terça-feira, 22 de maio de 2018


A LÍNGUA

ANDRÉ LUIZ

Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.

Ponderada – favorece o juízo.

Leviana – descortina a imprudência.

Alegre – espalha otimismo.

Triste – semeia desânimo.

Generosa – abre caminho à elevação.

Maledicente – cava despenhadeiros.

Gentil – provoca o reconhecimento.

Atrevida – atrai o ressentimento.

Serena – produz calma.

Fervorosa – impõe confiança.

Descrente – invoca a frieza.

Bondosa – auxilia sempre.

Descaridosa – fere sem perceber.

Sábia – ensina.

Ignorante – complica.

Nobre – cria o respeito.

Sarcástica – improvisa o desprezo.

Educada – auxilia a todos.

Inconsciente – geral desequilíbrio.

Por isso mesmo, exortava Jesus:

- “Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus”.

*
A língua é a bússola de nossa alma, enquanto nos demoramos na Terra.

*
Conduzamo-la, na romagem do mundo, para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que abre as portas do nosso coração às fontes da vida ou às correntes da perturbação e da morte.

Da Obra “Apostilas da Vida” - Espírito: André Luiz - Médium: Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 21 de maio de 2018


JORNADA

Adelino da Fontoura Chaves*

Fui átomo, vibrando entre as forças do Espaço,
Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera...
Partícula, pousei... Encarcerado, eu era
Infusório do mar em montões de sargaço.

Por séculos fui planta em movimento escasso,
Sofri no inverno rude e amei na primavera;
Depois, fui animal, e no instinto da fera
Achei a inteligência e avancei passo a passo...

Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,
Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,
A lutar e chorar para, então, compreendê-las!...

Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,
Vivo de corpo em corpo a forjar o destino
Que me leve a transpor o clarão das estrelas!...

(*) Poeta, contista, teatrólogo. Transferindo-se da Atenas Brasileira para o Rio de Janeiro, cedo percebeu AF que nascera para o jornalismo. Trabalhou com Artur Azevedo na Gazetinha e com Lopes Trovão no Combate, e foi agente, em Paris, da Gazeta da Tarde. Patrono da cadeira nº. 1 da Academia Brasileira de Letras e da cadeira nº. 38 da Academia Maranhense de Letras. Autor de "Beatriz", «Celeste», «Atração e Repulsão» e tantos outros sonetos famosos, «é ele» – assinala Múcio Leão (in Dispersos, pág. 12) – «o caso único de um patrono de Academia que não tem nenhum livro publicado». (Axixá, Maranhão, 80 de Março de 1855 ""' – Lisboa, Portugal, 2 de Maio de 1884.)

domingo, 20 de maio de 2018


Felicidade
Emmanuel

Sábios existem que asseveram não ser a felicidade deste mundo, mas isso não quer dizer que a felicidade não seja do homem.

E sabendo nós outros que há diversos tipos de contentamento na terra, não podemos ignorar que há um júbilo cristão, do qual não será lícito esquecer em tempo algum.

A alegria da mente ignorante que se mergulhou nos despenhadeiros do crime, reside na execução do mal, ao passo que a satisfação do homem esclarecido, jaz no dever bem desempenhado, no coração enobrecido e na reta consciência.

Não olvidemos que se o Reino do Senhor ainda não é deste mundo,nossa alma pode, desde agora, ingressar nesse Divino Reino e aí encontrar a aventura sem mácula do amor vitorioso sob a inspiração do Celeste Amigo.

A felicidade do discípulo de Jesus brilha em toda parte, introduzindo-nos à Benção Maior.

É a benção de auxiliar.
A construção da simpatia fraterna.
A oportunidade de sofrer pela própria santificação.
O ensejo de aprender para progredir na Eternidade.
A riqueza do trabalho.
A alegria de servir, não só com o dinheiro farto ou com a autoridade respeitável de Terra, mas também com o sorriso de entendimento, com o pão da boa vontade ou com o agasalho ao doente e à criança.

Tibério era feliz e desventurado no Palácio de Capri, quando o Divino Mestre era ferido e glorificado na cruz em Jerusalém.

A felicidade, portanto, se ainda não é deste mundo, já pode residir no espírito que realmente a procura na alegria de dar de si mesmo, de sacrificar-se pelo bem comum e de auxiliar a todos, quando Jesus soube, amando e servindo, subir do madeiro sanguinolento aos esplendores da Eterna Ressurreição.

sábado, 19 de maio de 2018

DEUS USA O TEMPO E NÃO A VIOLÊNCIA


Chico visitou durante muitos anos um jovem que tinha o corpo totalmente deformado e que morava num barraco à beira de uma mata. O estado de alienado mental era completo. A mãe deste jovem era também muito doente e o Chico a ajudava a banhá-lo, alimentá-lo e a fazer a limpeza do pequeno cômodo em que morava.

O quadro era tão estarrecedor que, numa de suas visitas em que um grupo de pessoas o acompanhava, um médico perguntou ao Chico:


- Nem mesmo neste caso a eutanásia seria perdoável?


Chico respondeu:


- Não creio doutor. Esse nosso irmão, em sua última encarnação, tinha muito poder. Perseguiu, prejudicou e com torturas desumanas tirou a vida de muitas pessoas. Algumas o perdoaram, outras não e o perseguiram durante toda sua vida. Aguardaram o seu desencarne e, assim que ele deixou o corpo, eles o agarraram e o torturaram de todas as maneiras durante muitos anos. Este corpo disforme e mutilado representa uma bênção para ele. Foi o único jeito que a providência divina encontrou para escondê-lo de seus inimigos. Quanto mais tempo aguentar, melhor será. Com o passar dos anos, muitos de seus inimigos o terão perdoado. Outros terão reencarnado. Aplicar a eutanásia seria devolvê-lo às mãos de seus inimigos para que continuassem a torturá-lo.


- E como resgatará ele seus crimes? – Perguntou o médico.


- O irmão X costumava dizer que Deus usa o tempo e não a violência. - respondeu Chico Xavier.


Casos de Chico Xavier

sexta-feira, 18 de maio de 2018


NA ERA DO ESPÍRITO

 Antonio de CASTRO ALVES 1

 O caos invadira a França,
− Olimpo do pensamento.  
3 O ódio − lobo famulento ,
 Range as presas com furor.
Nas ruas − Paris descansa ;
Em casa − chora em segredo;
Gigante, arrosta, com medo ,
As iras do Imperador.

A Nação encarcerada
Lança em nota clandestina
As safras da guilhotina
E explode: − “ Revolução! ”
 Recorda a Bastilha irada,
Lê Rosseau, à luz da vela,
Esmurra as grades da cela,
Protesta rugindo em vão .

A crença herdada do Cristo
Caíra no sorvedouro
 − Turbilhão de pompa e ouro −,
Dobrada ao tacão dos reis.
Em tormento jamais visto ,
Nos frios templos, o povo
Exorava aos Céus, de novo ,
 24 Novos rumos, novas leis.

A Ciência − clava forte − ,
Contra as cadeias medievais ,
Partia os grilhões das trevas
Em sarcástico festim,
A exprobar de sul a norte,
Por tirana revoltada:
− “Dominemos! Deus é nada! ”
A morte − o portal do fim ! ”

Ninguém na fé militante...
Mavorte, em fúria, galopa
Nos campos de toda a Europa!
Na África − a abjeção!
Na Austrália − o progresso infante!
Na Ásia − o suor dos parias
Rola em bagas milenárias!
Na América − a escravidão!

Mas o Espaço se descerra!
Jesus, no esplendor dos sóis,
Recruta gênios e heróis
A iluminar o porvir.
De pólo a pólo, na Terra,
46 Flamejam etéreas lampas ,
Mensagens brotam das campas ,
Ao toque de ressurgir!

Aos clarões da Imensidade,
Kardec chega e inaugura
A Doutrina viva e pura
Da razão à luz do bem.
O Espírito de Verdade
Semeia Divina Messe,
O Evangelho reaparece
Nas Vozes do Grande Além!

Falam tumbas, dançam mesas,
Nascem livros, surgem almas,
Luzem preces, chovem palmas,
Hosanas aqui e ali!
Consciências dantes presas
Rompem torva cidadela;
Pastor guiando a procela,
Jesus conclama: − “Servi!”

Ante a ribalta terrestre,
O Direito renovado
Deixa, ao tropel do passado,
Distinções de raça e cor!
Em triunfo, volve o Mestre,
E acende na mente humana,
Desde o palácio à choupana,
O facho do Eterno Amor!...

O mundo voga num misto
De infortúnio e de esperança,
Pranteia a sorrir e avança
Nas Bênçãos do Excelso Pai!
Kardec reflete o Cristo;
Desfralda, em bandeira à frente,
O convite permanente:
− “Espíritas, trabalhai!...”

(*) Poeta social que exerceu profunda influência sobre a mocidade acadêmica, “o nosso genuíno poeta condoreiro”, no dizer de Álvaro Lins e Aurélio Buarque de Hollanda (Rot. ,II, Pág. 533), estudou Direito no Recife e em São Paulo, sem, contudo, concluir o curso. É, sem dúvida, um dos mais importantes bardos da América. “A sua musa” − disse-o Rui Barbosa − “não é só a da Natureza e a do Amor: é também, e sobretudo, a do Heroísmo, a do Direito e a da Glória.” (Apud Exposição castro Alves, pág. 339) (Fazenda das cabaceiras, Município de Muritiba, Esta. Da Bahia, 14 de Março de 1847 − Salvador, Bahia, 6 de Julho de 1871.)
BIBLIOGRAFIA: Espumas Flutuantes; Gonzaga ou a Revolução de Minas; A cachoeira de paulo Afonso,etc. PRIMAVERAS

ANTOLOGIA DOS IMMORTAIS FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

quinta-feira, 17 de maio de 2018

HOSPITAL


LUÍS DELFINO dos Santos *


Hospital! Praia viva dos efeitos,
És foro das causas esquecidas,
Reduto generoso de mil vidas,
No espinheiral dos trilhos imperfeitos.

Incompreendida dor! Benditos leitos!
Ninho-prisão de loucos e suicidas
Dantes livres nas largas avenidas
Do egoísmo e do orgulho, vis e estreitos.

Em teu regaço, as lágrimas são hinos...
Alguém te vela o clima, atento e mudo:
O médico no leme dos destinos...

Dá-nos, templo da angústia transitória,
O florão da humildade por escudo,
14. O laurel do trabalho por vitória!...


(*) Médico, LD soube, desde cedo, servir-se dos pequenos lazeres da clínica para escrever os magistrais sonetos da sua obra imponente, na qual conseguiu refletir “os três movimentos poéticos do século: o romantismo, o parnasianismo e o simbolismo”. Seu filho, Tomás Delfino, já desencarnado, coligiu em vários livros a obra imensa de LD, deixada esparsas em jornais e revistas. “Era um poeta abundante”, - confirma-o Manuel Bandeira – “e tanto podia espraiar-se longamente em lirismos condoreiros, como sabia limitar-se lapidarmente num soneto”. (Apud LD, Arcos de Triunfo, pág. 29). (Florianópolis, Santa Catarina, 25 de agosto de 1834 – Rio de Janeiro, GB, 31 de janeiro de 1910).
BIBLIOGRAFIA: Algas e Musgos; Poemas; Poesias Líricas; etc. ___________________________

14. Admirável soneto, digno de um médico-poeta.