos no bem e procuremos falar e agir para o bem, porque servir ao bem dos outros é a melhor forma de atividade preventiva contra enfermidade e perturbação nos domínios da nossa vida mental.

Espírito: ANDRÉ LUIZ
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Busca e Acharás” - Edição IDEAL



Foto: Imagem de Ándré Luiz - Médico sanitarista, exerceu sua profissão no Rio de Janeiro, Brasil. Segundo suas próprias palavras, optou pelo anonimato, quando da decisão de enviar notícias do além-túmulo, por compreender que "a existencia humana apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda toda a verdade".

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

MENSAGEM DA CRIANÇA

Dizes que sou o futuro.

Não me desampares no presente.

Dizes que sou a esperança da paz.

Não me induzas à guerra.

Dizes que sou a promessa do bem.

Não me confies ao mal.

Dizes que sou a luz dos teus olhos.

Não me abandones às trevas.

Não espero somente o teu pão.

Dá-me luz e entendimento.

Não desejo tão só a festa de teu carinho.

Suplico-te amor com que me eduques.

Não te rogo apenas brinquedos.

Peço-te bons exemplos e boas palavras.

Não sou simples ornamento de teu caminho.

Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.

Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.

Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo...

Corrige-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra...

Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.


Espírito: MEIMEI
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Antologia da Criança” - Edição FEB.
Foto: Criança atenta aos trabalhos de Evangelização, aos cuidados de Cátia, Welington, Rainilly, Cláudia e Carlos Henrique, no Lar do Nazareno, na BR 230 - km 470 - Sousa - Paraíba.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DOENÇA E CURA

Filhos, toda doença tem a sua origem nas imperfeições do espírito, que reflete sobre as células que lhe constituem o corpo material os desajustes da consciência.A doença, quando se exterioriza, se revela e pede tratamento.
Infelizmente, no entanto, o homem tem oferecido aos seus males físicos, que são, em essência, males espirituais, remédios que agem perifericamente, ou seja, que não atuam no âmago da questão. Os distúrbios psicológicos do ser, fruto do seu estado de desarmonia com a Lei, provocando-lhe sensações de sofrimento orgânico, tornam evidentes as necessidades que se lhe radicam n'alma. O que é subjetivo faz-se concreto para que se lhe corrijam as distorções.
Embora realizasse e realize curas no corpo perecível, sujeito às incessantes transformações da matéria, Jesus se corporificou no mundo para empreender a cura das almas, que não se efetivará sem o concurso dos enfermos que a desejem. A falta de perdão, o ódio, a revolta, a descrença, o ressentimento e toda a variada gama de sentimentos corrompidos engendram causas profundas nas dores que a Medicina estuda e cataloga, sem, no entanto, dar-lhes combate eficaz.
Filhos, a harmonização do vosso mundo íntimo vitaliza as células em desgaste e suprime as conseqüências mais drásticas do carma, a se expressarem tantas vezes nas patologias que vos limitam a ação.
Pautai-vos por uma conduta cristã e, embora mais tarde não vos eviteis de facear a morte, convivereis com a dor sem as agravantes do desespero. A longevidade que o homem pretende no corpo material será uma conquista do espírito e não meramente da Ciência, no campo das prevenções.
Elevai o vosso padrão mental e educai os vossos sentimentos, atraindo para vós as forças positivas da Criação como quem sabe escolher para si o ar que respira. Não olvideis que, basicamente, toda cura depende da movimentação da vontade do próprio enfermo, sem cujo concurso determinante ela não ocorrerá.

A CORAGEM DA FÉ
Bezerra de Menezes
Psicografado por Carlos A. Bacelli.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SOMOS COITADINHOS?

Diz Emmanuel no livro O Consolador: "dentre os mundos inferiores, a Terra pertence à categoria dos de expiações e provas, porque ainda existe predominância do mal sobre o bem. Aqui, o homem leva uma vida cheia de vicissitudes por ser ainda imperfeito, havendo, para seus habitantes, mais momentos de infelicidades do que de alegrias. A provação é a luta que ensina ao discípulo rebelde e preguiçoso a estrada do trabalho e da edificação espiritual. A expiação é a pena imposta ao malfeitor que comete um crime.”


Diante de tal explicação, concluímos que não nascemos para ser completamente felizes. Aqui, neste planeta, alegria e tristeza se revezam. Moramos num vale de lágrimas, ou seja, ora choramos de alegria, ora de tristeza. Estes são ensinamentos básicos na Doutrina Espírita, mas muitos de nós espíritas, mesmo sabendo de tudo isso, quando passamos por um momento difícil, sentimos pena de nós mesmos. Basta encontrarmos com um conhecido para desabafarmos nossas amarguras nos colocando na condição de “coitadinho” ou “vítima” de uma situação. Quando na verdade somos “vitimas” de nós mesmos. Temos também o hábito de responsabilizar os outros pela nossa dor: um amigo(a), um espírito, a macumba, os pais, a inveja, o olho gordo, a herança genética, etc. E mais uma vez a Doutrina explica na questão 845 do O Livro dos Espíritos que, “não há convite irresistível quando se tem a vontade de resistir. Lembremos que querer é poder”. Então, ninguém nos obriga a nada, aceitamos convites ou tomamos certas decisões, porque usamos nosso livre arbítrio, baseando-nos na lei de afinidade. E no evangelho diz: “a cada um segundo suas obras” (Lucas XII, 47-48), ou seja, cada um de nós irá resgatar segundo o que tenhamos feito. Estes esclarecimentos nos faz pensar e agir de maneira diferente. Passamos a aceitar melhor as tribulações da vida. Uma das mais belas virtudes que enfeitam a alma humana é a resignação, a expressar-se na aceitação dos males da existência.

A auto-piedade é um alimento venenoso, uma espécie de erva daninha que intoxica o espírito, dificulta as relações e promove medo, desconfiança, solidão e melancolia. É filha do egoísmo e da lamentação, afilhada do orgulho e irmã da necessidade de aprovação e de atenção especial.


Lembramos aqui a história do médium Jerônimo Mendonça. Um exemplo de superação de limites. Ele foi totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, foi cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas por todo o Brasil a fora para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado “O Gigante Deitado” pelos amigos e pela imprensa. Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou com hemorragia acentuada, das vias urinárias. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar. Os amigos, resolveram levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier. Pois eles eram muitos amigos. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue Chico disse: “OLHA SÓ QUEM ESTÁ NOS VISITANDO! O JERÔNIMO! ESTÁ PARECENDO UMA ROSA VERMELHA! VAMOS TODOS DAR UM BEIJO NESSA ROSA, MAS COM MUITO CUIDADO PARA ELA NÃO DESPETALAR.” Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou. Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, e em seguida vem a explicação: “VOCÊ SABE PORQUÊ DESTA HEMORRAGIA, JERÔNIMO?” Jerônimo respondeu: “NÃO, CHICO.” Chico, então, explicou: “FOI PORQUE VOCÊ ACEITOU O “COITADINHO”. COITADINHO DO JERÔNIMO, COITADINHO... VOCÊ DESENVOLVEU A AUTOPIEDADE. COMEÇOU A TER DÓ DE VOCÊ MESMO. ISSO GEROU UM PROCESSO DESTRUTIVO. O SEU PENSAMENTO NEGATIVO FLUIDICAMENTE INTERFERIU NO SEU CORPO FÍSICO, GERANDO A LESÃO. DORAVANTE, JERÔNIMO, VENÇA O COITADINHO. TENHA BOM ÂNIMO, ALEGRE-SE, CANTE, BRINQUE, PARA QUE OS OUTROS NÃO SINTAM PIEDADE DE VOCÊ.” Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.
Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia “fatal”. Venceu o “coitadinho”.Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.


Postado por GRUPO DE ESTUDO ALLAN KARDEC às 15:33, em 01.01.2010.
Foto: Jeronimo Mendonça antes do desencarne em 1989, foi um dos grandes responsáveis e incentivadores da Comunhão Espírita Cristã A Casa do Caminho, em Sousa-PB, em função das mensagens enviadas através de fita cassete e de inúmeros telefonemas de forças e estímulo para continuidade da Obra.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Na hora da crise

Na hora da crise, emudece os lábios e ouve as vozes que falam, inarticuladas, no imo de ti mesmo.
Perceberás, distintamente, o conflito.

É o passado que teima em ficar e o presente que anseia pelo futuro.

É o cárcere e a libertação.

A sombra e a luz.

A dívida e a esperança.

É o que foi e o que deve ser.

Na essência, é o mundo e o Cristo no coração.

Grita o mundo pelo verbo dos amigos e dos adversários, na Terra e além daTerra.

Adverte o Cristo, através da responsabilidade que nos vibra na consciência.

Diz o mundo: «acomoda-te como puderes.

Pede o Cristo: «levanta-te e anda».

Diz o mundo: «faze o que desejas».

Pede o Cristo: «não peques mais».

Diz o mundo: «destrói os opositores».

Pede o Cristo: «ama os teus inimigos».

Diz o mundo: «renega os que te incomodem».

Pede o Cristo: «ao que te exija mil passos, caminha com ele dois mil».

Diz o mundo: «apega-te à posse».

Pede o Cristo: “ao que te rogue a túnica cede também a capa”.

Diz o mundo: «fere a quem te fere».

Pede o Cristo: «perdoa sempre».

Diz o mundo: «descansa e goza».

Pede o Cristo: «avança enquanto tens luz».

Diz o mundo: «censura como quiseres».

Pede o Cristo: «não condenes».

Diz o mundo: «não repares os meios para alcançar os fins».

Diz o Cristo: «serás medido pela medida que aplicares aos outros».

Diz o mundo: «aborrece os que te aborreçam».

Pede o Cristo: «ora pelos que te perseguem e caluniam».

Diz o mundo: «acumula ouro e poder para que te faças temido».

Diz o Cristo: «provavelmente nesta noite pedirão tua alma e o que amontoaste para quem será?»

Obsessão é também problema de sintonia.

O ouvido que escuta reflete a boca que fala.

O olho que algo vê assemelha-se, de algum modo, à coisa vista.

Não precisas, assim, sofrer longas hesitações nas horas de tempestade.

Se realmente procuras caminho justo, ouçamos o Cristo, e a palavra dele, por bússola infalível, traçar-nos-á rumo certo.


Reunião pública de 5/10/59
Questão nº 466
Religião dos Espíritos - EMMANUEL - CHICO XAVIER.
Foto: Vó Joanita quando encarnada, residiu na CASA TRANSTÓRIA - Sousa-PB, amenizando o sofrimento daqueles que recorriam as suas preces e aos seus passes balsamicos e consoladores.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mediunidade e dever

No campo da mediunidade, não olvides que o dever retamente cumprido é a bússola que te propiciará rumo certo.
Deslumbrar-te-ás na contemplação de painéis assombrosos na esfera extrafísica, mas, se não enxergas o quadro das próprias obrigações a fim de atendê-las honestamente, a breve espaço sofrerás a espionagem das inteligências que pervagam nas trevas, a converterem-te as horas em pasto de vampirismo.
Escutarás sublimes revelações, inacessíveis ao sensório comum; todavia, se não estiveres atento para com as ordenações da consciência laboriosa e tranqüila, em pouco tempo serás ouvido pelos agentes da sombra a enredarem-te os passos no fojo de perturbações aviltantes.
Assimilarás o influxo mental de Espíritos nobres, domiciliados além daTerra, e transmitir-lhes-ás a palavra construtiva em discursos admiráveis; contudo, se não demonstras reta conduta à frente dos outros, no exemplo vivo do trabalho e do entendimento, sem demora te encontrarás envolvido nas vibrações de criaturas retardadas e delinqüentes, a chumbarem-te os pés na fossa da obsessão.
Psicografarás páginas brilhantes, nas quais a ciência e a fé se estampam, divinas; no entanto, se teus braços desertam do serviço santificante, transformar-te-ás facilmente no escriba da vaidade e da insensatez. Fornecerás importantes notícias do mundo espiritual, utilizando recursos ainda ignorados pela percepção dos teus ouvintes; entretanto, se foges do estudo que te faculta discernimento, serás para logo detido no nevoeiro da ignorância.
Se a mediunidade evidente é tarefa que te assinala o roteiro, não te afastes dos compromissos que a vida te impõe.
Sobretudo, lembra-te sempre de que o talento mediúnico, encerrado nas tuas mãos, deve ser a tela digna em que os mensageiros da Espiritualidade Maior possam criar as obras-primas da caridade e da educação, porqüanto, de outro modo, se buscas comprazimento na indisciplina, do pano roto de tuas energias descontroladas surgirá simplesmente a caricatura das bênçãos que te propunhas veicular, debuxada pelos artistas do escárnio, que se valem da fantasia, a detrimento da luz.
Reunião pública de 2/3/59
Questão nº 799
Religião dos Espíritos
EMMANUEL - CHICO XAVIER
Foto: Vovo João Nascimento (residente da Casa Transitória), deixa escapar, momentaneamente, o talento da mediunidade, que lhe facultaria o discernimento para o trabalho enobrecedor.

domingo, 10 de janeiro de 2010

DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM

"Os médiuns levianos e pouco sérios atraem, pois, Espíritos da mesma natureza; por isso é que suas comunicações se mostram cheias de banalidades, frivolidades, idéias truncadas e, não raro, muito heterodoxas, espiriticamente falando. Certamente, podem eles dizer, e às vezes dizem, coisas aproveitáveis; mas, nesse caso, principalmente, é que um exame severo e escrupuloso se faz necessário, porquanto, de envolta com essas coisas aproveitáveis, Espíritos hipócritas insinuam, com habilidade e preconcebida perfídia, fatos de pura invencionice, asserções mentirosas, a fim de iludir a boa-fé dos que lhes dispensam atenção. Devem riscar-se, então, sem piedade, toda palavra, toda frase equivoca e só conservar do ditado o que a lógica possa aceitar, ou o que a Doutrina já ensinou. As comunicações desta natureza só são de temer para os espíritas que trabalham isolados, para os grupos novos, ou pouco esclarecidos, visto que, nas reuniões onde os adeptos estão adiantados e já adquiriram experiência, a gralha perde o seu tempo a se adornar com as penas do pavão: acaba sempre desmascarada.

"Não falarei dos médiuns que se comprazem em solicitar e receber comunicações obscenas. Deixemos se deleitem na companhia dos Espíritos cínicos. Aliás, os autores das comunicações desta ordem buscam, por si mesmos, a solidão e o isolamento; porquanto só desprezo e nojo poderão causar entre os membros dos grupos filosóficos e sérios. Onde, porém, a influência moral do médium se faz realmente sentir, é quando ele substitui, pelas que lhe são pessoais, as idéias que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir e também quando tira da sua imaginação teorias fantásticas que, de boa-fé, julga resultarem de uma comunicação intuitiva. É de apostar-se então mil contra um que isso não passa de reflexo do próprio Espírito do médium. Dá-se mesmo o fato curioso de mover-se a mão do médium, quase mecanicamente às vezes, impelida por um Espírito secundário e zombeteiro. É essa a pedra de toque contra a qual vêm quebrar-se as imaginações ardentes, por isso que, arrebatados pelo ímpeto de suas próprias idéias, pelas lentejoulas de seus conhecimentos literários, os médiuns desconhecem o ditado modesto de um Espírito criterioso e, abandonando a presa pela sombra, o substituem por uma paráfrase empolada. Contra este escolho terrível vêm igualmente chocar-se as personalidades ambiciosas que, em falta das comunicações que os bons Espíritos lhes recusam, apresentam suas próprias obras como sendo desses Espíritos. Daí a necessidade de serem, os diretores dos grupos espíritas, dotados de fino tato, de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas das que não o são e para não ferir os que se iludem a si mesmos.

"Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.

"Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniqüidade.

"O Espiritismo já está bastante espalhado entre os homens e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua santa doutrina, para que os Espíritos já não se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos, de médiuns imperfeitos. Se, pois, agora, um médium, qualquer que ele seja, se tornar objeto de legítima suspeição, pelo seu proceder, pelos seus costumes, pelo seu orgulho, pela sua falta de amor e de caridade, repeli, repeli suas comunicações, porquanto aí estará uma serpente oculta entre as ervas. E esta a conclusão a que chego sobre a influência moral dos médiuns."
ERASTO

fls. 291,292 e 293- Capítulo - DA INFLUÊNCIA MORAL DO MÉDIUM - ALLAN KARDEC ESPIRITISMO EXPERIMENTAL O Livro dos Médiuns OU GUIA DOS MÉDIUNS E DOS EVOCADORES 62ª edição editora FEB
Título do original francês: LE LIVRE DES MÉDIUMS ou GUIDE DES MÉDIUMS ET DES ÉVOCATEURS(Paris, 15-janeiro-1861)
Foto: Chico Xavier, exemplo de médium, verdadeiro Obreiro de Jesus.

sábado, 9 de janeiro de 2010

TRANSIÇÃO - CARIDADE, FÉ E ESPERANÇA

Ia em meio o ciclo evolutivo da Terceira Raça, cujo núcleo mais importante e numeroso se situava na Lemúria, quando, nas esferas espirituais, foi considerada a situação da Terra e resolvida a imigração para ela de populações de outros orbes mais adiantados, para que o homem planetário pudesse receber um poderoso estímulo e uma ajuda direta na sua árdua luta pela conquista da própria espiritualidade.
A escolha, como já dissemos, recaiu nos habitantes da Capela.
Eis como Emmanuel, o espírito de superior hierarquia, tão estreitamente vinculado, agora, ao movimento espiritual da Pátria do Evangelho, inicia a narrativa desse impressionante acontecimento:
"Há muitos milénios, um dos orbes do Cocheiro, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos...
Alguns milhões de espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e de virtudes..."


Resolvida, pois, a transferência, os milhares de espíritos atingidos pela irrecorrível decisão foram notificados do seu novo destino e da necessidade de sua reencarnação em planeta inferior.
Reunidos no plano etéreo daquele orbe, foram postos na presença do Divino Mestre para receberem o estímulo da Esperança e a palavra da Promessa, que lhes serviriam de consolação e de amparo nas trevas dos sofrimentos físicos e morais, que lhes estavam reservados por séculos.
Grandioso e comovedor foi, então, o espetáculo daquelas turbas de condenados, que colhiam os frutos dolorosos de seus desvarios, segundo a lei imutável da eterna justiça.
Eis como Emmanuel, no seu estilo severo e eloquente, descreve a cena:
- "Foi assim que Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes. Com a sua palavra sábia e compassiva exortou aquelas almas desventuradas à edificação da consciência pelo cumprimento dos deveres de solidariedade e de amor, no esforço regenerador de si mesmas.
Mostrou-lhes os campos de lutas que se desdobravam na Terra, envolvendo-as no halo bendito de sua misericórdia e de sua caridade sem limites.
Abençoou-lhes as lágrimas santificadoras, fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes a sua colaboração quotidiana e a sua vinda no porvir.
Aqueles seres desolados e aflitos, que deixavam atrás de si todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos na prática do mal, seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milénios da saudade e da amargura, reencarnar-se-iam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes.
Por muitos séculos não veriam a suave luz da Capela, mas trabalhariam na Terra acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia."
E assim a decisão irrevogável se cumpriu e os exilados, fechados seus olhos para os esplendores da vida feliz no seu mundo, foram arrojados na queda tormentosa, para de novo somente abri-los nas sombras escuras, de sofrimento e de morte, do novo "habitat" planetário.


Assim, pois, estamos no princípio das dores e um pouco mais os sinais dos grandes tormentos estarão visíveis no céu e na Terra, não havendo mais tempo para tardios arrependimentos. Nesse dia:
- "Quem estiver no telhado não desça à casa e quem estiver no campo não volte atrás." (Lc,17:31)
Porque haverá grandes atribulações e cada homem e cada mulher estará entregue a si mesmo.

Ninguém poderá interceder pelo próximo; haverá um tão grande desalento que somente a morte será o desejo dos corações; até o Sol se esconderá, porque a atmosfera se cobrirá de sombras; e nenhuma prece mais será ouvida e nenhum lamento mais comoverá as Potestades ou desviará o curso dos acontecimentos.
Como está escrito:
- "E nesse dia haverá uma grande aflição como nunca houve nem nunca há de haver." (Mt, 24:21)
Porque o Mestre é o Senhor, e se passam a Terra e os Céus Suas palavras não passarão.
E Ele disse:
- "Jerusalém! Jerusalém! Quantas vezes quis eu ajuntar Os teus filhos como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas e não o quiseste...
Por isso, não me vereis mais até que digais: Bendito seja o que vem em nome do Senhor." (Lc,13:34-35)
E enquanto nossos olhos conturbados perscrutam os céus, seguindo, aflitos, a réstia branca de luz que deixa, na sua esteira, a linda Capela, o orbe longínquo dos nossos sonhos, reboa ainda aos nossos ouvidos, vindas das profundezas do tempo, as palavras comovedoras de João, nos repetindo:
- "Ele era a luz dos homens, a luz resplandeceu nas trevas e as trevas não a receberam." (Jo,1:4-5)
E só então, penitentes e contritos, nós medimos, na trágica e tremenda lição, a enormidade dos nossos erros e a extensão imensa de nossa obstinada cegueira:
- Porque fomos daqueles para os quais, naquele tempo, a luz resplandeceu e foi desprezada; - somos daqueles que repudiamos a salvação; - somos os proscritos que ainda não se redimiram e que vão ser novamente julgados, pesados e medidos, no tribunal do divino poder.
Por isso, é que permanecemos ainda neste vale expiatório de sombras e de morte a entoar, lamentosamente, aa nênia melancólica do arrependimento.
Jerusalém! Jerusalém!


fls. 28, 30, 94 e 95 Armond, Edgard, 1894-1982
Os Exilados da Capela / Edgard Armond
11 edição -

"Queiram ou não queiram os homens, com o tempo, a luz da verdade se fará nos quatro cantos do mundo. " Palavras de Razin, Guia Espiritual.
Foto: réplica dos dinossauros em Sousa-PB.