sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Proteção

Proteção



Duas horas de fria madrugada num hotel pequeno de rodovia.

O cavalheiro chegou apressado e pediu a chave do aposento em que se instalara durante o dia.

Inexplicavelmente, a chave desaparecera, e o interessado se confiou à exasperação.

Gritou. Acusou empregados.

A gerência interferiu com gentileza.

Outro quarto lhe foi entregue. O homem, porém, declarou que deixara junto ao leito grande soma de dinheiro e exigiu fosse a porta arrombada.

Depois de muita crítica, em que ameaçava a casa com denúncia à polícia, concordou em ocupar um aposento vizinho.

Somente pela manhã, ao sol muito alto, a fechadura foi quebrada. E só então o inconformado hóspede, ao retirar o dinheiro, verificou que sob o travesseiro se ocultava enorme escorpião.

André Luiz
Do livro Endereços da Paz.
Médium: Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Teste do Processo Desobsessivo



Verifique você:


Se já consegue dispensar aos outros o tratamento que desejaria receber:


Se adia a execução das próprias tarefas;


Se reconhece que toda criatura humana é imperfeita quanto nós mesmos e que, por isso, não nos será lícito exigir do próximo testemunhos de santidade e grandeza na passarela do mundo;


Se guarda fidelidade aos compromissos assumidos;


Se cultiva a pontualidade;


Se evita contrair débitos;


Se orienta a conversação sem perguntas desnecessárias;


Se acolhe construtivamente as críticas de que se faz objeto;


Se fala auxiliando ou agredindo a quem ouve;


Se conserva ressentimentos;


Se sabe atrair amigos e alimentar afeições;


Se mantém o autocontrole, na vida emotiva, como base da sua dieta mental.

Todos nós, os Espíritos em evolução na Terra, temos a nossa quota de obsessão, em maior ou menor grau. E todos estamos trabalhando pela própria libertação. À vista disso, de quando em quando, é sumamente importante façamos um teste de nosso processo desobsessivo, a fim de que cada um de nós observe, em particular, como vai indo o seu.



André Luiz


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ação Complexa

Ação Complexa



O Espiritismo é, em sua pujante força reveladora, a própria ação do Cristianismo, na plenitude de suas verdades eternas, lutando por desobrigar o homem de sua escória de sombras e sublimizar a Vida.



Abraça, desta forma, esforços dignificantes, amparando o presente e construindo um futuro melhor.



Promove a libertação das consciências para que o homem voe mais alto, buscando novos horizontes de equilíbrio e luz.



Facilita a especulação fenomênica a fim de que o exame fidedigno do intercâmbio entre as duas esferas de existência conduza à certeza plena da vida eterna, proporcionando novos climas de moralidade nas paisagens humanas.

Deixa-se inquirir por laboratórios ou gabinetes pesquisadores, evidenciando os círculos vibratórios em que a Vida se manifesta para apresentar, ao final, suas conclusões doutrinárias capazes de desalgemar as criaturas do cárcere da negação onde a crença se deprime.



Ensina que a morte física é seqüência normal nos círculos evolutivos onde a natureza presta serviços.



Mostra que o Espírito liberto prossegue nos empenhos depuradores buscando novas lutas na carne onde o aprendizado se enfatiza.



Em nome de Jesus, liberta obsidiados, cura enfermidades, multiplica favores às angústias do mundo, renova ensinamentos distribuindo a linfa preciosa que dessedenta os viajores nos desertos das provações...



Entretanto, convém notar que o Comando Divino não nos prodigalizou as bênçãos do Espiritismo sem objetivos transcendentes, qual se fora vaidoso monarca, espalhando, entre súditos extasiados, demonstrações e testemunhos de sua glória e poder.



Detendo-nos em exame mais rigoroso em torno da ação espírita, observando-lhe as tarefas desenvolvidas nos núcleos de serviços ao próximo, onde interesses afins dos dois planos da vida se harmonizam na conjugação de esforços, notaremos que duas frentes principais de realizações sublimes, amplas e entrosadas, se evidenciam em nome de Jesus.

A primeira, em regime de urgência, revela a misericórdia de Deus, socorrendo este enorme hospital, como a Terra se nos revela. A segunda, não menos urgente, revitaliza o ensino do Cristo de Deus com vistas ao futuro do homem.



Assim, Missionários do Amor Divino aprestam-se em mitigar o sofrimento e a lágrima, a dor e o desconforto dos endividados do caminho, convocando médiuns para o apostolado da fraternidade.



Resulta, daí, toda ação terapêutica com que o Espiritismo busca lenir os tormentos humanos. Médicos e enfermeiros do Além engajados nos encontros da mediunidade, atendendo ao serviço de passes, à fluidificação de águas, à cirurgia transcendental, ao receituário fraterno, à visita às famílias em crise e aos lares em desvalimento moral, desenvolvem amplas tarefas de assistência espiritual e dilatado auxílio desobsessivo com abrangências tais que, muitos de nós, os desencarnados mais vinculados ao orbe, quanto os companheiros encarnados, ainda não ousamos avaliar.



Estimula, também, em evidente prática do alívio ao sofrimento, os companheiros encarnados a promover a assistência material, onde a filantropia bafejada pelo amor cristão realiza prodígios de atendimento.



imensuráveis os valores da praxioterapia que algumas instituições Espíritas desenvolvem, favorecendo a valorização do tempo pelo bom emprego das horas, entre as habilidades que se aprimoram nos aparentemente incapacitados.



A Caridade, em todas as suas expressões, revela Jesus à nossa frente, espalhando conforto e bom ânimo.



Destacamos, todavia, a atividade espírita que olha à frente e perscruta o porvir, desejosa de iluminar o futuro. Planta agora para colher amanhã, sem titubear ante as borrascas injuriosas ou os agravos do terreno hostil que lhe espicaçam o devotamente e a esperança, trazendo o Cristo revitalizado na divulgação da Boa Nova.



Dizemos que aí se acha a ação preventiva do Espiritismo, preservando o futuro do homem, eliminando sombras do passado, reduzindo desequilíbrios de agora com vistas à iluminação do amanhã.



Benfeitores da Vida Maior não dispensam, também neste caso, o concurso de médiuns da palavra e do exemplo, inspirando os serviços de evangelização das gerações novas, aconchegando crianças e jovens aos ensinos de Jesus, quanto proporcionando à madureza valiosa incursão pela aprendizagem nobilitante, seja em palestras e conferências ou na intimidade dos estudos mediúnicos, seja nas reuniões entre pais e orientadores religiosos de infância e mocidade ou nas tertúlias e confraternizações onde as idades dos participantes se diluem na homogeneidade do todo fraternal integrado no exame de temas doutrinários.

Também, aqui, destacamos os postos avança- dos da tarefa de divulgação eficaz através de periódicos mais singelos aos jornais e revistas mais volumosos, da distribuirão de mensagens e páginas avulsas, ou da circulação do livro doutrinário, serviços que, de ordinário, se estribam nos Centros Espíritas orientados sob a Divina Inspiração.



Fácil entendermos a Codificação em seu tríplice aspecto, refletindo a operosidade do Cristo pela redenção do homem. Espiritismo, assim, é luz nos caminhos da Vida.



O Centro Espírita, entretanto, como célula primeira do movimento libertador de almas, é uma complexa oficina de realizações, as mais diversificadas, consolando hoje e construindo o amanhã, onde as forças dos céus estimulam o homem a organizar-se no Bem para avançar com a Luz.



Guillon Ribeiro


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Três Inimigos


Três Inimigos




Inúmeros adversários trabalham contra a paz.


Destacamos três que são cruéis, na sordidez dos seus processos perseguidores.


Aparecem quando menos se aguarda e assumem proporções ameaçadoras que terminam por desequilibrar, levando ao fracasso.


Sentimentos enobrecidos, capacidades invulgares de lutas, espíritos corajosos, quando por eles alcançados, tombam, deixando escombros onde operavam com alegria.


A semelhança de vapor morbífico, contaminam e, antes que o indivíduo se dê conta, eis que está infectado e só a muito esforço se liberta da presença de tais invasores.


Sutis ou violentos, utilizam-se de façanhas perversas e alojam-se no coração e na mente, engendrando estados de turbação do raciocínio e de desinteresse pela vida.


Referimo-nos à depressão, ao ressentimento e à exaltação.


Quando o cerco dos problemas se torna aparentemente irremediável, os temperamentos de constituição mais delicada caem em depressão.

A depressão é semelhante a noite inopinada em pleno dia. É nuvem ameaçadora que tolda o Sol. E tóxico que envenena lentamente as mais belas florações do ser.


O ressentimento é parecido ao mofo que faz apodrecer o sustentáculo onde se apoia.


Utilizando-se de causas propiciatórias, desenvolve-se e, invariavelmente, alcança poder destruidor, onde se fixa.


A exaltação, idêntica à faísca de eletricidade devoradora, atinge os nervos e produz relâmpagos de loucura com trovoadas carregadas de impropérios e rebeldias, que estiolam os ideais da vida e despedaçam aqueles que lhe tombam nas malhas.


Recursos salvadores são a oração, o prosseguimento do trabalho e o amor desinteressado e incessante.


Para a depressão, imediatamente se deve usar a vacina da coragem pela prece.


Para o ressentimento, o raciocínio lúcido, mediante o amor que não espera nada.


E para a exaltação, o refrigério da meditação, que recompõe as energias.

Em um contexto histórico onde o vício adquire cidadania, a crueldade recebe aplausos, a insensatez goza de apoio e a corrupção predomina sob estatuto legal, o cristão decidido enfrenta muitas dificuldades.

As licenças morais de baixo nível medem os homens pela escala inferior e as mulheres pelos desatinos comportamentais.




E natural que a ganância, a soberba e a violência grassem sobremaneira dominadoras, a fim de que se preserve o status quo.


Convidado, porém, por Jesus para te tornares fortaleza inexpugnável, não podes anuir com os métodos e costumes que predominam em certas faixas da sociedade contemporânea e, porque te manténs à margem desses acontecimentos, os inimigos sutis deixam vapores tóxicos que te levam à depressão ou ao ressentimento ou à exaltação.


Tem tento e vigia, mantendo-te jovial interiormente tranqüilo, considerando a honra de estares cumprindo um dever que rogaste e que atenderás sob as bênçãos de Deus.


Sempre que te faças propício ao Bem Maior, abre-te ao Cristo-Amor, a fim de que Ele se amerceie de ti e te dê resistências morais para enfrentares a luta de coração tranqüilo e mente confiante na inderrogável vitória do Bem.



Joanna de Ângelis

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Campo de sangue

Campo de Sangue




"Por isso foi chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue." - (MATEUS, 27:8.)




Desorientado, em vista das terríveis conseqüências de sua irreflexão, Judas procurou os sacerdotes e restitui-lhes as trinta moedas, atirando-as, a esmo, no recinto do Templo.



Os mentores do Judaísmo concluíram, então, que o dinheiro constituía preço de sangue e, buscando desfazer-se rapidamente de sua posse, adquiriram um campo destinado ao sepulcro dos estrangeiros, denominado, desde então,
Campo de Sangue.



Profunda a expressão simbólica dessa recordação e, com a sua luz, cabe-nos reconhecer que a maioria dos homens continua a irrefletida ação de Judas, permutando o Mestre, inconscientemente, por esperanças injustas, por vantagens materiais, por privilégios passageiros. Quando podem examinar a extensão dos enganos a que se acolheram, procuram, desesperados, os comparsas de suas ilusões, tentando devolver-lhes quanto lhes coube nos criminosos movimentos em que se comprometeram na luta humana; todavia, com esses frutos amargos apenas conseguem adquirir o campo de sangue das expiações dolorosas e ásperas, para sepulcro dos cadáveres de seus pesadelos delituosos, estranhos ao ideal divino da perfeição em Jesus-Cristo.


Irmão em humanidade, que ainda não pudeste sair do campo milenário das reencarnações, em luta por enterrar os pretéritos crimes que não se coadunam com a Lei Eterna, não troques o Cristo Imperecível por um punhado de cinzas misérrimas, porque, do contrário, continuarás circunscrito à região escura da carne sangrenta.



Emmanuel

domingo, 25 de novembro de 2012

Menos e Mais

Menos e Mais

Quanto menos trabalho, mais preguiça.


Quanto menos esforço, mais estagnação.


Quanto menos direito, mais insegurança.


Quanto menos serviço, mais penúria.


Quanto menos fé, mais desconfiança.


Quanto menos caridade, mais aspereza.


Quanto menos entendimento, mais perturbação.


Quanto menos bondade, mais intolerância.


Quanto menos diligência, mais necessidade.


Quanto menos simpatia, mais obstáculos.


Quanto mais fizeres pelos outros, mais receberás do próximo em teu beneficio.


Quanto mais auxiliares, mais serás auxiliado.


Quanto mais aprenderem, mais saberás.


Quanto mais te aplicares ao bem, mais o bem te glorificará o caminho.


Quanto mais te consagrares ao próprio dever, mais respeito e mais nobreza te coroarão.


Quanto mais te dedicares ao plantio da fé pela compreensão de nossa insignificância, à frente do Senhor, mais a fé brilhará em tua fronte.

Quanto mais sacrifício puderes suportar, mais alta ser-te-á a própria sublimação.


Quanto mais te humilhares, buscando a posição do fiel servidor da Divina Bondade, mais engrandecido te farás diante da Lei.


Quanto mais suportares as falhas alheias, usando a paciência e a afabilidade, mais amor conquistarás naqueles que te observam e seguem.

Quanto mais souberes perder nas ilusões da Terra, rendendo culto diário à reta consciência, mais lucrarás na Imortalidade Vitoriosa.



Recordemos o ensinamento do Cristo “ao que mais tiver mais lhe será acrescentado”.

E, aumentando a nossa boa vontade no trabalho que o senhor nos concede para as horas de cada dia, estejamos convictos de que mais seguramente avançaremos no rumo de nossa própria libertação.



Emmanuel

Do livro: Bênçãos de Amor, Médium: Francisco Cândido Xavier


sábado, 24 de novembro de 2012

Em Verdade





EM VERDADE



O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção.



O sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente.



O iluminado não insulta o que anda em trevas. Aclara-lhe a senda.



O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor.



O bom não persegue o mau. Ajuda-o a melhorar-se.



O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se.



O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente, em favor dele.



O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.



O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que
necessário.



O cristão não odeia, nem fere. Segue ao Cristo, servindo ao mundo.



De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz.

ANDRÉ LUIZ

 





O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção.



O sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente.



O iluminado não insulta o que anda em trevas. Aclara-lhe a senda.



O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor.



O bom não persegue o mau. Ajuda-o a melhorar-se.



O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se.



O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente, em favor dele.



O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.



O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que
necessário.



O cristão não odeia, nem fere. Segue ao Cristo, servindo ao mundo.



De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz.

ANDRÉ LUIZ
AGENDA CRISTÃ
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DESÂNIMO



 
DESÂNIMO

“O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem.”

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO Capítulo 5º — Ítem 18.



Insidioso, de fácil propagação, tem caráter pandêmico.

Grassa com celeridade, entorpecendo sentimentos com força que aniquila a vida.

Inimigo desconsiderado fere em profundidade e se agasalha dominador em todas as criaturas a todo instante, sendo difícil de ser erradicado.

Com poder semelhante às viroses contagia mais do que a grande maioria das enfermidades comuns.

Conduz às dissipações, à loucura, ao crime.

Aqueles que lhe caem nas malhas, invariavelmente derrapam para os vales desesperadores dos estupefacientes, do suicídio.

Suas vítimas apresentam-no refletido no “fácies” característico, deprimente.

São mórbidas, indiferentes, perigosas.

Grande facção da humanidade sofre-lhe a ação deletéria.

Esse adversário soez e destruidor de multidões é o desânimo.

Companheiros da fé valorosos, deesencorajados de prosseguirem, recuam.

Trabalhadores devotados, assinalados pelo sofrimento, estacionam.

Serventuários da esperança, desiludidos, fogem.

Mantenedores de tarefas socorristas, desajustados, param... sob o império do desânimo.

Prossegue tu!

Todos falam que recolheram, do labor a que se devotaram, espinhos rudes e rudes ingratidões.

Explicam, com argumentos injustificáveis, que a moral evangélica para o momento em que se vive não mais tem aplicação: está ultrapassada.

Crêem que perderam o tempo, aplicado anteriormente na execução do programa divino, apresentado pelo Espiritismo.

São vítimas inertes do desânimo.

Sem explicações para se justificarem a si mesmos a fuga espetacular para com os deveres assumidos espontaneamente, acusam e acusam.

Não lhes dês ouvidos.

Amigos falam que não conseguem perseverar nos ideais fascinantes e severos da Doutrina dos Imortais.

Também tu.

Alguns reconhecem os erros e a inutilidade de lutarem contra as próprias deficiências.

Dá-lhes razão, pois que não é diferente o que ocorre contigo.

Outros esclarecem que tentaram seguir os postulados espiritistas, mas o tributo a oferecer é grande demais, em considerando as incertezas de que se encontram possuídos.

Concordas com eles ao auscultares o imo em tormentos múltiplos.

Eleva o padrão mental de tuas meditações.

Expulsa o tóxico letal que se infiltra sutilmente na tua organização espiritual.

Faze um exame dos que debandaram das fileiras do dever...

O desanimado é alguém que tombou antes do termo da jornada.

Reage com todas as forças e não possibilites “horas vazias” para se encherem de desesperanças nas províncias do teu pensamento.

Homens e mulheres, que lutaram em todos os tempos para construírem o ideal de felicidade humana, experimentaram o miasma pestilento desse sicário do espírito.

Reagindo, porém, e perseverando abrasados pelos empreendimentos começados, elaboraram o clima de esperança que muitos respiram, abençoados pelo sol de amor que os aquece.

Estuda o Evangelho e vive-o, embora não consigas avançar incorruptível.

Se tombares no afã da verdade, recomeça. Se despertares ao peso de irrefreável fadiga, recomeça.

Se experimentares desespero porque demora a materialização dos teus anseios, recomeça.

O trabalho de valorização do bem é de recomeço e recomeço, porqüanto cada passo dado na direção do objetivo é vitória alcançada sobre o terreno a vencer...

Quando o desânimo, investindo contra os teus propósitos superiores, situar o seu quartel na rotina das tuas atividades nobres, modifica o “modus operandi” e prossegue, renovado, combatendo nos painéis da mente essa vibração desagregadora transmitida por outras mentes que perseguem o Evangelho Redentor, desde há muito, e, exaltando a alegria do serviço em cada minuto de ação superior, destroça as armadilhas bem urdidas desse revel inimigo, alcançando a plataforma superior da glória de ajudar com desinteresse e amor.



Extraído do livro ESPÍRITO E VIDA, de JOANNA DE ÂNGELIS, psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Se tiveres amor


 

Se tiveres amor

Reunião pública de 5/1/59
Questão nº 887
 
Se tiveres amor, caminharás no mundo como alguém que transformou o  próprio coração em chama divina a dissipar as trevas...


Encontrarás nos caluniadores almas invigilantes que a peçonha do mal entenebreceu, e relevarás toda ofensa com que te martirizem as horas...


Surpreenderás nos maldizentes criaturas desprevenidas que o veneno da crueldade enlouqueceu, e desculparás toda injúria com que te deprimam as esperanças...

Observarás no onzenário a vitima da ambição desregrada, acariciando a ignomínia da usura em que atormenta a si próprio, e no viciado o irmão que caiu voluntariamente na poça de fel em que arruína a si mesmo...


Reconhecerás a ignorância em toda manifestação contrária à justiça e descobrirás a miséria por fruto dessa mesma ignorância em toda parte onde o sofrimento plasma o cárcere da delinqüência, o deserto do desespero, o inferno da revolta ou o pântano da preguiça...


Se tiveres amor saberás, assim, cultivar o bem, a cada instante, para vencer o mal a cada hora...



E perceberás, então, como o Cristo fustigado na cruz, que os teus mais acirrados perseguidores são apenas crianças de curto entendimento e de sensibilidade enfermiça, que é preciso compreender e ajudar, perdoar e servir sempre, para que a glória do amor puro, ainda mesmo nos suplícios da morte, nos erga o espírito imperecível à bênção da vida eterna.
 
Extraído do livro "Religião dos Espíritos"
Emmanuel, psicografia de Chico Xavier


 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Inscrição Rupestre


Iêda e Laurita, em 06.06.2010.
 


Laurita Pires de Sá, em 06.06.2010.


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Inscrição Rupestre





A divindade repousa nas rochas,
cresce nas plantas,
anda nos animais,
pensa nos homens,
ama nos anjos...
por isso respeite:
as rochas como se fossem plantas,
as plantas como se fossem animais,
animais como se fossem homens e
os homens como se fossem anjos...”


Inscrição rupestre,
Tibete 3000 a.C.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO


 
NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO




 


715 - Como o homem pode conhecer o limite do necessário?



– Aquele que é sensato o conhece pela intuição; muitos o conhecem pela experiência e à sua própria custa.



716 - A natureza não traçou o limite de nossas necessidades em nossa estrutura orgânica?



– Sim, mas o homem é insaciável. A natureza traçou o limite às suas necessidades no seu próprio organismo, mas os vícios lhe alteraram a constituição e criaram necessidade que não são reais.


 




717 - O que pensar dos que monopolizam os bens da terra para obter o supérfluo em prejuízo dos que precisam do necessário?



– Eles desconhecem a lei de Deus e terão que responder pelas privações que impuseram aos outros.
O limite entre o necessário e o supérfluo não tem nada de absoluto, de indiscutível. A civilização criou necessidades que o selvagem desconhece, e os Espíritos que ditaram esses ensinamentos não pretendem que o homem civilizado viva como o selvagem. Tudo é relativo e cabe à razão distinguir cada coisa. A civilização desenvolve o senso ético e ao mesmo tempo o sentimento de caridade, que leva os homens ao apoio mútuo. Os que vivem  à custa das necessidades dos outros exploram os benefícios da civilização em seu proveito; têm da civilização apenas o verniz, como há pessoas que têm da religião apenas a máscara.



Extraído de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS"

Allan KARDEC

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

NÃO TEVE TEMPO


 
 
NÃO TEVE TEMPO



— Fui espírita... Nasci em berço espírita. Tomava passes e, de quando em quando, comparecia a algumas conferências. Quando solicitado, cooperava com esta ou aquela campanha de benemerência. Sempre quis ser médium, mas nunca tive tempo para dedicar-me. Frequentava clubes e... a família me fazia certas cobranças. Os negócios me absorviam muito e eu precisava cuidar do pão de cada dia, vocês não acham? Quem, afinal, iria alimentar-me?! Sabemos que o ―maná só caiu de graça do céu uma única vez... Fui espírita... Jamais deixei de recorrer à ajuda espiritual quando as coisas apertavam para mim, pois, em qualquer circunstância, não negava a minha fé. Tinha vontade de realizar o culto do Evangelho no lar, mas...
 
Começava a ler livros interessantes, no entanto, não sei por que não conseguia terminá-los... O pessoal do Centro pedia muito; não podia me ver, e eu tinha que viver me esquivando... Só porque me percebiam com correntes e pulseiras de ouro, carro novo, imaginavam que eu fosse rico... Fui espírita... Na minha casa cheguei a ter uma biblioteca imensa. A minha avó era médium vidente.
 
Quando criança, eu frequentava aulas de evangelização. O tempo na Terra é curto em excesso. Vejam vocês: quando eu estava conseguindo reunir as condições para realizar o meu sonho, que era o de vincular-me a uma tarefa, fundar um núcleo, sei lá, desencarnei... Não tive tempo...
Ouvindo, na Vida Maior, o companheiro em tão pungente depoimento, como se estivesse ensaiando para explicar-se nas barras do tribunal da Divina Justiça, arrisquei a indagação:
— Meu irmão, com quantos anos você deixou o corpo?...
— Ah!, meu amigo, eu já tinha passado dos 70...
Ramiro Gama
Fonte: BACCELLI, A. CARLOS, LINDOS CASOS DE ALÉM-TÚMULO ( pelo Espírito Ramiro Gama), cap. 32, 1ª Edição, 1998, Editora DIDIER



 

domingo, 18 de novembro de 2012

SÚPLICA






 
Samaritana e Jesus.
 
SÚPLICA

Espírita, meu irmão.
Hoje procuro refúgio no teu coração, cansado como me encontro de mil embates, na longa jornada dos séculos.
Dizem que sou débil plantinha, no entanto, relegam-me ao vendaval, deixando-me à mercê da canícula ou na via das enxurradas imundas.
Afirmam que sou o futuro, todavia, desrespeitam o meu presente, colocando dificuldades e aflições ao alcance das minhas débeis mãos.
Expressam que eu sou diamante precioso, mas ninguém procura retirar a jaça e a ganga que me tornam imprestável, por enquanto.
Informam que eu sou um pequeno rei, no império da vida, todavia, descuidam do meu aprimoramento, sem me aformosearem o caráter para o nobre ministério.
Chamam-me de anjo e conduzem-me, por negligência, ao império do desespero e da revolta.
Agradam-me e, muitas vezes, degradam-me deixando-me sob o jugo imperioso de forças desordenadas.
Ajuda-me agora, para que, por minha vez, eu possa ajudar mais tarde.
Acolhe-me na terra fértil do teu coração e desenvolve-me os sentimentos latentes dentro de mim.
Serei amanhã o que fizeres de mim agora. Não te peço muito.
Rogo-te, apenas, que abras os braços e me alcances.
Suaviza tua voz para ensinar-me e dá leveza à tua mão quando seja necessário corrigir-me. Mas não me deixes sem o carinho que estimula nem a correção que educa e salva.
Confio em ti. Socorre-me hoje, e não mais tarde.
Necessito urgente de orientação e sustento.
Recebe-me enquanto não me maculam as nódoas da vida.
Dilata as tuas possibilidades e eu coroarei os teus dias com as bênçãos da alegria perene, levando, pelas gerações afora, a mensagem viva do teu auxílio como legatário natural da tua fé libertadora e santa.
Irmão do Cristo, recolhe-me no teu amor em nome de Quem, em apresentando os pequeninos aos discípulos amados, asseverou pertencer o Reino dos Céus.
Anália Franco
Fonte: FRANCO, Divaldo Pereira, SEMENTEIRA DA FRATERNIDADE (Diversos Espíritos), 6. Ed.. cap. 4. LEAL, 2008

sábado, 17 de novembro de 2012

Reflexões sobre Causas e Efeitos



 
Reflexões sobre Causas e Efeitos

Assaruhy Franco de Moraes

 

No caminho para a luz, o Espírito adquire débitos que são gerados por conta da inconsequência e da visão deturpada sobre como percorrê-lo. Navegamos pelos mares do egoísmo, aportamos na enseada do materialismo, caminhamos pelas terras do fanatismo, vencemos as tempestades da intolerância, passamos pela influência das trevas; são tantos os obstáculos e muitas vezes, perdemos muito tempo até que a razão prevaleça.

Nesse processo, o Espírito contabiliza faltas e assume responsabilidades, mas, na medida em que o tempo passa e as lições vão ensinando a viver, a realidade começa a sair fora das brumas do erro e se torna nítida diante da verdade.

De todas a fases do processo de regeneração espiritual, o momento da verdade é provavelmente a mais crucial e nesse momento, não se tem mais desculpas para a incidência de erros, nem justificativas para atos menores, é a solidão da consciência e a convergência das lágrimas. É o momento em que o Espírito anseia pela regeneração e procura conhecer as formas de conseguir esse intento.

No livro Chico Xavier Pede Licença, Emmanuel nos conta, no Cap. 19 – Desencarnações Coletivas – fatos elucidativos sobre as relações de causa e efeito nas mortes coletivas, que são resultantes da expectativa espiritual pela regeneração, verdadeiros passaportes para a luz.

O nosso bom amigo nos diz que, quando o Espírito tem consciência de suas responsabilidades diante da vida, roga ao Pai os meios de resgatá-las devidamente.

Faz-se importante lembrarmos que é no momento da verdade, que o resgate tem sua maior força e eficácia, é nesse momento que o devedor tem condição de entender o porquê de suas dores e justificá-las para si mesmo, sem que se defronte com as sombras da revolta, que só tenderiam a empurrá-lo para uma longa espera por outra oportunidade.

É quando observamos dolorosos casos em que milhares de pessoas são arrastadas pela voragem das guerras, vítimas indefesas de saques, compelidas a experimentar dores que semearam em seu passado.

São vítimas de epidemias arrasadoras, respondendo pelos erros de corrupção que prejudicaram irmãos que nelas confiaram; almas comprometidas com os anseios de ouro e poder, agora vítimas de violências na partilha de terras e bens, ao preço de sangue e lágrimas.

Fala-nos ainda Emmanuel, em elucidativo relato, sobre as mortes coletivas em incêndios terríveis, que podem ser por explosões, atentados, acidentes, refletindo um passado onde corsários ateavam fogo em navios e cidades, na busca da pilhagem fácil.

Todavia, todas essas explicações só fazem sentido, se entendidas na mecânica da reencarnação, caso contrário, difícil será entrever a justiça em cada evento reparador e perceber que se criamos a culpa, também escolhemos a forma de repará-la.

Finaliza o mentor espiritual, dizendo que nunca ficamos sem a presença da Misericórdia Divina e que o sofrimento é sempre reduzido ao mínimo.

Não existem regras fixas de tempo entre a causa (falta) e o efeito (resgate), o que vale é a capacidade que as almas endividadas têm para entender sua situação e tirarem o melhor proveito da lição que receberem.

Em Crônicas de Além Túmulo, Humberto de Campos reporta-nos sobre o incêndio de um circo em Niterói, RJ em 1961, uma dolorosa tragédia com centenas de mortes de adultos e crianças, que agora vítimas, foram responsáveis, 1784 anos antes, por queimarem cerca de mil crianças e mulheres cristãs, numa arena de circo na Gália, ainda na época do Império Romano.

Essas explicações, certamente, não devem ser recebidas para que tenhamos menos comoção diante da tragédia de nossos irmãos, naquele momento, diante do resgate reparador. A finalidade de conhecermos essas relações de causa e efeito, é para que possamos entender o porquê dos tristes eventos corretores, aceitando a presença da justiça divina exatamente onde possa parecer que ela está ausente.

Assim, precisamos refletir diante da violência e dor dos desastres que comovem e traumatizam a opinião pública, das tragédias humanas e dos dramas pessoais. Nossa melhor contribuição para esses fatos, deve ser a prece sincera pelos irmãos em prova e pelos de suas convivências, para que se fortaleçam na esperança do reencontro em dias melhores.

 

Fonte: O BOLETIM

Informativo do Centro Espírita Bezerra de Menezes - agosto 2012.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As Pesquisas Psíquicas Pós Kardec


 
As Pesquisas Psíquicas Pós Kardec




(“Vida e morte: o homem no labirinto da eternidade”, tese de doutorado. Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, UNICAMP, 1993; pp. 183-190).


Charles Richet, fundador da Metapsíquica, divide a evolução histórica dos fenômenos parapsíquicos no Ocidente em quatro períodos, a saber:

- Período mítico: se estende da mais remota antiguidade até Mesmer e suas doutrinas sobre magnetismo animal (1778);


- Período magnético: vai de Mesmer (1778) às irmãs Fox (1847). Mesmer introduz o ‘fluido’ e o sonambulismo artificial (hipnose), primeiras noções da percepção extra-sensorial;


- Período espirítico: das irmãs Fox (1847) a William Crookes (1872). Com Allan Kardec surge a teoria do Espiritismo. Ápice do mediunismo. Espiritismo como sistema filosófico e posteriormente religioso.


- Período científico: inicia-se a partir de 1872, com as pesquisas de William Crookes, subdivididas em: período metapsíquico (1872 a 1930) e período parapsicológico (de 1930 aos dias atuais).


A comunicação com os mortos vira ciência.

Embora o Espiritismo tenha feito muitos adeptos e conversões durante o próprio séc. XIX e início do séc. XX em diferentes meios sociais, chama a atenção o fascínio que a nova doutrina parece ter exercido no meio intelectual, artístico e científico da época, gerando tanto fervorosos adeptos como tenazes adversários. Arthur Conan Doyle, Victorien Sardou, Victor Hugo, Robert Owen, Cesare Lombroso, William Crookes, Oliver Lodge, Camille Flammarion, Charles Richet, entre outros, dedicaram-se a estudar o ‘outro lado’, recuperando o passado, revendo a religião à luz da ciência e encarando a morte sob novos aspectos. Grupos de cientistas reuniam-se em torno de médiuns, investigavam, eliminavam possibilidade de fraudes. Muitas dessas reuniões de estudos realizavam-se em centros de pesquisas e laboratórios e os convidados eram pessoas credenciadas pela comunidade intelectual e científica. Um exemplo foram as 43 sessões organizadas pelo Instituto Geral Psicológico de Paris nos anos 1905, 1906 e 1907, com a médium Eusápia Paladino, que incluíram, na sua assistência, Bergson, o casal Curie e Debierne, o reitor da Sorbonne. Embora muitos dos assistentes do meio científico não ficassem convencidos, um grande número confessou a sua adesão.

Um dos mais importantes convertidos às novas descobertas propostas pelo Espiritismo foi Camille Flammarion (1842 - 1925), o eminente astrônomo e cientista do séc. XIX. Tornou-se espírita, amigo pessoal de Allan Kardec, e pronunciou o discurso fúnebre à beira de seu túmulo, imbuído pelas convicções doutrinárias espíritas, sobretudo a imortalidade da alma e a visão de que a morte era uma libertação, uma continuidade para uma nova existência espiritual, operosa e de estudos.

Os fenômenos espíritas também repercutiram fora da França. Um dos cientistas mais importantes a dedicar-se ao estudo dos fenômenos foi o inglês William Crookes, cuja história está relacionada com a da médium Florence Cook e a materialização do espírito Katie King. Químico e astrônomo, a partir de 1856 fez parte da Sociedade Real de Londres dedicando-se a trabalhos fotográficos sobre a lua. Descobriu um processo, a amalgamação do sódio e pela análise espectral tornou conhecido um novo corpo metálico simples, o tálio. Através de uma série de experiências bem sucedidas demonstrou com exatidão um quarto estado da matéria, além do sólido, líquido e gasoso: o da matéria radiante. Com essa posição intelectual e científica, anunciou que iria se ocupar dos chamados fenômenos espíritas, com o rigor de um experimentador científico. Em 1874, publicou os primeiros resultados de suas pesquisa no “Quarterly Journal of Science”. Em fevereiro de 1897 publicou suas observações sobre os fatos espíritas.

(...) Os fenômenos observados: levitações, psicografia, telecinesia, materializações e aparições luminosas de objetos foram colocados como fatos incontestáveis, que mereceriam uma laboriosa série de experiências e elaborações teóricas de acordo com as mais recentes descobertas científicas.
Para alguns outros convertidos, como Arthur Conan Doyle, o desabar da muralha entre o mundo dos mortos e dos vivos; os fatos que comprovam de forma cabal a sobrevivência após a morte e a comunicação entre mortos e vivos deveriam conduzir a uma grande transformação e esperança para o gênero humano pela formação de uma nova e atual expressão religiosa que levasse os homens a uma existência mais espiritualizada.

Cientistas de renome na Itália também passaram a integrar o conjunto de estudiosos dos chamados fenômenos psíquicos. Shiaparelli, Chiaia, Brotasi, Lombroso e Bozzano fizeram parte dessa galeria. Ernesto Bozzano destacou-se nesse grupo dedicando trinta anos às pesquisas psíquicas. Publicou inúmeros trabalhos científicos sobre o assunto, expondo os princípios básicos que o levaram a aderir à hipótese espírita por ser uma “necessidade lógica”.

Uma das conversões mais intrigantes do final do séc. XIX foi a de Cesare Lombroso, médico, higienista, psiquiatra e antropólogo. Seus famosos estudos estavam na área da Antropologia Criminal, nos quais revelava sua incondicional adesão aos de investigação científica positiva de sua época. Estudava homens e fatos numa mesma perspectiva, como ponto de partida do método experimental. Estabeleceu uma teoria em que expunha a Gênese Natural do Delito e as bases do sistema penal positivo, associando Direito Penal e Antropologia Criminal.

(...) Durante muitos anos, negou os fenômenos psíquicos e espirituais como charlatanice e credulidade simplória. Porém, após assistir a algumas sessões mediúnicas realizadas por Eusápia Paladino, e verificando a veracidade e autenticidade da produção dos fenômenos e das manifestações espirituais, Lombroso começou suas pesquisas.

Em 15 de julho de 1891 foi publicada uma carta onde declarou sua rendição aos fatos espirituais: Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espiríticos; digo fatos, porque continuo ainda contrário à teoria. Mas os fatos existem, e deles me orgulho de ser escravo.
No desenvolvimento de suas observações e estudos, Lombroso caminhou na direção de aceitar a interferência e influência de seres espirituais sobre as manifestações e os fenômenos produzidos. Em 1909 publicou “Hipnotismo e Mediunidade”, onde descreveu, de forma categórica e imbuída do mais ortodoxo espírito científico, os resultados de seus estudos, diante das hipóteses espíritas e de sua veracidade e lógica.
(...) Também na Alemanha foram realizadas experiências científicas da sobrevivência após a morte. Faziam parte do grupo de especialistas, entre outros, Johann Karl Friedrich Zöllner, professor de física e astronomia da Universidade de Leipzig e elaborador da hipótese da teoria sobre a quarta dimensão do espaço; professor Wilhelm Edward Weber, de física e autor da doutrina da Vibração das Forças; Schneiber, matemático de renome na Universidade de Leipzig; Gustav Friedrich Fechner, físico e filósofo na mesma Universidade. Este grupo publicou em 1879 o resultado de suas pesquisas. Para eles tratava-se de uma Nova Ciência baseada em outra classe de Fenômenos Físicos, provando a existência e um outro mundo de seres inteligentes. Liderados por Zöllner, realizaram experiências com o famoso médium americano Henry Slade. Ocorreram materializações, levitações, aparições, psicografia de mensagens, que foram meticulosamente observadas, descritas e estudadas. Submetidos a considerações teóricas, os fenômenos observados revelavam uma dimensão científica e verdadeira, como um dos elementos fundamentais para a construção da teoria do espaço em quarta dimensão e da sobrevivência espiritual.

(...) É muito grande a galeria de cientistas ilustres dessa época seduzidos pelos fenômenos espíritas, realizando estudos, pesquisas, construindo teorias e revelando sua adesão, em maior ou menor grau, às novas crenças. Em vários países europeus e do continente americano, esses estudos apontam um mesmo caminho, que marcou a história do pensamento contemporâneo: a necessidade de comprovar pelos argumentos científicos aquilo que antes estava no domínio da fé religiosa”.


Eliane Moura Silva


LIVROS RECOMENDADOS:

1. G. Delanne - O Fenômeno Espírita; O Espiritismo Perante a Ciência; A Alma é Imortal. Editora: FEB

2. A. Erny - O Psiquismo Experimental. Editora: FEB

3. A. Aksakof - Animismo e Espiritismo. Editora: FEB

4. A. C. Doyle - História do Espiritismo. Editora: Pensamento

5. C. Imbassahy - O Espiritismo à Luz dos Fatos. Editora: FEB

6. W. Crookes - Fatos Espíritas. Editora: FEB

7. E. Bozzano - todos os livros. Editora: FEB

8. C. Flammarion - todos os livros. Editora: FEB.



 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Convocação


 
Convocação




(...) Nós fomos chamados por Jesus para tornar o mundo melhor.


 
Não foi por acaso que na hora última a voz do Divino Pastor chegou até nós.

Não nos encontramos no mundo assinalados apenas pelos delitos e os erros pretéritos, somos os servos do Senhor em processo de aperfeiçoamento para melhor servi-lO.
Nem a jactância dos presunçosos, nem a subestima dos que preferem a acomodação.
Servir, meus filhos, com a instrumentalidade de que disponhamos é o nosso dever.
Observamos que a seara cresce, mas os trabalhadores não se multiplicam geometricamente como seria de desejar, porque estamos aferrados aos hábitos doentios, que no momento da evolução antropológica, serviram-nos de base para a transformação do instinto em emoção edificante.

A maneira mais segura de preservar os valores do Evangelho de Jesus em nós é através da vinculação mental com o nosso Condutor.


Saiamos da acomodação justificada de maneira incorreta para a ação. Abandonemos as reações perturbadoras e aprendamos as ações edificantes.
Sempre dizemos que necessitamos de Jesus, em cuja misericórdia estaríamos como náufragos perdidos na grande travessia da evolução, mas tenhamos em mente que Jesus necessita de nós, porque enquanto falamos a Ele pela oração Ele nos responde pela inspiração.
Ele age pelos nossos sentimentos através das nossas mãos. Sejam as mãos que ajudam, abençoadas em grau mais expressivo do que os lábios que murmuram preces contemplativas. A nossa postura no mundo neste momento é de misericórdia.
Que nos importam os comentários deprimentes a nosso respeito, se valorizamos o mundo, respeitando os seus cânones e paradigmas? Não nos preocupemos com o que o mundo pensa e fala de nós através de outros corações.
No belo ensinamento de Jesus na casa de Lázaro, enquanto Maria O ouve e Marta se afadiga temos uma lição extraordinária – não é necessário ficar numa contemplação de natureza egoística, mas é necessário aprender para poder servir.


A atitude de Marta é ansiosa, era a preocupação com o exterior. A atitude de Maria era iluminativa, a que parte dos tesouros sublimes da coragem e do amor, através da sabedoria, para poder melhor servir.
O serviço é o nosso campo de iluminação.

Nós outros, os companheiros da vida espiritual, acompanhamos as lágrimas que são vertidas pelos sentimentos de todos aqueles que nos suplicam ajuda e, interferimos com a nossa pequenez, junto ao Mestre Incomparável, para que Ele leve ao Pai as nossas necessidades, mas bendigamos a dor sem qualquer laivo masoquista; agradeçamos a dor que nos desperta para a verdade, e que nos dilui as ilusões; que faz naufragar as aventuras de consequências graves antes que aconteçam.




Estamos, portanto, convocados, para a construção da Sociedade Nova, na qual o bem pairará soberano, como já ocorre, acima de todas e quaisquer vicissitudes.
Filhos da alma, tende bom ânimo. Não recalcitreis contra o aguilhão nem vos permitais a deserção lamentável ou a parada perturbadora na escalada difícil da sublimação.




Jesus espera-nos, avancemos!
Suplicando a Ele, o Amigo Incomparável de todos nós, envolvemos os afetuosos corações em dúlcidas vibrações de paz.
Na condição de servidor humílimo e paternal de sempre.


Bezerra


Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, ao final da Conferência realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, em 14 de julho de 2011.