sexta-feira, 23 de junho de 2017


Ofendido

 

 

"Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecara contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?"

Mateus, 18: 21.

 

"Se alguém te ofendeu, perdoa, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes."

O ensinamento do Cristo define com clareza as vantagens potenciais da criatura insultada ou incompreendida.

Por isso mesmo, não traça o Divino Mestre quaisquer obrigações de caráter imediato para os ofensores, de vez que todos aqueles que ferem os outros esculpem para logo, na própria alma, os estigmas da culpa. E toda culpa é sempre fator de enfermidade ou perturbação.

Em todo processo de ofensa, quem a recebe se encontra num significativo momento de Vida Espiritual; é quem dispõe do privilégio de desfazer as trevas dos gestos impensados, suscetíveis de se alastrarem em desequilíbrio; quem guarda a possibilidade de preservar a coesão e a harmonia do grupo em que se integra; quem conserva as rédeas da defesa íntima de quantos lhe usufruam a amizade e a convivência, ainda capazes de reações inconvenientes ou negativas à frente da injúria; quem efetivamente pode auxiliar o ofensor, através da bondade e do entendimento com que lhe acolhe as agressões; e quem, por fim, consegue beneficiar-se, resguardando o próprio coração, por imunizá-lo contra a queda em revide ou violência.

O ofendido, entretanto, tão somente obterá tudo isso, caso se disponha a esquecer o mal e perdoar o adversário, prosseguindo sem reclamar na construção incessante do bem e na sustentação da harmonia, porque, toda vez em que nos transformamos levianamente em ofensores, passamos à posição de doentes da alma, necessitados de compaixão e de socorro, a fim de que não venhamos a cair em condição pior.

 

O Evangelho no Coração...

 

 Quando o Evangelho vive somente em nossa cabeça, sofremos o perigo de queda nas discussões infindáveis, porque a intemperança mental e a vaidade sempre fazem a boa vizinhança.

 

PERANTE JESUS

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

EMMANUEL

quinta-feira, 22 de junho de 2017


Tribulações e Problemas

Emmanuel

 

Dizes, muitas vezes, que tens a vida repleta de problemas.

Entretanto, os problemas que venhamos a encontrar foram criados por nós mesmos.

Decorrem de nossas iniciativas.

Interpretados por frutos de nossas escolhas, serão eles de hoje, de ontem ou de outras eras, nas quais tenhamos tido outras vivências.

 

O terreno da mente é infinito e o espírito permanece acima de todos os condicionamentos terrestres.

A semente plantada apresenta os resultados que lhe dizem respeito.

Existem sementes e sementes.

A mostarda cresce e produz por algum tempo. A sequóia vive por milhares de anos.

E tanto é possível aproveitar a mostarda em determinado dia, quanto é possível utilizar os benefícios da sequóia depois de séculos.

 

Os nossos problemas se nos revelam em forma de sofrimento.

A dor, no entanto, nos oferece a rentabilidade da experiência.

E sem as nossas próprias experiências estaremos espiritualmente em gestação, no claustro da natureza, dependendo de outras vidas para criarmos em nós a força da resolução de sermos nós mesmos, a fim de desempenhar as funções para as quais nos mentalizou o Criador. E isso ocorre porque sendo Deus, em si, conforme os propósitos da Criação Divina.

 

Não te lastimes nas atribulações a que a vida te conduza.

Através de nossos problemas é que aprendemos a conhecer-nos, habilitando-nos, perante a Eterna Sabedoria, a realizar tudo aquilo de melhor que fomos chamados a fazer.

quarta-feira, 21 de junho de 2017


 

 

Violência e Resignação

 

 

Francisco Quintanilha, motorista de caminhão, em trabalho rotineiro deixou Belém do Pará com destino a Brasília. Porém, ao aproximar-se do final de mais um árduo compromisso profissional, foi violentamente agredido, e horas depois, encontrado morto na cidade goiana de Caturaí, em 18 de fevereiro de 1979.

Como se deu o fato? Por quem? Por quê?

Estas perguntas, feitas aflitivamente pelos seus entes queridos, não encontraram respostas concretas, pois não havia testemunha do fato.

Nascido aos 16 de abril de 1931, em Guarantã, SP, Francisco deixou, em Araçatuba, SP, uma família bem constituída: sua esposa, D. Jeni Parro Quintanilha, filhos, genro, nora e netos. Bom esposo, pai a avô carinhoso, trabalhador perseverante, católico fervoroso – ele somente legou nobres exemplos e felizes recordações.

***

Não conformada com o mistério em torno do fato que arrebatou seu marido da vida física, D. Jeni dirigiu-se a Uberaba, ao encontro do médium Xavier, na esperança de receber uma resposta satisfatória do Mundo Espiritual às suas dúvidas torturantes.

Na primeira viagem colheu algum consolo, mas nenhuma notícia do Além. Mas, na seguinte, recebeu longa carta do esposo, apenas 6 meses após o seu passamento, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, na noite de 24 de agosto de 1979. Ao ouvi-la (habitualmente o médium lê aos destinatários as cartas recebidas), D. Jeni sentiu-se profundamente emocionada e feliz. Ela mesma conta: “No primeiro instante tive uma crise de choro, seguida de grande emoção pelas notícias recebidas. As palavras de meu marido trouxeram-me muita paz de espírito”.

Posteriormente, a família divulgou a mensagem, ilustrada com a foto do Sr. Francisco, colocando na primeira página do impresso o belo título: A morte é a porta para a Vida Eterna.

 

“Quando me entreguei ao Nosso Senhor, a paz me penetrou o espírito”, Francisco Quintanilha

 

Querida Jeni, Deus nos abençoe.

É preciso muita coragem para me manifestar, recordando o domingo trágico de fevereiro.

Perdoe-me, querida esposa, se ainda tenho lágrimas ao notificar-lhe que caí cumprindo meu dever de cristão, aceitando a pressão que me arrancou do corpo.

Dei abrigo a dois companheiros que rogavam socorro na estrada, mal sabendo que instalava comigo aqueles mesmos irmãos que me furtariam a vida.

Pedi compaixão para o pai de família que eu era, falei de você e em nossos filhos, e quis colocar-me de joelhos; entretanto deviam ser meus credores que não conseguiam me perdoar alguma falta cometida por mim em algum caminho do passado, que a minha memória ainda não conseguiu revisar.

Vi que me abatiam como se eu fosse um animal no matadouro, mas pensei em Deus e aceitei com resignação o golpe que me impunham. Que poder prodigioso exerce a cruz de Cristo sobre nós nas grandes horas da vida, quando a vida se abeira da morte por violência!...

Creio hoje que Jesus terá escolhido a morte assim, sob as pancadas da maldade, para fortalecer as criaturas que viessem a cair depois dele, em ciladas e golpes da Terra!

Quando me entreguei a Ele, Nosso Senhor e Mestre, depondo você e os filhos, por imaginação, nos braços de Quem, quanto Ele, é a nossa salvação e a nossa luz, a paz me penetrou o espírito e adormeci.

Depois das surpresas que se seguiram ao meu despertar, concentrei minha vida íntima em você e nos filhos, e pude vê-los, pouco a pouco, adquirindo a conformidade de que necessitávamos.

Minha avó Maria, a irmã Encarnação e o benfeitor Rodrigo me amparavam e hoje posso dizer ao Edson e à Aparecida, à Edna e ao João Carlos, ao Luiz Sérgio e a todos os nossos, que estamos em paz, você e eu, porque reconheço que prosseguimos sem discordar um do outro.

Agradeço a você, querida Jeni, e aos filhos queridos, não haverem formado um processo que me feriria o coração. Compadecermo-nos daqueles que se tornam autores da dor alheia é uma obrigação. Deus me auxiliará para que, um dia, possa de minha parte acolher os companheiros que me liquidaram a existência física, sendo útil a eles em alguma coisa, com a mesma alegria com que os recebi em nosso caminhão de trabalho.

Estou orgulhoso da família por me haver atendido a inspiração de não procurar ninguém para julgamentos que pertencem a Deus.

Estamos tranquilos porque não ferimos a ninguém, e a nossa família prossegue em harmonia para diante. Seria para nós dois um grande desgosto observar os netos crescendo com idéias de infelicidade e vingança. Sei que a Aparecida trouxe o Glauco e o Rodrigo, pois rogo a vocês dizerem a eles que o avô seguiu numa viagem para outra casa que a vontade de Deus lhe apontou.

Cessem na família a idéia de que fomos espoliados em qualquer coisa. O que seria lamentável é se eu viesse para cá remoendo o arrependimento de algum ato infeliz.

Pensemos em Jesus e sigamos com a nossa fé, sabendo que a fé cristã é uma riqueza de que podemos dispor na vida, na morte, depois da chegada ao mais Além, que é unicamente a continuação da vida na Terra mesmo. Participo à nossa filha – nossa Maria Aparecida, que a sua amiga Ione Páscoa veio em nossa companhia e agradece-lhe as lembranças.

Querida Jeni, com nosso filhos e netos abençoados, incluindo a nora e o genro que nos fazem tão felizes, rogo a você receber o coração agradecido e saudoso do seu velho e companheiros de todos os dias, que estará sempre que possível ao seu lado para vencermos juntos, tanto quanto juntos temos estado confiantes em Deus.

Sempre o esposo, sempre seu

Francisco

 

Notas e Identificações

 

1 – domingo trágico de fevereiro – Ele faleceu num domingo, 18/2/1979.

2 – deviam ser meus credores que não conseguiam me perdoar alguma falta cometida por mim em algum caminho do passado, que a minha memória ainda não conseguiu revisar. – Após a morte física, o Espírito leva algum tempo para recordar suas vidas anteriores. Evidentemente, quando redigiu a carta, o Sr. Francisco já estava ciente de que a nossa desencarnação ocorreu sob o manto das Leis Divinas, justas e sábias. (Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Cap. 5: “Bem aventurados os aflitos”.)

3 – Minha avó Maria – Falecida há muitos anos.

4 – Encarnação – Parente do Sr. Francisco.

5 – Benfeitor Rodrigo – Desconhecido da família.

6 – Edson e Aparecida – Edson Quintanilha, filho, e Maria Aparecida Ribeiro Quintanilha, nora.

7 – Edna e João Carlos – Edna Q. Baptista, filha, e João Carlos Baptista, genro.

8 – Luiz Sérgio – Luiz Sérgio Quintanilha, filho.

9 – Deus me auxiliará para que, um dia, passa acolher os companheiros que me liquidaram a existência física – Com esta compreensão, o Sr. Francisco dá-nos um exemplo marcante, revelando admirável grandeza espiritual.

10 – Estou orgulhoso da família por me haver atendido a inspiração de não procurar ninguém para julgamentos que pertencem a Deus – A sua família, de fato, não recorreu à Justiça.

11 – Gláucio e Rodrigo – Netos, filhos do casal Maria Aparecida e Edson.

12 – Ione Páscoa – Ione Páscoa Viana dos Santos, desencarnada por afogamento no Salto de Avanhandava, SP, a 12/3/1978, era vizinha e amiga da família Quintanilha.

13 – Devemos estas anotações elucidativas à entrevista feita, a nosso pedido, pelo confrade e amigo Dr. Antônio César Perri de Carvalho, residente em Araçatuba, com D. Jeni P. Quintanilha.

 

Do livro "REENCONTROS"

                                                                         
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

HERCIO MARCOS CINTRA ARANTES

ESPÍRITOS DIVERSOS

terça-feira, 20 de junho de 2017


No instante difícil

 

 

Quando a aflição te bata à porta, é natural te preocupes, no entanto, pensa igualmente naqueles que te rodeiam.

Todos eles te aguardam a coragem para que se lhes garanta a resistência.

*

Ninguém te pede a indiferença da estátua.

Roga-te a serenidade daquele que se dispõe a ser útil.

*

Quando a provação se te apresente nas características do inevitável, é que determinadas manifestações da lei de causa e feito estão em andamento, reclamando-nos adaptação à realidade que, por vezes, somente muito depois, reconheceremos como sendo aquilo de melhor que a vida nos podia oferecer.

*

Algum ente amado terá perdido a existência no Plano Físico, impondo-te espessa carga de saudades e lágrimas... Entretanto, é possível que, no futuro, venhas a considerar semelhante ocorrência à feição do resultado de uma portaria celeste, liberando a criatura que partiu de pesados sofrimentos que talvez lhe atingissem a paralisação dos movimentos ou o desequilíbrio das faculdades cerebrais.

*

Em vários episódios da experiência humana, certa pessoa querida ter-nos-á trocado a presença pela companhia de outra pessoa, esquecendo-nos, em muitas ocasiões, o carinho e o devotamento... É provável, no entanto, que, depois de algum tempo venhamos a saber que o acontecido terá sido a resultante de inspirações do Mais Alto, porquanto, aprenderemos que se essa ou aquela pessoa houvesse permanecido compulsoriamente, ao nosso lado, talvez tivesse caído nas calamidades do homicídio ou do suicídio, já que não nos é dado conhecer o íntimo daqueles que nos compartilham a vida.

*

Em qualquer crise da existência, conserva a calma construtiva, de vez que os nossos estados mentais são contagiosos e, asserenando os outros, estaremos especialmente agindo em auxílio a nós.

*

Ainda que os amigos de outro tempo não te reconheçam em teus dias de inquietação, Deus te vê, provendo-te de recursos, segundo as tuas necessidades.

 

PACIÊNCIA

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

EMMANUEL

segunda-feira, 19 de junho de 2017


ESTUDO DA PARÁBOLA

 

Comentávamos a necessidade da divulgação da Doutrina Espírita, quando o rabí Zoan ben Ozias, distinto orientador israelita, hoje consagrado às verdades do Evangelho no Mundo Espiritual, pediu licença a fim de parafrasear a parábola dos talentos, contada por Jesus, e falou, simples:

- Meus amigos, o Senhor da Terra, partindo, em caráter temporário, para fora do mundo, chamou três dos seus servos e, considerando a capacidade de cada um, confiou-lhes alguns dos seus próprios bens, a título de empréstimo, participando-lhes que os reencontraria, mais tarde, na Vida Superior...

Ao primeiro transmitiu o Dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade e o Prestígio; ao segundo concedeu a Inteligência e a Autoridade, e ao terceiro entregou o Conhecimento Espírita.

Depois de longo tempo, os três servidores, assustados e vacilantes, compareceram diante do Senhor para as contas necessárias.

O primeiro avançou e disse:

- Senhor, cometi muitos disparates e não consegui realizar-te a vontade, que determina o bem para todos os teus súditos, mas, com os cinco talentos que me puseste nas mãos, comecei a cultivar, pelo menos com pequeninos resultados, outros cinco, que são o Trabalho, o Progresso, a Amizade, a Esperança e a Gratidão, em alguns dos companheiros que ficaram no mundo... Perdoa-me, ó Divino Amigo, se não pude fazer mais!...

O Senhor respondeu tranquilo:

- Bem está, servo fiel, pois não erraste por intenção... Volta ao campo terrestre e reinicia a obra interrompida, renascendo sob o amparo das afeições que ajudaste.

Veio o segundo e alegou:

- Senhor, digna-te desculpar-me a incapacidade... Não te pude compreender claramente os desígnios que preceituam a felicidade igual para todas as criaturas e perpetrei lastimáveis enganos... Ainda assim, mobilizei os dois valores que me deste e, com eles, angariei outros dois que são a Cultura e a Experiência para muitos dos irmãos que permanecem na retarguada...

O Excelso Benfeitor replicou, satisfeito:

- Bem está, servo fiel, pois não erraste por intenção... Volta ao campo terrestre e reinicia a obra interrompida, renascendo sob o amparo das afeições que ajuntaste.

O terceiro adiantou-se e explicou:


- Senhor, devolvo-te o Conhecimento Espírita, intocado e puro, qual o recebi de tua munificência... O Conhecimento Espírita é Luz, Senhor, e, com ele, aprendi que a tua Lei é obra dura demais, atribuindo a cada um conforme as próprias obras. De que modo usar uma lâmpada assim, brilhante e viva, se os homens na Terra estão divididos por pesadelos de inveja e ciúme, crueldade e ilusão? Como empregar o clarão de tua verdade
sem ferir ou incomodar? e como incomodar ou ferir, sem trazer deploráveis consequências para mim próprio? Sabes que a Verdade, entre os homens, cria problemas onde aparece... Em vista disso, tive medo de tua Lei e julguei como sendo a medida mais razoável para mim o acomodar-me com o sossego de minha casa... Assim pensando, ocultei o dom que me recomendaste aplicar e restituo-te semelhante riqueza, sem o mínimo toque de minha parte!...

O Sublime Credor, porém, entre austero e triste, ordenou que o tesouro do Conhecimento Espírita lhe fôsse arrancado e entregou, de imediato, aos dois colaboradores diligentes que se encaminhariam para a Terra, de novo, declarando, incisivo:

- Servo infiel, não existe para a tua negligência outra alternativa senão a de recomeçares toda a tua obra pelos mais obscuros entraves do principio...

- Senhor!... Senhor!... – chorou o servo displicente. – Onde a tua equidade? Deste aos meus companheiros o Dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade, o Prestígio, a Inteligência e a Autoridade, e a mim concedeste tão-só o Conhecimento Espírita... Como fazes cair sobre mim todo o peso de tua severidade?

O Senhor, entretanto, explicou, brandamente:

- Não desconheces que te atribuí a luz da Verdade como sendo o bem maior de todos. Se ambos lhes faltava o discernimento que lhes podias ter ministrado, através do exemplo, de que fugiste por medo da responsabilidade de corrigir amando e trabalhar instruindo...

Escondendo a riqueza que te emprestei, não só te perdeste pelo temor de sofrer e auxiliar, como também prejudicaste a obra deficitária de teus irmãos, cujos dias no mundo teriam alcançado maior rendimento no Bem Eterno, se houvessem recebido o quinhão de amor e serviço, humildade e paciência que lhes negaste!...

- Senhor!... Senhor!... porquê? – soluçou o infeliz – porque tamanho rigor, se a tua Lei é de Misericórdia e Justiça.

Então, os assessores do Senhor conduziam o servo desleal para as sombras do recomeço, esclarecendo a ele que a Lei, realmente, é disciplina de Misericórdia e Justiça, mas com uma diferença: para os ignorantes do dever. A Justiça chega pelo alvará da Misericórdia; mas, para as criaturas conscientes das próprias obrigações, a Misericórdia chega pelo cárcere da Justiça.

Estante da Vida
Irmão X
Francisco Cândido Xavier

domingo, 18 de junho de 2017

Tarefas humildes

Reunião pública de 31-7-61 1ª Parte, cap. VIII, item 13
Anseias, em verdade, pela grande sublimação.
Anotaste a biografia dos paladinos da solidariedade e ambicionas comungar-lhes a experiência.
Choraste, sob forte emoção, ao conhecer-lhes a vida, nos lances mais duros, e quiseras igualmente desprender o coração de todos os laços inferiores.
*
Recordas Vicente de Paulo, o herói da beneficência, olvidando possibilidades de dominação política, a fim de proteger os necessitados.
Pensas em Florence Nightingale, a mulher admirável que esteve quase um século entre os homens, dedicando-se aos feridos e aos doentes, sem quaisquer intenções subalternas.
Refletes em Damião, o apóstolo que se esqueceu da própria mocidade, para entregar-se ao conforto dos nossos irmãos enfermos de Molokai.
Meditas em Gandhi, o missionário da não-violência, que renunciou a todos os privilégios, a fim de ajudar a libertação do povo.
*
Sabes que todos os campeões da fraternidade no mundo nunca se acomodaram a expectação improdutiva. Em razão disso, estimarias seguir-lhes, imediatamente, o rastro luminoso; entretanto, trazes ainda a alma presa a pequeninas obrigações que não podes menosprezar... Não te amofines, porém, diante delas. Todas as dificuldades e todos os dissabores do caminho terrestre são provas e medidas da tua capacidade moral para a Estrada Gloriosa.
Chão relvoso é começo de floresta.
Humanidade é sementeira de angelitude.
Penetremos o bem verdadeiro para que o bem verdadeiro penetre em nós.
É indispensável que o espírito aprenda a ser grande nas tarefas humildes, para que saiba ser humilde nas grandes tarefas.
Na relatividade dos conceitos humanos, ninguém, na Terra, pode ser bom para todos; contudo, ninguém existe que não possa iniciar-se, desde já, na virtude, sendo bom para alguém.

Francisco Cândido Xavier
 
Justiça Divina
 
Estudos e dissertações em torno da obra
“O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec
 
Ditado pelo Espírito
Emmanuel
 

sábado, 17 de junho de 2017


Sorriso
 
Onde estiveres, seja onde for, não olvides estender o sorriso, por oferta sublime da própria alma.
Ele é o agente que neutraliza o poder do mal e a oração inarticulada, que inibe a extensão das trevas.
Com ele, apagarás o fogo da cólera, cerrando a porta ao incêndio da crueldade.
Por ele, estenderás a plantação da esperança, soerguendo almas caídas na sombra, para que retornem à luz.
Em casa, é a benção da paz, na lareira da confiança.
No trabalho, é música silenciosa incentivando a cooperação.
No mundo, é chamamento de simpatia.
Sorri para a dificuldade e a dificuldade transformar-se-á em socorro de tua vida.
Sorri para a nuvem, e ainda mesmo que a nuvem se desfaça em chuva de lágrimas nos teus olhos, o pranto será conforto do Céu, a fecundar-te os campos do coração.
Não te roga o desesperado a solução do enigma de sofrimento que lhe persegue o destino. Implora-te um sorriso de amor, que renove as forças, para que prossiga em seu atormentado caminho.
E, em verdade, se os famintos e os nus te pedem pão e agasalho, esperam de ti, acima de tudo, o sorriso de ternura e compreensão que lhes acalme chagas ocultas.
Não te perturbem as criaturas que se arrojam aos precipícios da violência e do crime. Oferece-lhes o sorriso generoso da fraternidade, que ajuda incessantemente, e voltar-se-ão, renovadas, para o roteiro do bem.
Sorri, trabalhando e aprendendo, auxiliando e amando sempre.
Lembra-te de que o sorriso é o orvalho da caridade e que em cada manhã, o dia renascente no Céu é um sorriso de Deus.
 
SENTINELAS DA ALMA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
MEIMEI

sexta-feira, 16 de junho de 2017


SAÚDE

 

Joaquim Murtinho

 

Se o homem compreendesse que a saúde do corpo é reflexo da harmonia espiritual, e se pudesse abranger a complexidade dos fenômenos íntimos que o aguardam além da morte, certo se consagraria à vida simples, com o trabalho ativo e a fraternidade legitima por normas de verdadeira felicidade.

 

A escravização aos sintomas e aos remédios não passa, na maioria das ocasiões, de fruto dos desequilíbrios a que nos impusemos.

 

Quanto maior o desvio, mais dispendioso o esforço de recuperação. Assim, também, cresce o número das enfermidades à proporção que se nos multiplicam os desacertos, e, exacerbadas as doenças, tornam-se cada vez mais difíceis e complicados os processos de tratamento, levando milhões de criaturas a se algemarem a preocupações e atividades que adiam, indefinidamente, a verdadeira obra de educação que o mundo necessita.

 

O homem é inquilino da carne, com obrigações naturais de preservação e defesa do patrimônio que temporariamente usufrui.

 

Não se compreende que uma pessoa instruída amontoe lixo e lama, ou crie insetos patogênicos no próprio âmbito doméstico.

 

Existe, no entanto, muita gente de boa leitura e de hábitos respeitáveis que não se lhe dá atochar dos mais vários tóxicos a residência corpórea e que não acha mal no libertar e cólera e a irritação, de minuto a minuto, dando pasto a pensamentos aviltantes, cujos efeitos por muito tempo se fazem sentir na vida diária.

 

Sirvamo-nos deste símbolo, para estender-nos em mais simples considerações. Se sabemos imprescindível a higiene interna da casa, por que não movermos o espanador da atividade benéfica, desmanchando as teias escuras das idéias tristes? Por que não fazer ato salutar do uso da água pura, em vasta escala, beneficiando os mais íntimos escaninhos do edifício celular e atendendo igualmente ao banho diário, no escrúpulo do asseio? Se nos desvelamos em conservar o domicílio suficientemente arejado, por que não respirar, a longos haustos, o oxigênio tão puro quanto possível, de modo a facilitar a vida dos pulmões?

 

Quem construa uma habitação, cogita, não somente bases sólidas, que a suportem, senão da orientação, de tal jeito que a luz do sol a envolva e penetre profundamente; jamais voltaria esse alguém a situar o ambiente doméstico numa caverna de troglodita.

 

Analogamente, deve o homem assentar fundamentos morais seguros, que lhe garantam a verdadeira felicidade, colocando-se, no quadro social onde vive, de frente voltada para os ideais luminosos e santificantes, de modo que a divina inspiração lhe inunde as profundezas da alma.

 

 

Freqüentemente a moradia das pessoas cuidadosas e educadas se exorna, em seu derredor, de plantas e de flores que encantam o transeunte, convidando-o à contemplação repousante e aos bons pensamentos.

 

Por que não multiplicar em torno de nós os gestos de gentileza e de solidariedade, que simbolizam as flores do coração?

 

Ninguém é tentado a descansar ou a edificar-se em recintos empedrados ou espinhosos.

 

Assim também, a palavra agradável que proferimos ou recebemos, as manifestações de simpatia, as atitudes fraternais e a compreensão sempre disposta a auxiliar, constituem recursos medicamentosos dos mais eficientes, porque a saúde, na essência, é harmonia de vibrações.

 

Quando nossa alma se encontra realmente tranqüila, o veículo que lhe obedece está em paz.

 

A mente aflita despede raios de energia desordenada que se precipitam sobre os órgãos à guisa de dardos ferinos, de conseqüências deploráveis para as funções orgânicas.

 

O homem comumente apenas registra efeitos, sem consignar as causas profundas.

 

E que dizer das paixões insopitadas, das enormes crises de ódio e de ciúme, dos martírios ocultos do remorso, que rasgam feridas e semeiam padecimentos inomináveis na delicada constituição da alma?

 

Que dizer relativamente à hórrida multidão dos pensamentos agressivos duma razão desorientada, os quais tanto malefício trazem, não só ao indivíduo, mas,  igualmente, aos que se achem com ele sintonizados?

 

O nosso lar de curas na vida espiritual vive repleto de enfermos desencarnados.

 

Desencarnados embora, revelam psicoses de trato difícil.

 

A gravitação é lei universal, e o pensamento ainda é matéria em fase diferentes daquelas que nos são habituais. Quando o centro de interesses da alma permanece na Terra, embalde se lhe indicará o caminha das alturas.

 

Caracteriza-se a mente também, por peso específico, e é na própria massa do Planeta que o homem enrodilhado em pensamentos inferiores se demorará, depois da morte, no serviço de purificação.

 

Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.

 

Os ensinamentos da fé constituem receituário permanente para a cura positiva das antigas enfermidades que acompanham a alma, século trás séculos.

 

Todos os sentimentos que nos ponham em desarmonia com o ambiente, onde fomos chamados a viver, geram emoções que desorganizam, não só as colônias celulares do corpo físico, mas também o tecido sutil da alma, agravando a anarquia do psiquismo. Qualquer criatura, conscientemente ou não, mobiliza as faculdades magnéticas que lhe são peculiares nas atividades do meio em que vive. Atrai e repele. Do modo pelo qual se utiliza de semelhantes forças depende, em grande parte, a conservação dos fatores naturais de saúde.

 

O espírito rebelde ou impulsivo que foge às necessidades de adaptação, assemelha-se a um molinete elétrico, armado de pontas, cuja energia carrega e, simultaneamente, repele as moléculas do ar ambiente; assim, esse espírito cria em torno de si um campo magnético sem dúvida adverso, o qual, a seu turno, há de repeli-lo, precipitando-o numa “roda-viva” por ele mesmo forjada.

 

Transformando-se em núcleo de correntes irregulares, a mente perturbada emite linhas de força, que interferirão como tóxicos invisíveis sobre o sistema endocrínico, comprometendo-se a normalidade das funções.

 

Mas não são somente a hipófise, a tireóide ou as cápsulas supra-renais as únicas vítimas da viciação. Múltiplas doenças surgem para a infelicidade do espírito desavisado que as invoca. Moléstias como o aborto; a encefalite letárgica, a esplenite, a apoplexia cerebral, a loucura, a nevralgia, a tuberculose, a Coréia, a epilepsia, a paralisia, as afecções do coração, as úlceras gástricas e as duodenais, a cirrose, a icterícia, a histeria e todas as formas de câncer podem nascer dos desequilíbrios do pensamento.

 

Em muitos casos, são inúteis quaisquer recursos medicamentosos, porquanto só a modificação do movimento vibratório da mente, à base de ondas simpáticas, poderá oferecer ao doente as necessárias condições de harmonia.

 

Geralmente, a desencarnação prematura é o resultado do longo duelo vivido pela alma invigilante; esses conflitos prosseguem na profundeza da consciência, dificultando a ligação entre a alma e os poderes restauradores que governam a vida.

 

A extrema vibratilidade da alma produz estados de hipersensibilidade, os quais, em muitas circunstâncias, se fazem seguir de verdadeiros desastres organopsíquicos.

 

O pensamento, qualquer que seja a sua natureza, é uma energia, tendo, conseguintemente, seus efeitos.

 

Se o homem cultivasse a cautela, selecionando inclinações e reconhecendo o caráter positivo das leis morais, outras condições, menos dolorosas e mais elevadas, lhe presidiriam à evolução.

 

É imprescindível, porém, que a experiência nos instrua individualmente. Cada qual em seu roteiro, em sua prova, em sua lição.

 

Com o tempo aprenderemos que se pode considerar o corpo como o “prolongamento do espírito”, e aceitaremos no Evangelho do Cristo o melhor tratado de imunologia contra todas as espécies de enfermidade.

 

Até alcançarmos, no entanto, esse período áureo da existência na Terra, continuemos estudando, trabalhando e esperando.

 

FALANDO A TERRA

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

ESPÍRITOS DIVERSOS