terça-feira, 7 de maio de 2019


ANTE O OFENSOR

Emmanuel

Aquele que nos fere terá assumido, aos nossos olhos, a feição de inimigo terrível, no entanto, o Divino Mestre que tomamos por guia de nosso pensamento e conduta, determina venhamos a perdoá-lo setenta vezes sete.

Por outro lado as ciências psicológicas da atualidade, absolutamente concordes com Jesus, asseveram que é preciso desinibir o coração de quaisquer ressentimentos e estabelecer o equilíbrio na governança de nossas potências mentais a fim que a tranquilidade se nos expresse na existência em termos de saúde e harmonia.

Como, porém, realizar semelhante feito?

Entendendo-se que a compreensão não é fruto de afirmativas labiais, é forçoso reconhecer que o perdão exige operações profundas nas estruturas da consciência.

Se um problema desse nos aflora ao cotidiano, - à nós, os que aspiramos a seguir o Cristo, - pensemos primeiramente em nosso opositor na condição de filho de Deus, tanto quanto nós, e situando-nos no lugar dele, imaginemos em como estimaríamos que a Lei de Deus nos tratasse, em circustâncias análogas.

De imediato observaremos que Deus está em nosso assunto desagradável tanto quanto um pai amoroso e sábio se encontra moralmente na contenda dos filhos.

Então, à luz do sentimento novo que nos brotará do ser, examinaremos espontaneamente até que ponto teremos ditado o comportamento do adversário para conosco.

 Muito difícil nos vejamos com alguma parte de culpa nos sucessos indesejáveis de que nos fizemos vítimas, mas ao influxo da Divina Providência, a cujo patrocínio recorremos, ser-nos-á possível recordar os nossos próprios impulsos menos felizes, as sugestões delituosas que teremos lançado a esmo, as pequenas acusações indébitas e as diminutas desconsiderações que perpetramos, às vezes, até impensadamente, sobre o companheiro que não mais resistiu à persistência de nossas provocações, caindo, por fim, na situação de inimigo perante nós outros.

Efetuando o auto exame, a visão do montante de nossas falhas não mais nos permitirá emitir qualquer censura em prejuízo de alguém.

 Muito pelo contrário, proclamemos, de pronto, no mundo íntimo a urgente necessidade da Misericórdia Divina para o nosso adversário e para nós.

Então, não mais falaremos no singular, diante daquele que nos fere: - "eu te perdôo" e sim, perante qualquer ofensor com que sejamos defrontados no caminho da vida, diremos sinceramente a Deus em oração: - "Pai de Infinita Bondade, perdoai a nós dois."

sábado, 4 de maio de 2019


Mensagem de Conforto
Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.

Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja. 

Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias. 

Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.

Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.

Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.

Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas. 

Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.

Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

André Luiz

sexta-feira, 3 de maio de 2019


A CAMINHO DO CRISTO

Carregar nossa cruz, a caminho do Cristo, será abraçar as responsabilidades que nos cabem, no setor de trabalho que ele próprio nos confiou.

E na adesão ao compromisso esposado, urge não esquecer que as nossas dificuldades podem ser modificadas, mas não extintas.

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Sem obstáculos, cairíamos na inércia.

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E é forçoso avançar sem esmorecer para evoluir.

Em quaisquer circunstâncias, cumpre-nos trabalhar, aceitando-nos com as imperfeições que ainda trazemos, realizando o melhor ao nosso alcance, a perceber que sem o conhecimento de nossas próprias fraquezas, tombaríamos no orgulho.

Ouvir remoques e reprovações, aguentando os aguilhões candentes da acusação e da crítica, aprendendo que sem isso, não conseguiríamos efetuar os nossos singelos exercícios de paciência e de humildade.

De quando a quando, ela nos sacode as construções espirituais, verificando-lhes a firmeza.

E, ás vezes, em semelhante prova, nos desnuda a solidão.

Entretanto, é preciso seja assim.

De tempos a tempos, é imperioso atravessar a solidão, a fim de que sejamos impulsionados ao esforço máximo, porque, sem esforço máximo, não obteríamos a desejada renovação.

Contradições teremos sempre, de vez que as contradições nos obrigam ao estudo e, sem estudo, o raciocínio se nos jaz ao nível da rigidez espiritual.

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Chamados a amar e a auxiliar aos que se nos opõem, é necessário amá-los e auxiliá-los com a tolerância e a bondade com que o Divino Mestre nos amou e auxiliou, incessantemente, enquanto nos opúnhamos a ele.

Para nós que aceitamos a jornada para a integração com Jesus, não há possibilidade de recuo, porque a desistência da luta pela vitória do bem significa perturbação e não equilíbrio, rebeldia e não fé.

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Em suma, carregar nossa cruz será, desse modo, romper com os milênios de animalidade em que se nos sedimenta a estrutura da alma, principiando por acender as possíveis réstias de luz na selva de nossos próprios instintos, recebendo, pela fidelidade ao serviço, a honra de trabalhar, em Seu Nome, não através de méritos que ainda não possuímos, mas em razão da misericórdia, da pura misericórdia que Ele nos concedeu.

EMMANUEL

Do livro “MÃOS UNIDAS“ – Psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

quinta-feira, 2 de maio de 2019


VONTADE DE DEUS

Quando nos reportamos à vontade de Deus, referímo-nos ao controle da Sabedoria Perfeita que nos rege os destinos. E, observando nossa condição de espíritos eternos, acalentados pelo Infinito Amor da Criação, ser-nos-á sempre fácil reconhecer as determinações de Deus, em todos os eventos do caminho , a nosso respeito, já que a Divina Providência preceitua para cada um de nós:

saúde e não doença;

trabalho e não ócio;

cultura e não ignorância;

conciliação e não discórdia;

paz e não desequilíbrio;

tolerância e não intransigência;

alegria e não tristeza;

esperança e não desânimo;

conformidade e não desespero;

perdão e não ressentimento;

êxito e não fracasso;

fé e não medo destrutivo;

humildade e não subserviência;

intercâmbio e não isolamento;

disciplina e não desordem;

progresso e não atraso;

amor e não indiferença;

vida e não morte.

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Se dificuldades, sofrimentos, desacertos e atribulações nos agridem a estrada, são eles criações nossas, repercussões de nossos próprios atos de agora ou do passado, que precisamos desfazer ou vencer, a fim de nos ajustarmos à vontade de Deus, que nos deseja unicamente o Bem, a Felicidade e a Elevação no melhor que sejamos capazes de receber dos patrimônios da vida, segundo as leis que asseguram a harmonia do Universo.

Eis porque Jesus, exaltando isso, nos ensinou a reafirmar em oração:

- "Pai Nosso, que se faça a tua vontade, assim na Terra como nos céus."


EMMANUEL

Do  livro “MÃOS UNIDAS“ – Psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

quarta-feira, 1 de maio de 2019


NA BOA LUTA

A seara do bem que Jesus nos descortina se revela por trabalho árduo, com alicerces no espírito de equipe. Serviço de confraternização e apoio mútuo em que os tarefeiros, de corações interligados e mãos unidas, são convocados a duro labor, começando no burilamento de si mesmos.

A face disso, cada núcleo de atividade espírita, evidenciando-se na condição de posto avançado do Cristianismo redivivo, há de ser, por força de suas próprias finalidades, um campo de peleja moral, onde os lidadores atuam, armados com recursos da alma, quais sejam o entendimento e a tolerância, a bondade e a paciência, a humildade e a abnegação, baseados no amor que o Cristo nos legou.
*
Ponderemos, quanto a isso, e reconheçamos a nossa obrigação de trabalhar pelo bem para que se faça, em toda a parte, o bem de todos. Lavrar o solo do espírito com os instrumentos do estudo, semear a compreensão, difundir os valores humanos, exemplificar lealdade aos compromissos esposados na oficina de elevação, espalhar para os outros, tanto quanto possível, as bênçãos do Senhor.
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Justo que nessas linhas de batalha espiritual apareçam ocorrências menos felizes. De quando em quando, companheiros caem alvejados por inimigos da luz, através das brechas que eles mesmos formaram, requisitando amparo urgente na retaguarda; muitos recuam assustados, ao observarem a extensão da obra a fazer; outros exigem férias ou licenças indefinidas, receando obstáculos; e outros, ainda, fogem amedrontados, ante os riscos da luta.
*
Em favor de todos, Jesus Cristo, o Supremo Comandante das Hostes do Bem, promove e promoverá sempre o socorro adequado, nas condições precisas; entretanto, a fim de compreendermos nossas próprias dificuldades, recordemos que, no grupo constituído por ele mesmo, Jesus, nos primeiros dias do Evangelho, conquanto a equipe se erigisse tão somente com doze companheiros, não faltaram problemas e desarmonias, negações e deserções.

Reflitamos nisso e, aceitando as nossas responsabilidades de trabalhar e servir, estejamos com o Divino Mestre, nas provas e aflições da frente, seguindo para a frente.

EMMANUEL
Do  livro “MÃOS UNIDAS“ – Psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

segunda-feira, 29 de abril de 2019


A BRANDURA

Andradina América de Andrada E Oliveira*

Asserena-te e vara a desventura
No caminho de dor, áspero e azedo;
Serenidade – o lúcido segredo
Em que a vida se eleva e transfigura.

Tudo cresce na força da brandura.
A água desgasta os punhos do rochedo ;
Olha a chuva cantando no arvoredo,
A transfundir-se em pão, bondosa e pura.

De coração batido e lodo à face,
Inda que o fel da injúria te traspasse,
Semeia o bem que as mágoas alivia...

Mesmo trazendo o peito por cratera,
Suporta, ampara e crê, ajuda e espera,
Que amanhã será sempre novo dia.


           (*) Poetisa, contista, romancista, iniciou sua vida literária, quase menina, conforme afirma sua filha Lola de Oliveira em Minha Mãe!, escrevendo em inúmeros periódicos sul-riograndenses. Foi também teatróloga e aplaudida conferencista. Professora pela Escola Normal de Porto Alegre, com distinção em todas as matérias, a poetisa de Folhas Mortas lecionou em cursos particulares, em várias cidades gaúchas, depois de nove anos dedicados ao magistério público. Fundou um jornal literário feminino, O Escrínio, mais tarde transformado em revista ilustrada, e formou, segundo Antônio Carlos Machado, entre as maiores feministas brasileiras de sua época. De 1920 até à sua desencarnação, residiu na capital paulista. (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 12 de Junho de 1878 – S. Paulo, 19 de Junho de 1935.)

BIBLIOGRAFIA: Folhas Mortas; Preludiando, contos; Cruz de Pérolas, contos ; etc.