terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Em Tarefa do Amor

 

A tarefa de amor

Resume-se em servir.

Decide-te e começa...

Une-te aos companheiros,

Sem contar desenganos.

Há irmãos que se queixam

Outros se desanimam,

Alguns te desaprovam,

Muitos te desconhecem...

Mas se segues com Deus

Nunca te cansarás.

 

 

Ergue-te e Segue

 

Os dias de tristeza

E os desgostos à vista!...

Erraste e sofres.

Perdeste amigos.

Vieram provações.

Choram entes amados.

A ansiedade é tão grande

Que supões impossível

Levantar-te do leito...

No entanto, ergue-te e anda

Deus te renovará.

 

Emmanuel, do livro Material de Construção, psicografia de Chico Xavier.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017


Convencer-se e Converter-se

 

 

Muito fácil convencer-se alguém da Verdade do Senhor, transformando a vida dos companheiros.

Muito difícil, porém, converter-se ao Senhor da Verdade, renovando a própria vida.

O homem apenas convencido pode: construir maravilhosos templos para o culto religioso e morrer desabrigado; orientar o combate aos inimigos da Humanidade e permanecer possuído por terríveis adversários de si mesmo; distribuir benefícios incontáveis e atingir o fim da experiência terrestre em angustiosa fome do coração; acender inúmeras lâmpadas no caminho e entregar-se à morte às escuras; receber prodigiosos dons do Céu e estendê-los aos semelhantes, persistindo em asfixiante cegueira no campo intimo.

O homem somente convencido: derruba sem construir, critica sem cooperar, discute sem esclarecer, exige de todos sem auxiliar a ninguém, hostiliza o bem provável, sem edificar o bem positivo.

Muito perigoso convencer-se quanto à verdade espiritual pelo raciocínio, sem converter-se a ela pelo coração.

Muitos chamados, poucos escolhidos.

Muitos se convencem, poucos se convertem.

Somente o homem verdadeiramente convertido a Jesus adquire suficiente poder para desligar-se dos domínios do "eu", buscando o Reino de Deus.

Só é instrumento capaz de atender, com eficiência, no divino trabalho da redenção humana ao descobrir o júbilo de servir, no legítimo entendimento da evolução e da eternidade.

Representa, efetivamente, o discípulo fiel, o cooperador decidido e voluntario.

Para o seu raciocínio unido ao sentimento, terminou o nevoeiro da negação, da incerteza e da dúvida. O Senhor determina e ele obedece.

 

Confraternizemo-nos...

 

Solicitar diretrizes do Plano Elevado, esperando que os Desígnios Divinos se adaptem aos nossos caprichos, é loucura do coração.

PERANTE JESUS

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

EMMANUEL

domingo, 15 de janeiro de 2017


Simão, o Mendigo

 

Doente, pobre, velhinho,

O desditoso Simão,

Arrimado a seu bordão,

Andava devagarzinho...

 

Pés e mãos em chaga aberta,

Lá ia o velho, coitado!

Enfermo, desamparado

E humilde na estrada incerta.

 

Cabelo todo branquinho,

Rugosa a face morena,

O pobre metia pena

A vagar pelo caminho...

 

De onde viera? Ora, quem

Buscava saber ao certo?

Vinha de longe ou de perto?

Ninguém sabia, ninguém.

 

Só lhe sabiam do nome,

E que, em miséria, sem nada,

Ele esmolava na estrada,

A fim de matar a fome.

 

Estendendo seu chapéu,

Pedia cheio de dor:

-Uma esmola, meu senhor,

Por amor ao Pai do Céu!...

 

Mas, oh! Deus, que desalento

Neste mundo de aflição!

Ninguém ouvia Simão

Nas horas de sofrimento.

 

-Passai de largo! É o leproso!...

diziam homens cruéis –

-Oh! Não vos aproximeis

deste ancião perigoso!...

 

 

 

 

-Ah! Que graça! Põe-te à brisa! –

Exclama outro passante –

Nada de esmola ao tratante,

Que este velho não precisa!...

 

O mendigo, nos seus ais,

Dizia: -Viva a saúde!

Trabalhei enquanto pude,

Agora, não posso mais...

 

Toda a gente lhe fugia,

Ninguém lhe dava uma sopa,

Nem um trapinho de roupa

Para a noite de agonia.

 

Muito tempo era passado

E o desditoso velhinho

Sentia-se mais sozinho,

Mais doente, mais cansado...

 

Chegou, enfim, um momento

Em que o velho sofredor

Caiu de frio e de dor

Na estrada do sofrimento.

 

“-Escuta, meu bom Simão,

não temas, querido amigo!

Sê forte! Eu estou contigo.

Chegaste à ressurreição”.

 

Não chores. Estou aqui!...

Terminou tua aflição,

Estás em meu coração!

Pensavas que te esqueci?

 

Enquanto o mundo enganado

Atormentava-te ao peso

De zombaria e desprezo,

Eu sempre estive ao teu lado.

 

Teus prantos e tuas dores

São, hoje, a luz que te veste

No campo do amor celeste,

Repleto de eternas flores.

 

E Jesus, em voz mais terna,

Concluía: “Vem, Simão,

À doce consolação

Do mundo de luz eterna!...

 

E Simão, chorando e rindo,

A seguir, ditoso, o Mestre,

Esqueceu a dor terrestre,

No céu venturoso e lindo.

 

O caminho era de estrelas

De tão sublime matiz

Que o pobre ria, feliz,

Sem saber como entendê-las.

 

No outro dia, ao reconforto

Do Sol de coroa erguida,

Acharam Simão sem vida...

O mendigo estava morto.

 

JARDIM DE INFÂNCIA

 

 FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER   JOÃO DE DEUS

sábado, 14 de janeiro de 2017



Voto Espírita

O Espírita é alguém que assegura a si mesmo ser efetivamente:


- tão confiante nas leis Divinas que jamais se confia à desesperação;


- por mais agudo que lhe seja o sofrimento;


- tão otimista que nunca perde a coragem, nos embaraços de que se vê defrontado, aguardando o melhor que pode nas atividades do dia-a-dia;


- tão diligente que jamais abandona o trabalho, ainda mesmo quando lucros ou perdas o induzam a isso;


- tão compreensivo que facilmente descobre os meios de justificar as faltas do próximo;


- tão firme nos ideais que, em circunstância alguma, surpreende motivos para cair em desânimo;


- tão sereno que não se afasta da paciência, sejam guias forem os sucessos desagradáveis;


- tão conhecedor das próprias fraquezas que não encontra oportunidade ou inclinação para registrar as fraquezas dos outros;


- tão estudioso que não perde o mínimo ensejo para a aquisição de novos conhecimentos;


- tão realista que não alimenta qualquer ilusão a seu próprio respeito, aceitando-se hoje imperfeito ou desajustado, como seja, mas sempre envidando esforço máximo para ser amanhã como de ser;


- tão entusiasmado ante a Criação e a Vida Eterna que jamais permiti venham dificuldades ou provações solopar-lhe a alegria de viver ou obscurecer-lhe o dom de servir.


O Espírita, enfim, é alguém ciente de que Deus está ao lado de todos, mas procura firmar-se, sentir, pensar, e agir, incessantemente, ao lado de DEUS.

Albino Teixeira

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017


 

NAS VIBRAÇÕES DO ORGULHO

Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Lucas, 14:11.)

 

Maria Emília sempre foi uma servidora dedicada da Casa Espírita. Com grande habilidade para organizar eventos e administrar recursos, ela foi se destacando como uma notável líder.

 

Em poucos anos, a colaboradora fiel se tornou presidente do Centro e, logo no início de sua gestão, já se percebia melhorias em alguns setores, especialmente na instituição que acolhia moradores de rua da comunidade. O prédio foi reformado e os atendidos puderam ter acesso a serviços médicos, refeição de qualidade, assim como mais conforto nas dependências da instituição.

 

O trabalho de Maria Emília perante a instituição, sem dúvida, é digno de mérito e beneficia centenas de pessoas. Mas, paralelo à sua brilhante atuação na senda do bem, os confrades mais próximos começaram a perceber nela traços de intolerância.

Ocorrências infelizes em determinados eventos se tornaram mais frequentes: uma palavra ríspida aqui, a postura arrogante acolá, além do triste hábito de valorizar as fofocas e justificar suas decisões e atos como sendo instruções espirituais.

 

A conduta autoritária que a líder espírita passou a exibir é um exemplo claro da vaidade e do orgulho, ainda muito presentes nas casas espíritas. O médium vaidoso trabalha nas vibrações do ego e, não raro, é assediado por entidades enfermiças, puramente interessadas em colocar a perder as tarefas e a união de todo o grupo.

 

O orgulhoso não aceita críticas, despreza o valor alheio e tiraniza a si próprio nos meandros da culpa, já que possui crenças baseadas no perfeccionismo que o oprime. Tornando-se arrogante, ele afasta as pessoas, pois em sua ilusão se crê autossuficiente e só consegue ouvir aquilo que lhe convém.

O livro dos médiuns alerta: Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao acesso dos maus Espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos médiuns [...].¹

 

E o Evangelho², a seu turno, cita o princípio da reencarnação como fator aniquilante do orgulho e da vaidade, pois, aquele que ocupa elevada posição em uma existência, na outra poderá se curvar à condição mais humilhante.

Dessa forma, é imperioso que priorizemos o trabalho na Casa Espírita. Repudiemos as interferências do egoísmo e do orgulho, para que a palavra dos Espíritos Superiores nos chegue pura, isenta de qualquer alteração.

 

Adriana Brumer Lourencini

 

 1  KARDEC, Allan. O livro dos médiuns.

Trad. Guillon Ribeiro. 81. ed. 4. imp.

(Edição Histórica.) Brasília: FEB,

2015. cap. 20, it. 228.

 

2 ____. O evangelho segundo o Espiritismo.
Trad. Guillon Ribeiro. 131.
ed. 6. imp. (Edição Histórica.) Brasília:

FEB, 2015. cap. 7, it. 6, 11 e 12.

 

Fonte: B r a s i l  E s p í r i t a  |  Junho 2016

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017


Avarentos

 

Triste pai desencarnado compareceu na Sala de Auxílio e rogou ao nobre instrutor que presidia costumeira reunião:

- Devotado amigo, tenho ainda na Terra dois filhos, em plena madureza, e suplico autorização a fim de amparar, mais seguidamente, um deles, que me parece à beira de queda iminente.

E, ante a benévola expressão do dignatário sublime, o requerente continuou:

- Ignorante dos princípios de causa e efeito, meu Leocádio ajuntou milhões, fazendo-se proprietário de imensa fortuna. É um sovina desditoso, a movimentar-se entre cofres recheados e assentamentos de banco, preciosidades e jóias. Coração dantes generoso, ressecou-se com o tempo. Nele vejo agora usurário cruel... Em casa, transformou-se em doido varrido. Esqueceu-se de que a esposa lhe merece carinho, de que os filhos, ainda jovens, precisam educação; se reclamam, dá-lhes dinheiro farto para que lhe não perturbem as reflexões aparentemente tranquilas, nas quais se deleita em pesadelos dourados. Não consegue mentalizar outra coisa que não seja fazendas e terras, moedas e cadernetas bancárias. E ao mesmo tempo que mostra prodigalidade exagerada, ao pé da família, fora do ambiente doméstico, não dá tostão a ninguém. É um verdugo dos empregados que o servem, fiscalizando panelas e armários... Nos favores que presta, cobra tributo alto, e, nas compras que realiza, pechincha tudo... Em matéria de fé religiosa, aceita qualquer interpretação, desde que ninguém lhe censure o desvairado apego à finança, que se lhe erige agora no pensamento por ídolo irremovível.

Inquietando-se, diante do silêncio com que era observado, rematou, súplice:

- Juiz amorável, dá-me permissão para seguir, passo a passo, o meu pobre filho que a paixão do dinheiro transfigurou em alienado mental!

Porque o peticionário se interrompesse, chocado pela emoção, perguntou o mentor:

- Se te pronuncias, na condição de pai de dois filhos, é natural que te refiras ao outro.

- O outro? disse o interessado, entremostrando larga esperança – o outro é Levindo, caráter ilibado, irrepreensível. Desde a mocidade, é um gênio de gabinete. Há precisamente quarenta anos, não tem outra preocupação que não seja estudar os filósofos e os cientistas da Humanidade. Vive cercado de prateleiras, em que se alinham documentos de milenária importância. Lê Platão no Grego puro e decifra os códigos egípcios com uma habilidade que nada tem a invejar Champollion. Conhece as religiões com admirável senso crítico. Responde com precisão a todas as consultas que se lhe formulem, quanto às civilizações antigas e novas...

Diante da pausa que surgiu, espontânea, o emissário da Esfera Superior indagou, presto:

- Que faz ela com tamanho cabedal de cultura?

- Meu filho basta a si próprio – informou o genitor, entre orgulhoso e tranquilo.

E o ajuste continuou:

- É professor com muitos discípulos?

- Não se trata de um professor, mas de um sábio.

- Não ensina, porém, o que sabe, nem mesmo alfabetiza esse ou aquele irmão necessitado de escola?

- Ele não necessita trabalhar para o próprio sustento.

- Mesmo assim, não se dedica, por espírito de serviço, a colaborar nas atividades de alguma instituição de beneficência?

- Sinceramente, não. Guarda a índole de quem é devotado à paz de si mesmo e não suporta as complicações do povo.

- Não adota crianças, de modo a plasmar-lhes os sentimentos pelos padrões de vida superior?

- Não tolera a ingratidão e teme perfilhar hoje meninos que amanhã lhe furtem a segurança...

- Não escreve nem fala em público para instruir os semelhantes e consolá-los?

- De maneira nenhuma. Não se anima a descer da altura intelectual em que vive para rentear com aqueles que, decerto, o levariam ao desprimor pela discussão... Vive só, figurando-se-me um astro luminescente, mas absolutamente incompreendido na Terra...

O representante da excelsa justiça meditou por alguns momentos e, como quem não podia perder tempo, resumiu o conselho, asseverando:

- Reconsidera a solicitação, meu amigo. Ambos os teus filhos são avarentos, necessitados do Socorro Divino; entretanto, o usurário escravizado ao ouro surpreende no próprio dinheiro um excitante à provação e ao trabalho. Ainda que deseje repousar nos teres e haveres que retém, não encontrará, na abastança material, senão motivo a incessantes suplícios. Conhecerá mais cedo a verdade, por viver em contato mais direto com a hipocrisia. Estará em luta constante para segurar a fortuna que amontoou, sofrendo aflição e desconfiança entre os melhores amigos, e, tão logo desencarne, experimentará desilusões terríveis, seguindo, agoniando, as ambições de muitos dos familiares que lhe disputarão os despojos nos tribunais, à feição de milhafres sobre o corpo da presa. Desencantado e sofredor, ele próprio suplicará a reencarnação, apressadamente, a fim de olvidar os antigos enganos e reparar os próprios erros. Mas o teu filho supostamente sábio é sovina da alma, ameaçado de solidão e desequilíbrio, por muitos séculos, de vez que atravessa os dias sem proveito para ninguém. Insulado no orgulho e na vaidade de saber e fugindo à felicidade e a obrigação de servir, lembra ele o poço de águas ricas e cristalinas que, por isolado e inútil, acaba verminado de podridão em si mesmo...

E, ante o pai assombrado, o juiz terminou:

- Ampara o teu filho atormentado, na Terra, pela usura da posse; no entanto, não te esqueças de que a avareza da inteligência que enlouquece o outro é muito pior.

Do livro Relatos da vida. Do Irmão X.