quinta-feira, 6 de outubro de 2016


Aproveite o Ensejo

André Luiz

 

Não é o companheiro dócil que exige a sua compreensão fraternal mais imediata, É aquele que ainda luta por domar a ferocidade da ira, dentro do próprio peito.

Não é o irmão cheio de entendimento evangélico que reclama suas atenções inadiáveis.

É aquele que ainda não conseguiu eliminar a víbora da malícia do campo do coração.

Não é o amigo que marcha em paz, na senda do bem, quem solicita seu cuidado insistente. É aquele que se perdeu no cipoal da discórdia e da incompreensão, sem forças para tornar ao caminho reto.

Não é a criatura que respire no trabalho normal que requisita socorro urgente. É aquela que não teve suficiente recurso para vencer as circunstâncias constrangedoras da experiência humana e se precipitou na zona escura do desequilíbrio.

É muito provável que, por enquanto, seja plenamente dispensável a sua cooperação no paraíso. É indiscutível, porém, a realidade de que, no momento, o seu lugar de servir e aprender, ajudar e amar, é na Terra mesmo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Escamas

“E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista.” - (Atos, 9:18.)
A visita de Ananias a Paulo de Tarso, na aflitiva situação de Damasco, sugere elevadas considerações.
Que temos sido nas sombras do pretérito senão criaturas recobertas de escamas pesadas sob todos os pontos de vista? Não somente os olhos se cobriram de semelhantes excrescências. Todas as possibilidades confiadas a nós outros hão sido eclipsadas pela nossa incúria, através dos séculos. Mãos, pés, língua, ouvidos, todos os poderes da criatura, desde milênios permanecem sob o venenoso revestimento da preguiça, do egoísmo, do orgulho, da idolatria e da insensatez.
O socorro concedido a Paulo de Tarso oferece, porém, ensinamento profundo. Antes de recebê-lo, o ex-perseguidor rende-se incondicionalmente ao Cristo; penetra a cidade, em obediência à recomendação divina, derrotado e sozinho, revelando extrema renúncia, onde fora aplaudido triunfador. Acolhido em hospedaria singela, abandonado de todos os companheiros, confiou em Jesus e recebeu-lhe a sublime cooperação.
É importante notar, contudo, que o Senhor, utilizando a instrumentalidade de Ananias, não lhe cura senão os olhos, restituindo-lhe o dom de ver. Paulo sente que lhe caem escamas dos órgãos visuais e, desde então, oferecendo-se ao trabalho do Cristo, entra no caminho do sacrifício, a fim de extrair, por si mesmo, as demais escamas que lhe obscureciam as outras zonas do ser.
Quanto lutou e sofreu Paulo, a fim de purificar os pés, as mãos, a mente e o coração?
Trata-se de pergunta digna de ser meditada em todos os tempos. Não te esqueças, pois, de que na luta diária poderás encontrar os Ananias da fraternidade, em nome do Mestre; aproximar-se-ão, compassivos, de tuas necessidades, mas não olvides que o Senhor apenas permite que te devolvam os olhos, a fim de que, vendo claramente, retifiques a vida por ti mesmo.
 
Francisco Cândido Xavier
Vinha de Luz
3o livro da Coleção “Fonte Viva”
(Interpretação dos Textos Evangélicos)
Ditado pelo Espírito
Emmanuel

terça-feira, 4 de outubro de 2016


Resposta em Jesus

 

 

Recorda que todos os desafios do mal devem encontrar no campo de nossas almas a resposta em Jesus.

Para o sarcasmo a resposta é caridade em forma de silêncio.

Para a calúnia a resposta é caridade em forma de perdão.

Para o egoísmo a resposta é caridade em forma de renúncia.

Para o fanatismo a resposta é caridade em forma de tolerância.

Para a ingratidão a resposta é caridade em forma de esquecimento.

Para a preguiça a resposta é caridade em forma de trabalho.

Para a tentação a resposta é caridade em forma de resistência.

Para a ignorância a resposta é caridade em forma de educação.

Para a violência a resposta é caridade em forma de brandura.

Para o crime a resposta é caridade em forma de socorro às vítimas da delinquência.

Para as trevas a resposta é caridade em forma de luz.

Para todos os processos de atividade inferior a resposta é caridade em forma de auxílio à criação do melhor.

Em qualquer problema no caminho da vida, a resposta cristã será sempre desfazer a força do mal pela força do Bem.
 
PERANTE JESUS
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
EMMANUEL

segunda-feira, 3 de outubro de 2016


Paz

Se provações te afligem,
Deus te concede Paz.

Se o cansaço te pesa,
Deus te sustenta a paz.

Se te falta a esperança,
Deus te acrescente a paz.

Se alguém te ofende ou fere,
Deus te renove em paz.

Sobre as trevas da noite,
O Céu fulgura em paz.

Ama, serve e confia.
Deus te mantém a paz.

Emmanuel

 

Do livro: Recanto de Paz, Médium: Francisco Cândido Xavier

domingo, 2 de outubro de 2016


Nos embates políticos

Situar em posição clara e definida as aspirações sociais e os ideais espíritas cristãos, sem confundir os interesses de César com os deveres para com o Senhor.
Só o Espírito possui eternidade.
Distanciar-se do partidarismo extremado.
Paixão em campo, sombra em torno.
Em nenhuma oportunidade, transformar a tribuna espírita em palanque de propaganda política, nem mesmo com sutilezas comovedoras em nome da caridade.
O despistamento favorece a dominação do mal.
Cumprir os deveres de cidadão e eleitor, escolhendo os candidatos aos postos eletivos, segundo os ditames da própria consciência, sem, contudo, enlear-se nas malhas do fanatismo de grei.
O discernimento é caminho para o acerto.
Repelir acordos políticos que, com o empenho da consciência individual, pretextem defender os princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade a partidos e candidatos. O Espiritismo não pactua com interesses puramente terrenos.
Não comerciar com o voto dos companheiros de ideal, sobre quem a sua palavra ou cooperação possam exercer alguma influência.
A fé nunca será produto para o mercado humano.
Por nenhum pretexto, condenar aqueles que se acham investidos com responsabilidades administrativas de interesse público, mas sim orar em favor deles, a fim de que se desincumbam satisfatoriamente dos compromissos assumidos.
Para que o bem se faça, é preciso que o auxílio da prece se contraponha ao látego da crítica.
Impedir palestras e discussões de ordem política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o serviço de evangelização é tarefa essencial.
A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da política humana.
 
“Nenhum servo pode servir a dois senhores”. — Jesus. (LUCAS, 16:13.)

 

Conduta espírita

(André Luiz) Waldo Vieira

sábado, 1 de outubro de 2016


Música para Chico Xavier
 
“... Creio sinceramente que, em nosso Plano, jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo, após finda a sua tarefa no mundo; com exceção do Cristo e de um ou outro luminar da Espiritualidade, ninguém houvera feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier.” 137
 
Assim se expressou o benfeitor Dr. Inácio Ferreira que, acompanhado de Dr. Odilon Fernandes, Lilito Chaves, Paulino Garcia e outros trabalhadores da Espiritualidade Maior, estiveram presentes ao cortejo espiritual que contou com milhares de espíritos
encarnados e desencarnados, durante a recepção de Chico na vida além da vida.
 
Ao manusearmos a referida obra, podemos relembrar, com saudade e carinho, a grandeza espiritual deste magnânimo espírito que, como nos diz Dr. Inácio, foi conduzido imediatamente a Páramos Superiores, elevado a Dimensões que não podemos sequer conceber. Certamente para o justo aconchego aos corações amados que o aguardavam após finda a missão incoercível e incomparável. Em momento oportuno retornará para continuar sua orientação aos nossos aflitos corações já saudosos.
Neste instante extraordinário fez-se presente a música, como podemos observar na fala de Inácio:
 
“Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas formavam um halo de luz protetor que tudo iluminava num raio de cinco quilômetros; porém essa luz amarelo-brilhante contrastava com a faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento. A cena era grandiosa demais para ser descrita e desafiaria a inspiração do mais exímio gênio da pintura que tentasse retratá-la. Uma música suave, cujos acordes eu desconhecia, ecoava entre nós, sem que pudéssemos identificar de onde provinha, como se invisível coral de vozes infantis, volitando no espaço, tivesse sido treinado para aquela hora.” (p. 49).
Ainda na narrativa da abençoada obra sobre a recepção do nosso “Chico”, Dr. Inácio, após reproduzir os discursos de Léon Denis e de Veneranda, esta que se fazia acompanhar de Bezerra de Menezes, Emmanuel, Eurípedes Barsanulfo e Celina – a excelsa mensageira de Maria de Nazaré - comenta:
“O silêncio reinante era de tal ordem que, aos nossos ouvidos, a voz inarticulada da Natureza nos parecia uma sinfonia; de minha parte, confesso-lhes que eu nunca tinha ouvido a música dos astros e nem podia imaginar que o próprio silêncio tivesse voz. A faixa azulínea que se transformara num arco-íris ainda se mostrava mais viva, e todos permanecemos na expectativa do que não sabíamos
pudesse acontecer.” (p. 68).
Enquanto tais desdobramentos quase intraduzíveis se processavam no plano espiritual, Dr. Inácio, aguçando os sentidos, quis ver os preparativos para o cortejo final no Plano Físico. O ápice do evento se processou em harmonia com o entoar de singelo cântico à Maria. Assim segue a narrativa:
 BACCELLI, Carlos A. Na Próxima Dimensão. Uberaba: Pedro e Paulo, 2002
Música – um despertar para a felicidade (USEERJ)
 
“... e, justamente, quando começou a ser entoada a canção “Nossa Senhora” e os nossos irmãos começaram a movimentar-se, dando início ao cortejo, uma luz indescritível, descendo por aquele leque iluminado que ligava a Terra ao Infinito – a faixa de luz que ali se instalara logo após ter sido armado o velório no “Grupo Espírita da Prece” –, uma Luz que, para mim, era muito superior à luz do
próprio Sol e que me acionava a memória para a lembrança da visão que Paulo teve do Cristo, às portas de Damasco, repetiu com indefinível ternura: – “Vinde a mim, todos que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu julgo é suave e o meu fardo é leve.” (p. 68).
É intrigante a obra de Baccelli, assim como a figura bem humorada e segura do Dr. Inácio, juntamente com os curiosos comentários de Dr. Odilon. Selecionamos com carinho alguns interessantes excertos. Em alguns episódios alcança-se nitidamente a precisão e a coesão doutrinária, noutros a polêmica se faz presente.138
 
Ao nosso Chico, o cândido amigo, o semeador de luz sobre a Terra, não poderia faltar, no momento glorioso e derradeiro, a presença da “Música”. E queremos humildemente ofertar-lhe o reconhecimento de todos nós encarnados ou não, dos mais diversos credos, culturas, níveis sociais, ideais... Com a palavra quase embargada, externamos nossa gratidão por sua fértil semeadura, pelo extremo carinho, pelo exemplo vivo! Ao iluminado amigo que veio-nos reavivar e complementar a mensagem única da Doutrina dos Espíritos nossas melhores vibrações de amor e agradecimento.
 Devemos citar brevemente que Dr. Inácio Ferreira, através da mediunidade de Baccelli, alude à questão de ser Chico Xavier a reencarnação de Kardec. Outros consideráveis nomes do Espiritismo fazem, no entanto, comentário oposto com a mesma veemência. Como realmente não nos importa com quem está a razão, tomamos da obra referida sua parte inquestionável e em acordo com o senso comum, que trata com todo respeito e segurança outros aspectos da Doutrina e a figura do nosso Chico. Deixamos as querelas para que o tempo e o amadurecimento se encarreguem de esclarecer (se houver necessidade!).
 
Música – um despertar para a felicidade (USEERJ)