segunda-feira, 18 de junho de 2018



O LIVRO DOS MÉDIUNS

ALLAN KARDEC



19. É crença geral que, para convencer, basta apresentar os fatos. Esse, com efeito, parece o caminho mais lógico. Entretanto, mostra a experiência que nem sempre é o melhor, pois que a cada passo se encontram pessoas que os mais patentes fatos absolutamente não convenceram. A que se deve atribuir isso? É o que vamos tentar demonstrar.

No Espiritismo, a questão dos Espíritos é secundária e consecutiva; não constitui o ponto de partida. Este precisamente o erro em que caem muitos adeptos e que, amiúde, os leva a insucesso com certas pessoas. Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma. Ora, como pode o materialista admitir que, fora do mundo material, vivam seres, estando crente de que, em si próprio, tudo é matéria? Como pode crer que, exteriormente à sua pessoa, há Espíritos, quando não acredita ter um dentro de si? Será inútil acumular-lhe diante dos olhos as provas mais palpáveis. Contestá-las-á todas, porque não admite o princípio.

Todo ensino metódico tem que partir do conhecido para o desconhecido. Ora, para o materialista, o conhecido é a matéria: parti, pois, da matéria e tratai, antes de tudo, fazendo que ele a observe, de convencê-lo de que há nele alguma coisa que escapa às leis da matéria. Numa palavra, primeiro que o torneis ESPÍRITA, cuidai de torná-lo ESPIRITUALISTA. Mas, para tal, muito outra é a ordem de fatos a que se há de recorrer, muito especial o ensino cabível e que, por isso mesmo, precisa ser dado por outros processos. Falar-lhe dos Espíritos, antes que esteja convencido de ter uma alma, é começar por onde se deve acabar, porquanto não lhe será possível aceitar a conclusão, sem que admita as premissas. Antes, pois, de tentarmos convencer um incrédulo, mesmo por meio dos fatos, cumpre nos certifiquemos de sua opinião relativamente à alma, isto é, cumpre verifiquemos se ele crê na existência da alma, na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte. Se a resposta for negativa, falar-lhe dos Espíritos seria perder tempo. Eis aí a regra. Não dizemos que não comporte exceções. Neste caso, porém, haverá provavelmente outra causa que o torna menos refratário.


CAPÍTULO III
Do método
O LIVRO DOS MÉDIUNS
ALLAN KARDEC

domingo, 17 de junho de 2018


A EXECUÇÃO DA DIVINA LEI

Amemos a Deus sobre todas as coisas, procurando-lhe o Reino do Amor, em cuja edificação devemos contribuir.

Auxiliemos ao próximo, tanto quanto desejamos ser auxiliados.

Cumpramos, de boa vontade os deveres de cada dia.

Honremos os familiares amparando-nos, quanto nos seja possível.

Procuremos não prejudicar a ninguém.

Trabalhemos com alegria servindo a todos, em favor de nós mesmos.

Desculpemos as faltas alheias, compreendendo quanto temos errado por nossa vez.

Não cobicemos dos outros senão a virtudes e as qualidades respeitáveis que nos compete imitar na experiência comum.

Busquemos não realizar despesas além das nossas possibilidades, ainda mesmo que essa medida nos custe sacrifícios ingentes.

Conservemos a saúde, através de hábitos dignos, espalhando, em torno de nós, a alegria e a fé, o otimismo e a confiança.

 Não nos cansemos de aprender, entendendo que o progresso da alma é infinito, no espaço e no tempo.

Vivamos cada dia as bênçãos do serviço e do estudo, da prática do bem e do concurso fraterno, com paciência e compreensão, à frente de todas as situações, de todas as pessoas e de todas as coisas, na certeza de que poderemos ser convidados à prestação de contas da própria vida, a qualquer momento, e assim estaremos habilitados a viver diante do Senhor e diante das criaturas, cumprindo fielmente a Divina Lei.

Emmanuel


sábado, 16 de junho de 2018


Ante o Segundo Século

O primeiro século do Cristianismo conheceu suplícios inolvidáveis quais foram:
a crueldade de Tibério...
a demência de Calígula...
a insânia de Nero...
a perseguição indiscriminada...
a matança nos circos...
a ferocidade de algozes enrijecidos e insensatos...
a condenação sem processo...
a escravidão absoluta...
a humilhação sistemática...
a injúria e o martírio...
Ainda assim, milhões de criaturas encontraram o justo caminho da consagração pessoal ao Senhor, suportando heroicamente a flagelação e o insulto, o menosprezo e a morte, para formarem, com o próprio exemplo, as bases do mundo em que a evolução do direito e da ordem, do progresso e da solidariedade preside a civilização do Ocidente, que, apesar do estigma da devassidão e da devassidão e da guerra, ainda é a esperança para a vitória da luz.
O primeiro século do Espiritismo que restaura os valores da Boa Nova é bafejado por excelsas conquistas quais sejam:
os louros da independência religiosa...
a justiça das nações mais cultas do globo...
o aprimoramento industrial...
a crescente extensão da fraternidade...
o banimento do cativeiro...
o respeito às liberdades públicas e privadas...
a inviolabilidade do lar...
a dignificação do trabalho...
o avanço luminoso da inteligência, que tateia a estratosfera e desce às profundezas do mundo atômico...
É por esse motivo que nós, os espíritas de agora, cristão igualmente redivivos, com mais amplos fatores de segurança, somos convocados à redenção da Terra, competindo-nos, porém, para isso, não mais o ânimo firme no contato com feras e cruzes, escárnio e fogueira, mas, sim a coragem varonil de vencermos a trevas cristalizada conosco, em forma de indiferença e ociosidade, orgulho e rebeldia, instalando, através do serviço e da educação, o entendimento e o amor em nós mesmos, a fim de que o reinado do Cristo fulgure entre nós para sempre.

Emmanuel

sexta-feira, 15 de junho de 2018


O MAIOR PROBLEMA


O homem é o centro.

O mundo é a periferia.

Todas as questões políticas e administrativas, todos os enigmas sociólogos e passionais, que espalham na Terra as mais constrangedoras crises de espíritos, dependem da solução de um problema único para serem convenientemente decifrados – o problema do reajuste da nossa própria alma ante as Leis Divinas.

Não há um Mestre ausente da escola do mundo, mas sim aprendizes que fogem indefinidamente à lição.

O Senhor não menospreza os tutelados que lhe aguardam a proteção, mas como atender ao impositivo da comunhão se nos afastamos, sistematicamente, d’Aquele que é a luz de nossos destinos?

Pulverizemos as cristalizações de egoísmo e orgulho, vaidade e revolta que nos inibem a visão espiritual.

Desatulhemos o santuário íntimo, ocupado por inutilidades e ilusões e a luz divina penetra-nos-á o coração, determinando novas atitudes à vida consciencial.

Somos, ainda, em nosso estágio evolutivo, quando confrontados com a inteligência Perfeita que nos rege, humildes seres pensantes.

Ante a grandeza do Universo, as nossas limitações são comparáveis ás que separam o verme da estrela.

Como penetrar nos domínios de Deus quando nos demoramos imanizados à sombria concha do “eu?”

Com que títulos exigir novos planos do Amor Divino, se ainda permanecemos em continuada recapitulação dos primários mandamentos da justiça humanas?

Barro nas mãos sábias do oleiro, peçamos ao Senhor nos ajude a suportar o fogo das experiências dolorosas e necessárias, a fim de que nosso espírito adquira a luz indispensável para refletir a Eterna Sabedoria e, então, depois de liquidado o escuro problema que somos nós, em nós mesmos, será lícito esperar, no mundo de nossa alma, a luz da Alvorada Nova.

Emmanuel

quinta-feira, 14 de junho de 2018


Cada Ave em Seu Ninho

O mal reside na furna da ignorância.
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O ódio respira nas trincheiras da discórdia.
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A inveja mora no deserto da insatisfação.
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A tristeza improdutiva desabrocha no abismo do desânimo.
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A perturbação cresce no precipício do dever não cumprido.
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O desequilíbrio desenvolve-se no despenhadeiro da intemperança.
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A crueldade nasce no pedregulho da dureza espiritual.
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A maledicência brota no espinheiral da irreflexão.
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A alegria reside no coração que ama e serve.
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A tranqüilidade não se aparta da boa consciência.
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A fé reconforta-se no templo da confiança.
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A solidariedade viceja no santuário da simpatia.
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A saúde vive na submissão à Lei Divina.
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O aprimoramento não se separa do serviço constante.
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O dom de auxiliar mora na casa simples e acolhedora da humildade.
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Cada ave em seu ninho, cada cousa em seu lugar.
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Há muitas moradas para nossa alma sobre a própria Terra.
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Cada criatura vive onde lhe apraz e com quem lhe agrada.
Procuremos a estrada do verdadeiro bem que nos conduzirá à felicidade perfeita, de vez que, segundo o ensinamento do Evangelho, cada espírito tem o seu tesouro de luz ou o seu fardo de sombra, onde houver colocado o próprio coração.

CONSTRUÇÃO DO AMOR


FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
EMMANUEL

quarta-feira, 13 de junho de 2018



BICO DE LUZ

Richard Simonetti

Um homem transitava por estrada deserta, altas horas. Noite escura, sem luar, estrelas apagadas...
Seguia apreensivo. Por ali ocorriam, não raro, assaltos.
Percebeu que alguém o acompanhava.
− Quem vem lá? − perguntou assustado.
Não obteve resposta.
Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Correu... O desconhecido também.
Apavorado, em desabalada carreira, tão rápido quanto suas pernas o permitiam, coração a galopar no peito, pulmões em brasa, passou diante de um bico de luz. Olhou para trás e, como por encanto, o medo se desvaneceu. Seu perseguidor era apenas um velho burro, acostumado a acompanhar andarilhos.
A história se assemelha ao que ocorre com a morte. A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo porque desconhecem inteiramente o processo e o que os espera na espiritualidade.
As religiões, que poderiam preparar os fiéis para a vida além-túmulo, conscientizando-os da sobrevivência e descerrando a cortina que separa os dois mundos, pouco fazem nesse sentido, porquanto se limitam a incursões pelo terreno da fantasia.
O Espiritismo é o bico de luz que ilumina os caminhos misteriosos do retorno, afugentando temores irracionais e constrangimentos perturbadores.
A Doutrina Espírita nos permite encarar a morte com serenidade, preparando-nos para a grande transição. Isso é muito importante, fundamental mesmo, já que se trata da única certeza da existência humana: todos morreremos um dia!
A Terra é uma oficina de trabalho para os que desenvolvem atividades edificantes, em favor da própria renovação; um hospital para os que corrigem desajustes nascidos de viciações pretéritas; uma prisão, em expiação dolorosa, para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores; uma escola para os que compreendem que a vida não é mero acidente biológico, nem a existência humana simples jornada recreativa, mas não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde podemos viver em plenitude, sem as limitações impostas pelo corpo carnal.
Compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, ao chegar nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.
O primeiro passo nesse sentido é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido, temível, sobrenatural... Há condicionamentos milenares nesse sentido. Há pessoas que simplesmente se recusam a conceber o falecimento de um familiar ou o seu próprio. Transferem o assunto para um futuro remoto! Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão?− pergunta o apóstolo Paulo (I Cor 15, 55), a demonstrar que a fé supera os temores e angústias da grande transição.
O Espiritismo nos oferece recursos para encarar a morte com idêntica fortaleza de ânimo, inspirados, igualmente, na fé. Uma fé que não é arroubo de emoção. Uma fé lógica, racional, consciente. Uma fé inabalável de quem conhece e sabe o que o espera, esforçando-se no campo do Bem e da Verdade para que o espere o melhor.