sexta-feira, 30 de março de 2012

A Gênese da Alma


A Gênese da Alma
A intolerância sempre constituiu um dos grandes entraves na senda da evolução humana.
No campo da ciência ela foi a causa do retardamento de muitas descobertas, pois, no passado, tudo aquilo que ultrapassava o limite acanhado do conhecimento humano, era levado na conta de “engenho e arte do demônio”.
Afirmou João em seu Evangelho que “a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João, 1:5).
Essa passagem deixa entrever claramente que Jesus Cristo veio como autêntica luz a iluminar o caminho dos homens, mas a intolerância destes fez com que a sua mensagem fosse incompreendida, e as forças das trevas conseguiram fazer com que largos anos de obscurantismo suplantassem a voz da verdade, retardando a implantação dos ideais cristãos, da forma como foram ensinados pelo Cristo, fundamentados sobre a pureza e a singeleza.
O sofrimento é lei em nosso mundo. Em todas as condições, em todas as Idades, sob todos os climas, o homem tem padecido, a Humanidade tem derramado lágrimas. Apesar dos progressos sociais, milhões de seres gravitam ainda sob o jugo da dor. As classes elevadas também não têm sido isentas desses males.
Embora a humanidade avance pouco a pouco na estrada do progresso, pode-se dizer que a imensa maioria de seus membros marcha através da vida como em meio de uma noite obscura, ignorando de onde vem, não sabendo para onde vai, não tendo jamais sonhado com o objetivo real da existência.
Passo a passo, nos forjamos e quebramos, nós próprios, nossos grilhões. As provas terríveis, que alguns dentre nós sofrem, são a consequência de uma conduta do passado.
O déspota renasce escravo; a mulher altiva e vaidosa por sua beleza tomará um corpo enfermo e sofredor; o preguiçoso voltará como servo, curvado sob uma tarefa ingrata, e aquele que fez sofrer, por seu turno, sofrerá. É inútil procurar o inferno nas regiões desconhecidas e distantes. O inferno está em torno de nós e se oculta nas dobras ignoradas da alma culpada, na qual só a expiação pode fazer cessar as dores.
Sim, Deus fez bem em apagar de nossos frágeis cérebros a lembrança de um passado perigoso. Após termos bebido as águas do Léthé,(1) renascemos numa nova vida.
E se os homens se riem dele, se ele é vítima da intriga e
da injustiça, aprenderá a suportar, pacientemente, seus males, lançando seus olhares para vós, oh! Nossos irmãos mais velhos, para Sócrates bebendo a cicuta, para Jesus crucificado e para Joana na fogueira. Haverá consolação na lembrança de que os maiores, os mais virtuosos e os mais dignos sofreram e morreram pela humanidade.
Esse pórtico das regiões extraterrestres será penetrado com serenidade, se a consciência, separada da sombra da matéria, erguer-se como um juiz, representante de Deus, perguntando?
“Que fizeste da vida?” e ele responder: “Lutei, sofri, amei”!
Ensinei o bem, a verdade e a justiça; dei a meus irmãos o exemplo do correto e da doçura; aliviei as dores dos que sofrem e consolei os que choram. Agora, que o Eterno me julgue, pois estou em suas mãos!”

Caminha, valente lutador, sobe a encosta que conduz a esses cimos que se chamam virtude, dever e sacrifício. Não pares no caminho para colher as florzinhas do campo, para brincar com os calhaus dourados. Para frente, sempre adiante.
Léon Denis
(1) Léthé: rio dos infernos, cujo nome significa esquecimento. Os homens bebiam de suas águas para esquecer (conforme o Noveau Petit Larousse Illustré) (N.E.).
 
 

 

quinta-feira, 29 de março de 2012

SERVIÇO E INVEJA

CHICO XAVIER, EXEMPLO DE CARIDADE.

SERVIÇO E INVEJA
“... A caridade não é invejosa...” – Paulo
(I CORÍNTIOS, 13:4.)

Muitos companheiros asseveram a disposição de ajudar, em nome da caridade; entretanto, para isso, exigem os recursos que pertencem aos outros.

Querem amparar os necessitados...

Mas dizem aguardar vencimento igual ao do colega que lhes tomou a frente na organização de trabalho.

Declaram-se inclinados ao socorro de meninos desprotegidos...

Alegam, todavia, que apenas assumirão a iniciativa quando possuírem casa semelhante à do amigo mais próspero.

Afirmam-se desejosos de colaborar na construção da fé, amando e esclarecendo a quem sofre...

Interpõem, no entanto, a condição de desfrutarem a autoridade dos irmãos que se encarregam dessa ou daquela instituição, antes deles.

Expõem a intenção de escrever, na difusão da luz espiritual...

Contudo, somente entrarão em atividade quando dispuserem da competência de quantos já despenderam larga parte da vida, na estruturação da palavra escrita.

Se aspiras a servir ao bem, não te detenhas na cobiça expectante, a pedir que a possibilidade dos outros te passe às mãos.

A caridade não é invejosa.

Emmanuel
Chico Xavier
Palavras de Vida Eterna

quarta-feira, 28 de março de 2012

A DOUTRINA DA IMORTALIDADE

A DOUTRINA DA IMORTALIDADE

A moderna psicologia



Foi justamente quando o espírito de negação e de materialidade triunfava no mundo, e quando esses dois formidáveis exércitos, sacerdotalismo e cientificismo, se digladiavam e destruíam, com prejuízo para a coletividade, que as Potências dos Céus se abalaram e o Espírito de Verdade desceu à Terra, para trazer-nos a nova luz que deveria iluminar os horizontes da nossa Imortalidade!

Então, uma nova Ciência ergueu-se para enfrentar a Ciência que nega a Religião; e uma nova Religião bateu às portas dos templos para pedir, aos seus sacerdotes, contas das suas negações às provas positivas que a Ciência lhes tem oferecido.

O velho mundo foi abalado em suas bases e as partes litigantes, avelhantadas, sem recursos para prosseguirem na sua luta, voltaram suas armas contra quem lhes vinha propor paz honrosa.

O Espiritismo foi repudiado, caluniado, injuriado pelos obscurantistas anchos do saber e do poder humanos; mas a Verdade devia triunfar, pois soara no grande relógio universal a hora das reivindicações sociais! A cegueira de uns e de outros não poderia privar o desenvolvimento da vidência latente de tantos: a VOZ DOS MORTOS fez-se ouvir em todos os cantos da Terra e em pouco mais de meio século o Espiritismo restaurou o Gênio do Cristianismo, ao menos quanto aos memoráveis testemunhos da sobrevivência humana.

Ao par de tantas descobertas e inovações, que vêm transformando nosso mundo num paraíso, o Experimentalismo Espírita faz reviver, em todos, a certeza da Imortalidade, cumprindo assim a previsão do Apóstolo dos Gentios, segundo o qual "a morte será tragada na vitória dos arautos do Ideal Cristão".

E já não são mais considerações filosóficas, nem floreios de retórica que vêm exaltar a Doutrina da Vida, mas, sim, a eloqüência dos fatos persistentes que desafiam todas as minuciosas investigações e se submetem aos mais escrupulosos exames!

Precedendo a era nova, que o padrão espírita marcou na senda que a Humanidade tem de trilhar, o Magnetismo concorreu com fortes contingentes para abalar as barreiras do Materialismo, tão bem amparadas por Ernest Haeckel nos seus Enigmas do Universo.

O magnetismo, com os seus fenômenos de sonambulismo, desdobramento da personalidade e outros de não menor importância, tem deixado patente aos olhos de todos os que querem ver, a existência do Espírito, quer se trate do Espírito humano, quer se trate do Espírito do animal, esse mesmo Espírito independente do corpo carnal.

A visão a distancia e no interior dos corpos opacos, os fenômenos de bilocação, de exteriorização da sensibilidade, sobrepujam todos os templos de barro e academias de pedras, construídos pela imperfeita mão do homem.

O Animismo, como o denominou Aksakof, por si só explica e demonstra, com lógica irrefutável e fatos irrefragáveis, a existência da alma, independente das forças néuricas e cerebrais, e sua ação volitiva apesar da resistência que a matéria lhe opõe.

Não há que tergiversar: existimos, e nossa individualidade mantém-se indestrutível, sem que para isso concorram com um ceitil o fósforo, as circunvoluções cerebrais, ou a cal da carcaça que abriga nosso cérebro. A memória ai está para testificar esta verdade!

Hoje podemos dizer: Ego sun, fui et ero! - Existo, existi e existirei!
Cairbar Schutel

Gênese da Alma


 

terça-feira, 27 de março de 2012

Escolhos da mediunidade


Escolhos da mediunidade
70.
Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, ou domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, apresentando-se com nomes supostos e impedindo que por eles se manifestem outros Espíritos. Isto constitui, também, um perigo em que esbarra todo observador novato e inexperiente, que, desconhecendo as características desse fenômeno, pode enganar-se pelas aparências, do mesmo modo que aquele que desconhece a medicina pode enganar-se quanto à causa e a natureza de uma doença.
Se, neste caso, o estudo prévio é vantajoso para o observador, torna-se indispensável para o médium, pois lhe fornece os meios de prevenir um inconveniente que lhe pode acarretar desagradáveis conseqüências. Por isso toda recomendação é pouco para que o estudo preceda sempre a prática.
71.
Apresenta a obsessão três graus bem característicos: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. No primeiro tem o médium inteira consciência de que nada obtém de bom; não se engana quanto à natureza do Espírito que teima em se manifestar e do qual deseja livrar-se. Tal caso não oferece gravidade: é um simples aborrecimento, do qual se liberta o médium se deixar, no momento, de escrever. Cansado por não se ver atendido, o Espírito acaba se retirando.
A fascinação é muito mais grave, porque o médium fica perfeitamente iludido. O Espírito que o domina conquista-lhe a confiança a ponto de lhe paralisar a capacidade de julgar as comunicações recebidas e lhe fazer considerar sublimes os maiores absurdos.
O caráter marcante desse gênero de obsessão é a provocação de uma extrema susceptibilidade do médium, o qual é levado a só admitir como bom, justo e certo aquilo que ele próprio escreve, ao mesmo tempo em que repele todo conselho e toda crítica. Então rompe com os amigos, ao invés de se convencer de que é enganado; alimenta inveja contra os outros médiuns, cujas comunicações sejam consideradas melhores que as suas; e, por fim, quer impor-se nas reuniões espíritas, de onde se afasta, desde que não as possa dominar.
Essa atuação do Espírito pode ir ao ponto de arrastar o indivíduo a dar passos ainda mais ridículos e comprometedores.
72.
Um dos caracteres distintivos dos Espíritos maus é a imposição. Dão ordens e querem ser obedecidos. Os bons jamais impõem: dão conselhos e quando não escutados retiram-se.
Decorre daí que a impressão deixada pelos maus Espíritos é sempre penosa e fatigante. Muitas vezes causa uma agitação febril, movimentos bruscos e desordenados. Ao contrário, a dos bons é calma, suave e agradável.
73.
A subjugação, outrora chamada possessão, é um constrangimento físico que exercem Espíritos da pior espécie e que pode chegar até à anulação do livre-arbítrio do paciente. Muitas vezes, porém, se reduz a simples impressões desagradáveis; outras vezes provoca movimentos desordenados, atos insensatos, gritos, palavrões, frases incoerentes, cujo ridículo o subjugado por vezes compreende mas não pode evitar.
Esse estado difere fundamentalmente da loucura patológica, com a qual erroneamente a confundem, por isso que a sua causa não é uma lesão orgânica. Assim, diversa sendo a origem, diversos devem ser os processos de cura. A aplicação do processo ordinário de duchas e tratamento corporal por vezes chega a determinar uma loucura verdadeira naquele que apenas sofria uma enfermidade moral.
74.
Na loucura propriamente dita a causa do mal é orgânica. É preciso restituir ao organismo o seu estado normal; na subjugação a causa é espiritual; é preciso livrar o doente de um inimigo invisível – não por meio de medicamentos, mas opondo uma força moral superior à dele.
Em tal caso a experiência tem provado que jamais os exorcismos deram resultados satisfatórios: ao invés de minorar a situação, agravam-na.
Apontando a verdadeira causa do mal, só o Espiritismo pode oferecer o meio de combatê-lo: a educação moral do obsessor. Por meio de conselhos bem dirigidos, consegue-se torná-lo melhor e fazer que renuncie voluntariamente aos tormentos que causa ao enfermo. Este, assim, fica livre.
75.
Geralmente a subjugação é individual. Entretanto, quando uma legião de Espíritos maus cai sobre uma povoação, pode apresentar um caráter epidêmico.
Foi um fenômeno idêntico que se verificou ao tempo de Jesus. E, então só um poder moral superior poderia dominar esses seres malfazejos, chamados demônios, e restabelecer a calma das vítimas.
76.
Há que considerar um fato importante: é que, seja qual for a sua natureza, a obsessão independe do exercício da mediunidade e se manifesta em todos os graus, principalmente no último, em grande número de criaturas que jamais ouviram falar de Espiritismo.
Na verdade, desde que os Espíritos têm existido de todos os tempos, sempre têm exercido influência; a mediunidade não é causa – é simples meio de manifestação dessa influência. Assim, pode-se dizer com segurança que todo médium obsidiado sofre de um modo qualquer e, freqüentemente, nos atos mais comezinhos da vida, os efeitos de tal influência. Se não fora a mediunidade, a influência seria levada à conta de certas enfermidades misteriosas, que escapam à investigação dos médicos. Pela mediunidade o Espírito malévolo denuncia a sua presença; sem ela, permaneceria oculto e ninguém o suspeitaria.
77.
Aqueles que negam tudo quanto não afeta os sentidos não admitem essa causa oculta. Quando, porém, a Ciência tiver saído do caminho materialista, reconhecerá na ação do mundo invisível, que nos envolve, e em cujo meio nós vivemos, uma força que tanto reage sobre as coisas físicas quanto sobre as morais. Será um novo caminho rasgado ao progresso e a chave de uma porção de fenômenos até agora mal compreendidos.
78.
Desde que a obsessão jamais poderá ser causada por um bom Espírito, é essencial saber-se reconhecer a natureza daqueles que se apresentam. O médium não esclarecido pode ser enganado pelas aparências; mas o médium prevenido percebe o menor sinal suspeito. Então, percebendo que nada poderá fazer, o Espírito se retira.
O conhecimento prévio dos meios de distinguir bons e maus Espíritos é, assim, indispensável aos médiuns que não querem expor-se a uma armadilha. Também o é ao mero observador, que, por esse meio, pode aquilatar o valor do que vê e do que ouve.
Allan Kardec
O Principiante Espírita

segunda-feira, 26 de março de 2012

A religião do Espiritismo



A religião do Espiritismo

Crer em um Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificativa do presente;
na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente na perfeição; na eqüitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível, na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados, considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da Vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, tendo em vista o futuro mais invejável do que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e em ações na mais ampla acepção da palavra; se esforçar cada dia para ser melhor do que na véspera, extirpando alguma imperfeição de sua alma; submeter todas as suas crenças ao controle do livre exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas diferentes descobertas da ciência a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis o Credo, a religião do Espiritismo, religião que pode se conciliar com todos os cultos, quer dizer, com todas as maneiras de adorar a Deus.
É o laço que deve unir todos os Espíritas em uma santa comunhão de pensamentos, à espera que uma todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.

Com a fraternidade, filha da caridade, os homens viverão em paz, se poupando os males inumeráveis que nascem da discórdia, filha, a seu turno, do orgulho, do egoísmo, da ambição, do ciúme e de todas as imperfeições da Humanidade.

O espiritismo dá aos homens tudo o que é preciso para sua felicidade neste mundo, porque lhes ensina a se contentarem com aquilo que têm; que os Espíritos sejam, pois, os primeiros a aproveitarem os benefícios que ele traz, e que inaugura entre eles o reino da harmonia, que resplandecerá nas gerações futuras.

Os Espíritos que nos cercam aqui são inumeráveis, atraídos pelo objetivo que nos propusemos em nos reunindo, a fim de darem aos nossos pensamentos a força que nasce da união.

Doemos àqueles que nos são caros uma boa lembrança e um testemunho de nossa afeição, os encorajamentos e as consolações àqueles que deles têm necessidade.
Façamos de maneira que cada um receba a sua parte dos sentimentos de caridade benevolente, da qual estaremos animados, e que esta reunião traga os frutos que todos estão no direito de esperá-los.

Texto retirado do discurso de abertura proferido por Allan Kardec à Sessão Anual Comemorativa dos Mortos, na Sociedade de Paris, em 1o de novembro de 1868, sob o tema “O Espiritismo é uma Religião?”. O conteúdo pode ser lido integralmente na Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, 11º ano, nº 12, de dezembro de 1868 – Revue Spirite Journal d’Études Psychologiques, publié sous la direction de ALLAN KARDEC.








domingo, 25 de março de 2012

O Espiritismo na Bélgica



Sebastião (foto) cuida de Natercio como se
 fosse seu verdadeiro filho.
Dona Raimunda em suas preces ora por todos.

O Espiritismo na Bélgica

Cedendo às insistentes solicitações de nossos irmãos espíritas de Bruxelas e de Antuérpia, fizemos-lhes uma rápida visita este ano e temos a satisfação de dizer que trouxemos a mais favorável impressão do desenvolvimento da doutrina naquele país.

Ali encontramos maior número de adeptos do que esperávamos, devotados e esclarecidos. A acolhida simpática que nos foi feita naquelas duas cidades deixou-nos uma lembrança que jamais se apagará, e contamos os momentos ali passados no número dos mais agradáveis para nós. Não podendo enviar nossos agradecimentos a cada um em particular, gostaríamos que os recebessem aqui coletivamente.
Retornando a Paris, encontramos uma mensagem dos membros da Sociedade Espírita de Bruxelas, a qual nos tocou profundamente. Conservamo-la preciosamente como um testemunho de sua simpatia, mas eles compreenderão facilmente os motivos que nos impedem de publicá-la em nossa
Revista.

Entretanto, há uma passagem que nos impõe o dever de levar ao conhecimento de nossos leitores, porque o fato revelado diz mais que longas frases sobre a maneira pela qual certas pessoas compreendem o objetivo do Espiritismo. Está assim concebida:
“Comemorando vossa viagem à Bélgica, nosso grupo decidiu fundar um leito de criança na creche de Saint Josse Tennoode.”

Para nós, nada podia ser mais lisonjeiro do que semelhante testemunho. A fundação de uma obra de beneficência, em memória de nossa visita, é uma prova de grande estima, que nos honra muito mais do que as mais brilhantes recepções que pudessem lisonjear o amor-próprio de quem lhe é objeto, mas a
 ninguém aproveitam e não deixam qualquer traço útil.
Antuérpia se distingue por um maior número de adeptos e de grupos. Mas lá, como em Bruxelas e, aliás, em toda parte, os que participam de reuniões de certo modo oficiais e regularmente constituídas, estão em minoria. As relações sociais e as opiniões emitidas nas conversas provam que as simpatias pela doutrina se estendem muito além dos grupos propriamente ditos.

Se nem todos os habitantes são espíritas, ali a idéia não encontra oposição sistemática; dela se fala como de uma coisa natural e não riem. Como os adeptos, em geral, pertencem ao alto comércio, nossa chegada foi novidade na bolsa e monopolizou a conversação, sem mais importância do que se se tratasse da chegada de uma carga de mercadorias.
Vários grupos são compostos de número limitado de membros e se designam por um título especial e característico; é assim que um se intitula:

A Fraternidade, outro Amor e Caridade, etc.


Acrescentemos que esses títulos não são para eles insígnias banais, mas divisas que se esforçam por justificar.
O grupo
Amor e Caridade, por exemplo, tem por objetivo especial a caridade material, sem prejuízo das instruções dos Espíritos, que, de certo modo, constituem a parte acessória.
Sua organização é muito simples e dá excelentes resultados. Um dos membros tem o título de
esmoler, nome que corresponde perfeitamente às suas funções de distribuir socorros a domicílio; por diversas vezes os Espíritos já indicaram nomes e endereços de pessoas necessitadas. O nome esmoler voltou, assim à sua significação primitiva, da qual se havia singularmente desviado.

Esse grupo possui um médium tiptólogo excepcional e dele faremos objeto de um artigo especial.
Aqui só fazemos constatar os bons elementos, que fazem bem augurar do Espiritismo nesse país, onde só há pouco criou raízes, o que não quer dizer que certos grupos dali não tenham tido, como em outros lugares, desavenças e decepções inevitáveis, quando se trata do estabelecimento de uma idéia nova.

No começo de uma doutrina, sobretudo tão importante quanto o Espiritismo, é impossível que todos os que se declaram seus partidários lhe compreendam o alcance, a gravidade e as conseqüências. Deve-se, pois, esperar desvios da rota em pessoas que só lhe vêem a superfície, ambições pessoais, aquelas para quem o Espiritismo é mais um meio que uma sincera convicção, sem falar de gente que toma todas as máscaras para se insinuar, visando a servir os interesses dos adversários; porque, assim como o hábito
não faz o monge, o nome de espírita não faz o verdadeiro espírita.

Mais cedo ou mais tarde esses espíritas fracassados, cujo orgulho ficou vivaz, causam nos grupos atritos penosos e suscitam entraves, dos quais sempre se triunfa com perseverança e firmeza. São provações para a fé dos espíritas sinceros.
A homogeneidade e a comunhão de pensamentos e sentimentos são, para os grupos espíritas, como para quaisquer outras reuniões, a condição

sine qua non de estabilidade e de vitalidade. É para tal objetivo que devem tender todos os esforços,


e compreende-se que é tanto mais fácil atingi-lo quanto menos numerosas as reuniões. Nas grandes reuniões é quase impossível evitar a intromissão de elementos heterogêneos que, mais cedo ou mais tarde, aí semeiam a cizânia. Nas pequenas reuniões, onde todos se conhecem e se estimam, onde se está como em família, o recolhimento é maior, a intrusão dos mal-intencionados mais difícil. A diversidade dos elementos de que se compõem as grandes reuniões torna-as, por isso mesmo, mais vulneráveis à surda intriga dos adversários.



É preferível, pois, que haja numa cidade cem grupos de dez a vinte adeptos, dos quais nenhum se arroga a supremacia sobre os outros, a uma sociedade única, que reunisse todos os partidários. Esse fracionamento em nada prejudicará a unidade dos princípios, desde que a bandeira seja única e todos marchem para o
mesmo objetivo. É o que parece ter sido perfeitamente compreendido por nossos irmãos de Antuérpia e de Bruxelas.
Em síntese, nossa viagem à Bélgica foi fértil em ensinamentos no interesse do Espiritismo, pelos documentos que recolhemos e que serão, oportunamente, postos em proveito de
todos.
Não esquecemos uma das mais honrosas menções ao grupo espírita de Douai, que visitamos de passagem, e um particular testemunho de gratidão pela acolhida que ali nos dispensaram. É um grupo familiar, onde a doutrina espírita evangélica é praticada em toda a sua pureza. Ali reinam a mais perfeita harmonia, a benevolência recíproca, a caridade em pensamentos, palavras e ações; ali se respira uma atmosfera de
fraternidade patriarcal, isenta de eflúvios malfazejos, onde os Espíritos bons devem comprazer-se tanto quanto os homens; por isso, as comunicações retratam a influência desse meio simpático. Deve-se à sua homogeneidade e aos escrupulosos cuidados nas admissões, jamais haver sido perturbado por dissensões e desavenças por que os outros sofreram; é que todos os que dele fazem parte são espíritas de coração e nenhum procura fazer prevalecer a sua personalidade. Os médiuns aí são relativamente muito numerosos; todos se consideram como simples instrumentos da Providência, isentos de orgulho, sem pretensões pessoais, e se submetem humildemente e sem melindres ao julgamento sobre as comunicações que recebem, prontos a destruí-las se forem consideradas más.
Um poema encantador foi obtido em nossa intenção e após a nossa partida. Agradecemos ao Espírito que o ditou e ao seu

intérprete; conservamo-lo como preciosa lembrança. São desses documentos que não podemos publicar e que só aceitamos a título de incentivo.


Temos a satisfação de dizer que esse grupo não é o único nestas condições favoráveis e de ter podido constatar que as reuniões verdadeiramente sérias, aquelas em que cada um procura melhorar-se, de onde a curiosidade foi banida, as únicas que merecem a qualificação de

espíritas, multiplicam-se diariamente.


Oferecem em pequena escala o que poderá vir a ser a sociedade, quando o Espiritismo, bem compreendido e universalizado, formar a base das relações mútuas. Então os homens nada mais terão a
temer uns dos outros; a caridade fará reinar entre eles a paz e a justiça. Tal será o resultado da transformação que se opera, cujos efeitos a geração futura começará a sentir.
Allan Kardec
REVISTA ESPÍRITA
OUTUBRO DE 1864

sábado, 24 de março de 2012

Diretriz Espírita

Vovô Nego chorava de saudade pela ausência
dos seus queridos familiares. 

DIRETRIZ ESPÍRITA
“Com a perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a Doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espíritos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado”.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS — Prolegômenos.
Muitas são as direções que podes tomar, imprimindo novo curso à vida.
Estradas se multiplicam atraentes, dificultando-te a opção.
Aparentemente conduzem aos redutos onde a felicidade se acolhe festiva.
Vês passarem as multidões dos que seguem os diferentes rumos.
Há em verdade rotas e rotas. Umas conduzem à morte, raras conduzem à vida.
Estás na diretriz espírita e pareces seguir a medo, imaginando...
Nem festas, nem fantasias encontras.
A realidade se desvela, apresentando-se legítima.
Vês a dor arrancando a máscara de ilusão das faces envilecidas pelo cansaço, pelo despudor.
Por onde segues enxergas aflições que passam ignoradas por outros, sombreando mais ainda semblantes já sombrios.
Identificas enfermidades minando organizações físicas e mentais que se gastam na perversão dos costumes entre esgares e angústias.
Pode parecer-te que no roteiro escolhido somente estão os trôpegos e estropiados, os enfermos e mendigos sob lancinante opressão.
As outras vias se te afiguram formosas e os que por ali avançam demonstram louçania.
Não te enganes, porem.
A ferida purulenta que todos enxergam é irmã menor do câncer ignorado a adentrar-se pelo organismo, em metástase irreversível.
A miséria vestida de andrajos é companheira dos malogros morais escondidos em linho e adamascados custosos.
O festival do prazer termina, invariavelmente, em prólogo de desgraça.
A direção por onde seguem os fáceis conduz àpraça sem nome do remorso tardio.
Numa das suas últimas publicações Darwin registrou que certa vez, embora enfermo e gasto, conseguiu contar ao microscópio mais de vinte mil sementes de determinada planta.
Fresnel, sem dar trégua ao cansaço nem ao abatimento, identificou as “ondas luminosas como sendo vibrações transversais do éter”.
Boas depois de ingentes esforços conseguiu provar que a “raça branca” é de todas a mais mesclada e em nada é superior às demais, ensejando bases para melhor confraternização entre os homens.
Todos os construtores do pensamento e das idéias que possibilitaram novas conquistas através dos tempos vergaram, infatigáveis, ao peso de mil aflições silenciosas, vivendo sob rudes ansiedades, seguindo, no entanto, a
direção da verdade que se empenhavam descobrir.
Não estacionaram ante os fracassos aparentes.
Não desanimaram ao defrontar aspérrimas lutas.
Muitos venderam tudo quanto possuíam para não parar; outros perderam tudo para não desistir; diversos ofereceram até a saúde para não interromper os labores; e um número sem conta doou a própria vida, vítimas que foram dos próprios inventos mas, principalmente da ignorância em várias manifestações, para não abandonarem a honra de investigar os melhores meios de resolver os problemas do homem e do Universo para a felicidade do próprio homem.
Prossegue na direção espírita.
Há pranto em volta de ti e choras também. Enxuga, no entanto, as lágrimas alheias e as próprias lágrimas usando o conhecimento espírita.
A lição espírita ensina o porquê da aflição e o como sofrê-la, oferecendo a luz do discernimento para agires com acerto e seguires com determinação.
Na diretriz espírita aprendes “que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porqüanto transgride a lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos nada podendo, estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas; que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvemos procedido mal Constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
“Mas, ensinam também (os Espíritos) não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de conseguí-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final”; conforme definiu Allan Kardec sabiamente no seu resumo da Doutrina Espírita. (*)
Avança, portanto, pautando a conduta na firmeza dos postulados abraçados, e se o caminho parecer áspero, de difícil acesso, recorda Jesus na direção do Bem inominado sofrendo todas as ingentes manifestações da ignorância e da impiedade humanas sem desistir nem desanimar, para oferecer à posteridade o código de amor e justiça inserto no Evangelho como meio de harmonia perfeita para o espírito em evolução e que hoje reaparece ao teu entendimento na diretriz espírita por onde receias seguir.
(*) O Livro dos Espíritos — Introdução 29ª Edição — FEB. (Nota da Autora espiritual).
ESPÍRITO E VIDA
DIVALDO PEREIRA FRANCO
DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS

sexta-feira, 23 de março de 2012

Texto Antidepressivo



Texto Antidepressivo

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.


Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.


Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias.


Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.


Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.


Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.


Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessas dificuldades maiores que as suas.

Atenda ás tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.


Guarde a convicção de que todos nós estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

André Luiz
Francisco Cândido Xavier

Do livro: Buscas e Acharás

quinta-feira, 22 de março de 2012

O QUE IMPORTA!:


O QUE IMPORTA!

Notas o desprezo.
O abandono te tortura.
Mas o que importa é tua fé.

Ouves a calúnia.
A falsidade te fere.
Mas o que importa é tua verdade.
Assistes à revolta.
A violência te atinge.
Mas o que importa é teu perdão.
Observas o orgulho.
A arrogância te machuca.
Mas o que importa é tua humildade.
Reparas a inveja.
O despeito te constrange.
Mas o que importa é tua paz.
O importante não é o que os outros pensam, falam ou fazem contigo. O que realmente importa é tua atitude.

Bezerra de Menezes.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Impressões de Otimismo


IMPRESSÕES DE OTIMISMO
“É de notar-se que em todas as épocas da História, às grandes crises sociais se seguiu uma era de progresso.”
A GÊNESE — Capítulo 18º — Item 33.
Rememorando as excelentes mensagens do Evangelho, constatarás que de todos os ensinos do Senhor ressumbram sempre otimismo, alegria e esperança.
Toda a Boa Nova é um hino de louvor à vida.
Elegendo a Natureza policromada para cenário Jesus, sob a abóbada celeste e sobre a barca levemente balançante, bordou de bênçãos suas palavras, assinalando com vigor os conceitos de alevantamento moral e coragem.
Diante de enfermos e oprimidos fêz-se saúde e bálsamo; ante a alacridade infantil abriu os braços e agasalhou os pequeninos; aos lamentos dos pecadores respondeu com as dádivas da compreensão; defrontando o moço afortunado acenou-lhe com eterna herança; perante a falsa justiça dos poderosos da Terra sentenciou pelo exemplo da serenidade.
E assim o Evangelho é a mais profunda e perfeita afirmação de alegria e paz que se conhece.
Não te deixes acabrunhar nem entristecer, em momento algum da vida.
Acabrunhamento é sentença fatal e tristeza é sombra na sombra do problema.
Retempera o ânimo no ardor da luta e renova o entusiasmo.
O ferro, para resistir à umidade, suporta altas temperaturas e o diamante espera milhões de anos sob incalculável pressão para formar-se.
Recupera a coragem na forja das transformações que a vida diária te impõe, mas acima de todas as circunstâncias vitaliza a alegria.
Quem serve e sofre com destemor sem os reflexos deprimentes estampados na face produz mais e realiza com melhores resultados.
Alegria é saúde.
Não se faz preciso que o teu júbilo provoque algaravia nem que a tua satisfação espalhe balbúrdia.
A alegria pura contamina os que estão em volta. Semelha-se à saúde, conseguindo projetar equilíbrio naqueles que estão ao lado.
Os modernos tratados de Higiene Mental prescrevem a descompressão moral e mental pelo espairecimento, pelos esportes, pela mudança de atividades.
Muito se tem escrito sobre as fórmulas proveitosas dos “pensamentos positivos” elaborando resultados eficientes, imediatos.
A Psicologia ao estudar mais profundamente a psiquê humana, através da Psicanálise constata que todas as impressões conscientes ou não se arquivam na inconsciência, de cujos depósitos transitam, retornando à consciência, a seu tempo.
Ora, enviando-se mensagens constantes e positivas aos arquivos da mente, oportunamente estas aflorarão realizando o mister a que se destinam.
Pouco importa que as impressões remetidas sejam acreditadas ou não. O essencial é que sejam enviadas ininterruptamente, de tal modo que consigam expulsar aquelas que criaram o clima de pessimismo em que habitas.
Já o Apóstolo Paulo na sua primeira série de Epístolas aos tessalonicenses, no capítulo cinco e versículo dezessete, ensinava a necessidade de “orar sem cessar”...
Muitos cristãos e também espíritas procuram justificar-se dizendo não saberem orar.
Naturalmente que àqueles que consideram as coisas possíveis, possíveis estas se fazem.
Todavia, a fixação da possibilidade obedece ao mesmo mecanismo de registro, que o tempo consegue dominar com ou sem aceitação consciente disso. Dize diariamente e muitas vezes “sou feliz, lutarei, pois, contra as minhas imperfeições, consoante os ditames cristãos”.
Criarás um hábito, empolgar-te-ás com ele, conseguirás a prática das virtudes evangélicas, a princípio por automatismo psicológico, depois por entusiasmo racional.
Começa a considerar todas as pessoas como sendo bondosas e amigas; refere-te às suas qualidades superiores, mínimas que sejam, sem azedume, e descobrirás, surpreso, em breve, que todos são realmente bons nos seus valores afirmativos. .
Também te impregnarás de bondade e cantarás, sem que o percebas, a mesma alegria do Senhor e dos Seus discípulos, começando novos tempos para a própria vida na Terra, sereno e realmente ditoso.
ESPÍRITO E VIDA
DIVALDO PEREIRA FRANCO
DITADO POR JOANNA DE ÂNGELIS

terça-feira, 20 de março de 2012

A Verdadeira´Propriedade



A Verdadeira Propriedade...
 
 
 
Afirma o Dalai Lama:
Vivemos em um mundo movido pelo dinheiro. A maior aspiração da humanidade é ficar extremamente rica, e de preferência, rapidamente, com o menor esforço possível. Ao longo dessa caminhada, nem sempre muito ética, vamos deixando pra trás valores simples e saudáveis e nos apegando a coisas supérfluas, que nos afastam do nosso verdadeiro destino e pior, nos fazem perder a saúde física e mental. Essa corrida impensada atrás do dinheiro, nos faz viver como se nunca fossemos morrer, e morrer como se nunca tivéssemos nascido.

O espiritismo nos explica que a nossa verdadeira propriedade está nos nossos conhecimentos, nos sentimentos vivenciados e situações experienciadas.

Se refletirmos um pouco chegaremos rapidamente a algumas conclusões:
- Verdadeiramente não possuímos nada nesse mundo. Vejamos quantas fortunas foram dilapidadas, quantas famílias milionárias perderam tudo num piscar de olhos. Além do mais, diz a célebre frase – “Caixão não tem gaveta!”

- Pense no seu corpo físico. Ele não é você! Ele nem chega a ser seu. Você o pegou emprestado das substâncias do planeta Terra que sua mãe ingeriu pela alimentação, e você devolverá essas substâncias quando desencarnar. Ele é uma roupa perfeita, extremamente bem construída, que você temporariamente utiliza para se manifestar nesse plano físico. Cabe a você cuidar dele o melhor que puder, mas um dia ele fatalmente volverá ao manancial terráqueo.

- Nossos Pais e filhos. Eles também não são nossos! Por mais incomodo que seja isso, eles são criaturas independentes, que em outras vidas tiveram outras personalidades, e que nessa vida precisam evoluir tanto quanto você, e para isso vão sofrer, vão adoecer e um dia vão desencarnar, como todos nós.

Refletindo sobre isso chegamos a conclusão de que a única propriedade verdadeira é aquela que não enxergamos. Tudo que for palpável, não pode ser uma propriedade eterna, eu simplesmente estou utilizando-a temporariamente.

Nossos sentimentos, esses sim, nós os carregamos e eles são nossos. O prazer que tenho em conversar com um amigo, o amor que sinto pelos meus entes queridos, a felicidade de estar junto aos nossos quando eles necessitam, a alegria de poder ajudar ao próximo e me manter no caminho da evolução crística...

A vida passa muito rápido, e é formada de pequenas coisas, de lembranças, de situações cotidianas, que nos deixam mais ou menos integrados com a espiritualidade superior. Ela deve ser um exercício contínuo de desapego. Desapegar-se do dinheiro, das posses, da pose, de cargos, de pessoas que nos escravizam, desapegar-se do próprio sofrimento, e assumir aquilo que temos de melhor, deve ser a nossa orientação.

Vamos acumular dinheiro celestial, que é o amor. Essa moeda é a única capaz de pagar nossas despesas no plano espiritual, e nós a obtemos abundantemente quando passamos a enxergar todas as situações como sendo importantes para nos melhorarmos e para ajudar ao próximo mais próximo. Jesus dizia que a casa do meu Pai tem muitas moradas. Qual morada você quer escolher para sua próxima vida?
  Sergio Vencio


A missão Espiritismo segundo Emmanuel, Espírito que teria participado da equipe de Espíritos orientadores durante o período de atividades de Allan Kardec no plano físico, nos afirma nos capítulos XXII e XXIII do livro “A Caminho da Luz”, o seguinte:
“(...)nascia Allan Kardec (...), com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo.” “Consolador da Humanidade, segundo as promessas do Cristo, o Espiritismo vinha esclarecer os homens, preparando-lhes o coração para o perfeito aproveitamento de tantas riquezas do Céu.”
E no livro “O Consolador”, completa:
“O Espiritismo não pode guardar a pretensão de exterminar a outras crenças, parcelas da verdade que a sua doutrina representa, mas, sim, trabalhar por transformá-las, elevando-lhes as concepções antigas para o clarão da verdade imortalista. A missão do Consolador tem que verificar junto das almas e não ao lado das gloríolas efêmeras dos triunfos materiais. (...)”
Voltando ao livro “A Caminho da Luz”, ao segundo dos capítulos indicados temos:
“A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. Competia-lhe reorganizar o edifício desmoronado da crença, reconduzindo a civilização às suas profundas bases religiosas.”
E no capítulo XXIV continua:
 “Somente o Espiritismo, prescindindo de todas as garantias terrenas, executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da crença, nesse barco frágil do homem ignorante do seu verdadeiro destino(...)”.


segunda-feira, 19 de março de 2012

O escopo principal da Doutrina Espírita reside no aperfeiçoamento moral do ser humano




Hoje crêem e sua fé é inabalável, porque assentada na evidência e na demonstração, e porque satisfaz à razão. [...] Tal é a fé dos espíritas, e a prova de sua força é que se esforçam por se tornarem melhores, domarem suas inclinações más e porem em prática as máximas do Cristo, olhando todos os homens como irmãos, sem acepção de raças, de castas, nem de seitas, perdoando aos seus inimigos, retribuindo o mal com o bem, a exemplo do divino modelo. (KARDEC, Allan.
Revista Espírita de 1868. 1. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 2005. p. 28, janeiro de 1868.)
Essa compreensão das Leis Divinas permite a Allan Kardec afirmar que:
O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito.
Entre os descendentes das raças apenas há consangüinidade.
(O Livro dos Espíritos, item 207, p. 176.)
[...] o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na Criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, faz com que desapareçam, naturalmente, todas as distinções estabelecidas entre os homens, conforme as vantagens corporais e mundanas, sobre as quais só o orgulho fundou as castas e os estúpidos preconceitos de cor.
(Revista Espírita, 1861, p. 432.)
Os privilégios de raças têm sua origem na abstração que os homens geralmente fazem do princípio espiritual, para considerar apenas o ser material exterior. Da força ou da fraqueza constitucional de uns, de uma diferença de cor em outros, do nascimento na opulência ou na miséria, da filiação consangüínea nobre ou plebéia, concluíram por uma superioridade ou uma inferioridade natural. Foi sobre este dado que estabeleceram suas leis sociais e os privilégios de raças. Deste ponto de vista circunscrito, são conseqüentes consigo mesmos, porquanto, não considerando senão a vida material, certas classes parecem pertencer, e realmente pertencem, a raças diferentes. Mas se se tomar seu ponto de vista do ser espiritual, do ser essencial e progressivo, numa palavra, do Espírito, preexistente e sobrevivente a tudo cujo corpo não passa de um invólucro temporário, variando, como a roupa, de forma e de cor; se, além disso, do estudo dos seres espirituais ressalta a prova de que esses seres são de natureza e de origem idênticas, que seu destino é o mesmo, que todos partem do mesmo ponto e tendem para o mesmo objetivo; que a vida corporal não passa de um incidente, uma das fases da vida do Espírito, necessária ao seu adiantamento intelectual e moral; que em vista desse avanço o Espírito pode sucessivamente revestir envoltórios diversos, nascer em posições diferentes, chegas e à conseqüência capital da igualdade de natureza e, a partir daí, à igualdade dos direitos sociais de todas as criaturas humanas e à abolição dos privilégios de raças. Eis o que ensina o Espiritismo.
Vós que negais a existência do Espírito para considerar apenas o homem corporal, a perpetuidade do ser inteligente para só encarar a vida presente, repudiais o único princípio sobre o qual é fundada, com razão, a igualdade de direitos que reclamais para vós mesmos e para os vossos semelhantes.
(Revista Espírita, 1867, p. 231.)
Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade.
(A Gênese, cap. I, item 36, p. 42-43. Vide também Revista Espírita, 1867, p. 373.)
Nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada crêem; para espalhar uma crença que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar aos inimigos, a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento de caridade, de fraternidade e deveres sociais.
(KARDEC, Allan.
Revista Espírita de 1863 – 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. – janeiro de 1863.)
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3, p. 348.)
Quando, na
Revista Espírita de janeiro de 1862, publicamos um artigo sobre a “interpretação da doutrina dos anjos decaídos”, apresentamos essa teoria como simples hipótese, sem outra autoridade afora a de uma opinião pessoal controversível, porque nos faltavam então elementos bastantes para uma afirmação peremptória.
Expusemo-la a título de ensaio, tendo em vista provocar o exame da questão, decidido, porém, a abandoná-la ou modificá-la, se fosse preciso. Presentemente, essa teoria já passou pela prova do controle universal. Não só foi bem aceita pela maioria dos espíritas, como a mais racional e a mais concorde com a soberana justiça de Deus, mas também foi confirmada pela generalidade das instruções que os Espíritos deram sobre o assunto. O mesmo se verificou com a que concerne à origem da raça adâmica.
(A Gênese, cap. XI, item 43, Nota, p. 292.)
Por fim, urge reconhecer que o escopo principal da Doutrina Espírita reside no aperfeiçoamento moral do ser humano, motivo pelo qual as indagações e perquirições científicas e/ou filosóficas ocupam posição secundária, conquanto importantes, haja vista o seu caráter provisório decorrente do progresso e do aperfeiçoamento geral. Nesse sentido, é justa a advertência do Codificador:
É verdade que esta e outras questões se afastam do ponto de vista moral, que é a meta essencial do Espiritismo. Eis por que seria um equívoco fazê-las objeto de preocupações constantes. Sabemos, aliás, no que respeita ao princípio das coisas, que os Espíritos, por não saberem tudo, só dizem o que sabem ou que pensam saber.
Mas como há pessoas que poderiam tirar da divergência desses sistemas uma indução contra a unidade do Espiritismo, precisamente porque são formulados pelos Espíritos, é útil poder comparar as razões pró e contra, no interesse da própria doutrina, e apoiar no assentimento da maioria o julgamento que se pode fazer do valor de certas comunicações.
(Revista Espírita, 1862, p. 38.)
REVISTA ESPÍRITA
Jornal de Estudos Psicológicos
Publicada sob a direção de ALLAN KARDEC
ANO SÉTIMO – 1864

TRADUÇÃO DE EVANDRO NOLETO BEZERRA

FEB