sexta-feira, 24 de maio de 2019


APRENDIZES E ADVERSÁRIOS

Jonathan, Jessé e Eliakim, funcionários do, Templo de Jerusalém, passando por Cafarnaum, procuraram Jesus no singelo domicílio de Simão Pedro.

Recebidos pelo Senhor, entregaram-se, de imediato, à conversação.

 ― Mestre ― disse o primeiro ―, soubemos que a tua palavra traz ao mundo as Boas Novas do Reino de Deus e, entusiasmados com as tuas concepções, hipotecamos ao teu ministério o nosso aplauso irrestrito. Aspiramos, Senhor, à posição de discípulos teus...

Não obstante as obrigações que nos prendem ao sagrado Tabernáculo de Israel, anelamos servir-te, aceitando-te as idéias e lições, com as quais seremos colunas de tua causa na cidade eleita do Povo Escolhido... Contudo, antes de solenizar nossos votos, desejamos ouvir-te quanto à conduta que nos compete à frente dos inimigos...

― Messias, somos hostilizados por terríveis desafetos, no Santuário ― exclamou o segundo ―, e, extasiados com os teus ensinamentos, estimaríamos acolher-te a orientação.

― Filho de Deus ― pediu o terceiro ―, ensina-nos como agir...

Jesus meditou alguns instantes, e respondeu:

― Primeiramente, é justo considerar nossos adversários como instrutores. O inimigo vê junto de nós a sombra que o amigo não deseja ver e pode ajudar-nos a fazer mais luz no caminho que nos é próprio. Cabe-nos, desse modo, tolerar-lhe as admoestações, com nobreza e serenidade, tal qual o ferro, que após sofrer, paciente, o calor da forja, ainda suporta os golpes do malho com dignidade humilde, a fim de se adaptar à utilidade e à beleza.
Os visitantes entreolharam-se, perplexos, e Jonathan retomou a palavra, perguntando:

― Senhor, e se somos injuriados?

― Adotemos o perdão e o silêncio ― disse Jesus. ― Muita gente que insulta é vítima de perturbação e enfermidade.

― E se formos perseguidos? ― indagou Jessé.

― Utilizemos a oração em favor daqueles que nos afligem, para que não venhamos a cair no escuro nível da ignorância a que se acolhem.

― Mestre, e se nos baterem, esmurrarem? ― interrogou Eliakim. ― que fazer se a violência nos avilta e confunde?

―Ainda assim ―esclareceu o brando interpelado ―, a paz íntima deve ser nosso asilo e o amor fraterno a nossa atitude, porquanto, quem procura seviciar o próximo e dilacerá-lo está louco e merece compaixão.

― Senhor ― insistiu Jonathan ―, que resposta oferecer, então, à maledicência, à calúnia e à perversidade?

O Cristo sorriu e precisou:

― O maledicente guarda consigo o infortúnio de descer à condição do verme que se alimenta com o lixo do mundo, o caluniador traz no coração largas doses de fel e veneno que lhe flagelam a vida, e o perverso tem a infelicidade de cair nas armadilhas que tece para os outros. O perdão é a única resposta que merecem, porque são bastante desditosos por si mesmos. 

― E que reação assumir perante os que perseguem? ― inquiriu Jessé, preocupado.

― Quem persegue os semelhantes tem o espírito em densas trevas e mais se assemelha ao cego desesperado que investe contra os fantasmas da própria imaginação, arrojando-se ao fosso do sofrimento.

Por esse motivo, o socorro espiritual é o melhor remédio para os que nos atormentam...

― E que punição reservar aos que nos ferem o corpo, assaltando-nos o brio? ― perguntou Eliakim espantado. ― Refiro-me àqueles que nos vergastam a face e fazem sangrar o peito...

― Quem golpeia pela espada, pela espada será golpeado também, até que reine o Amor Puro na Terra ― explicou o Mestre, sem pestanejar. ― Quem se rende às sugestões do crime é um doente perigoso que devemos corrigir com a reclusão e com o tratamento indispensável. O sangue não apaga o sangue e o mal não retifica o mal...

E, espraiando o olhar doce e lúcido pelos circunstantes, continuou:

― É imperioso saibamos amar e educar os semelhantes com a força de nossas convicções e conhecimentos, a fim de que o Reino de Deus se estenda no mundo... As Boas Novas de Salvação esperam que o santo ampare o pecador, que o são ajude o enfermo, que a vítima auxilie o verdugo...

Para isso, é imprescindível que o perdão incondicional, com o olvido de todas as ofensas, assegure a paz e a renovação de tudo...

Nesse ínterim, uma criança doente chorou em alta voz num aposento contíguo.

O Mestre pediu alguns instantes de espera e saiu para socorrê-la, ,as, ao regressar, debalde buscou a presença dos aprendizes fervorosos e entusiastas.

Na sala modesta de Pedro não havia ninguém.

IRMÃO  X
Do livro Contos Desta e Doutra Vida
Psicografia de Francisco CÂNDIDO Xavier

quinta-feira, 23 de maio de 2019


Abrigo Ideal

E tudo vai passando, como sempre dizes,
Os dias de infortúnio e os movimentos felizes.

Tempos de infância, belos e risonhos
Envaíram-se todos, tais quais sonhos
Que não consegues explicar;
O lar de agora já não te parece
O mesmo antigo lar
Em que o colo de mãe, na luz da prece,
Inteiro se te abria,
Sustentando-te a paz no clarão da alegria...

Onde ouvir novamente as vozes que, à noitinha,
Uniam-se-te à voz inocente a cantar:
- “Oh! ciranda, cirandinha.
Vamos todos cirandar!...”

Fitavam-te, na marcha dos instantes,
Estrelas cintilantes,
Como a notar-te o sentimento puro
E a te indicarem, sem que percebesses,
As estradas difíceis do futuro.

A juventude plena de ansiedade
Passou, qual luminosa floração
E indagas onde estão
Os planos da primeira mocidade...

Refletes nas queridas afeições
No ponto solitário em que te pões...

Quantos amigos desertaram
Da senda em que persistes?
Quantos julgaram tristes
As tarefas que abraças?
E largaram-te, a sós, dizendo-se à procura
Do prazer, do renome e da ventura?!...
Enquanto passas,
No serviço de sempre,
De coração ao desalinho,
Perguntas, muitas vezes, quantos lábios
Ouviste transformados no caminho,
Lábios que te falavam, ontem, de ternura,
Em promessas de apoio e de carinho
E hoje te comunicam amargura,
Acusação, queixa e censura,
Impondo-te incerteza e incompreensão?
E os outros que, em magoada despedida,
Deixaram-te no mundo, em busca de outra vida,
Dando-te a inquietação constante que te invade
Pela chama invisível da saudade?!...

E tudo vai passando, tal qual dizes,
Os instantes felizes e infelizes,
Entretanto, alma irmã, de pés sangrando embora,
Segue amando e servindo, tempo afora...
Nada te impeça caminhar
Para a sublimação que te pede lutar,
Esculpindo, em ti mesmo, o amor cuja beleza
Palpita em tua própria natureza.

Não contes desengano, prova, idade...
Segue e não temas,
Quem serve encontra em todos os problemas
Motivação para a felicidade.

E quando tudo te pareça
Saudade e solidão
Na bruma que te envolva o coração,
Entra no claro abrigo que reténs,
Que se te faz no mundo o mais alto dos bens,
Riqueza em luz e paz que ninguém desarruma
E nunca sofre alteração alguma...
Esse refúgio ideal que te descansa
Nos tesouros de tudo quanto é teu,
É a bênção de servir que te guarda a esperança
No trabalho do bem que Deus te concedeu...

MARIA DOLORES

CAMINHOS DO AMOR

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

quarta-feira, 22 de maio de 2019


NA LEI DO BEM

Perguntas, muita vez, de alma inquieta, que vem a ser o bem, tão diversas surgem as interpretações, ao redor do bem, por toda parte.
Entendamos, contudo, que o bem genuíno será sempre o bem que possamos prestar na obra do bem aos outros.
Colheste pedradas, na construção a que te dedicas; no entanto, compadeces-te da mão que te ultraja, interpretando-lhe os golpes por sintomas de enfermidade.
Ouviste frases insultuosas, em torno do teu nome, e registras a agressão por loucura daqueles que as pronunciam, sem alterar-te no auxílio a eles.
Sofreste assalto, na tarefa que realizas, mas não te revoltas contra a injúria dos que te invadem a seara de esforço nobre, trabalhando sem mágoa, no clima da tolerância.
Podes falar, com razão, a palavra acusadora contra o adversário que te feriu; contudo, reconheces a ofensa por crise de ignorância e, nem de leve, te afastas da desculpa irrestrita.
Tens bastante merecimento para destaque e ocultas-te, na atividade silenciosa, sem fugir à cooperação, junto daqueles que te dirigem.
Conservas a possibilidade de reter o melhor quinhão de vantagens e não te lembras disso, ofertando o melhor de ti mesmo aos que te comungam a experiência.
O bem é luz que se expande, na medida do serviço de cada um ao bem de todos, com esquecimento de todo mal.
Sem afetação de santidade, ajudemos o próximo, a fim de que o próximo aprenda a ajudar-se.
Sem cartaz de virtude, olvidemos as faltas alheias, reconhecendo que poderiam ser nossas, diante das fraquezas que carregamos ainda.
Recorda que, se há espíritos transviados ou injustos, em decúbito moral, através do caminho, são eles tão necessitados da parcela de teu amor quanto os famintos, a quem dás espontaneamente o prato de pão.
A felicidade real nasce, invariável, daquela felicidade com que tornamos alguém feliz.
Façamos, assim, aos outros o que desejamos nos façam eles, na convicção de que, se cuidamos da Lei do Bem, a Lei do Bem cuidará de nós.

Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Justiça Divina. Lição nº 54. Página 129.
Estudos e Dissertações em torno da substância religiosa de “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.
1ª parte, Capítulo VIII, Item 12.
Reunião pública de 28/08/1961.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Bom combate

Voltando à Pátria Espiritual, depois da morte, estamos frequentemente na condição daquele filho pródigo da parábola, de retorno à casa paterna para a bênção do amor.

Emoção do reencontro.
Alegria redescoberta.

Entretanto, em plena festa de luz, quase sempre desempenhamos o papel do conviva do cérebro deslumbrado, trazendo espinhos no coração.

Por fora, é o carinho que nos reúne.
Por dentro, é o remorso que nos fustiga.

Vanguarda que fulgura.
Retaguarda que obscurece.

Êxtase e dor.
Esperança e arrependimento.

Reconhecidos às mãos luminosas que nos afagam, muitos de nós sentimos vergonha das mãos sombrias que oferecemos.

E porque a Lei nos infunde respeito à justiça, aspiramos a debitar a nós próprios o necessário burilamento e a suspirada felicidade.

Rogamos, dessa forma, a reencarnação, à guisa de recomeço, buscando a tarefa que interrompemos e a afeição que traímos, o dever esquecido e o compromisso menosprezado, famintos de reajuste.

*
Agradece, assim, o lugar de prova em que te sintas.

Corpo doente, companheiro difícil, parente complexo, chefe amargo e dificuldade constante são oportunidades que se renovam.

Todo título exterior é instrumentação de serviço.

A existência terrestre é o bom combate.

Defeito e imperfeição, débito e culpa são inimigos que nos defrontam.

Aperfeiçoamento individual é a única vitória que não se altera.

E, em toda parte, o verdadeiro campo de luta somos nós mesmos.

Emmanuel.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Justiça Divina.

segunda-feira, 20 de maio de 2019


Basta Lembrar

Se estás na fé cristã e esperas tão somente: caminhos sem problemas, paz sem obrigações, dias de céu sempre azul, vantagens sem trabalho, conquistas sem suor, direitos sem deveres, apoio sem serviço e vida sem provações, lembra-te de Jesus.

EMMANUEL - Do livro MATERIAL DE CONSTRUÇÃO - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

domingo, 19 de maio de 2019


Aos Corações Cansados
.
A TRILHA ESTÁ CHEIA DE ESPINHOS, MAS É A TRILHA CERTA.

O CAMINHO É CANSATIVO, MAS LEVARÁ AO ALVO.
O ALVO É DISTANTE, MAS A ETERNIDADE É NOSSA GARANTIA.

AS FORÇAS SÃO LIMITADAS PARA CADA TRABALHADOR DO BEM, MAS A FÉ MOVE MONTANHAS.

A SENSAÇÃO DE SOLIDÃO ÀS VEZES NOS ACOMETE EM ALGUM RECANTO DA ESTRADA, MAS HÁ MAIS PEREGRINOS QUE SEGUEM CONOSCO, VISÍVEIS E INVISÍVEIS.

A IDEIA DE IMPOTÊNCIA NOS ASSALTA DE VEZ EM QUANDO, MAS O PODER DE DEUS É INFINITO E DELE PARTICIPAMOS, SÓ A ESCALA DE TEMPO É MAIS AMPLA DO QUE O MINUTO TERRESTRE.

O MUNDO VIVE MERGULHADO NUM TURBILHÃO DE SOMBRAS, MAS HÁ LUZES ACESAS E CADA UM DE NÓS PODE SER UMA LAMPARINA OU UM PEQUENO SOL NO CAMINHO DE NOSSOS IRMÃOS.

NÃO DESANIMEIS! PERSEVERAI!

ACALMAI VOSSAS MENTES, PORQUE É TUDO TÃO PASSAGEIRO NO MUNDO E SÓ O AMOR SE ESTENDE ALÉM E SÓ O BEM BRILHA PARA SEMPRE!

COMENIUS

MÉDIUM: DORA INCONTRI – 25/11/2017