quinta-feira, 20 de setembro de 2018


Estudando a Riqueza

Não é somente o Rico da Parábola o grande devedor diante da vida.

A fortuna amoedada é, por vezes, simples cárcere.

Há outros avarentos que devemos recordar em nossa viagem para a Luz Maior.

Temos conosco, os sovinas da inteligência, que se ocultam nas floridas trincheiras da inércia; os abastados da saúde que desamparam os aflitos e os doentes; os privilegiados da alegria que cerram as portas aos tristes, isolando-se no oásis de prazer; os felizes da fé que procuram a solidão, a pretexto de se preservarem contra o pecado; os expoentes da mocidade que menosprezam a velhice; os favorecidos da família terrestre, que olvidam os andarilhos da penúria que vagueiam sem lar.

Todos esses ricos da experiência comum contraem pesados débitos para com a Humanidade.

Lembremo-nos de que o Tesouro Real da Vida está em nosso coração.

Quem não pode doar algo de si mesmo, na boa vontade, no sorriso fraterno ou na palavra sincera de bondade e encorajamento, debalde estenderá as mãos recheadas de ouro, porque só o amor abre as portas da plenitude espiritual e semeia na Terra a luz da verdadeira caridade, que extingue o mal e dissipa as trevas.

A pobreza é mera ficção.

Todos temos algo.

Todos podemos auxiliar.

Todos podemos servir.

E, consoante a palavra do Mestre, "o maior na vida será sempre aquele que se fizer o devotado servidor de todos".

Emmanuel

Do livro: Dinheiro, Médium: Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 19 de setembro de 2018


O Bordão

“E ordenou-lhes que nada tomassem para o caminho, senão somente um bordão; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no cinto.” – Marcos: - 6-8


Entre as recomendações do Mestre aos apóstolos, na ocasião de início de sua sublime tarefa, existe uma observação interessante mencionada por Marcos, embora Lucas e Mateus não a registrem nas suas anotações.

No Evangelho do grande companheiro de Simão Pedro, Jesus esclarece que os discípulos não necessitam de alforje, de pão ou de dinheiro para o caminho, mas que precisam de um bordão para a grande jornada.

Não se trata de bordões, mas de um somente, como está claro nas recomendações do Messias.

Não destacamos o conselho para afirmar que o homem deva assumir atitudes de ataque, de supremacia ou de revide injustificável, mas desejamos assinalar que o instrumento mencionado é o símbolo da vigilância permanente, indispensável à criatura.

Um bordão serve para analisar os fojos da estrada, coopera para que se possa distinguir um verme de uma víbora e, além disso, é uma base de apoio, sobre a qual o homem se poderá defender contra o esgotamento das próprias forças.

Só o perverso torna-lo-á instrumento do crime, porque o homem esclarecido saberá usá-lo como companheiro generoso e leal.

O bordão para o discípulo fiel significará que seu espírito está sempre pronto e vigilante para os esclarecimentos justos, utilizando, nesse mister, o próprio objeto em que se arrima nos caminhos da vida.

Ele, para tanto, não mais será, para as nossas almas, um bastão de madeira, mas uma atitude decidida, que sendo o nosso amparo com Cristo, é a própria razão de nossa defesa.

Essa nota do apostolo Marcos é muito importante, porque Deus nos dará a providencia, mas nós lhe devemos dar vigilância.

O Pai estará atento na vigília do Lar Infinito, mas nós devemos estar prontos a velar por nossa parte.

Emmanuel

Do livro: Levantar e Seguir, Médium: Francisco Cândido Xavier.

terça-feira, 18 de setembro de 2018


A Ironia e a Verdade

Nas grandes horas, nunca falta a ironia, em derredor dos servidores da Verdade Eterna. E, para confortar os seus seguidores, suportou-a Jesus, heroicamente, no extremo testemunho. Amara a todas as criaturas de seu caminho, com igual devotamento, servira-as, indistintamente, entregando-lhes os bens de Deus, sem retribuição, exemplificara a simplicidade fiel e multiplicara os benefíciários de todos os matizes, em torno de seu coração por onde passasse. Desdobrava-se-lhe o Apostolado Divino, sem vantagens materiais e sem interesses inferiores, mas os homens arraigados à Terra não lhe toleraram as revelações do Céu. Porque não podiam destruir-lhe a verdade, entregaram-no à justiça do mundo e, tão logo organizado o processo infamante, a ironia rondou o Senhor até a crucificação.


Trouxera o Evangelho Libertador à Humanidade e recebeu a calúnia e a perseguição.


Ele, que ouvia a Voz Suprema, foi preso por varapaus.

Distribuíra benefícios para todos os séculos, contudo, foi segregado num cárcere.


Vestira as almas de esperança e paz, no entanto, impuseram-lhe a túnica do escárnio.


Ensinara sublimes lições de renúncia e humildade e foi submetido a perturbadores interrogatórios pelos acusadores sem consciência.


Rompera as algemas da ignorância, entretanto, foi coagido a aceitar a cruz.


Coroou a fronte dos semelhantes com a luz da libertação espiritual, todavia, foi coroado de espinhos ingratos.


Oferecera carícias aos sofredores e desamparados do mundo, recebendo açoites e bofetadas.


Fundara o Reino do Amor Universal e obrigaram-no a empunhar uma cana à guisa de cetro.


Ensinou a ordem entre os homens pela perfeita fidelidade ao Supremo Senhor e o boato lhe pôs na boca expressões que nunca pronunciou.


Abrira na Terra a fonte das Águas Vivas, entretanto, deram-lhe vinagre quando tinha sede.

Ele que amara a simplicidade, a religião e o respeito, foi crucificado seminu, sob o cuspo da perversidade, entre dois ladrões.


Jesus, porém, sentindo embora a ironia que o cercava, não reclamou, nem feriu a ninguém, não comprometeu os companheiros, nem exigiu a consideração de seus deveres. Compreendeu a ignorância dos homens, rogou para eles o perdão do Pai e dirigiu-se a outros trabalhos, no seu divino serviço à Humanidade.


Nenhum servidor fiel do bem, portanto, escapará ao assédio da ironia. É preciso, porém, recordar o Mestre, evitar o escândalo, pedir ao Supremo Pai pelos escarnecedores infelizes e continuar trabalhando com o Senhor, dentro da mesma confiança do primeiro dia.

Emmanuel

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Dever Cristão


Rossi e Alves eram diretores de conhecido templo Espírita e davam-se muito bem na vida particular. Afinidade profunda. Amizade recíproca. Sempre juntos nas boas obras, integravam-se perfeitamente no programa do bem.

Alves, com desapontamento, passou a saber que Rossi, nas três noites da semana sem atividades doutrinárias, era visto penetrando a porta de uma casa evidentemente suspeita, lugar tristemente adornado para encontros clandestinos de casais transviados. 

Persistindo semelhante situação por mais de um mês, Alves, certa noite, informado de que o amigo entrara na casa referida, veio esperá-lo à saída. Dez, onze, meia-noite...

Alguns minutos depois de zero hora, Rossi saiu calmo e o amigo abordou-o.

- Meu caro - advertiu Alves, sisudo -, não posso vê-lo reiteradamente neste lugar. Você é casado, pai de família e, além de tudo, carrega nos ombros a responsabilidade de mentor em nossa Casa. Nada podemos condenar, mas você não ignora que álcool e entorpecentes, aí dentro, andam em bica...

Rossi a cabeça num gesto característico e observou:
- Não há nada. Estou apenas cumprindo um dever cristão.

- Dever cristão?

- Sim, a filha de um dos meus melhores amigos está frequentando este círculo. Jovem inexperiente. Ave desprevenida em furna de lobos. Enganada por lamentável explorador de meninas, acreditou nele... Mas a batalha está quase ganha. Convidei-a a pensar. Há mais de um mês prossegue a luta. Hoje, porém, viu com os próprios olhos o logro de que é vítima. Acredito que amanhã surgirá renovada...

E ante os olhos desconfiados do amigo:

- Você sabe. É preciso agir, sem rumor, sem escândalo. Quem sabe? Talvez em futuro próximo a invigilante pequena possa encontrar companheiro digno. E ser mãe respeitada.

Alves riu-se às pampas, de maneira escarninha, e falou:

- Vou ver se é verdade.

- Não, não! Não vá! - pediu Rossi, em súplica ansiosa.

- Tem medo de ser apanhado em mentira? - disse Alves, com a suspeita no rosto.

E sem mais nem menos entrou casa a dentro, encontrando, num pequeno salão, sua própria filha chorando ao pé de um cavalheiro desconhecido.

Hilário Silva

domingo, 16 de setembro de 2018


Maturidade
Se já prestamos serviço sem perguntar se a criatura está precisando...

Se já auxiliamos nas boas obras sem aguardar recompensa...

Se procuramos o trabalho que nos compete sem rogar que outros nos substituam nas próprias obrigações...

Se não registramos ressentimentos...

Se cooperamos espontaneamente em favor do próximo...

Se buscamos a própria renovação sem esperar que os outros bitolem emoções e idéias pelo nosso coração ou pela nossa cabeça...

Se estudamos os problemas da existência e da alma sem que ninguém nos obrigue a isso...

Se amamos sem cogitar se os outros nos amam...

Se reconhecemos que a nossa liberdade unicamente é válida pelo dever que cumprimos...

Se já sabemos esquecer o mal, para valorizar o bem...

Se já conseguimos calar todos os assuntos que induzam à intranquilidade e ao pessimismo...

Então estaremos atingindo as faixas benditas da maturidade com a Via Superior.

Hilário Silva

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


PERDÃO E VIDA

Capítulo 12

Alija o supérfluo de teu caminho e acomoda-te com o necessário à tua paz.

***

Somente assim encontrarás em ti mesmo o espaço mental
indispensável à comunhão pura e simples com o nosso Divino Mestre e Senhor.

***

Soma as bênçãos que já recebeste da Providência Divina,
a fim de que não venhas a cair no delito da ingratidão.

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Se obstáculos aparecem, lembremo-nos de que o trabalho
no bem de todos é o processo de mais facilmente extingui-los.

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Compreendamos que unicamente cooperando na paz dos outros é
que o concurso da paz virá ao nosso encontro.

Emmanuel

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Aprende o perdão com a vida...
O luar com que te enlevas
É um beijo que o sol, de longe,
Envia a face das trevas.

Auta de Souza

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Sempre que o mal te visite, pede a Deus te conceda a coragem de perdoar.

Maria Dolores

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Quanto menos simpatia, mais obstáculos.

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Quanto mais te consagres ao próprio dever, mais respeito e mais nobreza te coroarão.

Emmanuel

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A terra não é prisão de sofrimento eterno.
É escola abençoada das almas.

André Luiz
PERDÃO E VIDA

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
ESPÍRITOS DIVERSOS