sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


 

APELO ESPÍRITA
Irmãos! Faze:
De cada ensinamento que recebes uma instrução do Plano Superior;
De cada tarefa, por mínima que seja, uma realização em que deixes os melhores sinais de tua presença;
De cada conversação, um entendimento construtivo;
De cada conversação, um mensageiro de tua cooperação, no levantamento da felicidade geral;
De cada relação nova, uma sementeira de bênçãos;
De cada necessitado, um irmão que te espera o auxílio, em nome da Divina Paternidade;
De cada desapontamento, um teste de compreensão;
De cada hora, uma oportunidade de servir...
Companheiro da Terra és o viajor em trânsito na hospedaria do mundo!... Guarda o coração e a consciência, na prática do bem, de tal modo, que possas receber, com o despertar de cada manhã, um novo renascimento na casa física e, no descanso de cada noite, um ensino de regresso tranquilo ao teu lar verdadeiro, na Vida Espiritual.
 
Albino Teixeira
 
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
CAMINHO ESPÍRITA
AUTORES DIVERSOS

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017


Chico fala dos seus sessenta anos de Mediunidade

Carlos A Baccelli

 

Dia 08 de julho próximo, o nosso estimado Chico Xavier estará completando sessenta anos de mediunidade!

Sabemos que foi em 1927 o início da tarefa abençoada que cumpre na presente existência.

As lutas foram e continuam sendo enormes, todavia, como fiel discípulo do Cristo, em silêncio ele prossegue servindo...

O seu trabalho chega a ser quase inacreditável! Sim, porque, em se tratando de uma só pessoa, com as limitações próprias de todo ser humano, não sabemos como consegue superar-se e produzir tanto, em que pese a presença constante dos Benfeitores Espirituais em sua vida, entre os quais se destaca a figura extraordinária de Emmanuel.

Os livros que lhes nasceram das mãos aproximam-se da marca dos trezentos volumes, em edições que se esgotam sucessivamente.

As suas seis décadas consagradas ao labor mediúnico, com Jesus e Kardec, em verdade representam uma taxa de tempo muito mais amplo, principalmente se levarmos em conta apenas as três ou quatro horas de repouso diário, no refazimento das próprias energias.

Desnecessário que nos alonguemos aqui em outras considerações.

Na noite do dia 25 de março fomos visitá-lo na intimidade de seu lar.

Pedimos-lhe, então, que nos concedesse uma rápida entrevista falando sobre os seus sessenta anos de mediunidade, já que não gostaríamos de cansá-lo com perguntas que, certamente, lhe foram feitas inúmeras vezes, ao longo do tempo.

Em nome da nossa amizade, Chico humildemente aquiesceu, e aqui está o resultado do trabalho que apresentamos agora aos nossos companheiros de ideal Espírita, rogando ao Senhor da Vida que o envolva em nossas vibrações de carinho e profunda gratidão.

- Chico como você se sente ao estar completando, no próximo dia 08 de julho, sessenta anos de abençoada mediunidade?

- Baccelli; aos sessenta janeiros de mediunidade, com serviço constante, noto que o meu instrumento físico – no caso, o meu próprio corpo – registra desgaste natural e compreensível, após seis décadas de ação.

Digo isto, porque nessa cota de tempo está incluído o período de trinta e cinco anos em que servi na condição de funcionário do Ministério da Agricultura, hoje aposentado.

Entretanto, pode crer que, do ponto de vista espiritual, a minha alegria com a mediunidade não sofreu qualquer alteração.

O corpo terá motivos para não se mostrar tão apto como antigamente para as minhas atividades normais, no entanto, quanto mais se me desgasta o veículo físico, mas vivo é o meu entusiasmo coma s tarefas que me foram confiadas.

Neste sentido, para que o nosso entendimento não se afaste do bom-humor a que nos habituamos, peço permissão para contar a você que uma de minhas irmãs, residente em Pedro Leopoldo, perguntando-me numa carta do mês passado, como eu me sentia co completar sessenta anos de mediunidade ativa e ininterrupta, respondi-lhe que me reconheço à maneira de um trabalhador do campo, preparando-me para o regresso ao lar, depois de um longo dia de trabalho.

 

- O que essa convivência estreita com os Espíritos lhe tem ensinado de mais importante?

- Creio que a matéria mais importante que recolhi da convivência diária com os Amigos Espirituais, durante sessenta anos, é o que julgo seja o meu relacionamento com os meus semelhantes.

Tendo saído de um curso primário que não me proporcionava naturalmente qualquer diretriz psicológica para compreender as outras pessoas, o tato e a caridade que os Espíritos Amigos me ensinaram para guardar o respeito que devo ao próximo e que preciso manter para minha paz íntima na essência foram e ainda são os melhores recursos que recebi da convivência com eles para me relacionar com os irmãos da caminhada humana. Isso porque me cabe aceita-los como são, dosando a verdade em qualquer diálogo que se faça necessário, sem feri-los e sem prejudicá-los.

Dizem os Amigos espirituais que as atitudes de apreço e tolerância construtiva para com as criaturas, sejam como sejam, nos fazem ver que precisamos da cooperação delas, em nosso próprio benefício.

 

- Como entender o interessante fenômeno da multidão que, semanalmente, o procura nas atividades do Grupo Espírita da Prece?

- Guardo a certeza de que os amigos e simpatizantes da Doutrina Espírita que nos procuram em nossas reuniões dos sábados, no Grupo espírita da Prece, são movidos pelo espírito de fraternidade com que se propõem a incentivar-nos os bons propósitos do trabalho que a própria Doutrina nos faculta.

 

- Ante as lutas que surgiram ao longo do tempo, alguma vez chegou a pensar em viver a sua própria vida, deixando a mediunidade?

- No princípio das tarefas, estranhei a disciplina a que devia submeter-me.

Fiquei triste ao imaginar que eu era uma pessoa rebelde e, nesse estado de quase depressão, certa feita me vi fora do corpo, observando um burro teimoso puxando uma carroça que transportava muitos documentos.

Notei que o animal, embora trabalhando, ficava com inveja dos companheiros da sua espécie que corriam livremente no pasto, mas vi igualmente que muitos deles entravam em conflitos, dos quais se retiravam com pisadas sanguinolentas.

O burro começou a refletir que a vida livre não era tão desejada como supusera, de começo.

A viagem da carroça seguia regularmente e ele se reconheceu amparado por diversas pessoas que lhe ofereciam alfafa e água potável.

Finda a visão-ensinamento, coloquei-me na posição do animal e compreendi que para mim era muito melhor estar sob freios disciplinares do que ser livre no pasto da vida, para escoicear companheiros ou ser por eles escoiceado.

 

- Como interpretar a fase atual de sua tarefa mediúnica, na recepção de mensagens que os desencarnados endereçam aos familiares na Terra?

- Quando recebo determinada mensagem dirigida a familiares que se reconfortam, sinto realmente uma grande alegria.

 

 

- O que Chico Xavier pensa de Chico Xavier?

- À medida que os Benfeitores espirituais nos transmitem lições de esperança e de aperfeiçoamento, assinalo a distância em que me encontro do médium evangelizado que eu deveria ser.

A luta se estabelece em minha vida interior, qual se eu me pusesse a rixar comigo mesmo.

Nessa luta prossigo, sob a paciência e a compaixão dos Benfeitores da Vida Maior que nos orientam caridosamente, mas, embora não sendo o Chico Xavier que preciso ser, continuo a trabalhar com fé em Deus, reconhecendo as minhas imperfeições e esperando o dia em que serei o Chico Xavier que possa corresponder à confiança dos nossos Amigos Espirituais e dos nossos companheiros da Terra.

 

- Você tem saudades dos primeiros anos da mediunidade, quando então tudo começava?

- Tenho saudades dos companheiros e das irmãs com quem me iniciei na mediunidade, atualmente quase todos na Vida Espiritual, no entanto, essas saudades que ensinam a valorizar os companheiros e as irmãs que a Divina Providência ma concedeu para trabalhar aos quais a servir nos dias de hoje, irmãos esses aos quais, no presente, devo o mesmo amor e o mesmo reconhecimento que me unem a memória às almas queridas que tanto me auxiliaram no passado.

 

- Existe algum episódio de suas reminiscências que, particularmente, gostaria de lembrar agora aos companheiros de Doutrina que o amam tanto?

- Lembro-me de um acontecimento que considero por vitória da fé.

Em 1928, as nossas necessidades de recursos materiais eram prementes e não víamos como solucionar o problema senão esperando pela Misericórdia de Deus.

A situação era essa, quando, numa noite de preces, uma jovem tuberculosa nos procurou, rogando auxílio.

Estava abatida e ofegante.

Falou-nos das hemoptises que já sofrera.

Pedia uma orientação do Dr. Bezerra de Menezes que, nesse tempo, já nos estendia a caridade da sua atenção.

Dr. Bezerra veio até nós e recomendou à moça diversas providências que lhe auxiliariam a cura.

E, terminadas as instruções dele, disse, escrevendo por nossas mãos: “-Filha, procure fazer o que lhe peço tomando a presente orientação por trinta dias seguidos”.

A jovem chorou e disse que não dispunha de dinheiro algum para atender aos conselhos recebidos.

Por outro lado, muito me comovi porque eu também não possuía os recursos necessários.

Disse a ela que tivesse confiança porque os recursos apareceriam.

Depois de um mês, a mesma jovem voltou às nossas preces; plenamente revigorada!

Perdera o abatimento,

Trazia a face rosada.

Fui impelido a perguntar-lhe se havia obtido os recursos que nem ela nem eu possuíamos, trinta dias antes.

Sorrindo, ela me disse: “- Chico, o Dr. Bezerra me aconselhou a usar as instruções dele por trinta dias”.

Não tendo dinheiro, cortei o papel da orientação em trinta pedacinhos e, cada manhã, eu fazia uma prece, pedindo o amparo de Jesus, e engolia um dos pedacinhos com água de nossa casa.

Ao fim de trinta dias, bebi a receita do Dr. Bezerra; e o próprio médico que me tratou, a princípio, já declarou que estou perfeitamente restabelecida...””

 

- Como vê os rumos da Doutrina Espírita no Brasil, quando observamos tantos conflitos no movimento colocando em risco a paz do grupo?

- Creio que devemos efetuar campanhas de silêncio contra as chamadas “fofocas”, cultivando orações e pensamentos caridosos e otimistas, em favor da nossa união e da nossa paz geral.

Esta minha lembrança simples pode parecer ingênua, mas, sempre que me abstive do cultivo de “fofocas” e sempre que recorri à prece, consegui paz e entendimento par ao meu coração.

 

- Chico, no dia 02 de abril você completará setenta e sete anos de vida no corpo físico. Você se considera realizado e feliz?

- Sinto-me profundamente feliz por todas as bênçãos que Jesus e os Amigos Espirituais me concederam, mas, sentir-me realizado, segundo acredito, é um projeto para daqui a milênios!

Estou desenhado pela Espiritualidade, mas extremamente longe da imagem que eles projetaram para meus apuros e necessidades de automelhoria.

 

- Qual é a sua mensagem para os médiuns que estão dando agora os primeiros passos?

- Quando Emmanuel me apareceu pela primeira vez, em fins de 1931, dizendo que pretendia auxiliar-me no serviço mediúnico, indaguei a ele:

O que acha o senhor que devo fazer para ser-lhe útil, já que nada tenho de mim para receber o amparo do senhor?

Ele respondeu:

Começaremos com três recursos, que não são inacessíveis para você.

Então voltei a perguntar:

Quais são esses recursos?

Muito sério, mas benevolente, ele me respondeu:

Disciplina, disciplina e disciplina.

 

 

(Jornal “A Flama Espírita” – Uberaba, Minas, 20 de julho de 1987).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017


DELFINO DA COSTA MACHADO
 
Crônica feita pelo médico Delfino da Costa Machado, Pediatra, Psiquiatra e Professor de Histologia e Embriologia no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás.
 
UMA CRÔNICA PARA CHICO
 
Francisco Candido Xavier, Chico Xavier- mais de cem anos ininterruptos de psicografia.
Mediunidade não deve ser luxo e nem moda, mas serviço a bem das criaturas. O médium deve comportar-se como um círio aceso que consome para fazer luz nos caminhos do próximo. Isso foi o que Francisco Cândido Xavier sempre fez.
"Reconhece-se a evolução de uma alma pelo número de almas que ela influencia beneficamente" ou também pela sua capacidade de amar e não pelos seus valores materiais ou intelectuais.
 
"Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros a mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe - que faz a palma
É chuva - que faz o mar. "
 
Nos tempos modernos, a ninguém se aplicariam melhor essas palavras que a Chico Xavier e a Emmanuel.
Quando nos reportamos a Emmanuel queremos nos referir a toda essa equipe de irmãos abnegados da espiritualidade, que toma parte nas tarefas mediúnicos de Chico Xavier. Lembramo-nos também de todos aqueles que estiveram ao seu lado, participando do seu trabalho abençoado. As tarefas são de equipe.
Oito de julho de 1977. Há cinqüenta anos Chico Xavier começava a psicografar na pequena cidade mineira de Pedro Leopoldo, no Centro Espírita Luiz Gonzaga.
Cinqüenta anos ininterruptos de psicografia. Meio século, uma existência.
Benditas essas mãos de semeador da luz, de semeador do verbo sob a forma de páginas e de livros.
  "Aquele que semeia a sua semente saiu a semear... A semente é a palavra de Deus."
  Chico não semeia sem sair. Sai a semear, o que é mais laborioso.
Cinqüenta anos na tarefa abençoada de fazer claridade nos caminhos de nossa vida, consumindo-se a si mesmo como um círio aceso, para que vejamos o caminho.
  Cinqüenta anos de labor fecundo que são mais de um século de trabalho incessante, porque o tarefeiro do Senhor não conheceu noites de repouso. Trabalhou sem cessar, Ouviu e compreendeu as palavras do Mestre: "meu Pai trabalha desde toda a Eternidade e eu trabalho também". Trabalhou servindo e serviu amando.
  Que homem estranho é esse Chico Xavier. Poderia alguém pensar: "Ele não é estranho; nós é que o somos..."
  Pelos seus dons mediúnicos foi chamado o homem psi,sensitivo paranormal, sensitivo ESP, mas ele se considera simplesmente um médium psicógrafo. Tudo mais simples, como nos ensina a Doutrina Espírita.
  Observando a vida laboriosa de Chico Xavier nos domínios da mediunidade, vemos que ele se entregou a um autêntico processo de iniciação nos mistérios profundos da vida. Ele é um iniciado ou uma alma entregue à iniciação. Podemos ver isso nas suas próprias palavras:
  "Compreendo, desse modo, que mediunidade com Jesus para mim tem sido um encontro progressivo e constante comigo mesmo, em que a luz dos Amigos Espirituais me mostra, sem violência, quanto preciso ainda aprender e trabalhar para melhorar-me."
  Iniciação não é condicionamento mental e nem prática de ritos estereotipados, mas é auto conhecimento e trabalho - serviço ou seja, trabalho em favor do próximo.
  Para nós, Chico Xavier é o iniciado dos tempos modernos que buscou a sua iniciação não em Himalaias, mas na planície e até no vale dos sofrimentos dos seus irmãos. Viver nas solidões, nos ermos, longe dos problemas humanos, em meditação, é até agradável. Abandonar o mundo para viver para si, não é renuncia. Renúncia é doar-se em benefício do mundo.
Chico Xavier conviveu e convive com os sofrimentos humanos, com todos os seus problemas, para levá-los aos Espíritos e trazer as respostas do Além. Através das suas mãos abençoadas nos chegou e nos tem chegado a mensagem que nos esclarece e nos anima.
Quantos se tem reerguido para vida renovada a uma palavra sua, a uma mensagem que veicula, a sua presença. Não devemos endeusar os homens, mas também não devemos profanizar os iniciados. Devemos buscar a estes a fim de que sua luz nos banhe.
Há quem pense que Chico Xavier não tenha nem cultura intelectual nem espiritual. Isso não alterará a vida do médium. Longe dele está de sujeitar-se às opiniões. Ele não precisa das nossas opiniões, mas nós precisamos das lições que nos transmite dos espíritos e das que ele é detentor. Ele tem não apenas cultura, mas também sabedoria. Esta chegou ao ponto dele ser humilde.
Muitos não entendem a humildade de Chico Xavier; acham até que ele não seja sincero. Ele se fez humilde, conscientemente humilde. Tinha de ser assim, para que pudesse desempenhar a sua missão - a de médium fiel. Tinha de ser assim para que as mensagens dos espíritos não sofressem influência da sua personalidade. Empreendeu a sua tarefa de canal e para bem desempenhá-la desobstruiu-se. Fez isso voluntária e conscientemente: "costumo dizer que devo ter o apelido de Chico, em meu nome individual, para lembrar-me de que a minha posição é realmente a posição de criatura que de si própria nada vale, ou pouco vale".
"Compreendo a tarefa dos espíritos, por meu intermédio, assim como se eu fosse um arbusto de qualidade muito inferior e o jardineiro ou o floricultor interferisse trazendo, por exemplo, sobre mim, num fenômeno de exertia uma árvore de natureza superior para que essa árvore produza frutos dos quais essa mesma árvore nobre seja mensageira. "
Receba hoje, dileto irmão e benfeitor, as nossas modestas vibrações da mais sincera gratidão pelo que nos tem doado do seu coração generoso e que o Senhor da Vida o recompense e lhe dê forças para prosseguimento da sua semeadura de luz no solo dos corações adubados pelas lágrimas.
 
LUZ BENDITA
 
 
FRANCISCO CANDIDO XAVIER
RUBENS SILVIO GERMINHASI

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Em Tarefa do Amor

 

A tarefa de amor

Resume-se em servir.

Decide-te e começa...

Une-te aos companheiros,

Sem contar desenganos.

Há irmãos que se queixam

Outros se desanimam,

Alguns te desaprovam,

Muitos te desconhecem...

Mas se segues com Deus

Nunca te cansarás.

 

 

Ergue-te e Segue

 

Os dias de tristeza

E os desgostos à vista!...

Erraste e sofres.

Perdeste amigos.

Vieram provações.

Choram entes amados.

A ansiedade é tão grande

Que supões impossível

Levantar-te do leito...

No entanto, ergue-te e anda

Deus te renovará.

 

Emmanuel, do livro Material de Construção, psicografia de Chico Xavier.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017


Convencer-se e Converter-se

 

 

Muito fácil convencer-se alguém da Verdade do Senhor, transformando a vida dos companheiros.

Muito difícil, porém, converter-se ao Senhor da Verdade, renovando a própria vida.

O homem apenas convencido pode: construir maravilhosos templos para o culto religioso e morrer desabrigado; orientar o combate aos inimigos da Humanidade e permanecer possuído por terríveis adversários de si mesmo; distribuir benefícios incontáveis e atingir o fim da experiência terrestre em angustiosa fome do coração; acender inúmeras lâmpadas no caminho e entregar-se à morte às escuras; receber prodigiosos dons do Céu e estendê-los aos semelhantes, persistindo em asfixiante cegueira no campo intimo.

O homem somente convencido: derruba sem construir, critica sem cooperar, discute sem esclarecer, exige de todos sem auxiliar a ninguém, hostiliza o bem provável, sem edificar o bem positivo.

Muito perigoso convencer-se quanto à verdade espiritual pelo raciocínio, sem converter-se a ela pelo coração.

Muitos chamados, poucos escolhidos.

Muitos se convencem, poucos se convertem.

Somente o homem verdadeiramente convertido a Jesus adquire suficiente poder para desligar-se dos domínios do "eu", buscando o Reino de Deus.

Só é instrumento capaz de atender, com eficiência, no divino trabalho da redenção humana ao descobrir o júbilo de servir, no legítimo entendimento da evolução e da eternidade.

Representa, efetivamente, o discípulo fiel, o cooperador decidido e voluntario.

Para o seu raciocínio unido ao sentimento, terminou o nevoeiro da negação, da incerteza e da dúvida. O Senhor determina e ele obedece.

 

Confraternizemo-nos...

 

Solicitar diretrizes do Plano Elevado, esperando que os Desígnios Divinos se adaptem aos nossos caprichos, é loucura do coração.

PERANTE JESUS

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

EMMANUEL

domingo, 15 de janeiro de 2017


Simão, o Mendigo

 

Doente, pobre, velhinho,

O desditoso Simão,

Arrimado a seu bordão,

Andava devagarzinho...

 

Pés e mãos em chaga aberta,

Lá ia o velho, coitado!

Enfermo, desamparado

E humilde na estrada incerta.

 

Cabelo todo branquinho,

Rugosa a face morena,

O pobre metia pena

A vagar pelo caminho...

 

De onde viera? Ora, quem

Buscava saber ao certo?

Vinha de longe ou de perto?

Ninguém sabia, ninguém.

 

Só lhe sabiam do nome,

E que, em miséria, sem nada,

Ele esmolava na estrada,

A fim de matar a fome.

 

Estendendo seu chapéu,

Pedia cheio de dor:

-Uma esmola, meu senhor,

Por amor ao Pai do Céu!...

 

Mas, oh! Deus, que desalento

Neste mundo de aflição!

Ninguém ouvia Simão

Nas horas de sofrimento.

 

-Passai de largo! É o leproso!...

diziam homens cruéis –

-Oh! Não vos aproximeis

deste ancião perigoso!...

 

 

 

 

-Ah! Que graça! Põe-te à brisa! –

Exclama outro passante –

Nada de esmola ao tratante,

Que este velho não precisa!...

 

O mendigo, nos seus ais,

Dizia: -Viva a saúde!

Trabalhei enquanto pude,

Agora, não posso mais...

 

Toda a gente lhe fugia,

Ninguém lhe dava uma sopa,

Nem um trapinho de roupa

Para a noite de agonia.

 

Muito tempo era passado

E o desditoso velhinho

Sentia-se mais sozinho,

Mais doente, mais cansado...

 

Chegou, enfim, um momento

Em que o velho sofredor

Caiu de frio e de dor

Na estrada do sofrimento.

 

“-Escuta, meu bom Simão,

não temas, querido amigo!

Sê forte! Eu estou contigo.

Chegaste à ressurreição”.

 

Não chores. Estou aqui!...

Terminou tua aflição,

Estás em meu coração!

Pensavas que te esqueci?

 

Enquanto o mundo enganado

Atormentava-te ao peso

De zombaria e desprezo,

Eu sempre estive ao teu lado.

 

Teus prantos e tuas dores

São, hoje, a luz que te veste

No campo do amor celeste,

Repleto de eternas flores.

 

E Jesus, em voz mais terna,

Concluía: “Vem, Simão,

À doce consolação

Do mundo de luz eterna!...

 

E Simão, chorando e rindo,

A seguir, ditoso, o Mestre,

Esqueceu a dor terrestre,

No céu venturoso e lindo.

 

O caminho era de estrelas

De tão sublime matiz

Que o pobre ria, feliz,

Sem saber como entendê-las.

 

No outro dia, ao reconforto

Do Sol de coroa erguida,

Acharam Simão sem vida...

O mendigo estava morto.

 

JARDIM DE INFÂNCIA

 

 FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER   JOÃO DE DEUS