sábado, 25 de março de 2017



Defenda-nos

 

 

Ante as forças da sombra que, porventura, te ameacem o coração, acalma-te e espera...

Se a serpente da inveja te envenena a alegria, recorda que a criatura invejada, muita vez, carreia consigo dolorosas chagas de angústia sob o manto enganoso das aparências.

Se o dragão do ciúme te espreita os passos, não olvides que todos os nossos afetos pertencem a Deus, Nosso Pai, que no-los empresta, a fim de que, através do desenvolvimento e da renúncia, venhamos a adquirir o verdadeiro amor para a eternidade.

Se a gralha do orgulho te grita mentiras ao pensamento, impelindo-te à evidência indébita, entre aqueles que te rodeiam, não te esqueças de que o tempo tudo renovará, preservando-te unicamente os valores imarcescíveis do espírito.

Se o leão invisível da cólera te absorve a emotividade, obscurecendo-te o raciocínio, certifica-te de que um minuto de desespero pode arrojar-te a muitos séculos de criminalidade e loucura.

Se as larvas da preguiça te invadem a cabeça e te imobilizam as mãos, convence-te de que um dia de inércia no bem é ganho indiscutível para o mal que nos cerca e que responderemos, em todo tempo, na Contabilidade Celeste pelo descaso das horas perdidas.

A cada instante, a mudança nos espia a existência, através de mil modos.

Guardemo-nos no serviço incessante do amor puro e simples, compreendendo que tão-só construindo a felicidade para os outros é que alcançaremos a nossa felicidade. E, buscando acender a luz divina em nós mesmos é que nos retiraremos, em definitivo, do largo desfiladeiro da ilusão e do desencanto, da culpa e do resgate, do desequilíbrio e da morte.

 

Emmanuel
 
 
PASSOS DA VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
ESPÍRITOS DIVERSOS
 

 

sexta-feira, 24 de março de 2017


Vem e Auxilia

 

Acendeste mais luz na inteligência e, por isso, consegues observar, mais longe, o campo das necessidades humanas.

*

Sabes onde se oculta a ignorância, suscitando a carência de luz e onde se alteia o brilho do conhecimento enobrecido que te faculta o reconhecimento da universalidade da vida, a prenunciar- te o júbilo da consciência cósmica.

*

Entretanto, não olvides estender a mão aos companheiros que renteiam contigo, chegando da retaguarda.

Muitos se marginalizam nas trevas por desconhecerem o caminho que já podes trilhar.

*

Ontem, igualmente tateavas.

Hoje, conheces.

Reparte o pão da luz espiritual que amealhaste, a fim de que outros se nutram dele, de modo a buscarem, por eles próprios, a riqueza das instruções que usufruis.

*

Não reproves aqueles que ainda não dispõem da força precisa, a fim de acompanhar-te.

Ei-los que te aguardam as diretrizes.

*

Sabes que ninguém adquire a elevação espiritual por osmose.

Em razão disso, todos os irmãos que vacilam na estrada, entre a negação e o sofrimento, entre a dúvida e o desânimo não te reclamam prodígios que lhes operem a renovação do mundo interior, de um momento para outro.

*

Todos eles, filhos de Deus, tanto quanto nós, são criaturas que se candidatam à escalada para a Vida Maior e, para isso, te rogam apenas o calor da simpatia e uma réstia de luz.

 

Emmanuel

quinta-feira, 23 de março de 2017

Bom combate

Reunião pública de 20-1-61
1ª parte, cap. V, item 6
Voltando à Pátria Espiritual, depois da morte, estamos frequentemente na condição daquele filho pródigo da parábola, de retorno à casa paterna para a bênção do amor.
Emoção do reencontro.
Alegria redescoberta.
Entretanto, em plena festa de luz, quase sempre desempenhamos o papel do conviva do cérebro deslumbrado, trazendo espinhos no coração.
Por fora, é o carinho que nos reúne.
Por dentro, é o remorso que nos fustiga.
Vanguarda que fulgura.
Retaguarda que obscurece.
Êxtase e dor.
Esperança e arrependimento.
Reconhecidos às mãos luminosas que nos afagam, muitos de nós sentimos vergonha das mãos sombrias que oferecemos.
E porque a Lei nos infunde respeito à justiça, aspiramos a debitar a nós próprios o necessário burilamento e a suspirada felicidade.
Rogamos, dessa forma, a reencarnação, à guisa de recomeço, buscando a tarefa que interrompemos e a afeição que traímos, o dever esquecido e o compromisso menosprezado, famintos de reajuste.
*
Agradece, assim, o lugar de prova em que te sintas.
Corpo doente, companheiro difícil, parente complexo, chefe amargo e dificuldade constante são oportunidades que se renovam.
Todo título exterior é instrumentação de serviço.
A existência terrestre é o bom combate.
Defeito e imperfeição, débito e culpa são inimigos que nos defrontam.
Aperfeiçoamento individual é a única vitória que não se altera.
E, em toda parte, o verdadeiro campo de luta somos nós mesmos.
 
Emmanuel, do livro Justiça Divina
Estudos e dissertações em torno da obra
“O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito
Emmanuel
 
 
 
1ª parte, cap. V, item 6
6. Devido às suas imperfeições, o Espírito culpado sofre
primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois facultada a
vida corporal como meio de reparação. É por isso que ele se
acha nessa nova existência, quer com as pessoas a quem
ofendeu, quer em meios análogos àqueles em que praticou
o mal, quer ainda em situações opostas à sua vida precedente,
como, por exemplo, na miséria, se foi mau rico, ou
humilhado, se orgulhoso.
A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não
constitui duplo castigo para eles, porém um complemento,
um desdobramento do trabalho efetivo a facilitar o progresso.
Do Espírito depende aproveitá-lo. E não lhe será preferível
voltar à Terra, com probabilidades de alcançar o céu, a
ser condenado sem remissão, deixando-a definitivamente?
A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da
bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem tudo
deva aos seus esforços e seja o obreiro do seu futuro; que,
infeliz por mais ou menos tempo, não se queixe senão de si
mesmo, pois que a rota do progresso lhe está sempre franca.
O CÉU E O INFERNO C A P Í T U L O V Allan Kardec

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

PUREZA DE CORAÇÃO
Emmanuel
Não te prendas tão somente aos imperativos da pureza exterior.
Aparência, muita vez, é contraste e ilusão.
Há pessoas que trajam linho alvo, carregando lodo na consciência.
Há sacerdotes envergando hábitos irrepreensíveis trazendo consigo impiedade e negação.
Há juízes de mãos corretamente lavadas, cujo espírito é um espinheiro de venalidade cruel.
Há tribunos de frases perfeitas na sagração do bem, cujos sentimentos se nutrem com as venenosas raízes do mal.
Há crentes que reverenciam a caridade nos templos em que se aproximam das bênçãos do Céu, mal dissimulando o chavascal de ódio e exclusivismo em que se comprazem.
Não basta a feição externa da vida para que os problemas do mundo se resolvam.
A beleza vitoriosa, no campo físico, quase sempre pode ser simplesmente máscara que o tempo arrebata e consome.
A impecabilidade do traje, em muitas ocasiões, pode reduzir-se a dourado esconderijo dos interesses inferiores.
Lembremo-nos de que o Senhor se referia à pureza de coração e procuremos cultivá-la conosco, em primeiro lugar.
O coração limpo clareia os olhos e os ouvidos que, inspirados nele, não conseguem ver e ouvir senão o bem por onde caminham.
Do coração puro sobe a Luz Celeste ao cérebro que raciona, sublimando no espírito os pensamentos que arroja de si mesmo, na modelagem do destino que lhe cabe realizar.
Esforcemo-nos por encontrar a “parte melhor” onde estivermos.
O Sopro Divino alenta na Criação todas as coisas as criaturas.
Não vale reprovar, criticar, condenar ou destruir.
Em todos os lugares, surpreenderemos o apelo do Todo Misericordioso, induzindo-nos a cooperar na exaltação de seu Amor Infinito.
Busquemos auxiliar a todos, totalizando em nossa fraternidade, os velhos e os jovens, os bons e os menos bons, os felizes e os infelizes, os sábios e os ignorantes, os ricos de Luz e os podre de entendimento, e, nessa faina bendita de louvar o bem, lavaremos o tecido sutil de nossas almas para que o nosso coração se faça puro, nele erguendo o santuário em que contemplaremos, um dia, em Espírito e Verdade, a Divina Presença de Deus.
REFÚGIO
Francisco Cândido Xavier
(Espírito de Emmanuel)

terça-feira, 21 de março de 2017


UM INIMIGO SÓ

 

Emmanuel

 

Quando a luz do conhecimento evangélico penetra o plano obscuro da nossa mente, estabelece-se a divisão, no mundo de nossa alma, entre o bem e o mal, entre a claridade e a sombra.

 

Compreendemos, então, que o nosso conceito de paz se modifica.

 

E, observamos, espantado, a paz do cofre recheado de ouro, que se transforma, com o tempo, em aflição da avareza; do excessivo reconforto da carne que, não raro, se converte em moléstia infeliz; da alegria da herança amoedada que, frequentemente, desaparece em amarga tortura mental; do contentamento da posse efêmera que, pouco a pouco, dá lugar a lamentável escravidão do espírito; da mentirosa segurança do poder humano que, cedo, se mergulha na pesada corrente do desencanto...

 

Chegamos, desta forma, a entender que a paz fictícia da morte moral acompanha sempre os iníquos e os perversos, os maus aparentemente triunfantes e os enganados de todos os matizes que despertam, invariavelmente, nos espinheiros da dor e da desesperação.

 

Por isso mesmo, a revelação do Evangelho em nós, na profunda intimidade de nossa alma, é guerra – luta imensa- que nos compele ao aprimoramento incessante e se nos vemos, realmente, muitas vezes, separados de nossos familiares e de nosso laços mais queridos ao coração, segundo o ensinamento da Boa Nova, somos obrigados a reconhecer que nesse combate sem sangue do nosso campo interior, somente possuímos um grande inimigo – o nosso próprio “eu” – separado da verdade divina, que precisamos reestruturar, nos moldes sublimes do nosso Divino Mestre, a golpes de sacrifício pessoal, a fim de que nos coloquemos ao encontro da grande fraternidade, para a vitória plena do amor em nosso espírito, em marcha sublime para a nossa destinação de filhos de Deus, na felicidade da vida Imortal.

 

REFÚGIO

Francisco Cândido Xavier

(Espírito de Emmanuel)

segunda-feira, 20 de março de 2017


FUGA

 

Emmanuel

 

Os cristãos antigos viram companheiros que desertavam da luta, a pretexto de ouvir o Senhor no silêncio da clausura e na quietude das terras de ninguém, supondo erroneamente que as sombras da tentação enxameiassem à distância deles próprios.

Foram eles os anacoretas de todos os matizes que lançaram as bases do retiro espiritual que, ainda hoje, se ergue em numerosas instituições que atravessaram os séculos.

Hoje, porém, conhecemos os cristãos que fogem apavorados de si mesmos, não mais buscando o silêncio inútil do espaço ermo, mas, sim, o ruído ensurdecedor do mundo externo, em cujos entretenimentos pretendem esquecer as obrigações que o Senhor lhes confia.

Muitos adotam o mergulho nos prazeres sensoriais acordando com o tédio a envenenar-lhes o dia, enquanto outros muitos avançam aos negócios da falaciosa riqueza humana, despertando nos dolorosos pesadelos da penúria espiritual em que se lhes aniquilam todos os sonhos.

Legiões deles buscam ouvir amigos desencarnados, com receio do próprio julgamento, ao passo que longas filas desses irmãos desavisados se atiram ao sorvedouro das mais perigosas ilusões, temendo a verdade que lhes brada advertências no próprio seio.

Antigamente, fugia o aprendiz do Evangelho das linhas atormentadas da luta humana, procurando escutar o Senhor.

Hoje, retiram-se numerosos deles do templo da responsabilidade, com medo da própria consciência.

Seja qual for o campo de serviço e provação a que foste trazido, não abandones o arado do dever.

Alegando incapacidade ou fraqueza na tarefa que nos cabe cumprir.

 

Lembremo-nos de que Deus não nos concede problemas de que não estejamos necessitados e, por isso, transformando as dificuldades da vida em preciosas lições, saibamos extrair de todas elas a divina luz da experiência que nos habilitará o espírito ao afastamento do abismo da sombra e do escuro vale da morte.

 

REFÚGIO

Francisco Cândido Xavier

(Espírito de Emmanuel)