quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Do livro "Nosso Lar"

– O verdadeiro ganho da criatura é de natureza espiritual e o bônus-hora, em nossa organização, modifica-se em valor substancial, segundo a natureza dos nossos serviços. No Ministério da Regeneração, temos o Bônus-Hora-Regeneração; no Ministério do Esclarecimento, o Bônus-Hora-Esclarecimento, e assim por diante.

Ora, examinando o provento espiritual, é razoável que a documentação de trabalho revele a essência do serviço. As aquisições fundamentais constituem-se de experiência, educação, enriquecimento de bênçãos divinas, extensão de possibilidades. Nesse prisma, os fatores assiduidade e dedicação representam, aqui, quase tudo. Em geral, em nossa cidade de transição, a maioria prepara-se com vistas à necessidade de regresso aos círculos carnais. Examinando esse princípio, é natural que o homem que empregou cinco mil horas, em serviços regeneradores, tenha efetuado esforço sublime, a benefício de si mesmo; o que despendeu seis mil horas de atividade, no Ministério do Esclarecimento, estará mais sábio. Poderemos gastar os bônus-hora conquistados; entretanto, é mais valioso ainda o registro individual da contagem de tempo de serviço útil, que nos confere direito a preciosos títulos. Semelhantes instruções interessavam-me profundamente.

– Poderemos, porém, gastar nossos bônus-hora a favor dos amigos? - indaguei curioso.

– Perfeitamente - disse ela -; poderemos repartir as bênçãos de nosso esforço com quem nos aprouver. Isto é direito inalienável do trabalhador fiel. Contam-se por milhares as pessoas favorecidas em "Nosso Lar", pela movimentação da amizade e do estímulo fraternal.

A essa altura, a genitora de Lísias sorriu e observou:

– Quanto maior a contagem do nosso tempo de trabalho, maiores intercessões podemos fazer. Compreendemos, aqui, que nada existe sem preço e que para receber é indispensável dar alguma coisa. Pedir, portanto, é ocorrência muito significativa na existência de cada um. Somente poderão rogar providências e dispensar obséquio os portadores de títulos adequados, entendeu?

 

Francisco Cândido Xavier

Nosso Lar

1o livro da Coleção

“A Vida no Mundo Espiritual”

Ditado pelo Espírito

quarta-feira, 16 de agosto de 2017


AFLIÇÃO E TRANQUILIDADE
 
"Bem-aventurados os que choram..." - JESUS. (Mateus, 5:4.).
 
"Bem-aventurados os que choram" - disse-nos o Senhor -, contudo, é importante lembrar que, se existe aflição gerando tranquilidade, há muita tranquilidade gerando aflição.
 
No liminar do berço pede a alma dificuldades e chagas, amargores e cicatrizes, entretanto, recapitulando de novos as próprias experiências no plano físico, torna à concha obscura do egoísmo e da vaidade, enquistando-se na mentira e na delinquência.
 
Aprendiz recusando a lição ou doente abominando o remédio, em quase todas as circunstâncias, o homem persegue a fuga que lhe adiará indefinidamente as realizações planejadas.
 
É por isso que na escola da luta vulgar vemos tantas criaturas em trincheiras de ouro, cavando abismos de insânia e flagelação, nos quais se desempenham, além do campo material, e tantas inteligências primorosas engodadas na auréola fugaz do poder humano, erguendo para si próprias masmorras de pranto e envilecimento, que as esperam, inflexíveis, transposto o limite traçado na morte.
 
E é por essa razão que vemos tantos lares, fugindo à bênção do trabalho e do sacrifício, à feição de oásis sedutores de imaginária alegria para se converterem amanhã em cubículos de desespero e desilusão, aprisionando os descuidados companheiros que os povoam em teias de loucura e desequilíbrio, na Vida Espiritual.
 
Valoriza a aflição de hoje, aprendendo com ela a crescer para o bem, que nos burila para a união com Deus, porque o Mestre que te propões a escutar e seguir, ao invés de facilidades no imediatismo da terra, preferiu, para ensinar-nos a verdadeira ascensão, a humildade da Manjedoura, o imposto constante do serviço aos necessitados, a incompreensão dos contemporâneos, a indiferença dos corações mais queridos e o supremo testemunho do amor em plena cruz da morte.
 
Emmanuel
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
CEIFA DE LUZ

terça-feira, 15 de agosto de 2017


Escola Santa
Jésus Gonçalves
 
É meu desejo afirma-vos
Devedor que tenho sido
Que a lepra não vem a nós
Sem ter um justo sentido.
 
Segundo as lições da terra
Que a verdade nos aponta,
A nossa vida até hoje,
É de existências sem conta.
 
Muitas vezes renascendo,
Quis ser alto, chefe ou rei,
Exterminei multidões,
Rasgando normas de lei.
 
Por séculos fui assim,
orgulho vão que se expande,
Domínio da crueldade
Na mania de ser grande.
 
Até que um dia cansado
De ser déspota violento,
Pedi a Deus me prendesse,
Na cela do sofrimento...
 
Dos céus chegou-me a resposta:
Teria eu doce cruz...
Renascendo, minha mãe
Quis chamar-me por Jesus.
 
Para esquecer o passado
E elevar o coração,
Tive um reino de feridas
E um trono de solidão.
 
Sofri e chorei, entretanto,
Ante o Mestre Nazareno
Tenho agora a Santa Lepra
Que me ensina a ser pequeno.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017


O REMÉDIO JUSTO

 

Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.” - JESUS - MATEUS, 5: 4.

 

“Por estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, come prelúdio da cura.” Cap. V, 12. ESE

Perguntas, muitas vezes, pela presença dos espíritos guardiões, quando tudo indica, que forcas contrárias às tuas noções de segurança e conforto, comparecem, terríveis, nos caminhos terrestres.

Desastres, provações, enfermidades e flagelos inesperados arrancam-te indagações aflitivas.

Onde os amigos desencarnados que protegem as criaturas? Como não puderam prevenir certos transes que te parecem desoladoras calamidades? Se aspiras, no entanto, a conhecer a atitude moral dos espíritos benfeitores, diante dos padecimentos desse matiz, consulta os corações que

amam verdadeiramente na Terra.

Ausculta o sentimento das mães devotadas que bendizem com lágrimas as grades do manicômio para os filhos que se desvairaram no vicio, de modo a que não se transfiram da loucura à criminalidade confessa.

Ouve os gemidos de amargura suprema dos pais amorosos que entregam os rebentos, do próprio sangue no hospital, para que lhes seja amputado esse ou aquele membro do corpo, a fim de que a moléstia corruptora, a que fizeram jus pelos erros do passado, não lhes abrevie a existência.

Escuta as esposas abnegadas, quando compelidas a concordarem chorando com os suplícios do cárcere para os companheiros queridos, evitando–se-lhes a queda, em fossas mais profundas de delinquência.

Perquire o pensamento dos filhos afetuosos,ao carregarem, esmagados de dor, os pais endividados em doenças infecto contagiosas, na direção  das casas de isolamento, a fim de que não se convertam em perigo para a comunidade.

Todos eles trocam as frases de as frases de carinho e os dedos veludosos pelas palavras e pelas mãos de guardas e enfermeiros, algumas vezes desapiedados e frios, embora continuem mentalmente jungidos aos seres que mais amam, orando e trabalhando para que lhes retornem ao seio.

Quando vejas alguém submetido aos mais duros entraves, não suponhas que esse alguém permaneça no olvido, por parte dos benfeitores espirituais que lhe seguem a marcha.

O amor brilha e paira sobre todas as dificuldades, à maneira do sol que paira e brilha sobre todas as nuvens.

Ao invés de revolta e desalento, oferece paz e esperança ao companheiro que chora, para que, à frente de todo mal, todo o bem prevaleça.

Isso porque onde existem almas sinceras, à procura do bem, o sofrimento é sempre o remédio justo da vida para que, junto delas, não suceda o pior.

 

Livro da Esperança

Psicografia Francisco Cândido Xavier – Espírito Emmanuel

 

domingo, 13 de agosto de 2017


Bens e Males

 

 

Quase sempre, na Terra, muitos bens são caminhos a muitos males e muitos males são caminhos a muitos bens.

Por isso, muitas vezes, quem vive bem à frente dos preceitos humanos, pode estar mal ante as Leis Divinas.

A dor, sendo um mal, é sempre um bem, se sabemos bem sofrê-la, enquanto que o prazer, sendo um bem, é sempre um mal se mal sabemos fruí-lo.

Em razão disso, há muitas situações, nas quais o bem de hoje é o mal de amanhã, ao passo que o mal de agora é o bem que virá depois.

Muita gente persegue o bem, fugindo ao bem verdadeiro e encontra o mal com que não contava e muita gente se desespera, a fim de desvencilhar-se do mal que não consegue entender e acaba encontrando o bem por surpresa divina.

Há quem se ria no gozo dos bens do mundo para chorar nos males da Terra para colher os bens da Esfera Superior.

Não procures unicamente estar bem, porquanto no bem apenas nosso talvez se ache oculto o mal que flagela os outros por nossa causa e o mal que flagela os outros por nossa causa é mal vivo em nós mesmos, a roubar-nos o bem que furtamos do próximo.

Se desejas entesourar na estrada o em dos mensageiros do bem, atende, antes de tudo, ao bem dos semelhantes, sem cogitar do bem que se te faça posse exclusiva.

Recordemos o Cristo que, aparentemente escravo ao mal do mundo, era o Senhor do Bem, a dominar, soberano, acima das circunstâncias terrestres, e, tentando seguir-Lhe o passo, aceitemos com valor, no mal da própria cruz, o roteiro do bem para a Grande Vida.

 

 

Scheilla

 

sábado, 12 de agosto de 2017


A CASA DO CAMINHO

“Aqui não existem idosos abandonados, mas idosos amados”.

 

“Aqui não existem idosos abandonados, mas idosos amados”. Essa é uma das frases que compõem o quadro de ensinamentos de vivência naquele lugar que resplandece amor, dedicação e felicidade. A Casa do Caminho tem um histórico de cuidar daqueles a quem sua família esqueceu-se de amar, restabelecendo muitas vezes um sorriso que há anos não fazia parte da vida daqueles vovôs e vovós.

Sempre que pensamos em um abrigo para idosos, refletimos logo sobre os números divulgados por pesquisas que relatam os maus tratos e abandono daqueles que já educaram tanta gente. Pensamos nos corações corroídos pelo tempo de esquecimento dos familiares, que se utilizam dessas instituições para livrar-se do fardo da responsabilidade de retribuir tudo aquilo que um dia receberam. Mas nos basta à primeira visita a essa Casa de Luz para vermos que as coisas não são bem assim. As conversas animadas do fim de tarde retratam uma oportunidade de aprendizado cada vez que paramos para escutar as vivências de cada um deles.

Lá encontramos poetas, dançarinos, jogadores, mecânicos, vaqueiros, boêmios, contadores de histórias, que estão sempre de braços abertos a nos escutar e ensinar a amar cada dia mais a vida. É também na Casa do Caminho, logo ali, situada às margens da BR 230 KM 470 – Sousa (PB), que a Doutrina de Amor é ensinada e propagada a todo o sertão paraibano, inspirada pelas orientações do humílimo Chico Xavier que afirmava: Minha religião é o Amor e minha Doutrina é Espírita. Nas reuniões das quartas-feiras temos a oportunidade de parar por cerca de 60 minutos e observar a magnânima obra que o Cristo nos deixou, nos inspirando a perdoar sob todas as hipóteses e nos fazendo compreender que “Fora da caridade não há salvação.”

Deve ser por tudo isso que todos aqueles que por lá passam, levam consigo o desejo incessante de voltar logo-logo e deliciar-se das energias benfeitoras daquele lugar maravilhoso. O cheiro das rosas na Praça da Paz potencializa a saudade do abraço caloroso no início de cada reunião, onde nos comprometemos sempre em propagar o amor verdadeiro do cristão.

Gratidão é a palavra que define a relação de cada um de nós com essa Casa de paz e ternura. Peço a Deus que nunca deixe apagar dentro de nós a centelha divina que nos fortalece a cada visita e faça de nós sempre irmãos do caminho.

 

Carlos Henrique