sábado, 11 de março de 2017


 

 



Convite
 
 
 
 
Irmãos; soou a hora e é já chegada,

De se vencer ao lado de JESUS,

Mesmo supliciados pela cruz,

Seja a Boa-Nova por nós, proclamada.

Constantemente, se ouve a Sua Chamada:

“Vinde a Mim, que do mundo Eu Sou a Luz,

Tereis consolação, pois, fazeis jus,

Tendo a alma pelas dores trespassada.

A nova aurora já surge radiosa”,

Num convite esplêndido e fraternal:

“Amai-vos”, esta é a Lei pura e grandiosa;

Vencereis, então, todo o grande mal,

Que depois de renhida luta, será rosa,

A perfumar a alma que é imortal.
 
 
Jésus Gonçalves

 
SENDA PARA DEUS

 
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
ESPÍRITOS DIVERSOS

sexta-feira, 10 de março de 2017



 Paciência e Caridade
 
Emmanuel

Caridade sem paciência pode converter-se em agressividade destruidora.

Paciência sem caridade pode transformar-se em cálculo egoísta.

***

O prato de pão entregue ao necessitado com frases de reprimenda é semelhante a uma fatia de bolo misturado de fel.

***

O gesto de calma sem amor assemelha-se, muitas vezes, à atitude atenciosa de um felino, aguardando o momento oportuno de saltar sobre a presa.

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O lavrador que conta com a bondade da terra aprende a esperar pela colheita.

***

O médico que provoca a reação benéfica do organismo em tratamento não prescinde do concurso das horas, para alcançar os objetivos da cura.

***

Não ajuntes o veneno da irritação ou o tóxico da desconfiança ao cálice luminoso de tua dádiva.

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Não vistas o teu pensamento de dúvidas e nem condiciones tuas palavras em lâminas de violência, se desejas conduzir algum coração amigo ao templo da felicidade ou do caminho reto.

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A caridade é, acima de tudo, filha dileta da paciência nascida da boa vontade e da compreensão.

***

Muitos jardineiros perdem flores que seriam de milagrosas belezas simplesmente porque não sabem tolerar os sacrifícios reclamados pela planta em embrião.

***

Conquistemos a serenidade em nós, para nós mesmos, a fim de construirmos novos destinos, pela simpatia e pela fraternidade que o Senhor nos auxiliará a cultivar.

***

Semeias o bem e a luz, sem as ameaças da pressa, e, com a passagem dos dias, atingireis a messe bendita do amor e da sabedoria em vosso renovado caminho.

***

Jamais nos esqueçamos de que o tempo é a caridade de Deus em nosso favor porque, através das horas e dos séculos, sabe, pacientemente, esperar.

 

SENDA PARA DEUS

 

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

ESPÍRITOS DIVERSOS

quinta-feira, 9 de março de 2017


Missão de Mulher

 

Jovem prendada e linda, era a própria beleza,

Rosa de inteligência e natureza,

Viera de remoto povoado,

Com tarefas de estudo e sonhos de noivado,

E conquistara enorme simpatia...

Fizera-se modelo e se reconhecia

O ponto alto das exibições,

Favorita do brilho em passarela,

Pisando corações...

 

Ela encontra, por fim, num jovem rico e nobre

A cortina de ouro em que se encobre.

 

Quatro anos de luxo nos salões

Tornaram-na famosa e cada vez mais bela.

 

Certo dia, no entanto, inesperadamente,

Uma carta lhe chega... Vem da vila

Em que passara a infância humílima e tranquila,

É da mãezinha que se diz doente...

Falecera-lhe o irmão, seu único parente,

Declarava-se triste e desolada,

Incapaz de ganhar o próprio pão...

Rogava à filha proteção,

Sentia-se sozinha e fatigada

E, sobretudo, estava em luta insana,

Pois era agora triste hanseniana.

 

A moça treme revoltada

E, às súbitas, planeia

O que admite por melhor medida;

Não quer aquela mãe que a desnorteia;

Detestaria ver-se diminuída

Perante o homem que ama.

Age arbitrariamente,

Adita ao próprio nome um nome diferente

Na rude inquietação que ela própria extravasa...

E, mudando de casa,

Permaneceu na expectativa...

 

Realmente, depois de algum tempo passado,

Senhora hanseniana morta-viva

Bate-lhe à porta, em tom desesperado;

Servidores atendem, entretanto

Ela quer ver a filha que ama tanto,

Colhendo reiterada negativa.

Mas sabendo-a sentada sobre o piso

Que dava acesso ao grande apartamento,

A própria moça surge, de improviso,

A gritar-lhe, de ânimo violento:

- Saia daqui, depressa! Vá-se embora!...

Não conheço a senhora

E caso aqui persista,

Tenho a polícia à vista!...

 

- Filha, dize por que... -

Exclamou a mulher agoniada, -

Estarei eu assim tão deformada

Que o seu olhar já não me vê?

Não ficarei aqui, não lhe trarei perigo,

Mas não vês que a mãezinha está contigo?

 

- A senhora não passa de embusteira, -

Falou a moça, a gestos desumanos.

- Minha mãe já morreu, há muitos anos...

Velha tonta,

Não sei como se fez aventureira,

Mas a polícia vai tomar-lhe a conta...

 

Minutos decorridos,

Enquanto a pobre mãe chorava, angustiada,

Uma ambulância veio em disparada

E conduziu-a para um sanatório.

 

Trinta anos passaram sobre a cena,

A filha desposara o jovem que a queria.

O casal conjugava a fortuna e a alegria,

Ele, o industrial, ela, a nobre senhora,

E um filho nobre e forte

Surgiu-lhes a brilhar

Por tesouro do lar.

Quanto à pobre mulher deixara a enfermaria,

Conseguira curar-se,

Mas não mostrava mais a face antiga,

Era triste velhinha sem disfarce,

Desditosa mendiga...

Conhecida por velha hanseniana,

Já sofrera de sobra a zombaria humana...

Morava numa furna abandonada,

Não distante da fábrica de tubos

E outros artigos de eletricidade

De que o neto distinto era dono e gerente...

 

Sabendo-se que fora humilhada e doente,

Cobria-se com capa esburacada

E, lembrando uma sombra a pervagar na estrada,

Pedia aqui e ali, um socorro qualquer...

Mas em torno da fábrica era o ponto

Em que a infeliz mulher

Parecia um rondante, atento e pronto,

A observar o que passasse...

Se encontrava o gerente, face à face,

Dizia, constrangida: - Uma esmola, doutor!...

Intrigado o rapaz notava aqueles olhos

Que o miravam, mostrando imenso amor...

Dava-lhe algum dinheiro, atento a isso,

Depois seguia adiante

Mergulhando a atenção em seu próprio serviço...

 

Seguia o tempo em marcha regular,

Quando veio a estourar

Na fábrica tranquila

Um grande movimento

De protesto violento,

Que englobava, por si, todo o operariado...

A gerência estudava ação conciliadora

E os conflitos surgiam, lado a lado.

 

No ápice da luta,

A velhinha cansada, dia-a-dia,

Observa o extensão da rebeldia,

Mantendo-se, de guarda, ao pé das oficinas,

Qual um posto de escuta.

 

Certa noite, enxergou dois delinquentes

Quando os vigias cochilavam fora,

Agiam, sem que a vissem trêmula e calada...

Uma porta se arromba

E os dois, dentro da fábrica isolada

Colocam grande bomba,

No intuito de gerar perturbação,

E fogem, assustados, do recinto...

 

Ela entra em ação,

Obedecendo ao próprio instinto...

 

O estopim fumegava... Ela, porém,

Sem o concurso de ninguém,

Toma nas mãos o engenho destruidor,

Avança sem temor,

Sai pela porta afora,

Correndo sem a mínima demora,

Mas, antes que atirasse a bomba ao chão,

Dá-se a grande explosão.

 

A fábrica salvara-se.

Ela, porém, tombara

Mortalmente ferida...

 

Faz-se tumulto, em torno... Eis o chefe a chegar...

Reconhece a velhinha e determina

Que ela seja tratada

Por valente heroína...

 

Foi no hospital a derradeira cena.

Finava-se a velhinha devagar,

Mostrando no semblante a beleza serena

De quem transmite paz no próprio olhar...

 

Eis que, em dado momento,

Ela percebe vozes e alarido;

Ao formoso aposento

O gerente trouxera os pais com garbosa alegria;

Deviam ver a pobre que morria

E que o amara tanto...

 

O casal aproxima-se... A senhora

Treme ao reconhecer a mãe que rejeitara outrora...

Enquanto filho e pai conversam à distância,

Ajoelha-se a filha, ante a mulher que morre...

Ela perde perdão no pranto que lhe escorre

Dos olhos espantados...

Contudo, a agonizante ao percebê-la,

Ciciou as palavras: - Minha estrela!...

Ouvindo-a soluçar,

Consegue novamente sussurar:

- Filha do coração, Jesus a trouxe aqui...

Depois disse ao cair, em profundo torpor:

- Não chores, meu amor,

Eu nunca te esqueci...

 

Lá fora, o Sol, em tudo, era vida e esplendor,

Parecendo dizer na própria chama

Que, desde a luz dos Céus aos abismos da lama,

Deus, em todo o Universo, é a Presença do Amor.

 

CAMINHOS DO AMOR

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

MARIA DOLORES

quarta-feira, 8 de março de 2017


Estudando a Infância
Emmanuel
 
O espírito – viajante da Eternidade – adormece no berço para acordar na sementeira, tanto quanto adormece no túmulo para acordar na colheita.
E o homem que amadurece na experiência terrena suspira por encontrar além da morte, braços amigos que o sustentem na grande romagem para a Divina Luz.
Todavia, cada criatura desperta, depois da morte, na região para a qual dirigiu os próprios passos.
Há quem reabra os olhos na paisagem reconfortante do amor e da alegria, consoante a alegria e ao amor que plantou na leira humana, mas também há quem se reconquiste em pleno espinheiro de aflição e sofrimento, segundo a aflição e o sofrimento que espalhou na própria estrada.
Por isso mesmo, é possível observar na própria Terra, a lei de correspondência, pela qual cada um responde pelas próprias obras.
 
Cada espírito renasce na posição que merece, de acordo com as dívidas ou aquisições a que se ajusta.
Há quem nasça no ódio com que intoxicou o próprio destino, como há quem retoma o corpo com as mesmas feridas que, ontem, estampou na própria alma.
Daí, o impositivo de entendermos na infância, não a estação de irresponsabilidade festiva, mas a hora favorável de abençoada preparação do futuro.
Receberemos, amanhã, na alma confiada às nossas mãos, aquilo que hoje lhe oferecemos.
 
Nossos filhos no mundo são consciências que gravitam em torno de nossa vida refletindo, agora ou mais tarde, o nosso devotamento ou a nossa deserção.
Não vale iludir a criança com a fantasia do dinheiro ou do privilégio; anestesiando-a na leviandade.
 
O lar é, antes de tudo, a escola do caráter e, somente quando os responsáveis por ele se entregarem, felizes, ao sacrifício próprio, para a vitória do amor, é que a vida na Terra será realmente de paz e trabalho, crescimento e progresso, porque o homem encontrará na criança as bases justas do programa da redenção.

terça-feira, 7 de março de 2017


Auto Desobsessão

André Luiz

 

Se você já pode dominar a intemperança mental...

Se esquece os próprios constrangimentos, a fim de cultivar o prazer de servir...

Se sabe cultivar o comentário infeliz, sem passá-lo adiante...

Se vence a indisposição contra o estudo e continua, tanto quanto possível, em contato com a leitura construtiva...

Se olvida mágoas sinceramente, mantendo um espírito compreensivo e cordial, à frente dos ofensores...

Se você se aceita como é, com as dificuldades e conflitos que tem, trabalhando com tudo aquilo que não pode modificar...

Se persevera na execução dos seus propósitos enobrecedores, apesar de tudo que se faça ou fale contra você...

Se compreende que os outros têm o direito de experimentar o tipo de felicidade a que se inclinem, como nos acontece...

Se crê e pratica o princípio de que somente auxiliando o próximo, é que seremos auxiliados...

Se é capaz de sofrer e lutar na seara do bem, sem trazer o coração amargoso e intolerante...

Então, você estará dando passos largos para libertar-se da sombra, entrando, em definitivo, no trabalho da auto desobsessão.

 

PASSOS DA VIDA

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  - ESPÍRITOS DIVERSOS