domingo, 11 de dezembro de 2011

O MAIOR SERVIDOR


Natércio

O MAIOR SERVIDOR


Presente à reunião familiar, Filipe, em dado instante, perguntou ao Divino Mestre: — Senhor, qual é o maior servidor do Pai entre os homens na Terra? Jesus refletiu alguns minutos e contou: — Grande multidão se congregava em extenso campo, quando aí estacionou famoso guerreiro carregado de espadas e medalhas, que passou a dar lições de tática militar, concitando os circunstantes ao aprendizado da defesa.

O povo começou a fazer exercícios laboriosos, dando saltos e entregando-se a perigosas corridas, sem proveito real; todavia, continuou como dantes, sem rumo e sem júbilo, perdendo muitos jovens nas atividades preparatórias de guerra provável.

Logo depois, apareceu na mesma região um grande político, com pesada bagagem de códigos, e dividiu a massa em vários partidos, declarando-se os moços contra os velhos, os lares pobres contra os ricos, os servos contra os mordomos, e, não obstante a sementeira de benefícios materiais, introduzidos na zona pela competição dos grupos entre si, o político seguiu adiante, deixando escuros espinheiros de ódio, desengano e discórdia entre os seus colaboradores.

Depois dele, surgiu um filósofo, sobraçando volumosos alfarrábios e dividiu o povo em variadas escolas de crença que, em breve, propagavam infrutíferas discussões nos círculos de toda gente; a multidão duvidou de tudo, até mesmo da existência de si própria.

A filosofia, sem dúvida, apresentava singulares vantagens, destacando-se a do estímulo ao pensamento, mas as perturbações de que se fazia acompanhar eram das mais lastimáveis, legando o filósofo muitas indagações inúteis aos cérebros menos aptos ao esforço de elevação.

Em seguida, compareceu um sacerdote, munido de roupagens e símbolos, que forneceu muitas regras de adoração ao Pai.

O povo aprendeu a dobrar os joelhos, a lavar-se e a suplicar a proteção divina, em horas certas.

Entretanto, todos os problemas fundamentais da comunidade permaneceram sem alteração.

No extenso domínio, não havia diretrizes ao trabalho, nem ânimo consciente, nem valor, nem alegria.

A doença e a morte, a necessidade e a ignorância eram fantasmas de toda a gente.

Certo dia, porém, apareceu ali um homem simples.

Não trazia armas, nem escrituras, nem discussões e nem imagens, mas pelo sorriso espontâneo revelava um coração cheio de boa-vontade, guiando as mãos operosas.

Não pregava doutrinas espetacularmente; todavia, nos gestos de bondade pura e constante, rendia culto sincero ao Todo-Poderoso.

Começou a evidenciar-se, lavrando uma nesga do campo e adornando-a de flores e frutos preciosos.

Conversava com os seus companheiros de luta, aproveitando as horas no ensinamento fraterno e edificante e transmitia suas experiências a todos os que se propusessem ouvi-lo.

Aperfeiçoou a madeira, plantou árvores benfeitoras, construiu casas e instalou uma escola modesta.

Em breve, ao redor dele, viçavam a saúde e a paz, a fraternidade e as bênçãos do serviço, a prosperidade e o contentamento de viver.

Com o espírito de trabalho e educação que ele difundia, a defesa era boa, a política ajudava, a filosofia era preciosa e o sacerdócio era útil, porque todas as ações, no campo, permaneciam agora presididas pelo santo imperativo da execução do dever pessoal no bem de todos.

Calou-se o Cristo, mas a assistência reduzida não ousou qualquer indagação.

Após contemplar o horizonte longínquo, em longos instantes de pensamento mudo, o Mestre terminou: — Em verdade, há muitos trabalhadores no mundo que merecem a bênção do Céu pelo bem que proporcionam ao corpo e à mente das criaturas, mas aquele que educa o espírito eterno, ensinando e servindo, paira acima de todos.

Néio Lúcio.
Chico Xavier
Livro: Jesus no Lar, lição 7


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