domingo, 9 de outubro de 2016


Evolução e Responsabilidade Espírita
Ao adquirirmos conhecimentos tornamo-nos responsáveis por nossos atos. Consolidando estes conhecimentos estamos aptos a transmiti-los para outros, vivenciando-os.

Durante a
evolução sobre a Terra, nós seres humanos, vimos desenvolvendo aos poucos nossas capacidades intelectuais e espirituais. Passamos do ‘ser totalmente instintivo’, que lutava animalescamente por sua sobrevivência num mundo hostil, para um ‘ser mais sensível’, que busca criar melhores condições de sobrevivência para si mesmo e sua prole. Nesta evolução passamos pela idade do fogo, da pedra, do ferro e chegamos ao que chamamos de período civilizado. Enquanto ser gregário, agrupamo-nos socialmente para vivermos em comunidades, em cidades.

Grandes civilizações desenvolveram-se, atingiram o
apogeu e decaíram. Crescemos intelectualmente e espiritualmente, uns mais rapidamente, outros tantos lentamente; cada um de nós em um ritmo próprio. Alguns povos especializaram-se no desenvolvimento do intelecto, outros nos valores espirituais. Em muitas destas fases, o primitivismo predominou através de guerras ou do domínio dos fortes sobre os mais fracos, tanto física como psicologicamente.

Há dois mil anos, Jesus trouxe à Terra o
amor pelas criaturas, ensinando a todos nós que somente através do amor o homem atingirá seu apogeu evolutivo. No entanto recebemos estes ensinos divinos e mal percebemos a sua grandeza. Mesmo na época de Jesus, muitos de nós não conseguimos perceber estes ensinos, além da sua utilidade prática, momentânea, de cura de nossos males físicos ou emocionais.

Como diz Amélia Rodrigues, através da
mediunidade de Divaldo Franco, “Jesus aparece-lhes e abre-lhes um elenco de novas possibilidades, oferecendo-lhes recursos incomuns, oportunidades antes jamais imaginadas e causa uma rápida mudança de conduta. ...A mensagem Dele, de renovação e de libertação interior, no entanto passava quase despercebida...”

No entanto, a mudança ocorre. A semente do
amor estava plantada. Assim, apesar de momentos históricos negros, a arte e a cultura ressurgem para nos mostrar a beleza do mundo e sensibilizar o nosso espírito primitivo para as coisas mais elevadas.

Deixamos de a
penas lutar pela sobrevivência. Agora ainda trabalhamos para viver, mas apreciamos algumas comodidades e, alguns de nós, já desenvolvemos o espírito crítico: político, científico e artístico; outros, o ético-moral-religioso.

As guerras e revoluções continuaram e continuam, mas de tempos em tempos,
espíritos mais elevados renascem entre nós para iluminar todos os campos da nossa cultura. Nestas ocasiões, o saber aprimora-se e o conhecimento científico utilizado positivamente proporciona-nos cada dia mais comodidades.

No final do século 19, os
espíritos oferecem-nos a sua doutrina, através de Allan Kardec. No mundo ocidental, vivíamos a revolução industrial. Desenvolvíamos cada vez mais o conhecimento científico e a nossa indústria sofreu forte impulso e desenvolveu-se. Estávamos também aptos a adquirirmos mais conhecimentos sobre a vida espiritual. E a verdade da vida espiritual surgiu através de manifestações em várias partes do mundo. Allan Kardec iniciou o trabalho de codificação da doutrina dos espíritos e esta espalhou-se pelo mundo.

O século 20, século das grandes descobertas científicas, de Einstein, Madame Curie e outros tantos nomes que contribuíram para o desenvolvimento da nossa Ciência em todos os seus ramos, também nos traz uma outra r
evolução - a da comunicação. Já não vivemos isolados numa região, pois somos co-participantes no dia a dia da vida planetária. Acompanhamos os acontecimentos no planeta e co-participamos, observando, criticando. E isto virá a ser um dos fatores importantes no nosso processo evolutivo como ser humano: participar para entender; compreender para que possamos nos modificar interiormente e mudar também o mundo à nossa volta.

Facilidade de locomoção terrestre, marítima e aérea ajuda o redescobrimento de culturas milenares, como a da Índia, do Japão e da China. A medicina tradicional, que faz transplantes de coração, microcirurgias via computa
dor, também é desafiada pelas práticas milenares destas culturas. A medicina alternativa propaga-se e começa a surgir a medicina vibracional.

Nós queremos ser co-participantes em todas áreas de nosso desenvolvimento!
Estamos, portanto, em meio a uma r
evolução em nossa história. De um lado o materialismo oriundo da revolução industrial e científica. De outro, a busca de conhecimento espiritual e do autodescobrimento, a busca da força interior. Já não lutamos contra as feras para sobreviver. Mas lutamos conosco mesmo, num esforço supremo para nos conhecermos e libertarmos-nos dos grilhões de ferro a que nos atamos ao longo dos séculos.

Hoje temos o
conhecimento científico e espiritual à mão. Os espíritos trouxeram a vida espiritual à luz do nosso conhecimento. E não-somente através do Espiritismo, pois em todas as religiões os fenômenos mediúnicos estão presentes. É o mundo espiritual ajudando o mundo terreno a progredir, ajudando-nos a nos libertarmos através do conhecimento; ajudando-nos a galgar degraus evolutivos mais rapidamente.

Temos, portanto, tempo para
pensar e capacidade para analisar. Temos à nossa disposição o conhecimento científico e o conhecimento mundano. E nós, espíritas, temos à disposição os ensinamentos morais e espirituais lançados por Jesus e agora analisados a luz do Espiritismo.

Ganhamos muito nestes milênios de nossa
evolução de homens e mulheres primitivos à civilizados. Ganhamos bem estar social, vivemos mais. Temos à nossa disposição na prateleira do supermercado a alimentação para o corpo; entretemo-nos com o rádio, a televisão, o vídeo. Podemos nos comunicar com o mundo pelo telefone e até pelo computador. Temos ainda à nossa disposição alimento para a alma nos centros espíritas, nos livros espíritas.

E o que o fazemos? Repetimos automaticamente, como se a palavra, o
conhecimento trazido pelos espíritos não fossem para nós mesmos, mas para outros. Propagamos nosso conhecimento, mas não o aplicamos a nós mesmos. Esquecemos que Jesus advertiu: “Pedir-se-á muito àquele que muito recebeu, e prestará contas aquele a quem foram confiadas muitas coisas (Lucas 12:47-48)”.
Onde está a nossa responsabilidade de
espírita
s?

Adquirimos muito
conhecimento. É nos dado conhecer as diferentes facetas dos ensinamentos de Jesus, explicados pelos espíritos, através de Allan Kardec, Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira e tantos outros que nos apresentam as leis divinas, a moral cristã e a vida espiritual, em seus livros psicografados ou não. Temos ainda a oportunidade de discutir e analisar estas verdades nas reuniões e palestras nos centros espíritas, diariamente.

E o que fazemos com este
conhecimento? Engavetamos no armário da sala, na cristaleira fechada a sete chaves, onde todos vêem mas ninguém toca? Ou vivenciamos o que já conhecemos, no nosso dia a dia, dando aos outros o que já adquirimos?

Vivenciar o Espiritismo é vivenciar o Cristianismo, é colocar em prática o que aprendemos com Jesus! É preocupar-se com os conselhos dos
espíritos,em cada comunicação, em cada palestra que assistimos ou que proferimos, para entender como eles se aplicam na nossa vida e então praticá-los. Praticá-los na nossa casa, no nosso trabalho, na nossa comunidade, na cidade, no país em que vivemos.

O
conhecimento que adquirimos é antes para nós mesmos; depois de consolidado, pode vir a ser exemplificado e transmitido para outros. É por isto que Jesus adverte-nos: “Por que vedes o argueiro no olho do vosso irmão, vós que não vedes uma trave no vosso? (Mateus 7:3)”. Muitas vezes recebemos o conhecimento e o colocamos como exemplo para alguém que está ao nosso lado, esquecendo de analisar o nosso próprio comportamento à vista deste ensinamento. Que ilusão! É a ilusão dos fariseus que se achando sábios esqueceram de praticar, para somente tagarelar! Seremos nós como os antigos fariseus? Estaremos somente repetindo as palavras sem a preocupação de colocá-las em prática na nossa vida?
Seremos nós como aqueles homens que viveram com Jesus e não O
conheceram?

Já não somos c
egos. Recebemos muito conhecimento. Temos, portanto, o dever e a responsabilidade de espalhar esta luz, não através das palavras que proferimos, mas das ações que praticamos!

Comunicar é a palavra do momento!
No entanto,
comunicar somente não basta; é preciso dar o exemplo!
Rejane Spiegelberg Planer - Rie

sábado, 8 de outubro de 2016

Depois...

“Depois, sobrevindo tribulação ou perseguição...” - Jesus. (Marcos, 4:17.)
Toda a gente conhece a ciência de começar as boas obras.
Aceita-se o braço de um benfeitor, com exclamações de júbilo, todavia, depois... quando desaparece a necessidade, cultiva-se a queixa descabida, no rumo da ingratidão declarada, afirmando-se - “ele não é tão bom quanto parece”.
Inicia-se a missão de caridade, com entusiasmo santo, contudo, depois... ao surgirem os primeiros espinhos, proclama-se a falência da fé, gritando-se com toda força - “não vale a pena”.
Empreende-se a jornada da virtude e aproveita-se o estímulo que o Senhor concede à alma, através de mil recursos diferentes, entretanto, depois... quando a disciplina e o sacrifício cobram o justo imposto devido à iluminação espiritual, clama-se com enfado - “assim também, não”.
Ajuda-se a um companheiro da estrada, com extremado carinho, adornando-se-lhe o coração de flores encomiásticas, no entanto, depois... se a nossa sementeira não corresponde à ternura exigente, abandonamo-lo aos azares da senda, asseverando com ênfase - “não posso mais”.
Todos sabem principiar o ministério do bem, poucos prosseguem na lide salvadora, raríssimos terminam a tarefa edificante.
Entretanto, por outro lado, as perigosas realizações da perturbação e da sombra se concretizam com rapidez.
Um companheiro começa a trair os seus compromissos divinos e efetua, sem demora, o que deseja.
Outro enceta a plantação do desânimo e, lesto, alcança os fins a que se propõe.
Outro, ainda, inicia a discórdia e, sem detença, cria a desarmonia geral.
Realmente, é muito difícil perseverar no bem e sempre fácil atingir o mal.
Todavia, depois...
 
Francisco Cândido Xavier
 Vinha de Luz
 3o livro da Coleção “Fonte Viva”
(Interpretação dos Textos Evangélicos)
 
Ditado pelo Espírito
Emmanuel

sexta-feira, 7 de outubro de 2016


I

 

Com os jovens do cotidiano, não lhes estranhes as expressões sentimentais quando semelhantes explosões venham a ocorrer. Não devemos desconhecer que a juventude na Terra é um caminho difícil de transitar.

 

II

 

São tantas e tamanhas as pedras da estrada que mais vale a serenidade em qualquer julgamento, porquanto, essa ou aquela apreciação nos momentos delicados, quase sempre, nos arrojam a opiniões precipitadas e imprudentes.

 

III

 

A vida não cessa de trazer-nos novas lições.

 

IV

 

O amor vence a morte.

A fé alivia a dor.

 

V

 

Contemos com a proteção de Jesus e com os calmantes do tempo.

 

VI

 

Muita gente mostra madureza por fora, no entanto, conserva a infantilidade por dentro.

 

VII

 

Somos jardineiros, colhendo rosas no espinheiral, semeadores compelidos a tolerar a lama do solo para que a nossa lavoura produza para o bem e, operários da luz, constrangidos a suportar o assédio da sombra, para que a nossa tarefa se faça proveitosamente cumprida.

 

VIII

 

Recebamos as pessoas difíceis de nossa estrada na condição de instrumentos de nossa própria melhoria.

 

IX

 

Sei que a dor e a desilusão, de quando em quando, varrem a paisagem de nossa vida, arrebatando-nos flores preciosas que nos prometiam alegria e elevação...

Compreendo quanta aflição nos assalta em semelhantes lances da existência, contudo, é necessário nos sintamos resguardados na calma e na perseverança no bem.

 

X

 

Emergimos do passado com lutas enormes por vencer.

 

XI

 

A jornada para a Vida Superior é qual se fosse grande assembleia de viajores que começam juntas elevado empreendimento, é a integração com Jesus.

No primeiro instante, muita gente...

Nas primeiras horas, festividade e júbilo, afirmações e promessas...

Depois, a caravana escasseia em quantidade...

Só a qualidade persevera...

E ante as inquietações e responsabilidades que se aliam ao regozijo fácil, permanecem apenas aqueles que fazem da Cruz do Divino Mestre o motivo central da vida, peregrinando com firmeza e fidelidade ao encontro da própria redenção.

 

XII

 

Para vencer os obstáculos da estrada que se nos descerra ante os nossos objetivos de elevação, é preciso servir sem desanimar e compreender sem exigência.

 

XIII

 

Confiemos no Cristo a fim de que o Cristo confie em nós.

 

XIV

 

A vitória espiritual no Plano Físico reclama o esquecimento de toda sombra, para que a luz não nos encontre inabordável.

 

XV

 

Em qualquer dificuldade, asilemos o pensamento na oração. Ante a luz da prece, os problemas se reduzem e a paz triunfa.

 

XVI

 

Sigamos com firmeza na realização de nossos ideais, mas sem pressa.

 

XVII

 

Por agora, nossa peregrinação na Terra árida não consegue divisar o esplendor da meta...

Há muita neblina de inquietação e ansiedade, entre nós...

Apesar disso, caminhemos...

 

XVIII

 

Saudade é anseio sem ser angustia, sede espiritual sem ser desespero.

 

XIX

 

Não existe problema sem razão.

Não existe grande sofrimento cujas causas não se entrelacem à distância.

 

XX

 

Em conjunto adquirimos débitos que, no conjunto, sob o nome de família, devemos ressarcir.

 

XXI

 

Atendamos às exigências das provas inevitáveis, recebendo na dor a presença de uma instrutora necessária.

 


XXII

 

Realizaremos o melhor, oferecendo o melhor de nós mesmos aos companheiros mais necessitados do que nós; que nos esperam no caminho em que transitamos.

 

XXIII

 

O serviço de nosso próprio burilamento íntimo é obra essencial que nos cabe realizar. E esse trabalho não pode ser efetuado se não na oficina da adversidade, em cuja forja de tentação e sofrimentos, problemas e lutas consolidamos a nossa fé.

 

XXIV

 

Tenhamos o espírito em dia com o entendimento e a paciência.

Todas as sombras se desfarão. E a desarmonia é comparável à nuvem que acaba sempre por dissolver-se ao toque da energia solar.

 

XXV

 

Nas boas obras, a questão mais grave se resume no verbo-continuar, de vez que é difícil, pois, em qualquer obra digna, consagrada à beneficência, tão logo começada, aparecem os espinhos e problemas.


XXVI

 

Onde estivermos necessitamos de amor para compreender, paciência para servir sem reclamar, humildade para construir e coragem para aceitarmos os desígnios da Vida Superior, a fim de que a paz possível nos fortaleça.

 
XXVII

 

Surgem para nós, na Terra, problemas e questões, comparáveis à sombra. E compreendamos que dentro da noite, qualquer movimentação é difícil.

Por mais acendamos a lâmpada, com a luz de nossas possibilidades reduzidas, há sempre trevas por todos os lados, desfavorecendo-nos a visão.

A alvorada de um novo dia, porém, chegará sempre.

 

XXVIII

 

 Tolere com paciência as desilusões e os desencontros da caminhada.

Não desanime, nem desfaleça. Os homens são os homens, mas Jesus é o nosso Divino Mestre.

 

XXIX

 

A distância faz a separação e a separação traz o sofrimento.

A saudade de alguém segue para o coração desse alguém, com endereço exato, através das ondas que evoluem de alma para alma.

 

XXX

 

Correm os dias, multiplicam-se as experiências, surgem provações, mas o amor é inalterável.

 

 

 

XXXI

 

A plantação de valores para a Vida Espiritual será realmente regada a suor e lágrimas se pretendemos obter a sublimação no campo íntimo.

 

XXXII

 

Nos trechos espinhosos do caminho a seguir, procuremos servir e saibamos pensar.

 

XXXIII

 

No Mais Além igualmente, há dificuldades, enganos, desacertos e inibições, mas é preciso continuar trabalhando para conquistar o triunfo sobre nós mesmos...

 

XXXIV

 

Com a esperança, as águas caminham para a vastidão das grandes águas e, através dela, avançamos do berço para as experiências maiores.

 

XXXV

 

Esmorecer é dificultar ou perder.

 

XXXVI

 

O perigo no caminho que fomos chamados a trilhar é aquele das companhias menos desejáveis que, habitualmente nos alteram os propósitos e os pensamentos, sem que tenhamos imediata consciência de sua influenciação.

 

XXXVII

 

Quanto mais intenso se nos fizer o esforço de agir, segundo os ensinamentos de Jesus, mais ampla assistência receberemos de Jesus para a concretização de nossos projetos.

 

XXXVIII

 

 Não nos encontramos reunidos por acaso nas ações e provações da atualidade...

O Hoje é um eco do Ontem...

 

XXXIX

 

Quantos dissabores serão evitados com a medicação preventiva da prece!...

 

XL

 

O exemplo nobre é o capítulo mais luminoso no livro de nossa vida...

PINGO DE LUZ

 

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

ESPÍRITO DE CARLOS AUGUSTO