segunda-feira, 11 de dezembro de 2017


Médiuns e Instrutores


 Irmão X

 

Ante os enigmas da mediunidade entre os homens, você pergunta, espantadiço: “Não dispõem os Espíritos Benevolentes e Sábios de recursos suficientes para impedir o abuso e a má fé? Estaremos sempre à mercê de médiuns infelizes, capazes de amplo comércio com as forças da sombra, a tisnarem de lodo o serviço nobre dos medianeiros honestos? Por que não instituir o estudo metódico da Doutrina Espírita nos templos de nossa fé, plasmando-se o caráter do instrumento mediúnico, antes de guindá-lo à publicidade?”

Suas inquirições realmente chegam a comover pela sinceridade em que se expressam;no entanto, meu caro, respondemos com a mesma clareza que os amigos desencarnados não escravizam as faculdades dos companheiros que permanecem no mundo.

Somente as entidades inferiores avocam para si o privilégio da posse temporária sobre as inteligências enfermiças, nos tristes processos da obsessão. Entrosadas entre si, partilham, na Terra, a loucura e a delinqüência, provocando, onde passam, os mais estranhos sentimentos, que variam do ridículo à compaixão.

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Todavia, entre os que despertaram para a responsabilidade, a governanta tem o seu justo limite.

Os instrutores espirituais, qual acontece aos professores da escola comum, esclarecem e auxiliam sem constranger aos que lhes recebem assistência e bondade, encaminhando-os para a educação sem, contudo, violentar-lhes o livre arbítrio.

Do que posso deduzir, pelos estudos a que me consagro presentemente, milhares de tarefeiros da mediunidade foram conduzidos à Esfera Humana, durante o primeiro século do Espiritismo, todos eles munidos de honrosas designações de trabalho, em diversos países do Globo. Doutrinadores, materializadores, escreventes, assistentes, enfermeiros e condutores de opinião receberam preciosos títulos mediúnicos, renascendo na coletividade terrestre com a missão de servi-la, à feição de operários da luz; entretanto, raros atingiram o objetivo a que se propunham.

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Muitos desertaram, receando as preocupações do caminho; outros se distraíram excessivamente com as fascinações marginais; alguns esqueceram a conta que lhes seria pedida no Plano Divino, colocando-se na disputa ao poder humano; e alguns outros, ainda, preferiram acomodar-se a propostas menos dignas, descansando em felicidades ilusórias do mundo, como se pudessem fugir à sacudidela da morte.

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Partilhando as energias e os recursos dos Espíritos Benevolentes que os sustentavam, assim como pupilos amparados pelo prestígio e pela bolsa dos benfeitores que lhes estendem proteção e carinho, supuseram-se donos de possibilidades que lhes não pertenciam e, superestimando o próprio valor, entregaram-se a aventuras particulares, nas quais se iniciaram em dolorosas experiências, quando não se afundaram em escabrosos precipícios de frustração.

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Nessas circunstâncias, o médium está sempre na posição de criatura que sacou valioso empréstimo no Banco da Bondade Divina com determinada finalidade, gastando o dinheiro a benefício próprio, com agravo dos próprios débitos.

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E, como a administração de qualquer instituto bancário não pode interferir na consciência dos seus devedores, sob pena de cortar-lhes a ação, também a Espiritualidade não subtraíra de nenhum modo, a iniciativa dos espíritos que se reencarnaram, com esse ou aquele mandato específico, porquanto, é da Lei que a colheita corresponda à espécie da plantação.

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No entanto, o último tópico de seus apontamentos merece anotação especial. Efetivamente, compete às organizações espíritas indiscutível responsabilidade na formação e observação dos médiuns, com mais ampla tarefa na divulgação doutrinária. Isso, porque a mediunidade, interpretada no ponto de vista de sintonia, só por si não constitui galardão. Há médiuns de todo feitio, inclusive aqueles que, por força de seu próprio passado, ainda suportam pesada influência das sombras, esperando que a Doutrina Espírita lhes envolva o campo mental na bênção de sua luz, a fim de que possam executar as próprias obrigações.

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Ainda aqui, todavia, não podemos compelir os irmãos de ideal, nos variados setores de nossa edificação, a proceder nesse ou naquele padrão de conduta, de vez que os princípios do Espiritismo são claros para nós todos.

De qualquer modo, porém, não se atenha ao desânimo.

Cada noite é a introdução de nova manhã.

De uma verdade inconteste, podemos guardar absoluta convicção, e essa verdade é a de que Jesus não nos abandona em razão de nossas fraquezas, de que a Doutrina Espírita continuará brilhando sempre por chave de luz do Evangelho, acima de quaisquer desacertos humanos, e de que todos nós, seja onde for, receberemos sempre da vida, de acordo com as próprias obras.

HISTÓRIAS E ANOTAÇÕES

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

IRMÃO X

domingo, 10 de dezembro de 2017


PALAVRAS DE CHICO XAVIER

 

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

EMMANUEL

 


Palavras de Luz

 

 

Aqui encontraremos, Leitor Amigo, uma coletânea de pensamentos preciosos emitidos pelo médium Chico Xavier, quando entrevistado em diversos momentos, sempre assistido por Emmanuel, o incansável Benfeitor Espiritual que supervisiona sua tarefa mediúnica desde os primeiros dias.

Todos os pensamentos que constituem este livro, claramente alicerçados em Jesus e Kardec, por elucidarem, com tanta simplicidade e sabedoria, temas dos mais complexos que interessam de perto a todos nós, podem ser considerados como raios de luz capazes de iluminar nossas mentes e aquecer nossos corações.

Que possamos todos, com a leitura e meditação destas Palavras, colher abençoados frutos de paz íntima e compreensão mais ampla.

 

Hércio Marcos Cintra Arantes

Araras, 27 de maio de 1995.


1

Respeito os estudos sobre o Apocalipse, mas não tenho largueza de pensamento para interpretar o Apocalipse como determinados técnicos o interpretam e situam.

Mas, acima do próprio Apocalipse, eu creio na bondade eterna do Criador que nos insuflou de vida imortal. Então, acima de todos os Apocalipses, eu creio em Deus e na imortalidade humana, e essas duas realidades preponderarão em qualquer tempo da humanidade.

 

 

2

Dentro da visão espírita-cristã, céu, inferno e purgatório começam dentro de nós mesmos. A alegria do bem praticado é o alicerce do céu. A má intenção já é um piso para o purgatório e o mal devidamente efetuado, positivado, já é o remorso que é o princípio do inferno.

 

 

3

Acreditamos que para melhores esclarecimentos sobre médiuns e mediunidade, as obras de Allan Kardec devem ser consultadas e estudadas. Com todo o nosso respeito aos entrevistadores, devemos dizer que solicitar de nós uma explicação sobre Deus é o mesmo que pedir a um verme para que se pronuncie quanto à glória e a natureza do Sol, embora o verme, se pudesse falar, diria, com toda a certeza, da veneração e do amor que consagra ao Sol que lhe garante a vida.

 

 

4

Agora, o problema no Brasil, pessoalmente, opinião minha, o que deveria ser faceado pela comunidade brasileira como um dos problemas mais sérios é o problema do trabalho. O amor ao trabalho e a fidelidade ao cumprimento do dever. Se nós todos trabalharmos, se carpirmos a terra, se construirmos, se lidarmos com a pedra, com o barro, com a sementeira, com os fios; se tecermos; se todos nós nos unirmos para criar valores em nosso benefício, a pobreza deixará de existir.

 

 

5

Não posso julgar os companheiros que sintam receio da mediunidade, porque a minha mediunidade realmente começou muito cedo, eu não tive oportunidade de sentir medo, isso para mim começou em criança em minha vida, e passou a fazer parte de minha existência atual.

 

 

6

Eu penso com aquela assertiva do nosso André Luiz, que é um mentor que nós respeitamos, se cada um de nós consertar de dentro o que está desajustado, tudo por fora estará certo.

 

 

7

Aprendi desde muito cedo a venerar Nosso Senhor Jesus Cristo, na fé que minha mãe me transmitiu desde os 2 anos de idade. Um dia, tendo perguntado a ela como orientar minhas preces, minha mãe ensinou-me a considerar Jesus como Nosso Senhor e Mestre. Nas rodopias do tempo, eu fui compreendendo que Jesus é realmente o Guia Espiritual da Humanidade, perante Deus, a quem nós chamamos, segundo o ensinamento dele mesmo, de Pai Nosso que está nos Céus.

 

 

8

Nunca nos cansaremos de repetir que mediunidade é sintonia. Subamos aos cimos da virtude e do conhecimento e a mediunidade, na condição de serviço de sintonia com o Plano Divino, se elevará conosco.

 

 

9

Aceitemos com humildade o concurso sagrado daqueles que se constituem nossos benfeitores nas Esferas Mais Altas e estendamos aos nossos irmãos mais necessitados que nós mesmos os braços fraternos que o Espiritismo envolve em bênçãos de revelação e de amor.

 

 

10

Quando cada um de nós transformar-se em livro atuante e vivo de lições para quantos nos observam o exemplo, as fronteiras da interpretação religiosa cederão lugar à nova era de fraternidade e paz que estamos esperando.

 

 

11

A vitória na luta pelo bem contra o mal caberá sempre ao servidor que souber perseverar com a Lei Divina até o fim.

 

 

12

Somos companheiros otimistas no campo da fraternidade. Se Jesus espera no homem, com que direito deveríamos desesperar? Aguardemos o futuro triunfante, no caminho da luz. A Terra é uma embarcação cósmica de vastas proporções e não podemos olvidar que o Senhor permanece vigilante no leme.

 

 

13

O amor é ciência de sublimação para Deus e a felicidade para crescer deve dividir-se. Não há ruptura de laços entre os que se amam no infinito do espaço e na eternidade do tempo. As almas afins se engrandecem constantemente repartindo as suas alegrias e os seus dons com a Humanidade inteira, não existindo limitações para o amor, embora seja ele também a luz divina a expressar-se em graus diferentes nas variadas esferas da vida.

 

14

O amor é o clima em que as menores expressões da vida, em todos os planos, crescem nos laboratórios do tempo, para a divina glorificação.

 

 

15

Tenho aprendido com os Benfeitores Espirituais que a paz é doação que podemos oferecer aos outros sem tê-la para nós mesmos. Isto é, será sempre importante renunciar, de boa vontade, as vantagens que nos favoreceriam, em favor daqueles que nos cercam. Em razão disso, seríamos todos nós, artífices da paz, começando a garanti-la por dentro de nossas próprias casas e dos grupos sociais a que pertençamos.

 

 

16

Esperemos que o amor se propague no mundo com mais força que a violência e a violência desaparecerá, à maneira da treva quando a luz se lhe sobrepõe. Consideremos, porém, que essa obra, naturalmente, não prescindirá da autoridade humana, mas na essência e na prática exige a cooperação de nós todos.

 

 

17

Acreditamos que as administrações na Terra, gradativamente, estão resolvendo o problema da penúria, mas até que o problema seja solucionado, admito seja nossa obrigação auxiliar-nos, uns aos outros, para que as provações da carência sejam atenuadas.

 

 

18

Não vemos luta competitiva entre a Doutrina Espírita e as religiões tradicionais que zelam pela memória e pelos ensinos de Jesus. Ante o Evangelho do Divino Mestre, a Doutrina Espírita é portadora de princípios que aclaram com segurança as lições do Cristo, sem qualquer pretensão de superioridade sobre as organizações cristãs, sempre dignas do maior respeito.

 

 

19

Acreditamos que o Criador nos fez ricos a todos, sem exceção, porque a riqueza autêntica, a nosso ver, procede do trabalho e todos nós de uma forma ou de outra, podemos trabalhar e servir.

Quanto à felicidade, cremos que ela nasce na paz da consciência tranqüila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria.

 

 

20

Indubitavelmente. Vemos o Espiritismo influenciando, não apenas no campo da Arte, mas em quase todos os setores da inteligência humana.

21

Não acreditamos que criaturas humanas e comunidades humanas consigam ser felizes sem a idéia de Deus e sem respeito aos semelhantes.

 

 

22

A alma humana não pode viver sem religião. Quanto mais o materialismo cresce, mais nosso Espírito tem saudade da união com Deus. Isso é nato em cada um de nós. Toda pessoa tem essa sede.

 

 

23

Segundo admitimos, o padrão ideal para a convivência pacífica entre as criaturas da Terra, está contido naquele inesquecível mandamento de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

Quando este preceito for praticado, certamente usufruiremos a felicidade do Mundo Melhor com que todos sonhamos.

 

 

24

Creio que a importância do Evangelho de Jesus em nossa evolução espiritual, é semelhante à importância do Sol na sustentação de nossa vida física.

 

 

25

Não há ninguém desamparado. Assim como aqui na Terra, na pior das hipóteses, renasceremos a sós, em companhia de nossa mãe, mas nunca sozinhos, no mundo espiritual também a Providência Divina ampara todos os seus filhos.

Ainda aqueles considerados os mais infelizes, pelas ações que praticaram e que entram no mundo espiritual com a mente barrada pela sombra, que eles próprios criaram em si mesmos, ainda esses têm o carinho de guardiões amorosos que os ajudam e amparam, no mundo de mais luzes e mais felicidade.

 

 

26

Temos aprendido com os Benfeitores da Vida Maior que todos os três aspectos do Espiritismo são essencialmente importantes, entretanto, o religioso é o mais expressivo por atribuir-nos mais amplas responsabilidades de ordem moral, no trato com a vida.

 

 

27

Emmanuel costuma afirmar-nos que, sem religião, seríamos na Terra, viajores sem bússola, incapazes de orientar-nos no rumo da elevação real.

 

 

 

28

Segundo os mensageiros da Espiritualidade Maior, nós, as criaturas terrestres de todas as idades, superaremos as crises atuais e dizem que as transformações aflitivas do Mundo moderno se verificam para o bem geral.

 

 

29

Os nossos guias espirituais traduzem a nossa insatisfação, no mundo inteiro, como sendo a ausência de Jesus Cristo em nossos corações.

 

 

30

Precisamos desalojar o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia de nós mesmos, para que possamos chegar a uma solução em matéria de paz, de modo a sentirmos que “os tempos são chegados” para a felicidade humana.

 

 

31

Na ignorância não conseguiríamos, como não conseguiremos, enxergar o caminho real que Deus traçou a cada um de nós na Terra.

Todos nós, sejamos crianças ou jovens, adultos ou já muitíssimos maduros, devemos estudar sempre.

 

 

32

A vida está repleta da beleza de Deus e por isso não nos será lícito entregar o coração ao desespero, porque a vida vem de Deus, tal qual o Sol maravilhoso nos ilumina.

 

 

33

Ainda sabendo que a morte vem de Deus, quando nós não a provocamos, não podemos, por enquanto, na Terra receber a morte com alegria porque ninguém recebe um adeus com felicidade, mas podemos receber a separação com fé em Deus, entendendo que um dia nos reencontraremos todos numa vida maior e essa esperança deve aquecer-nos o coração.

 

 

34

Acreditamos que para que o homem atinja a perfeição não se pode menosprezar os valores do Espírito.

Todos estamos formulando votos aos Poderes Divinos que governam o Mundo e a Humanidade, para que o homem se volte para dentro de si mesmo a fim de que nós todos, dentro dessa interiorização, venhamos a compreender que sem os valores da alma não podemos avançar muito tão-só com os valores físicos que são praticamente transitórios.

 

 

 

35

Mas a pessoa sã, em plenitude dos seus valores físicos, pode perfeitamente estudar a própria mediunidade e ver qual o caminho que suas faculdades mediúnicas podem tomar.

 

 

36

Os nossos Benfeitores Espirituais nos esclarecem, freqüentemente, que a Doutrina Espírita formula explicações mais lógicas, mais simples em torno dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, explicações essas, que nós encontramos com muita riqueza de minudências nas obras codificadas por Allan Kardec. Mas, explicam também, que todas as religiões são respeitáveis e que nossa atitude, diante de todas elas, deve ser de extremada veneração, pelo bem que elas trazem às criaturas humanas e por serem igualmente sustentáculos do bem na comunidade em nome de Deus.

 

 

37

Estávamos, certa vez, sob chuvas de observações e eu pedi ao Espírito de Emmanuel: “que fazer! dizem tanto mal...” e ele respondeu: “Olha, a boca do mal na Terra é como a boca da noite. Ninguém consegue fechá-la. Vamos trabalhar, trabalhar...”

 

 

38

Cremos que, em matéria de compreensão e experiência, todos nos assemelhamos aos frutos que o tempo vai amadurecendo a pouco e pouco.

 

 

39

A mediunidade pode manifestar-se através da pessoa absolutamente inculta, mas os Bons Espíritos são de parecer que todos os médiuns são chamados a estudar a fim de servirem com mais segurança.

 

 

40

A solidão é boa somente para refletir, porque, sem dúvida, fomos criados para viver uns com os outros.

sábado, 9 de dezembro de 2017


Chico Xavier em Entrevista

Carlos A Baccelli

 

Verificando os nossos arquivos, encontramos uma entrevista concedida pelo nosso Chico ao repórter Nadir Roberto, publicada no “Jornal de Piracicaba”, em 07 de dezembro de 1971.

Cremos que, para a maioria dos nossos confrades, esta entrevista permanece inédita, daí o osso interesse em divulgá-la nas páginas de “A Flama Espírita”.

Sem dúvida, enriquecerá os nossos conhecimentos com as palavras sempre esclarecedoras daquele que se tem mostrado, ao longo do tempo, um incansável servidor de Jesus nas bênçãos do Espiritismo.

 

Nadir Roberto

-Senhoras e senhores ouvintes e leitores de “Missão Impossível”. Domingo, rumamos para Araras onde procuramos ouvir Francisco Cândido Xavier.

Foi um acontecimento de excepcional importância para o mundo espírita brasileiro. Chico Xavier, figura de maior expressão no campo da psicografia, compareceu à cidade de Araras para participar de uma Tarde de Autógrafos, que se destinou ao lançamento do “Anuário Espírita, no. 9”, isto em português, pois o primeiro “Anuário” escrito em Castelhano foi editado na cidade de Araras, pelo Grupo Espírita “Sayon”.

Este é uma entidade espírita de suma importância, que tem realizado obras de assistência social de grande vulto, como o Albergue Noturno, onde se alimentam quinhentas pessoas por dia e mantém ainda ambulatório dentário, etc.

Francisco Cândido Xavier compareceu em Araras quando o auditório do Grupo Espírita “Sayon” estava literalmente tomado.

Não só o auditório, como todas as dependências dessa entidade.

Grande número de pessoas das mais diferentes cidades ficou do lado de fora aguardando uma oportunidade de, pelo menos, ver o famoso médium.

Com muito esforço, sacrifício e astúcia, conseguimos realizar esta entrevista que, até aqui, se constituiu na mais difícil de toda nossa longa jornada, não por parte de Chico Xavier, que é uma pessoa boa, humilde e um autêntico homem que transmite amor e fraternidade. Mas conseguimos os nossos intento, e eis aqui a entrevista na ocasião em que o cumprimentamos, em nome dos ouvintes da Rádio Difusora e dos leitores do “Jornal de Piracicaba”.

 

Francisco Cândido Xavier

-Através da Rádio Difusora e do “Jornal de Piracicaba”, nós estamos enviando um abraço fraternal a todos os nossos companheiros da região, pedindo a Deus que nos abençoe e nos dê a todos amparo e recursos suficientes para que as nossas forças estejam ao nível de nossas tarefas.

Sem dúvida, eu não tenho o dom da oratória, como quer o nosso amigo entrevistador, mas deixamos consignado aqui o nosso abraço de fraternidade a todos os amigos ouvintes e leitores.

 

Nadir Roberto

-O Reverendo Cyrus Dawsey, Pastor da Igreja Metodista de Piracicaba, lhe faz esta pergunta, através do nosso programa:

-Se a reencarnação é tão evidente e de grande importância na vida do homem e do mundo, por que Jesus não deu maior importância ao assunto?

 

Francisco Cândido Xavier

-Cremos que o Divino Mestre deu importância fundamental à Vida Eterna. Cada existência nossa é naturalmente um passo para a conquista da imortalidade sublimada.

Imortais; somos todos, filhos de Deus, mas a sublimação é naturalmente aquele coroamento necessário que tão só ao nosso burilamento espiritual se pode atribuir.

Muitas vezes, autoridades religiosas atribuem outra interpretação às palavras do Senhor, quando Ele disse a Nicodemos:

-“Necessário vos é nascer de novo”.

Sim, nascer de novo todos os dias, nascer de novo todas as semanas, de ano para ano, de etapa para etapa, mas também de vida em vida, de berço em berço.

 

Nadir Roberto

-O Bispo Diocesano de Piracicaba, Dom Aniger Francisco de Maria Melilo, solicitou que fizéssemos esta pergunta:

-Como o senhor interpreta a carta de São Paulo aos Hebreus, que diz:

“-Os homens morrem uma só vez, e depois haverá um julgamento”.

(hebreus, Capítulo 9, Versículo 27).

 

Francisco Cândido Xavier

-Temos interpelado, com a devida reverência, a Benfeitores Espirituais sobre esta passagem da Epístola de Paulo aos Hebreus.

Eles afirmam que o Apóstolo se refere à morte da nossa personalidade inferior.

Nós todos temos conosco um conteúdo psicológico, que representa aquela sedimentação de qualidade primitiva de que nos desfaremos, um dia, através das reencarnações.

Então, realmente, morremos uma só vez, vamos deixar para sempre aquele homem velho a que se referem os nossos filósofos, querendo nos dizer que todos nós precisamos de renovação permanente para alcançar a sublimação na Vida Eterna.

 

Nadir Roberto

-Gostaríamos que fizesse duas perguntas, uma para o Pastor Cyrus Dawsey e outra para o Bispo Dom Aniger Francisco de Maria Melilo.

 

Francisco Cândido Xavier

-Sinceramente, com muito respeito ao pastor Cyrus Dawsey e ao estimado Bispo, Dom Aniger Francisco de Maria Melilo, devemos dizer que a nossa veneração por eles é total, porque se encontram na direção de rebanhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e tão somente a nós competem o respeito e o acatamento à autoridade que o Senhor conferiu a eles, diante da comunidade cristã.

Não temos pergunta alguma, porque seria, de nossa parte, naturalmente, quase que um desrespeito, um desconhecimento da autoridade com que devemos reverenciar, tanto nos Pastores da Comunidade Evangélica, quanto nos Bispos e Arcebispos da Igreja Católica, que consideramos como sendo mãe da civilização do Ocidente.

Cabe a nós ouvi-los, respeita-los, informar o que nos é possível, dentro da nossa pequenez, em se referindo a mim, que me reconheço demasiadamente insignificante para tratar destes assuntos.

Nossos respeitos ao Pastor e ao Bispo, pedindo a ambos, se lhes forem possíveis, me auxiliarem com as bênçãos das suas orações, em meu favor.

 

Nadir Roberto

-O que acha, Chico Xavier, dos médicos que não acreditam na Espiritualidade.

Alguns neurologistas e psiquiatras acham, que o nosso cérebro é norteado por eletricidade, e que as emoções fracas ou fortes é que determinam o nosso comportamento.

 

Francisco Cândido Xavier

-São assuntos de Ciência que nós acatamos e que, naturalmente, terão resposta quando tivermos evoluído suficientemente para nos encontrar nas grandes definições da Vida Eterna, tanto a Ciência quanto a Religião.

Cada criatura, cada coletividade tem um fragmento da Verdade, uns mais, outros menos...

Um dia, chegaremos todas à meta; que é o nosso encontro com a Verdade Integral.

 

Nadir Roberto

-Por que hoje se fala pouco de Zé Arigó?

Qual a diferença do senhor como Zé Arigó, concernente à espiritualidade dotada a cada um?

 

Francisco Cândido Xavier

-Não posso saber, porque não me sinto digno de consideração alguma e respeito Arigó como sendo um grande medianeiro da Espiritualidade.

 

Nadir Roberto

Gostaríamos de dizer ao senhor que fazemos esta pergunta com o máximo respeito, para esclarecer certas pessoas mal informadas.

Os principais hospitais psiquiátricos são de origem espírita. Então, a grande pergunta é se o Espiritismo leva à loucura e se a loucura leva ao Espiritismo...

 

Francisco Cândido Xavier

-Não creio que a loucura leve alguém ao Espiritismo, nem que o Espiritismo leve alguém à loucura.

O desequilíbrio mental pode surgir em qualquer pessoa ou em qualquer grupo social.

Cremos que, em vista de a Psiquiatria ser uma Ciência nova, integrada no quadro da Medicina, que é uma Ciência antiga, naturalmente que os psiquiatras encontraram os espíritas muitos interessados em auxiliar aos irmãos portadores de processos obsessivos.

Mas, graças a Deus, temos hoje, em todos os países, grandes médicos psiquiatras que podem perfeitamente definir as fronteiras entre obsessão e enfermidade mental.

Esse serviço de regeneração da saúde humana e os cristãos, como quaisquer criaturas, quaisquer samaritanos da vontade, podem auxiliar nesse grande empreendimento de socorro aos que sofrem.

 

(A Flama Espírita – Uberaba, Minas, 19 de novembro de 1988).

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017


A Palavra de Chico Xavier

Carlos A Baccelli

 

De nosso arquivo Xavieriano, damos agora à publicidade uma entrevista concedida há tempos pelo médium e que, acreditamos, permaneceu inédita, até hoje.

Assim o fazemos, por acreditar que a palavra de Chico Xavier, sempre inspirada por Emmanuel, projeta luz sobre qualquer assunto, mesmo quando este assunto tenha, aparentemente, perdido a sua atualidade.

Sem maiores delongas, passemos à referida entrevista, esclarecendo, todavia, que não nos foi possível identificar o seu autor e nem tampouco a data de sua realização.

 

- Que é mediunidade, no significado real de sua essência?

- Mediunidade, na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade do intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e de pensamento.

 

- Como alcançar bom aprimoramento de um potencial mediúnico?

- Reflitamos no assunto, do ponto de vista da mediunidade em trabalho edificante.

Que se aperfeiçoe o violino e o artista encontrará nele as mais amplas facilidades de expressão.

Sem cooperador habilitado, a tarefa surge deficiente.

A mediunidade, em si, depende do médium.

 

- Diga-nos o que deve fazer, dentro de suas capacidades, um médium, a fim de poder ser completo e útil para o Plano Espiritual?

- Devotamento ao bem do próximo, sem a preocupação de vantagens pessoais, eis o primeiro requisito para que o medianeiro se torne sempre mais útil ao Plano Espiritual.

Em seguida, quanto mais o médium se aprimore, através do estudo e do dever nobremente cumprido, mais valioso se torna para a execução de tarefas com os Instrutores da Vida Maior.

 

- Existe a tentação? Que é? Qual a sua causa?

- A tentação, no fundo, é a projeção das tendências infelizes que ainda trazemos.

Semelhantes projeções, em se exteriorizando em forma de pensamentos materializados, atraem sobre nós aquelas mentes, encarnadas ou desencarnadas, que se nos harmonizam com o modo de ser.

Entendendo que a tentação nasce de nós, recordemos que um pacote de ouro não tenta um coelho, induzindo, muitas vezes, um homem às piores sugestões, enquanto que um pé de couve deixa um homem impassível, levando um coelho ao impulso da aproximação indébita.

 

- Por que deve o homem manter-se no “véu do esquecimento”, em relação a sua Vida Espiritual?

- De modo geral, a reencarnação objetiva a extirpação do ódio e da inveja, do ressentimento e do ciúme, dos impulsos à discórdia e à delinqüência, que nos implantaram na alma, depois de lastimáveis desastres morais.

Semelhantes causas de sofrimento persistiriam conosco, por longo tempo, não fosse o olvido terapêutico que nos é administrado durante a reencarnação.

Nesse sentido, observemos o fato de que, a ablação de um tumor no corpo físico, reclama a anestesia.

O esquecimento temporário na reencarnação é o processo de socorro pelo qual a Misericórdia Divina se digna determinar a sedação das feridas mentais de que porventura sejamos portadores, para o tratamento e a extinção delas.

 

- Que é que pode ser mais prejudicial a um médium?

- O egoísmo que se fantasia de vaidade e orgulho, quando o medianeiro procura irrefletidamente antepor-se aos Mentores Espirituais que se valem dele. Ou o mesmo egoísmo, quando se veste de ociosidade ou de escrúpulos negativos, para fugir à prestação de serviço ao próximo.

 

- Qual a razão de algumas pessoas possuírem dons mediúnicos na Terra, desde o berço, enquanto outras, após muito trabalho é que conseguem conquistar alguns desses valores?

- Quando se trata de mediunidade em ação na cultura ou no progresso espiritual, a bagagem de recursos do medianeiro emerge das suas próprias aquisições de espírito, efetuada em existências pretéritas, outorgando-lhe a possibilidade de colaborar com mais eficiência ao lado de quantos pugnam, no Além, pelo aperfeiçoamento e felicidade da comunidade humana.

 

- O jovem de hoje é mais arrojado no rumo de suas idéias, indaga mais, procura aprofundar-se na essência das coisas.

Percebe, então, a desnecessidade de uma série de dogmas existentes no mundo.

Por que lhe são bloqueadas a busca e a tentativa de uma solução melhor?

- Tanto os mais jovens quanto os mais amadurecidos na experiência humana, que procuram hoje soluções construtivas para os problemas terrestres, encontrarão caminho para isso, por mais que as sombras da ignorância ou da resistência negativas lhes tentem obstruir a passagem.

 

- Podemos considerar válidas as palavras “Os inocentes pagam pelos culpados?”.

É-nos possível um desenvolvimento sobre o tema?

- Ninguém resgata por alguém essa ou aquela culpa diante da lei de causa e efeito.

Ouvimos de muitos companheiros no mundo a afirmação de que os descendentes pagam pelos erros dos antepassados.

Isso, porém, não corresponde à realidade.

E, em muitos casos, os descendentes são os próprios antepassados em nova encarnação, no mesmo tronco genealógico, para resgate de faltas em que se debitaram no pretérito.

 

- Como encarar as diversas demonstrações mediúnicas existentes e praticadas fora da Doutrina Espírita?

- Os fenômenos mediúnicos existiram em todos os tempos.

E em todos os distritos da atividade humana, continuam a existir.

A Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo esclarecendo mediunidade e médiuns, para que as ocorrências mediúnicas edifiquem elevação e proveito em auxílio da Humanidade.

 

- Qual o verdadeiro caminho que nos levará em rumo a Deus?

- A regra áurea há séculos, nos traça o roteiro:

“Faze aos outros o que deseja que te façam”.

E o Cristo lança mais luz sobre a diretriz de todos os tempos:

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

 

- Existem valores reais nos argumentos que nos chegam da parte da Parapsicologia?

 

- A Parapsicologia, sempre que age desapaixonadamente, é um instrumento respeitável da Ciência na investigação da Verdade.

 

(A Flama Espírita – Uberaba, Minas – 20 de maio de 1989).