segunda-feira, 19 de setembro de 2016


DIANTE DA CONSCIÊNCIA

 

 

E - Cap.XVII - Item 2 Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

 

2. Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta proposição: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta.

Se à criatura fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia ela igual a este, o que é inadmissível. Os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que Ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.

Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: “Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos

pelos que nos perseguem.” Mostra Ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.

Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum haver que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que sobre excita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até o amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse:

“Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial.”

 

L - Questão 169 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

 

169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?

 

“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é quase infinito.”

 

Temas Estudados:

 

Atitude elevada

Clima grupal

Companheiros do dia-a-dia

Conduta fraternal

Definição de deveres

Vivência cotidiana

 

DIANTE DA CONSCIÊNCIA

 

A vontade do Criador, na essência, é, para nós, a atitude mais elevada que somos capazes de assumir, onde estivermos, em favor de todas as criaturas.

Quem vem a ser, porém, essa atitude mais elevada que estamos chamados a abraçar, diante dos outros? Sem dúvida, é a execução do dever que as leis do Eterno Bem nos preceituam para a felicidade geral, conquanto o dever adquira especificações determinadas, na pauta das circunstâncias.

Vejamos alguns dos nomes que o definem, nos lugares e condições em que somos levados a cumpri-lo:

 

na conduta - sinceridade;

no sentimento - limpeza;

na ideia - elevação;

na atividade - serviço;

no repouso - dignidade;

na alegria - temperança;

na dor - paciência;

no lar - devotamento;

na rua - gentileza;

na profissão - diligência;

no estudo - aplicação;

no poder - liberalidade;

na afeição - equilíbrio;

na corrigenda - misericórdia;

na ofensa - perdão;

no direito - desprendimento;

na obrigação - resgate;

na posse - abnegação;

na carência - conformidade;

na tentação - resistência;

na conversa - proveito;

no ensino - demonstração;

no conselho - exemplo.

 

Em qualquer parte ou situação, não hesites quanto à atitude mais elevada a que nos achamos intimados pelos Propósitos Divinos, diante da consciência. Para encontrá-la, basta procures realizar o melhor de ti mesmo, a benefício dos outros, porquanto, onde e quando te esqueces de servir em auxílio ao próximo, aí surpreenderás a vontade de Deus que, sustentando o Bem de Todos, nos atendem ao anseio de paz e felicidade, conforme a paz e a felicidade que ofereçamos a cada um.

 

NOSSO MATERIAL DE LIÇÃO

 

Criatura alguma conseguirá partilhar o trabalho de várias comunidades ao mesmo tempo, não obstante a pessoa, por seus atos, influir indiretamente no conjunto da Humanidade.

Cada um de nós, estejamos encarnados ou desencarnados em serviço na Crosta Terrestre, vive jungido a um grupo de companheiros que constituem laços do pretérito ou instrumentos da hora, junto dos quais somos convidados a educar a vida e o coração para a Existência Maior.

Semelhantes sócios de ideal parecer-nos-ão, às vezes, inadequados para nós, mas é preciso considerar que, provavelmente no conceito que fazem de nós, nos julgarão também impróprios para eles. Forçoso reconhecer que são agora o que são, como somos neste momento o que temos sido até hoje.

As Diretrizes Divinas não nos reuniram, por acaso, uns com os outros.

Não dispomos de recurso bastante para conhecer circunstanciadamente os propósitos da Justiça Real. Sabemos que nos concede o melhor que sejamos capazes de receber para realizarmos o melhor que possamos fazer na hora que passa.

Usemos o amor que o Evangelho nos indica a fim de que se nos reduzam as deficiências recíprocas. Imperioso amá-los quais se nos fossem familiares queridos.

Agradecer aos mais virtuosos o conforto com que nos alimentam a alma e auxiliar os que se nos mostrem menos seguros,

Seguir o exemplo dos valorosos no dinamismo construtivo e apoiar os tíbios que tropeçam a cada passo da tarefa a desenvolver. Sentir-lhes os percalços, compartir-lhes os regozijos.

Recolher a inspiração dos que acertam e amparar os que se transviam.

Escutar com atenção os que ensinam e ouvir com paciência os que se desequilibram nos labirintos da necessidade.

Estimular as mínimas aspirações que entremostrem no rumo da correção, permanecendo justos para que a fraternidade jamais lisonjeie o mal naqueles que amamos.

Saber tocá-los no sentimento, sem converter a sinceridade em censura e sem transformar a bondade em fraqueza, para que não se emaranhem nas armadilhas da ilusão.

Entender que sem eles seríamos quais alunos obrigados à frequência da escola, sem material de lição.

Em suma, aceitar o campo da vivência cotidiana como o educandário mais digno em que possamos estagiar, provisoriamente internados pela Paternidade Comum, e do qual não sairemos senão para a repetência das provas, se não tivermos notas de aproveitamento que nos recomendem a equipes superiores.

Para isso, guardemos por norma a realização de benefícios generalizados a fim de que a rotina improdutiva não nos detenha à margem, adiando o nosso acesso à verdadeira compreensão.

 

Do livro "Estude e viva", psicografia de Francisco Candido Xavier e Waldo Vieira

domingo, 18 de setembro de 2016


 
A Casa do Caminho
 
 
Escrito por Sergito de Souza Cavalcanti

A morte injusta e violenta de Jesus deixou seus discípulos abalados e confusos. Decepcionados e com medo do que poderiam lhes suceder, fugiram apavorados. O sofrimento, o sentimento de culpa e a saudade os esmagavam. O Mestre lhes havia ensinado belas lições calcadas na imortalidade da alma e, no entanto, encontravam-se atônitos e confusos com os últimos acontecimentos. O que fazer agora sem a presença de Jesus? Como encontrariam forças para prosseguirem?     
O processo da sua condenação ocorreu de forma rápida e violenta abalando a fé de seus discípulos. Entretanto acontecimentos extraordinários começaram a surgir reforçando assim a esperança dos primeiros cristãos. Jesus triunfando sobre a morte refaz a fé e a esperança de seus discípulos aparecendo para Madalena, Maria de Cleofas e Joana de Cusa, dois dias após sua crucificação.
O chamado Fenômeno de Pentecostes acontecido logo após a ascensão de Jesus veio fortificá-los na fé, trazendo a certeza de que verdadeiramente o Cristo não os havia abandonado. Certo dia pela manhã quando todos estavam juntos num mesmo lugar veio de repente do céu um ruído como de um vento que irrompe impetuoso. A casa, onde estavam reunidos, foi por ele preenchida. E ao mesmo tempo lhes apareceram como que línguas de fogo, que se dividiam e pousavam sobre a cabeça de cada um deles. Todos ficaram mediunizados e começaram a falar em muitas línguas, conforme os espíritos lhes davam o poder de exprimir-se. Pregando o Evangelho em diferentes idiomas, os Espíritos do Senhor demonstravam que se cumpria naquele momento a profecia de Jesus de que sua palavra seria ouvida por todas as nações da Terra. Outro fato comovente acontece com Cléofas e outro discípulo que no domingo da ressurreição caminhavam de Jerusalém para a aldeia próxima de Emaús quando o próprio Jesus se lhes ajuntou no caminho. De outra feita, aparece por duas vezes totalmente materializado numa reunião dos apóstolos em Jerusalém. A seguir se apresenta na praia e come com alguns apóstolos peixe assado e um favo de mel. Por cerca de quarenta dias após a ressurreição, continuou oferecendo provas inequívocas de sua presença materializada entre eles.

Com a certeza da ressurreição de Jesus, ressuscitava também o sonho daqueles homens simples de propagarem, enquanto vivessem a mais linda história de amor trazida ao planeta Terra. Após quarenta dias de convivência espiritual com Jesus, a confiança voltava a reinar forte em seus corações.
Uma força irresistível os impulsionava para a formação de uma bonita fraternidade. Assim juntos, poderiam conjugar os mesmos ideais ensinados e vivenciados por aquele Mestre inesquecível. Logo já encontravam todos reunidos em um local singelo. Jesus era a saudade, mas era também a alegria daquele grupo de homens e mulheres.

Reunidos oravam, cantavam, viviam e pregavam a Boa Nova. As orações eram poderosas, as reuniões se sucediam e o grupo crescia continuamente. Nascia assim a Casa do Caminho marco primeiro daquela fase áurea do cristianismo primitivo.
Os ensinamentos de Jesus ainda falavam muito alto nos corações dos homens do Caminho. Viviam um momento único de espiritualização.

Ernesto "Renan em sua obra "Os Apóstolos" assim descreve este momento áureo do cristianismo:" A terna recordação de Jesus não permitia discussões, a alegria estava em todos os corações viva e profunda... A recordação desses dois ou três primeiros anos ficou sendo como a de um paraíso terrestre, que o Cristianismo desde então procurará em todos os seus sonhos, mas a que debalde se esforçará por voltar."
Pregavam com entusiasmo a Boa Nova, o que era de um era de todos, as orações eram às vezes tão poderosas que o próprio prédio balançava em seus alicerces.

Os crentes iam aumentando. Consolidava-se assim a Primeira Igreja de Jerusalém, a Casa do Caminho marco indelével da fase áurea do Cristianismo dos primeiros tempos.

A vida religiosa dos primeiros cristãos centrava em quatro funções principais: a oração, os sermões, a instrução religiosa e uma refeição diária em comum. Levavam uma vida pobre, despojada, sem confiar no poder do dinheiro; não visavam interesses próprios; curar doentes e expulsar espíritos maus faziam parte da prática profética dos homens do Caminho. Eram íntegros e não se deixavam corromper; proclamavam e exigiam o perdão e o arrependimento das faltas.

Era hábito da igreja que começava ajudar os pobres, especialmente as viúvas. Esta ajuda, que seguia o padrão da tradição judaica, incluía a distribuição de cestas com alimentos e às vezes com algum vestuário.
Não havia na Casa do Caminho nenhum ato litúrgico. Os mais velhos eram muito respeitados e chamados de presbíteros. Gostavam imensamente de jejuar, adoravam cantar, havia um ditado entre eles: "Se estás triste ora; se estás alegre canta."

A Casa do Caminho nasceu da irresistível e natural vontade que todo homem espiritual sente de se unir voluntariamente sob a égide de Jesus, para formar um grupo de pessoas afinizadas com a prece, o estudo, o trabalho e a vivência evangélica. Com estes propósitos fizeram desta Casa uma escola, um hospital, uma oficina de trabalho, um local de oração e comunhão com o Cristo.
Os quatro grandes pilares ou objetivos da Casa do Caminho foram: a) Ensino e vivência da mensagem de Jesus. b) Assistência social cristã c) Curas espirituais d) Formação de ambiente espiritualizantes. Aprenderam com Jesus que nada era mais importante do que o crescimento espiritual de seus membros. Usavam o trabalho assistencial de distribuição de alimentos, de remédios, de roupas e até mesmo os dons de cura como isca para alcançarem o objetivo maior: a evangelização do assistido. Procuravam transformar o
assistido em assistente e foi assim que aconteceu com Jeziel amparado pelos homens do Caminho, o qual veio a ser o maravilhoso Estevão primeiro mártir do cristianismo primeiro.

Os primeiros componentes da Casa do Caminho lutaram como podiam pela autossuficiência e a não submissão financeira da comunidade. Todos trabalhavam e com o fruto de seus trabalhos conseguiam a almejada autossuficiência. Nunca usavam mão do peditório desgastante. Entre eles ninguém passava necessidades. Embora paupérrimos auxiliavam-se mutuamente: quem possuía alguma coisa não deixava faltar nada ao que nada possuía. Formavam assim, uma espécie de socialismo cristão onde a fraternidade, a não submissão e autossuficiência garantiam a liberdade da Casa.
As eleições eram simples e democráticas e todos procuravam servir a causa do Cristo, sem se importarem com cargos de direção. Haviam aprendido, com Jesus, os perigos da vaidade e do personalismo. Pedro como primeiro líder daquele grupo, achou por bem escolher um sucessor para Judas Iscariotes no Colégio Apostólico e reuniu uma assembleia para eleger este sucessor. A assembleia menciona então dois nomes: José Justo e Matias dois cristãos autênticos. Sugeriu-se então ao invés de eleição colocar os dois nomes numa sacola e retirando depois de prece fervorosa, o que fora escolhido pelo Alto. E então Matias foi o escolhido para suceder a Judas Iscariotes. A comunidade vivia um momento tão bonito de entendimento e amor cristão que José Justo que não fora escolhido pelo sorteio, ofertou sua propriedade à Casa do Caminho, em sinal de solidariedade à decisão tomada pelo Plano Superior. Ao invés de disputas entre dois homens bons e leais à causa do Cristo, fizeram uso do bom senso, rogando a Jesus que conhece todos os corações que os ajudassem naquela escolha. O que não fora escolhido, em gesto de submissão e desprendimento, doou o que possuía.

No livro de Atos dos Apóstolos (2:43-47 ) encontramos: " Em todos eles havia profundo respeito e os apóstolos faziam muitas curas. Todos os crentes se reuniam constantemente e repartiam tudo uns com os outros vendendo suas propriedades e dividindo com os que tinham necessidades. Regularmente eles rezavam juntos no Templo, todos os dias reuniam-se em grupos pequenos nas casas e participavam de suas refeições com grande alegria e gratidão a Deus. A cidade inteira tinha simpatias por eles e cada dia o próprio Senhor acrescentava à Igreja todos os que estavam sendo salvos."

Sergito de Souza Cavalcanti. Grupo Espírita de Fraternidade Albino Teixeira de Belo Horizonte e do Grupo Kardecista Fraternidade Eterna de Inhaúma, M.G.

sábado, 17 de setembro de 2016


A Grande Instrutora
Emmanuel
 
Benemérita instrutora existe, cuja visitação sempre recebemos com alarme e às vezes com reclamações infindáveis.
Orienta sem gritaria e ampara sem violência.
Semelhante mentora palmilha todas as estradas humanas e chama-se “enfermidade”.
Nesta afirmativa não há lirismo simbólico.
Desejamos apenas considerar que a doença é a correção provocada por nossos próprios desequilíbrios, agora ou no passado, atuando, a fim de que não venhamos a cair em maiores padecimentos na esteira do tempo.
Por isso mesmo, vale receber-lhe a presença com respeito, moderação e bom ânimo.
Se a dor te não impede a movimentação orgânica, persevera com o trabalho, sem desprezá-lo, embora não possas atender a todos deveres na feição integral, e não olvides que enquanto o corpo é suscetível de ação própria, o serviço é o melhor reconstituinte para as deficiências da vida física e o melhor sedativo para os aborrecimentos morais.
Se a enfermidade age nas células que permanecem a teu serviço, confia-te pensamento reto.
Nunca te entregues à revolta, ao desalento ou à indisciplina.
Esse trio de sombras te encarceraria em maiores conflitos mentais.
A mente insubmissa ou desesperada não poderá governar o cosmo vital a que se ajusta, agravando os seus próprios problemas.
Ergue-te, em espírito, na intimidade do coração, trabalha sempre e não percas o sorriso de confiança.
Cada dia é nova folha do livro infinito da vida e a proteção do Senhor não nos abandona.
Se tens o corpo atado ao leito, incapaz de mobilizar as próprias energias a benefício de ti mesmo recorda que, por vezes, a lição da enfermidade deve ser mais longa, a favor de nossa grande libertação no futuro.
Toda perturbação guarda  origens profundas na alma e se o veículo físico passará sempre, à feição de veste corruptível, o espírito é o herdeiro da vida imortal.
Indispensável pensar nisso para que a serenidade nos dignifique nas horas de crise, porquanto representam grande apoio para nós mesmo a calma e a coragem que espalhamos naqueles que nos cercam.
O doente inconformado é um centro de sombrios pensamentos, ligados à discórdia, à rebelião e ao desânimo.
A enfermidade exerce a função de mestre precioso.
Faze silêncio em ti e ouve-lhe os avisos ligeiros ou as advertências profundas.
E ainda que te encontres à frente da morte, lembra-te do Amigo Divino que demandou a ressurreição através do leito erguido na cruz, usando o infinito amor e a extrema renúncia, no próprio sacrifício, para sanar as dores da Humanidade.
 
("Visão Nova", de Francisco Cândido Xavier, por Autores Diversos)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016


A rigor


Cap. I – Item 7    ESE

Espírito Santo – falange dos Emissários da Providência que superintende os grandes movimentos da Humanidade na Terra e no Plano Espiritual.
Reino de Deus – estado de sublimação da alma, criado por ela própria, através de reencarnações incessantes.
Céu – esferas espirituais santificadas onde habitam Espíritos Superiores que exteriorizam, do próprio íntimo, a atmosfera de paz e felicidade.
Milagre – designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.
Mistério – parte ignorada das Normas Universais que, paulatinamente, é identificada e compreendida pelo espírito humano.
Sobrenatural – definição de fenômenos que ainda não se incorporam aos domínios do hábito.
Santo – atributo dirigido a determinadas pessoas que aparentemente atenderam, na Terra, à execução do próprio dever.
Tentação – posição pessoal de cativeiro interior a vícios instintivos que ainda não conseguimos superar por nós mesmos.
Dia de juízo – oportunidade situada entre dois períodos de existência da alma, que se referem à sementeira de ações e à renovação da própria conduta.
Salvação – libertação e preservação do espírito contra o perigo de maiores males, no próprio caminho, a fim de que se confie à construção da própria felicidade, nos domínios do bem, elevando-se a passos mais altos de evolução.
*
O Espiritismo tem por missão fundamental, entre os homens, a reforma interior de cada um, fornecendo explicações ao porquê dos destinos, razão pela qual muitos conceitos usuais são por ele restaurados ou corrigidos, para que se faça luz nas consciências e consolo nos corações. Assim como o Cristo não veio destruir a Lei, porém cumpri-la, a Doutrina Espírita não veio desdizer os ensinos do Senhor, mas desenvolvê-los, completá-los e explicá-los “em termos claros e para toda a gente, quando foram ditos sob formas alegóricas”.
A rigor, a verdade pode caminhar distante da palavra com que aspiramos a traduzi-la.
Renove, pois, as expressões do seu pensamento e a vida renovar-se-lhe-á inteiramente, nas fainas de cada hora.
André Luiz

 

Francisco Cândido Xavier

 

O Espírito da Verdade

 

Estudos e dissertações em torno da obra

“O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec

quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Examina a própria aflição

 

 

Examina a própria aflição para que não se converta a tua inquietude em arrasadora tempestade emotiva.

Todas as aflições se caracterizam por tipos e nomes especiais.

A aflição do egoísmo chama-se egolatria.

A aflição do vício chama-se delinquência.

A aflição da agressividade chama-se cólera.

A aflição do crime chama-se remorso.

A aflição do fanatismo chama-se intolerância.

A adição da fuga chama-se covardia.

A aflição da inveja chama-se despeito.

A aflição da leviandade chama-se insensatez.

A aflição da indisciplina chama-se desordem.

A aflição da brutalidade chama-se violência.

A aflição da preguiça chamo-se rebeldia.

A aflição da vaidade chama-a loucura.

A aflição do relaxamento chama-se evasiva.

A aflição da indiferença chama-se desânimo.

A aflição da inutilidade chama-se queixa.

A aflição do ciúme chama-se desespero.

A aflição da impaciência chama-se intemperança.

A aflição da sovinice chama-se miséria.

A aflição da injustiça chama-se crueldade.

Cada criatura tem a aflição que lhe é própria.

A aflição do reino doméstico e da esfera profissional, do raciocínio e do sentimento.

Os corações unidos ao sumo bem, contudo, sabem que suportar as aflições menores da estrada é evitar as aflições maiores da vida e, por isso, apenas eles, anônimos heróis da luta cotidiana, a aflição do relaxamento chama-se evasiva.

Conseguem receber e acumular em si mesmos os talentos de amor e paz reservados por Jesus aos sofredores da terra, quando pronunciou no monte a divina promessa:

"Bem aventurados os aflitos!"

Emmanuel

 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016


Peregrinação cristã
 
 
Se aceitaste o evangelho por abençoado roteiro de aperfeiçoamento, não te esqueças da representação que nos cabe em toda parte.
A fé nos confere consolação, mas nos reveste de responsabilidade a que não podemos fugir.
Somos embaixadores de Jesus onde estivermos, se a luz d'ele é o clarão que nos descortina o futuro.
Não te esqueças de semelhante realidade para que a tua experiência religiosa não se reduza a simples adoração improdutiva.
A estrada permanece descerrada a nós todos. Cada dia é uma revelação para que exerçamos a sublime investidura.
Se o senhor desceu até nós, partilhando-nos a senda obscura e viciosa a fim de que nos levantássemos, aprendamos também a representá-lo nas regiões inferiores à nossa posição do conhecimento.
Onde fores defrontado pela calúnia, sê a palavra amiga do esclarecimento benéfico.
Se o mal te avista, improvisa o bem com tua capacidade de ajuizar as situações de planos mais altos.
Se a tristeza e o desânimo te procuram, acende a lanterna da coragem e resiste ao sopro frio do desalento, prosseguindo no trabalho que a vida te confiou.
Se a infantibilidade te busca, não a abandones, porque o cristão sincero é o bom semeador que tudo aperfeiçoa para a glória do infinito bem.
Se a leviandade vem ao teu encontro, ajuda o companheiro de jornada, orientando-lhe o pensamento para o justo equilíbrio em que a nossa fé se inspira e vive sempre.
Se a treva tenta envolvê-lo, faze a claridade do otimismo, com as bênçãos do amor que auxiliam em todos os instantes.
Mas se o embaixador humano é obrigado a longo curso de compreensão e tolerância na ciência do tato e da gentileza para não falharem seus compromissos, não creias que o emissário do cristo deva agir sem os princípios de serenidade e do bom ânimo.
Colaboremos e ajudemos sem alardear notas de superioridade perturbadora.
Quanto mais clara a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais sublimes nossas noções do bem, mais imperiosos os nossos deveres de socorro às vítimas do mal. O mensageiro de cristo é o braço do evangelho.
Emmanuel