sábado, 15 de agosto de 2009

A primeira Comunidade Cristã

A Casa do Caminho foi indubitavelmente a primeira comunidade Cristã na história da humanidade. Simão Pedro o seu fundador, presidiu-lhe os destinos, coadjuvado pelos apóstolos Natanael (Bartolomeu), Thiago (filho de Zebedeu), Filipe e João. Os demais apóstolos demoraram pouco tempo pois saíram para difundir o evangelho de Jesus entre os povos gentios, sendo na sua maioria martirizados.

Conta-se que o casarão principal era um pavilhão singelo não mais que um grande telheiro revestido de paredes frágeis, carentes de todo e qualquer conforto. Chegou mais tarde João Marcos, um auxiliar direto de Pedro.

O colegiado apostolar compreendendo a extensão das tarefas que lhes cabiam, buscou mais cooperadores. Não consideravam justo deixar a palavra de Jesus para servirem às mesas. Vieram os diáconos representados por Estevão, Prócoro, Nicanor, Parmenas, Nicolau, Timon e Barnabé. Foi construída uma casa em anexo para as atividades de oração e evangelho.

"E era um só o coração e a alma da multidão dos que criam e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comum. Não havia pois, entre eles necessitado algum: por que todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se por cada um, segundo a necessidade que cada um tinha".

A Casa do Caminho era uma plantinha tenra, oriunda de uma semente divina, a enfrentar titânicos embates, num ambiente hostil e adverso.

De um lado eram mais de cem pessoas recebendo alimentação diária, além dos serviços de assistência aos enfermos, aos órfãos e aos desamparados de uma forma igual e entre eles, prostitutas, criaturas de má conduta, loucos incuráveis e viciados de variados matizes. De outro lado, a perseguição atroz do judaísmo o que obrigou a uma relação de permanentes concessões.

Existiu assim a dependência monetária da sociedade judia para manutenção da obra.

O apóstolo Paulo, quando em visita a Jerusalém, consternado com a situação da Casa do Caminho, em diálogo com Pedro, obtemperou: "precisamos encontrar um meio de libertar as verdades evangélicas do convencionalismo humano. Precisamos instalar aqui, elementos de serviço que habilitem a casa a viver de recursos próprios. Os órfãos, os velhos e os homens aproveitáveis poderão encontrar atividades além dos trabalhos agrícolas e produzir alguma coisa para a renda indispensável. Cada qual trabalharia de conformidade com as próprias forças, sob a direção de irmãos mais experimentados. Como sabemos, onde há trabalho, há riqueza, e onde há cooperação, há paz. É o único recurso para emancipar a igreja de Jerusalém das imposições do farisaismo, cujas artimanhas conheço desde o princípio de minha vida"! Ademais, aduziu Paulo: "Barnabé e eu poderemos retornar aos lugares visitados (igrejas recém-fundadas), além de buscar outros, na expectativa de ajuntarmos recursos para parte das necessidades da Igreja de Jerusalém".

Paulo entendeu como insuficientes os esforços narrados por Pedro: "organizei serviços de plantação para os reestabelecidos e impossibilitados de se ausentarem logo de Jerusalém. Com isto a Casa não tem necessidade de comprar hortaliças e frutas. Quanto aos melhorados, vão tomando os encargos de enfermeiros dos menos favorecidos da saúde. Como vês, estes detalhes não foram esquecidos e mesmo assim a igreja está onerada de despesas e dívidas que só a cooperação do judaísmo pode atenuar ou desfazer".

Noutra passagem pela Casa do Caminho, Paulo admoestou: "poderemos atender a muitos doentes, ofertar um leito de repouso aos mais infelizes; mas sempre houve e haverá corpos enfermos e cansados na Terra. Na tarefa cristã, semelhante esforço não pode ser esquecido, mas a iluminação do espírito deve estar em primeiro lugar. Se o homem trouxesse o Cristo no íntimo, o quadro das necessidades seria completamente modificado".

Sabemos que as igrejas se multiplicaram, porém a Casa do Caminho em face as injunções humanas e, pela ausência do Conselho de Apóstolos e presbíteros, sem dizer das perseguições malévolas do sacerdócio organizado do judaísmo, fizeram-na ruir no tempo, frustrando o exemplo lídimo para a humanidade de um novo sistema de viver em comunidade. A Casa do Caminho foi um marco na história do Cristianismo e um exemplo inesquecível do espírito da abnegação e da fraternidade.

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