sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Língua

A Língua


Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.


Ponderada - favorece o juízo.


Leviana - descortina a imprudência.


Alegre - espalha otimismo.


Triste - semeia desânimo.


Generosa - abre caminho à elevação.


Maledicente - cava despenhadeiros.


Gentil - provoca reconhecimento.


Atrevida - traz a perturbação.


Serena - produz calma.


Fervorosa - impõe a confiança.


Descrente - invoca a frieza.



Copiado do Livro Preces e Mensagens Espirituais. André Luiz, psicografia de Chico Xavier.

Foto: Do auditório onde foi realizado o 3º Congresso Espírita Brasileiro, abril/2010, em Brasília (DF).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

RELIGIÃO E INTOLERÂNCIA

RELIGIÃO E INTOLERÂNCIA
“Por definição, toda religião – toda fé – é intolerante, pois proclama uma verdade que não pode conviver pacificamente com outras que a negam.” – Mario Vargas Llosa





Por definição, está coberto de razão o grande escritor peruano, quando coloca o problema da intolerância religiosa como reflexo da enorme diversidade cultural que caracterizam os povos e espelho das mentalidades que também se diferenciam dentro dos próprios grupos sociais. Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo (11/07/2004), sobre o caráter laico do Estado e da União Européia, ele fala com conhecimento de causa e faz a afirmação acima citada baseando-se na experiência histórica de religiões e filosofias e que foram desviadas de suas bases originais para satisfazer interesses bem distanciados daqueles delineados por seus criadores.



Não importa a relatividade desses conceitos – se religião ou religiosidade, fé ou crença devoção ou adoração – a repercussão desse elemento cultural na mente humana dificilmente poderá ser dissociado do fanatismo, dos impulsos passionais e do radicalismo emocional. Não é à toa que a sabedoria popular ensina que não se deve discutir religião e futebol, se quisermos preservar relações amistosas. Durante séculos fomos educados para a intolerância e para o radicalismo. Preconceitos religiosos foram pacientemente enraizados em nosso psiquismo e no comportamento, como peças estratégicas para preservação de grupos e sistemas ideológicos. Mesmo as grandes lições de fraternidade e tolerância caíram no esquecimento e no universo lendário. O próprio Mahatma Gandhi, figura contemporânea da Era Atômica, parecia em sua época e ainda hoje ser algo inacreditável, saído das páginas de algum livro de mitologia.



Mas somos, como categoria social humana, um complexo multicolorido de ideologias e crenças, seja em forma de partidos políticos, de cultos religiosos, agremiações filosóficas ou estilos de vida que consideramos atraentes e afins com a nossa maneira de ver o mundo, de agir, de pensar e de sentir as coisas. Nesses agrupamentos procuramos respostas, conforto espiritual, aceitação, respeito, reconhecimento, todas as soluções possíveis para resolver os nossos conflitos interiores, nossas carências internas e externas, reparos de danos e traumas, enfim, a busca da felicidade, de um Norte, de uma plenitude, da auto-realização. É por esse motivo, inclusive, que constituímos famílias - não importando qual o modelo - e mantemos viva a imagem do “ninho” ou da “tribo” como símbolos da nossa identidade pessoal e social. Nossos ninhos e tribos continuam sendo o nosso principal endereço existencial, a referência na qual mantemos o pé de apoio para dar todos os passos importantes e decisivos nas experiências vivenciais. Até mesmo as organizações criminosas ou os agrupamentos de hábitos considerados fúteis, quando ameaçados em seus interesses, reagem com suas ideologias, doutrinas, dogmas, tradições, raízes, ídolos, eventos históricos, como armas para justificar e legitimar suas necessidades e suas próprias existências. Vejamos, por exemplo, os recentes acontecimentos de 11 de setembro , onde o terror teve a religião como principal fonte de motivação ideológica. “Mas é uma religião primitiva e atrasada!”, diriam os ateus ou então aqueles outros que julgam que sua religião é superior às demais. Como se o problema fosse a religião em si, quando na verdade é o comportamento sectário embutido historicamente nas religiões e confrarias que alimentam esses flagelos de mentalidade. A intenção dos atentados terrorista foi de ordem política, mas os agentes executores o fizeram por uma causa religiosa, ou seja , a crença de que seriam recompensados num outro mundo por terem agido com renúncia e coragem. Isso é histórico: é só lembrar as monarquias teocráticas de todos os tempos, os tribunais da Inquisição, as cruzadas, o calvinismo europeu, os regimes totalitários nos anos 30 e durante a Guerra Fria.



O grau de intolerância demonstrado por aqueles que hoje se suicidam pela sua crença certamente não é o mesmo daqueles que discriminam, perseguem e expulsam seus companheiros de ideologia, quando estes começam a destoar dos seus pontos de vista, mas as causas são idênticas: a incapacidade de compreender e conviver com a diversidade e de aceitar o princípio igualdade humana como lei universal. Nas situações de conflito, quando o egoísmo e o orgulho predominam como fonte de poder, a igualdade e a humildade passam a ser vistos como valores banais, de pessoas fracas e poucos inteligentes. Quando se trata de conflitos de crença e ideologia, esse fator humano de arrogância e prepotência assume proporções mais violentas, mesmo quando disfarçadas pela polidez institucional, pelas aparências jurídicas, pela hipocrisia das relações artificiais. Temos visto isso acontecer em todas o setores sociais, mas nas agremiações religiosas elas acontecem com mais freqüência e são mais camufladas com um forte teor de hipocrisia. Nesses ambientes de orações, meditações, vibrações, peregrinações, curas, oferendas, cantorias e celebrações, a camuflagem torna-se mais sutil e mais eficiente no jogo de aparências. Aí a mente é capaz de realizar verdadeiros prodígios de dissimulação: sorrir e odiar; orar com a voz mansa e emotiva e, ao mesmo tempo, conspirar criminosamente para eliminar o adversário. Pode parecer chocante, mas é a mesma ginástica ideológica que faz o matador de aluguel rezar de joelhos para pedir perdão antes de cometer o ato insano.



Essa perversão da fé e da religiosidade só tem uma explicação: orgulho e egoísmo. Ninguém consegue abrir mão de posições e posturas, de pontos de vista ou de opiniões quando estão sob o efeito das aparências, da imagem artificial que possuem das coisas e de si mesmos. É uma doença existencial com fortes elementos de ordem emocional, como uma ferida infectada, cuja característica marcante é o hábito sistemático de fugir da realidade e de mentir para si próprio. Quando fingimos ou dissimulamos idéias e sentimentos, com a intenção de ocupar espaço ideológico ingressamos imediatamente num jogo perigoso, de difícil sustentação. Daí ser muito comum e constante o uso de expedientes ardilosos, geralmente incompatíveis com a ética religiosa ou filosófica dos grupos que freqüentamos.



Não é coincidência também que a desilusão pessoal e a decepção com as contradições humanas são a maior causa da deserção dos adeptos desses grupos. Desertamos na medida que caem os mitos, as aparências, as imagens distorcidas: mitos que nós mesmos criamos, aparências que deixamos nos iludir, imagens que construímos com distorções, segundo os nossos próprios interesses inconscientes e limites psicológicos. Quando isso acontece, quase sempre colocamos a culpa nos outros, nos líderes, nas doutrinas, nos acontecimentos, sem jamais avaliar que o nosso ponto de vista é que sempre foi o verdadeiro responsável pela condução dos nossos sentimentos e atitudes. Recentemente tivemos a oportunidade de ouvir as queixas de um militante bem desiludido com os espíritas, com os centros espíritas e com o Espiritismo. Bastante abatido com a derrota em uma disputa na qual, segundo ele, entrou de corpo e alma, em nenhum momento reconheceu o fato de ter se deixado iludir, mas atacou com muita propriedade todas as imperfeições das pessoas e das instituições envolvidas na sua triste história. Nos lembramos dos textos de “Obras Póstumas” e da “Revista Espírita”, mas não tivemos coragem de recomendá-los naquele momento de mágoas e decepções. Um pouco desolados com essa história de poder e glória em uma instituição espírita, fomos nós mesmos nos consolar nas memórias de Kardec, repletas de experiências sobre os problemas da convivência humana. Ali podemos observar como é possível empreender esforços para superar tendências históricas, hábitos culturais e inclinações pessoais que perpetuam o fanatismo e a intolerância. A experiência de Kardec prova que é possível ir além das definições, romper preconceitos seculares e avançar cada vez mais no terreno da liberdade de consciência. Definições não são apenas artifícios de linguagem, mas ferramentas precisas para identificar coisas, circunstâncias e paradigmas predominantes.



Mas é preciso ir além, quebrar paradigmas, ousar, como fizeram os demolidores de preconceitos em todas as épocas. Eram, é claro, pessoas de moral acima do normal e de comportamento diferenciado da média, mas todos tinham algo em comum: eram seres humanos e jamais se deixaram escravizar por idéias e crenças. Muito pelo contrário, atacaram suas próprias culturas nos pontos que consideravam frágeis e ilusórios. Budha atacou o desejo e a sensualidade que contaminava a espiritualidade em seu tempo; Jesus posicionou-se estratégica e heroicamente contra a intolerância, o fanatismo e o comércio das coisas sagradas; Lao-tsé e Confúcio empreenderam suas inteligências contra a corrupção e o comodismo; Comênius e Pestalozzi viram na infância um terreno fértil para plantar as sementes da transformação do tempo futuro e não somente no cultivo das tradições do passado. Allan Kardec demoliu o materialismo e o sobrenatural, reconstruiu a fé e resgatou a religiosidade sem se deixar contaminar pela ingenuidade mística ou se impressionar com os “mistérios” ditos “ocultos”. Martim Luther King, seguindo os passos de Gandhi, desmontou a farsa que encobria em seu país o mito da liberdade e os direitos civis.



Seria de uma grande utilidade se nós, os espíritas, pudéssemos refletir sobre esse assunto e transpormos suas conclusões para os ambientes que freqüentamos e a ideologia que cultivamos como fonte de realização. Podemos avançar as definições e romper paradigmas. Como o Espiritismo não é religião - nesse sentido histórico sectário –, muito menos futebol, podemos discutir tranqüilamente essas delicadas questões ideológicas:

Como temos cultivado o conceito de verdade no Espiritismo?
Como temos lidado com o pensamento divergente?
Temos agido dentro da ética espírita quando atuamos politicamente em suas instituições?
Afinal, nossa fé tem conseguido encarar a razão face a face?



Artido de Dalmo Duque dos Santos é mestre em Comunicação, bacharel em História e Pedagogia.

Foto: 3º Congresso Espírita Brasileiro, realizado em abril de 2010, em Brasília (DF), onde podemos perceber(supomos) a participação de Neto (José Batista de Azevedo Neto-PB), de pé, camisa amarela, com as mãos cruzadas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

BEZERRA DE MENEZES

MENSAGEM PSICOFÔNICA DE BEZERRA DE MENEZES
POR DIVALDO PEREIRA FRANCO NO 3º. CONGRESSO ESPÍRITA BRASILEIRO

“Estamos agora em um novo período, estes dias assinalam uma data muito especial, a data da mudança do mundo de provas e expiações para mundo de regeneração.
A grande noite que se abatia sobre a terra lentamente cede lugar ao amanhecer de bênçãos, retroceder não mais é possível.
Firmastes, filhas e filhos da alma, um compromisso com Jesus antes de mergulhares na indumentária carnal de servi-lo com abnegação e devotamento, prometestes que lhe serias fiel, mesmo que vos fosse exigido o sacrifício.
Alargando-se os horizontes deste amanhecer que viaja para a plenitude do dia, exultemos juntos, os espíritos desencarnados e vós outros que transitais pelo mundo de sombras; mas além do júbilo que a todos nos domina, tenhamos em mente as graves responsabilidades que nos exortam a existência do corpo ou fora dele.
Deveremos reviver os dias inolvidáveis da época do martírio nosso, seremos convidados não somente ao aplauso, ao entusiasmo, ao júbilo, mas também ao testemunho, o testemunho silencioso nas paisagens internas da alma, o testemunho por amor àqueles que não nos amam, o testemunho de abnegação no sentido de ajudar aqueles ainda se comprazem em gerar dificuldades tentando inutilmente obstaculizar a marcha do progresso.
Iniciada a grande transição, chegaremos ao clímax e na razão direta em que o planeta experimenta as suas mudanças físicas, geológicas, as mudanças morais serão inadiáveis.
Que sejamos nós aqueles Espíritos Espíritas que demonstremos a grandeza do amor de Jesus em nossas vidas; que outros reclamem, que outros se queixem, que outros deblaterem, que nós outros guardemos, nos refolhos da alma, o compromisso de amar e amar sempre, trazendo Jesus de volta com toda a pujança daqueles dias que vão longe e que estão muito perto.
Jesus, filhas e filhos queridos, espera por nós, que seja o nosso escudo o Amor, as nossas ferramentas o Amor, e a nossa vida um Hino de Amor, são os votos que formulamos os Espíritos Espíritas aqui presentes e que me sugeriram representá-los diante de vós.
Com muito carinho o servidor humílimo e paternal de sempre,
Bezerra
Brasília(DF), abril/2010.

terça-feira, 27 de abril de 2010

MAIS OU MENOS?

MAIS OU MENOS?



A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.



A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.



A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...



TUDO BEM!



O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.



Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.



Mensagem de Chico Xavier... (enquanto estava encarnado)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A ARTE DE NÃO ADOECER

A ARTE DE NÃO ADOECER
Dr. Drauzio Varella


Se não quiser adoecer - "Tome decisão".
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia.
A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões.
A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros.
As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.


Se não quiser adoecer - "Busque soluções".
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo.
Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe.
Somos o que pensamos.
O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.


Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos".
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como:
gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.
Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer.
Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.


Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências".
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem,
quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc.,
está acumulando toneladas de peso...
uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e pouca raiz.
Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.


Se não quiser adoecer - "Aceite-se".
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos.
Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.
Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie".
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona,não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento.
A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.


Se não quiser adoecer - "Não viva sempre triste".
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa.
A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer.
Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.
O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.



"O bom humor nos salva das mãos do doutor".
Alegria é saúde e terapia.

Foto: Copiada da internet com o título de "Estou tão cansado".

sábado, 24 de abril de 2010

A AJUDA DIVINA

A AJUDA DIVINA

Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.
Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações, pedindo a assistência do Céu.
Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que Deus o salvaria.
As águas subindo…
Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
– Não é preciso. Deus me salvará!
As águas subindo…
Passou uma lancha…
– Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
As águas subindo…
Passou um helicóptero…
– Sem problema! Deus me protegerá.
As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
– Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
– Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para recolhê-lo!

Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de Jean Paul Sartre (1905-1980).
O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
Pedimos o que desejamos.
Deus nos dá o que precisamos.
Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina, ensejando mudança de rumo.
Senão, vejamos:
1. A doença respiratória…
2. O lar em desajuste…
3. A dificuldade financeira…
4. A perda do emprego…
5. O acidente automobilístico…


São situações constrangedoras que nos perturbam.
Pedimos a ajuda divina.
Deus vem em nosso auxílio, mas é preciso que nos disponhamos a tomar o barco do futuro, deixando no passado velhas tendências.
Podemos considerar, na mesma seqüência, que:
1. O tabagismo afeta os pulmões.
2. A incompreensão conturba o relacionamento afetivo.
3. A indisciplina nos gastos faz rombos nas contas
4. A displicência profissional resulta em demissão.
5. A irresponsabilidade no trânsito favorece desastres.
A pouca disposição em encarar nossos erros e desacertos, como causa de nossas dificuldades e problemas, neutraliza a ação divina em nosso benefício.
As crises sugerem mudanças.
Se não mudamos com elas, sempre nos sentiremos abandonados por Deus, incapazes de identificar o socorro divino.
***
A propósito vale lembrar interessante texto, que me veio ter às mãos, sem indicação do autor:
Pedi a Deus para tirar os meus vícios.
Deus disse:
– Compete a ti superá-los.
Pedi a Deus para fazer completo meu filho deficiente.
Deus disse:
– Seu Espírito é completo. O corpo é temporário.
Pedi a Deus para me dar paciência.
Deus disse:
– Paciência não é dádiva. É aprendizado.
Pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse:
– Eu dou bênçãos. Felicidade depende de ti.
Pedi a Deu para me livrar da dor.
Deus disse:
– Sofrer te afasta do mundo e te aproxima de Mim.
Pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
Deus disse:
– Deves crescer por si próprio. Farei a poda para que dês frutos.
Pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse:
– Eu te darei Vida para que aprecies todas as coisas.
Pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
Deus disse:
– Ahhh! Finalmente entendeste!

Richard Simonetti

Foto: Via láctea

terça-feira, 20 de abril de 2010

Autor: Dr. Bezerra de Menezes



Esse é o instante em que todos somos chamados a apresentar a nossa disposição de enfrentar os obstáculos que todos carregamos. Este é o momento de observarmos de perto as nossas necessidades de transformação de nosso valores. Esse é o instante em que somos convidados a organizar o pensamento estabelecendo a sintonia com o mundo maior para superarmos os desafios da estrada.

Nós os espíritos de outrora, as mesmas criaturas que enfrentamos, nos equivocamos, decaímos, necessitamos reerguer a própria fronte o próprio coração através da prece que o senhor ensina-nos a orar podemos refletir para o mundo estados da alma de esperança e confiança nos dias melhores que virão. Não titubieis e não acrediteis que a tempestade rugirá para sempre. Ela passará levando de roldão toda sorte de conturbação que atravessamos. E se estamos sintonizados com Jesus, nós carregaremos nas mãos as sementes luminosas da solidariedade e as distribuiremos fazendo medrar no solo atormentado dos que padecem as flores abençoadas e perfumosas da paz.

Não nos coloquemos na paralizia, mas partamos para a atitude conforme o senhor nos apresentou na sua boa nova inesquecível. Coloquemos o nosso coração à provas e a despeito, meus filhos, a despeito das lágrimas que nos atormentam a visão, a despeito do coração que sangre, a despeito das provas e testes o caminho, ergamos para amar, para servir, para amparar, para cuidar daqueles que não têm no céu de sua existência o mesmo brilho das estrelas que carregamos com o aparato monolítico da doutrina dos espíritos que Allan Kardec nos apresentou.

Acendamos no peito a estrela da fraternidade legítima e que a nossa prece seja nossa palavra que ampara, socorre, sustenta, ergue e aponta o caminho. Que as nossas mãos se adestrem a sustentar vidas, a socorrer, a abraçar, a efetuar o carinho.

Meus filhos. Queridos irmãos do nosso ideal. Companheiros de sonho apostolar, estamos no momento muito importante na história da nossa civilização. É hora de nos unirmos. Unindo forças com a legião do alto na tarefa de aperfeiçoar o mundo, aperfeiçoando-nos por nossa vez.

 Que Maria, a doce mãe protetora de todos os que padecem, possa lhes envolver, envolver vossos corações, envolver os amigos neste movimento de integração dos espíritas paraibanos, pernambucanos, potiguar, cearenses, soteropolitanos e outros mais.

Que Maria seja inspiração terna do nosso coração e que possamos todos nós, mais tarde, sermos a mensagem operosa e viva aos filhos do calvário anônimo. Deixamo-vos então o abraço fraternal, amigo e carinhoso do vosso companheiro o irmão paternal e humílimo de sempre,



Bezerra. Muita paz caros filhos.
O médium Frederico Menezes incorpora o Dr. Bezerra na Palestra: "Senhor,ensina-nos a orar!". Proferida no 35º MIEP - Movimento de Integração do Espírita Paraibano.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A DOUTRINA DO BOM SENSO

A DOUTRINA DO BOM SENSO




A Filosofia Espírita prima sempre pelo equilíbrio, e não pelos extremismos alienantes da rebeldia arrogante, que insulta e violenta a todos com o disparatar do verbalismo inflamado, a incendiar com a discórdia o campo da paz.


O Movimento Espírita Brasileiro está sendo agitado, por abusos cometidos pelos pseudo-sábios espíritas, que disseminam absurdos à mancheias. Os fluidistas são estudiosos da obra de Roustaing e os laicistas adversários dos roustainguistas.


Lamentavelmente com esse bate-boca, Kardec é colocado em segundo plano, ou, o que é pior, esquecido.


Fazer do espiritismo meio de dissensão é, sem dúvida nenhuma, um absurdo dos mais grosseiros. Allan Kardec, o mestre por excelência, mostrou que a educação espírita se faz de forma integral com Jesus, aliás, esse é o pensamento que dá base a toda Doutrina Espírita. Então por que toda essa algaravia em torno de Jesus?


A religião Espírita é natural, está na Natureza, porque é aonde encontramos as leis de Deus, que também está em nossa consciência. Não vai levar a nada os formalismos farasaístas, e nem a indiferença daqueles que propagam um Espiritismo sem Jesus.


Na introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, Kardec em suas primeiras palavras, declara com sabedoria:


“Podem dividir-se em cinco partes as matérias nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ENSINO MORAL. As quatro primeiras têm sido objeto de CONTROVÉRSIAS: a última porém, conservou-se constantemente INATACÁVEL. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sobre o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças, porquanto jamais constituiu MATÉRIA DAS DISPUTAS RELIGIOSAS, que sempre e por toda parte se originam das questões dogmáticas. Aliás, se discutissem, nele teriam as seitas encontrado a sua própria CONDENAÇÃO, visto que, na MAIORIA, elas se agarram mais à parte MÍSTICA do que à parte MORAL, QUE EXIGE DE CADA UM A REFORMA DE SI MESMO.”


Sublinhamos algumas palavras que, é bem possível, tenham passado despercebidas daqueles que pretendem, fazer da Doutrina Espírita, um angu de caroço.


Nem oito, nem oitenta, o Espiritismo deve ser o fiel da balança das leis morais e deixar as carolices ou impertinências dos ideólogos quixotescos que pensam revolucionar o mundo, no disparatar acidulante da verborragia desvairada no matraquear desnecessário dos propagadores da discórdia.


Vamos botar a mão na consciência e lembrar que as leis de Deus, estão escritas em nossa consciência e não esquecer, que Jesus continua senso “o tipo mais perfeito” que ele é para toda humanidade, o guia e modelo que todos devemos seguir.


E para encerrar:


“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”


Copiado do CORREIO FRATERNO DO ABC, Ano XXXIV, Nº 385, Fevereiro de 2003.





domingo, 18 de abril de 2010

NÃO BASTA COMPREENDER A DOUTRINA ESPÍRITA; É PRECISO SOBRETUDO ASSIMILÁ-LA

NÃO BASTA COMPREENDER A DOUTRINA ESPÍRITA; É PRECISO SOBRETUDO ASSIMILÁ-LA



Não basta aceitar os princípios renovadores da Doutrina dos Espíritos. É preciso vivê-los. Todas as doutrinas são sistemas lógicos, acessíveis à compreensão intelectual. Desse ponto de vista, o Espiritismo pode ser compreendido por qualquer pessoa curiosa e de capacidade mental comum. Trata-se de uma doutrina clara, baseada em princípios de fácil assimilação, embora por baixo dessa simplicidade existam problemas complexos, de ordem científica e filosófica. É tão fácil compreendê-lo, desde que se estude criteriosamente as suas obras básicas.



A simples compreensão de uma doutrina, porém, não implica a sua vivência. Além de compreendê-la, temos de senti-la. Somente quando compreendemos e sentimos o Espiritismo, quando o incorporamos à nossa personalidade, quando o assimilamos profundamente em nosso ser, é que podemos vivê-lo. Daí a razão de Allan Kardec ter afirmado a existência de vários tipos de espíritas, concluindo que “o verdadeiro espírita se conhece pela sua transformação moral”. Espiritismo compreendido e vivido transforma moralmente o homem.



Viver o Espiritismo, entretanto, não é viver no meio espírita, fazendo ou freqüentando sessões, lendo obras doutrinárias ou ouvindo conferências. Pode fazer-se tudo isso, e ainda mais, - pode-se até mesmo gastar muito dinheiro e tempo em obras de assistência social, - atendendo apenas à compreensão intelectual da doutrina, sem vivê-la. Porque viver o Espiritismo é pautar todas as ações pelos princípios doutrinários. É moldar a conduta pela doutrina. É agir, em todas as ocasiões, como o verdadeiro espírita de que fala Allan Kardec.



Ainda neste ponto, porém, é necessário lembrar que não basta a conduta externa. Não basta a aparência. Nada mais avesso, aliás, às aparências, do que o Espiritismo. Anti-formal por excelência, contrário aos convencionalismos sociais e religiosos, o Espiritismo, como dizia Kardec: “é uma questão de fundo e não de forma”. Por isso mesmo, não podemos vivê-lo de maneira externa. Antes da conduta exterior, temos de reformar a nossa conduta interna, modificar nossos hábitos mentais e verbais. Pensar, falar e agir de acordo com os princípios renovadores da moral espírita, que é a própria moral evangélica, racionalmente esclarecida pela Doutrina do Consolador.



Surge ainda uma dificuldade, que devemos tentar esclarecer. Chegados a este ponto, muita gente nos perguntará, como sempre acontece, quando falamos a respeito: “O espírita deve então sujeitar-se rigidamente a um molde doutrinário?” Não, pois se assim fizesse estaria impedindo o seu livre desenvolvimento moral. Quando falamos em “moldar a conduta”, fazêmo-lo num sentido de orientação, nunca de esquematização. O espírita deve ser livre, pois, como acentuava o apóstolo Paulo “onde não há liberdade não está o Espírito do Senhor”. Só a liberdade dá responsabilidade, e só a responsabilidade produz a verdadeira moral.
Ao procurar viver o Espiritismo, devemos portanto evitar as atitudes formais que conduzem ao artificialismo, e conseqüentemente à mentira e à hipocrisia. Como se vê, esse é o caminho contrário ao da Doutrina dos Espíritos, é o caminho tortuoso da Doutrina dos Homens, no plano mundano. Devemos ser naturais. E como modificar a nossa natureza inferior, sendo naturais? Primeiro, compreendendo que temos essa natureza inferior e precisamos modificá-la, o que fazemos pela compreensão da doutrina; depois, sentindo a necessidade de modificá-la, o que fazemos pela assimilação emocional da doutrina. Nossa transformação moral deve começar de dentro, e não de fora. Dos pensamentos e sentimentos, e não das atitudes exteriores. Deve ser uma transformação para Deus ver, não para os homens verem.



A falta de compreensão desse problema leva muitos espíritas a posições incômodas dentro da doutrina, e o que é pior, a posições comprometedoras para o movimento doutrinário. E leva também a lamentáveis confusões, principalmente no tocante ao problema religioso. Quando compreendemos, porém, que o Espiritismo não é somente um sistema doutrinário para assimilação intelectual, mas que é sobretudo, vida, norma de vida, e principalmente, seiva renovadora da vida humana na terra, então compreendemos que não é possível separar-se, dos seus aspectos científicos e filosóficos, o seu poderoso aspecto religioso. Lembremos ainda o que dizia Kardec, ou seja, que o Espiritismo é forte justamente por afirmar e esclarecer as mesmas verdades fundamentais da religião.



Texto e foto  de José Herculano Pires

sábado, 17 de abril de 2010

3º CONGRESSO ESPÍRITA


O Site da Globo divulgou matéria sobre o Congresso Espírita, em Brasília, conforme a matéria abaixo do jornalista Fábio William, para o Jornal da Noite, de 16.04.2010. Lembramos, que da Casa do Caminho, de Sousa, participam do evento Bernardo Antonio e Janaina.

Repassando...

 
Congresso espírita tem como objetivo divulgar a paz
Em Brasília, começou nesta sexta-feira (16) o 3º Congresso Espírita, com ênfase no centenário do médium mais conhecido do país.
Fábio William Brasília, DF

Chico Xavier, o maior líder espírita brasileiro que morreu em Uberaba, no dia 30 de junho de 2002, foi o grande homenageado do Congresso.

"Chico Xavier poderia resumir em uma palavra, simplesmente amor. Chico foi a expressão do amor na sua maneira mais sublime e mais bela", relembra o coordenador geral do Congresso, João Rabelo.

O 3º Congresso Espírita Brasileiro, que está sendo realizado em Brasília, tem como objetivo divulgar a doutrina que fala de paz, amor e caridade.

"Fora da caridade, não há salvação. Isso significa o que? Se você não tiver um comportamento cada vez visando a sua melhoria moral e espiritual, você estará sujeito sempre a viver em um ciclo vicioso de dor, sofrimento, angústias e sem metas muito nobres na própria existência", afirma o presidente da Federação Espírita, Nestor João Masotti.

Mais de doze mil pessoas segundo os organizadores são esperadas para o Congresso que se estende até domingo (18). A ética também será um dos temas discutidos no Congresso.

"Não se terá jamais bom político enquanto não se tiver boa criatura. De modo que é muito importante para a visão da doutrina espírita o trabalho da educação ética desde crianças, desde as fases iniciais da criatura", afirma o médiun, Raul Teixeira.

"A nova ética é a mesma ética de Jesus Cristo, a ética do amor, do respeito pela vida, do respeito por si mesmo e pela natureza", diz o médium, Divaldo Franco.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mensagem de Bezerra de Menezes


Estamos sendo convocados pelos Espíritos nobres para ser os lábios pelos quais a palavra de Jesus chegue aos corações empedernidos.
Estamos sendo convocados para ser os braços do Mestre, que afaguem, que se alonguem na direção dos mais aflitos, dos combalidos, dos enfraquecidos na luta.
Estamos colocados na postura do bom samaritano, a fim de podermos ser aquele que socorra o caído na estrada de Jericó da atualidade.
Nunca houve na história da sociedade terrena tantas conquistas de natureza intelectual e tecnológica!
Nunca houve tanta demonstração de humanismo, de solidariedade, tanta luta pelos direitos humanos!
É necessário, agora, que os cristãos decididos arregacem as mangas e ajam em nome de Jesus.
Em qualquer circunstância, que se interroguem: - em meu lugar que faria Jesus?
E, faça-o, conforme o amoroso Companheiro dos que não têm companheiros, faria.
Filhos da alma!
Estamos saturados de tecnologia de ponta, graças, à qual, as imagens viajam no mundo quase com a velocidade do pensamento, e a dor galopa desesperada o dorso da humanidade em desalinho.
O Espiritismo veio como Consolador para erradicar as causas das lágrimas.
Sois os herdeiros do Evangelho dos primeiros dias, vivenciando-o à última hora.
Estais convidados a impregnar o mundo com ternura, utilizando-vos da compaixão.
Periodicamente, neste planeta de provas e expiações, as mentes em desalinho vitalizam microorganismos viróticos que dão lugar a pandemias destruidoras.
Recordemo-nos das pestes que assolaram o mundo: a peste negra, a peste bubônica, as gripes espanhola, a asiática e a deste momento de preocupações, porque as mentes dominadas pelo ódio, pelo ressentimento, geram fatores propiciatórios à manifestação de pandemias desta e de outra natureza.
Só o amor, meus filhos, possui o antídoto para anular esses terríveis e devastadores acontecimentos, desses flagelos que fazem parte da necessidade da evolução.
Sede vós aquele que ama.
Sede vós, cada um de vós, aquele que instaura o Reino de Deus no coração e dilata-o em direção da família, do lugar de trabalho, de toda a sociedade.
Não postergueis o dever de servir para amanhã, para mais tarde.
Fazei o bem hoje, agora, onde quer que se faça necessário.
As mães afro-descendentes, as mães de todas as raças, em um coro uníssono, sob o apoio da Mãe Santíssima, oram pela transformação da Terra em Mundo de Regeneração.
Sede-lhes filhos dóceis à sua voz quão dócil foi o Crucificado galileu que, ao despedir-se da Terra, elegeu-a mãe do evangelista do amor, por extensão, a Mãe Sublime da Humanidade.
Muita paz, meus filhos.
Que o Senhor de bênçãos nos abençoe.
O servidor humílimo e paternal de sempre.
Bezerra de Menezes

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, ao final da conferência pública em torno da maternidade, realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 13 de agosto de 2009.)


Copiado do Jornal dos Espíritos - o seu jornal espírita na internet

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A FICHA


João Mateus, distinto pregador do Evangelho na seara espírita, na noite em que atingiu meio século de idade no corpo físico, depois de orar enternecidamente com os amigos, foi deitar-se.
Sonhou que alcançava as portas da Vida Espiritual, e, deslumbrado com a leveza de que se via possuído, intentava alçar-se para melhor desfrutar a excelsitude do Paraíso, quando um funcionário da Passagem Celeste se aproximou, a lembrar-lhe, solícito:
- João, para evitar qualquer surpresa desagradável no avanço, convém uma visita de olhos em sua ficha...
E o viajante recebeu primoroso documento, em cuja face leu espantadiço:
-João Mateus.
-Renascimento na Terra em 1904.
-Berço manso.
-Pais carinhosos e amigos.
-Inteligência preciosa.
-Cérebro claro.
-Instrução digna.
-Bons livros.
-Juventude folgada.
-Boa saúde.
-Invejável noção de conforto.
-Sono calmo.
-Excelente apetite.
-Seguro abrigo doméstico.
-Constante proteção espiritual.
-Nunca sofreu acidentes de importância.
-Aos 20 anos de idade, empregou-se no comércio.
-Casou-se aos 25, em regime de escravização da mulher.
-Católico romano até os 26.
-Presenciou, sem maior atenção, 672 missas.
-Aos 27 de idade, transferiu-se para as fileiras espíritas.
-Compareceu a 2.195 sessões de Espiritismo, sob a invocação de Jesus.
-Realizou 1.602 palestras e pregações doutrinárias.
- Escreve cartas e páginas comoventes.
-Notável narrador.
-Polemista cauteloso.
-Quatro filhos.
-Boa mesa em casa.
-Não encontra tempo para auxiliar os filhos na procura do Cristo.
-Efetuou 106 viagens de repouso e distração.
-Grande intolerância para com os vizinhos.
-Refratário a qualquer mudança de hábitos para a prestação de serviço aos outros.
-Nunca percebe se ofende o próximo, através da sua conduta, mas revela extrema suscetibilidade ante a conduta alheia.
-Relaciona-se tão-somente com amigos do mesmo nível.
-Sofre horror às complicações da vida social, embora destaque incessantemente o imperativo da fraternidade entre os homens.
-Sabe defender-se com esmero em qualquer problema difícil.
-Além dos recursos naturais que lhe renderam respeitável posição e expressivo reconforto doméstico, sob o constante amparo de Jesus, através de múltiplos mensageiros, conserva bens imóveis no valor de Cr$ 600.000,00 e guarda em conta de lucro particular a importância de Cr$ 302.000,00.
-Para Jesus, que o procurou na pessoa de mendigos, de necessitados e doentes, deu durante toda vida 90 centavos.
-Para cooperar no apostolado do Cristo, já ofereceu 12 cruzeiros em obras de assistência social.
-Débito.............................................................
Quando ia ler o item referente às próprias dívidas, fortemente impressionado, João acordou.
Era manhãzinha...
À noite, bem humorado, reuniu-se aos companheiros, relatando-lhes a ocorrência.
Estava transtornado, dizia. O sonho o modificara-lhe o modo de pensar. Consagrar-se-ia doravante a trabalho mais vivo no movimento espírita. Pretendia renovar-se por dentro, reuniria agora palavra e ação.
Para isso, achava-se disposto a colaborar substancialmente na construção de um lar destinado à recuperação de crianças desabrigadas que, desde muito, desejava socorrer.
A experiência daquela noite inesquecível era, decerto, um aviso precioso. E, sorridente, despediu-se dos irmãos de ideal, solicitando-lhes novo reencontro para o dia seguinte.
Esperava assentar as bases da obra que se propunha levar efeito.
Contudo, na noite imediata, quando os amigos lhe bateram à porta, vitimado por um acidente das coronárias, João Mateus estava morto.




CONTOS E APÓLOGOS
PELO ESPÍRITO IRMÃO X

quarta-feira, 14 de abril de 2010

CÂNTICO DE LÍVIA



                    CÂNTICO DE LÍVIA

Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caida
Das belezas da amplidão...


Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.


Vinhas na benção das flores
Da divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!


És meu tesouro infinito.
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!!


Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus...


Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus.


(Emmanuel / Chico Xavier)
Do livro Há Dois mil Anos, de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

terça-feira, 13 de abril de 2010

TEXTO ANTIDEPRESSIVO

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier - Livro: " Buscas e Acharás" - EDIÇÃO IDEAL

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PRIVILÉGIOS CRISTÃOS


Manter suprema fidelidade a Deus.
Olvidar os próprios desejos, atendendo aos Superiores Desígnios.
Humilhar-se para que a mão do Senhor seja exaltada.
Conquistar a si mesmo.
Renunciar com alegria, em benefício dos outros.
Retirar lucros eternos de perdas temporárias.
Trabalhar na construção do Reino Divino.
Esperar enquanto outros desesperam.
Penetrar o templo do silêncio, em meio do vozerio.
Guardar a fé, acima da tormenta de dúvidas
Calar a tempo, de modo a não ferir.
Falar com proveito.
Ouvir o Divino Amigo em plena solidão.
Servir sem recompensa.
Suportar com valor a própria cruz.
Sofrer, aprendendo e aproveitando.
Amar sem exigências.
Ajudar em segredo.
Semear com o Cristo, desapegando-nos dos resultados.
Encontrar irmãos em toda parte.
Cultivar o prazer de ser útil.
Discernir o justo valor das causas e das coisas.
Santificar o mal.
Amparar com sinceridade os que erram.
Perdoar quantas vezes for necessário.
Superar os obstáculos.
Conservar a jovialidade e a doçura.
Sustentar o bom ânimo.
Desprender-se dos enganos do mundo, antes que o mundo nos desengane.
Perseverar no bem até o fim.

ANDRÉ LUIZ
(Agenda Cristã, 3, FEB)

domingo, 11 de abril de 2010

Para celebrar o envelhecer, uma vez eu escrevi 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais requisitada que eu já escrevi. Meu taxímetro chegou aos 90 em agosto, então, aqui está à coluna, mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, apenas dê o próximo pequeno passo.
3 A vida é muito curta para perdermos tempo odiando alguém.
4. Seu trabalho não vai cuidar de você quando você adoecer. Seus amigos e seus pais vão. Mantenha contato.
5. Pague suas faturas de cartão de crédito todo mês.
6. Você não tem que vencer todo argumento. Concorde para discordar.
7. Chore com alguém. É mais curador do que chorar sozinho.
8. Está tudo bem em ficar bravo com Deus. Ele agüenta.
9. Poupe para a aposentadoria, começando com seu primeiro salário.
10. Quando se trata de chocolate, resistência é em vão.
11. Sele a paz com seu passado, para que ele não estrague seu presente.
12. Está tudo bem em seus filhos te verem chorar.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que se trata a jornada deles.
14. Se um relacionamento tem que ser um segredo, você não deveria estar nele.
15 Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
16. Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
17. Se desfaça de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
18. O que não te mata, realmente te torna mais forte.
19. Nunca é tarde demais para se ter uma infância feliz. Mas a segunda só depende de você e mais ninguém.
20. Quando se trata de ir atrás do que você ama na vida, não aceite "não" como resposta.
21. Acenda velas, coloque os lençóis bonitos, use a lingerie elegante. Não guarde para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Se prepare bastante; depois, se deixe levar pela maré...
23. Seja excêntrico agora, não espere ficar velho para usar roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
26. Encare cada "chamado" desastre com essas palavras:
Em cinco anos, vai importar?
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todos.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo.
31. Independentemente de a situação ser boa ou ruim, irá mudar.
32. Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva...
33. Acredite em milagres.
34. Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que voce fez ou deixou de fazer.
35. Não faça auditoria de sua vida. Apareça e faça o melhor dela agora.
36. Envelhecer é melhor do que morrer jovem.
37. Seus filhos só têm uma infância.
38. Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
39. Vá para a rua todo dia. Milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.
41. Inveja é perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor está por vir.
43. Não importa como você se sinta, levante, se vista e apareça.
44. Produza.
45. A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente.

Texto de REGINA BRETT, 90 anos, CLEAVELAND, OHIO.

Foto: Sebastião Gomes de Oliveira(camisa branca), 81 anos, briguento, inteligente, conversador, implica com os outros Idosos, sem nenhum motivo aparente, certamente para
brincar, diferentemente na foto observa e dá o seu palpite para o andamento da implantação da horta, na Casa do Caminho.

sábado, 10 de abril de 2010

ESTUDO LE - As torturas da Alma

932. Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?

“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.”

933. Assim como, quase sempre, é o homem o causador de seus sofrimentos
materiais, também o será de seus sofrimentos morais?

“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas, o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.
“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente,como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”
Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: ímpar de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, não comer nem beber de ciúmes, etc. Este quadro é sumamente real. Acontece até não ter o ciúme objeto determinado. Há pessoas ciumentas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É o ciúme aliado à mediocridade.
De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo.
Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua
felicidade suprema.
Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades.
Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto, o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias. Diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o fere. Mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro.

PARTE 4ª - CAPÍTULO I
DAS PENAS E GOZOS TERRESTRES
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
ALLAN KARDEC
FEB

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ELES! DE NOVO?! A PEDIDO. OS NOSSOS HERÓIS.

Os nossos heróis

Em virtude da foto acima, publicada anteriormente, sendo sua efetivação no ano 2000, pelo fotógrafo amador Antonio Neury, irmão de Cidália, e envia-nos agora, em abril de 2010, exatamente dez anos após a reunião dos seis albergados da foto, todos com características e peculiaridades especificas e inerentes às suas personalidades.
Vejamos o nosso irmão Jaime, de camisa amarela, portador de problemas renais crônicos,  deslocava-se ao Hospital Santa Terezinha a cada dois dias, para a realização da hemodialise, sempre retornando sofrido, abatido e, muitas vezes, raivoso.
O Sr. Jaime tinha um amigo de nome Alípio, que diariamente fazia a sua caminhada de 500 metros, motivo de orgulho e satisfação pelo grande feito físico. O percurso era dentro do terreno da Casa do Caminho. Após o exercício físico, uma outra maratona estava reservada: passar horas e horas em discussão por problemas desde o mais elementar, até o mais complexo. Algumas vezes chegavam a discussões acaloradas, prevendo até trovoadas mais fortes, entretanto um e outro apesar das durezas das palavras. Cada um, Jaime e Alipio, estavam convencidos de sua superioridade, concluídas as abordagens, os dois felizes e vitoriosos resmungavam de dentro de si da tamanha ignorância do seu parceiro.
Observemos uma discussão entre os dois. Jaime sempre afirmava que não existia Deus. Alípio defendia a existência de Deus. Alipio exemplificava que o vento era obra de Deus, não obstante, o Sr. Jaime com aparente conhecimento dizia: "que o vento era obra dos homens, pois acionavam grandes ventiladores e proporcionava a movimentação do ar".
Lamentavelmente, nem Alipio nem Jaime, conheciam o pensamente de La Rochefoucauld, que nesta frase de sua autoria comentava: “O melhor meio para ser-se enganado é considerar-se mais esperto do que os outros”.
Bem, já dá para perceber a que nível de questionamento os dois amigos entregavam-se. Certamente, essa discussão deve estar sendo produzida no mundo espiritual, com certeza, com uma orientação mais serena e detendo um auxiliar para suprir a falta de sabedoria de que eram detentores quando encarnados.

Na seqüência da foto, o Sr. Joaquim, alegre, pescador virtuoso, contador de estória de pescaria, voz forte de trovão, quando falava com raiva todos se calavam, homem valente, pavio curto, sempre está a desafiar quem ousasse falar de suas fragilidades e de seus limites.
Certo domingo, para assistir a missa do Idoso, quando todos vestiam as suas melhores roupas, o pescador Joaquim tinha um orgulho quando calçava um sapato, não obstante, a pessoa responsável por calçar os sapatos em Joaquim, na pressa, não percebeu que os sapatos estavam com os pés trocados e nada do querido irmão Joaquim conseguir andar. Algum tempo após, foi constatado a troca dos sapatos, motivo que o impedia de caminhar. Assim, depois de quase duas horas parado, o nosso irmão passa o final da manhã caminhando, elegantemente calçado, roupas bonitas, desfilando mostrando a todos a beleza do seu caminhar.
Outro ponto controvertido de Joaquim era o ciúme exagerado de sua filha Rita. Caso alguém falasse o nome de sua filha, ele pulava da cadeira e como se possuísse uma faca na cintura, partia com uma invisível arma branca em punho e partia para matar o primeiro que encontrasse. Para retornar ao estado normal era necessário lembrar que estava se referindo a Rita Lee, a cantora de rock.

O terceiro irmão da foto é o Cajazeirense Ascendino, foi assíduo freqüentador de todos os bares de Cajazeiras, relatava casos políticos de conceituados cajazeirenses e era ouvinte do programa do radialista Ademar Nonato, da 104 FM, passando a transmitir a todos as notícias e comentários divulgados no Rádio.
Por diversas vezes, fugiu a pé da Casa do Caminho até a cidade de Cajazeiras(38 km), sendo o motivo da fuga para comer um peba com cachaça, num bar próximo ao Hospital Regional de Cajazeiras. Para retornar a Casa do Caminho o argumento utilizado era convidá-lo para comer outro peba na rua das oficinas mecânicas. O difícil era convencê-lo a entrar na Kombi, pois, subindo o destino era a Casa. Inclusive, em uma destas buscas por Ascendino, o nosso irmão Hélio Zenaide foi eficiente no convencimento de Ascendino.
A principal característica de Ascendino, além da ausência de vaidade, era a sua afirmativa, em forma de demonstração da força espiritual e sabedoria, admitindo possuidor, quando pronunciava repetidamente a seguinte frase:
“Morreu acabou! Morreu acabou! Morreu acabou!.”
Jogava por terra, dessa forma, todo o conhecimento de que afirmava detentor.
Um caso interessante, ocorrido com Ascendino, foi a sua paixão por Francineide, à época, responsável pela alimentação dos Idosos, vindo a existir entre ambos uma grande simpatia, entretanto, Francineide era noiva com Gatico, com quem veio a casar-se e ter filhos. Francineide nutria por Ascendino um carinho de filha com pai, não obstante, Ascendino tinha a esperança de que um dia Francineide olharia de forma diferente para ele. Com o casamento entre Gatico e Francineide, ficou vários dias triste, deixando uma única vez, como vingança, escapar de sua boca a frase maldosamente pronunciada: "o primogênito que acabara de nascer não era do marido". Embora, tempos depois, arrependeu-se amargamente da infeliz e caluniosa citação.
Foi muito amigo de Thiago Guimarães, e, normalmente, aos domingos os dois iam tomar café na granja onde Thiago residia. Retornando, percebia os olhos de Ascendino quase fechado e confirmando: "o café da casa de Thiago era bom e forte".
Na verdade, hoje sabemos que iam tomar um pouco de vinho, conversar e retornavam para o almoço.
Muitas vezes chegava a perguntar se tinha bebido algo além do café. Ele afirmava que lá em Seu Thiago era servido apenas café.

Acreditamos, em verdade, que o nosso irmão Ascendino era um espírito experiente, desprendido dos bens materiais e normalmente dormia duas a três horas por noite.
Lamentavelmente, não realizamos o seu último desejo: "era morrer no mato, na floresta, junto as plantas que amava". Veio a desencarnar na UTI do Hospital.

O quarto irmão da foto é o Sr. Antonio, vivia só em uma montanha no município de Nazarezinho(PB), em condições sub-humanas.
Ao chegar à Casa foi reeducado, deixou de alimentar-se com as mãos, começando a levar a boca os alimentos com talheres e a não arrebatar a comida das mãos dos outros albergados. Algumas vezes, esquecia da necessidade de vestir-se e sai nu após o banho, diante de todos na maior naturalidade.
Certa feita, preparando as vacinas, dirigíamos ao curral de gado para vacinar, quando, de repente, o Sr, Antonio lá se encontrava, sozinho, tentando dominar um garrote e o mesmo o derrubou, fugiu do curral e saiu em direção ao final do terreno da Casa do Caminho, pois, apesar de gritarmos e solicitar que soltasse o animal, não obstante, o Sr Antonio não obedeceu e fomos encontrá-lo todo suado, arranhado, roupas rasgadas, espalhadas pelo chão, completamente nu, segurando o pescoço do animal, ambos profundamente cansados, e explicava ao animal que o mesmo lhe devia obediência.

O quinto irmão é o Sr. Chico, calado, humilde, riso fácil, era proprietário do carro de mão mais bonito e enfeitado da cidade de Sousa, tinha até bandeira do Brasil. Era um carro de quatro rodas, com direção de carro de verdade, que o mesmo empurrava e trabalhava pesado, carregando, frutas, verduras e cereais. Para adquiri-lo foram dezenas de anos de trabalho. Dizia que as pessoas mais importantes da cidade já tinham utilizado o seu serviço de entrega de mercadoria, pois fazia freguesia em várias bodegas da cidade. Não gostava de dar trabalho a ninguém, afirmava ser um homem de vergonha, respeito. Como homem de vergonha, dizia que: nunca fez vergonha a ninguém. Afirmava que mesmo sob o jugo de golpes dos maus, sempre amava, pois estava em busca da luz e não das trevas.

O sexto irmão é o Sr. Ozório, cuja vida foi de muito sofrimento. Ele afirmava que ficou doente desde que o levaram a João Pessoa, sendo interno em hospital para doentes mentais, segundo Osório, lá aplicaram uns choques que queimou todos os seus nervos. Era comum encontrar o nosso irmão atirando, para todos os lados,  com uma arma de fogo fictícia, contra os seus inimigos desencarnados.
Era incapaz de agredir fisicamente qualquer pessoa, pois, sobretudo,  era enfermo, descontrolado, articulista, dramático e megalomaníaco, além do mais,  por diversas vezes, esteve na concessionária Rio Vale da cidade de Sousa e adquiriu de uma só vez quarenta carros, a princípio o rosto do vendedor era todo de alegria, sendo para entregar, de imediato, dois Vectras, cujo pagamento seria efetuado em dólar(vendedor?), moeda corrente em todas as suas transações. Essa compra rendeu uma discussão com o vendedor que acionou a policia e fomos avisados deste episodio que após explicar o comportamento de Ozório, foi desfeito o negócio.
Algumas semanas após o episódio da Rio Vale, o mesmo vai a sua terra natal “Campo Alegre”, distrito de Vieiropolis. Lá chegando, dirigiu-se a uma residência por trás da Capela católica e solicita a viúva, proprietária da residência que a desocupe, pois aquela residência era propriedade sua, e, diante da dona da casa residencial, exigia que desocupasse a residência.
A senhora comunicava que a casa foi herança do seu falecido marido. Ozório, em contrapartida, alterando a voz, dizia que aquela casa lhe pertencia, pois tinha comprado de seu compadre, o presidente do Brasil Juscelino Kubitsheck.
Após esse dialogo a Senhora percebeu que Ozório tinha problemas.
Mais uma vez fomos atrás de Ozório para felicidade da Viúva de Campo Alegre.
São dezenas de casos de Ozório de compras e vendas de boiada de 500 até 1000 cabeças de gado, compra de terras, pagamento de lanches, almoço, com pedaço de papel jornal, aluguel de vários taxis, cujo pagamento era para receber em seu escritório(Casa do Caminho) agressão a gerente de Banco por não lhe pagar em dólar, dentre tantos outros eventos constrangedores. Percebíamos, assim, pelo comportamento inconsciente, inconseqüente, de Ozório, a confirmação de uma sublime verdade de que a sede do ouro corrompe os mais sublimes ensinamentos.

Esses relatos, digitados apressadamente, sem preocupação com o vernáculo e sem nenhuma intenção de denegrir a imagem de nossos amados amigos, apenas, registramos uma faísca de sua valorosa personalidade, da fraternidade, de seus sofrimentos, físicos e morais, que os acompanharam nesta existência, consciente de que todos eles realizaram trabalhos de realce em outras existências, para serem nesta tão requisitados a adentrarem em provas difíceis a que se submeteram. Alguns ainda persistiam em manter um poder invisível que já não possuíam, pois não registramos em sua alma a arrogância, peculiar a muitos poderosos na Terra. Como ensina a sabedoria judaica: “A arrogância é o reino – sem a coroa”.
Pedimos a Deus todo poderoso, que derrame suas benções sobre os nossos seis irmãos que acabamos de mencionar algumas passagens de suas jornadas, neste século XX, pois, foram para nós exemplos vivos da Lei de Ação e Reação, deixando claro um salutar ensinamento do filósofo e matemático grego Pitágoras, quando em sua sabedoria assim se expressou: “Não cometas nenhum ato vergonhoso nem na presença de outros nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo”.
Infelizmente, são ainda pouquíssimos os que se interessam pela sua evolução moral. A vida da maioria de nós é uma corrida desenfreada para os bens ilusórios, nos prendemos a coisas passageiras e efêmeras. Nós, esquecemos o que nos faria felizes, dentro da nossa possibilidade de sê-lo nesta Terra, que é fazer o bem e criar em torno de nós uma atmosfera de paz e de bem-estar.
Finalmente, a fraternidade nos aproxima, nos faz bem quando procuramos praticá-la em sua essência, não deixemos que a fraternidade brilhe mais nos discursos do que nos corações.