domingo, 29 de dezembro de 2019


Riscos e deveres


Há quem diga que na Terra jamais surgiram tantas ocasiões para deslizes e quedas espirituais quanto hoje, ante o progresso científico que parece empalidecer as conquistas do sentimento.
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Conquanto várias épocas do passado humano hajam apresentado graves características de transição, digamos que sim.
Destacamos semelhante tópico, em torno da atualidade, para considerar com os amigos domiciliados no Plano Físico que se o mundo atravessa agora duros tempos de crise e riscos para a alma, estes são também tempos para os mais belos testemunhos de compreensão e de amor.
Ocasiões para dádivas maiores de paciência e de devotamento, perdão e espírito de serviço.
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Alguns companheiros terão aderido à aventura e ao desequilíbrio.
A tentação de acompanhá-los talvez te visite o pensamento, mas, em verdade, terá soado o instante de oração, no qual decerto precisarás recorrer à própria fé, para que permaneças fiel aos compromissos assumidos.
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É provável tenhas visto familiares queridos abraçando episódios infelizes e, possivelmente, terás desejado arredá-los de vez do próprio coração, no entanto, estarás no ensejo bendito de amá-los ainda mais, esperando que a renovação os alcance, reconduzindo-os ao caminho justo.
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Salientemos a expansão do pessimismo e do desespero, entretanto, é razoável indagar de nós mesmos qual é a nossa contribuição para que semelhantes calamidades se façam extintas.
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Compreensível a nossa perplexidade diante de certas manifestações de violência nas paisagens sociais da vida moderna, mas não nos será lícito esquecer que nos achamos todos na hora de mais intensivamente compreender e mais servir.

EMMANUEL

PACIÊNCIA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

terça-feira, 24 de dezembro de 2019


O Aviso Oportuno
– Não há maior alegria que a de doutrinar os Espíritos perturbados – dizia Noé Silva, austero orientador de antiga instituição destinada à caridade –, e não existe para mim lição maior que a dos campeões da mentira e da treva, quando desferem gritos de dor, ante a realidade.

Com a volúpia do pescador que recolhe o peixe, depois de longa expectativa, exclamava, gritante:

– Afinal de contas, outro destino não poderiam esperar os sacripantas do mundo, agarrados ao ouro e aos prazeres, senão os padecimentos atrozes da incompreensão, além da morte.

Sorrindo, triunfante, rematava:

– E, acima de tudo, devem agradecer a Deus a possibilidade de encontrarem a minha palavra sincera e clara.

Tenho bastante paciência para aturá-los e conduzi-los para a luz.

Era assim o rígido mentor das sessões. Alma franca e rude, demasiadamente convencido quanto aos próprios méritos.

Mas, na vida comum, Noé Silva transformava a lealdade em vestimenta agressiva. Junto dele, respirava-se uma atmosfera pesada, como se estivesse repleta de espinhos invisíveis.

Analfabeto da gentileza, atirava os pensamentos que lhe vinham à cabeça qual se houvera recebido do Céu a triste missão de salientar os defeitos do próximo.

A palavra dele era uma chuva de seixos.

Se um companheiro demorava-se para a reunião, clamava, colérico:

– Que estará fazendo esse hipócrita retardatário?

Se um médium não conseguia recursos para interpretar, com segurança, as tarefas que lhe cabiam nos trabalhos de assistência, indagava, irritadiço:

– Que faltas terá cometido esse infeliz?

Se o condutor do ônibus parecia vacilar em certos momentos, bradava, impulsivo:

– Desgraçado, cumpra o seu dever!

Se o rapaz de serviço, no café, cometia qualquer leve deslize, protestava, exigente:

– Moço, veja lá onde tem a cabeça!... O senhor permanece aqui para servir...

Se alguém lhe trazia alguma confidência dolorosa, buscando entendimento e consolo, repetia, severo:

– Meu irmão, quem planta, colhe. Você não estaria sofrendo se não houvesse praticado o mal.

Na via pública, não hesitava. Se algum transeunte lhe impedia o passo rápido, dava serviço aos cotovelos e em seus trabalhos profissional era sobejamente conhecido pelas frases fortes com que despejava a sua vocação de fazer inimigos.

Se um irmão de ideal lhe exprobrava o procedimento, respondia, célere:

– Se essa gente não puder entender-me as boas intenções, esperá-la-ei nas minhas preces.

Depois da morte, todas as pessoas compreendem a verdade...

O tempo rolava, infatigável, quando, no vigésimo aniversário do agrupamento que dirigia, um dos orientadores desencarnados se manifesta, em sinal de regozijo, felicitando a todos.

Um carinho aqui, um abraço ali, o amigo espiritual confortava os presentes, mas, em se despedindo sem dizer palavra ao mentor da casa, Noé, desapontado, perguntou, ansiosamente:

– E para mim, meu irmão, não há qualquer mensagem?

O visitante sorriu e falou, bem humorado:

– Tenho sim, tenho um recado para o seu coração.

Não espere a morte para extinguir os desafetos. Cultive a plantação da simpatia, desde hoje. A nossa fé representa a Doutrina do Amor e a cordialidade é o princípio dela. Não se esqueça do verbo silencioso do bom exemplo, das lições de renúncia e dos ensinamentos vivos com adequadas demonstrações. Se você estima o Espiritismo prático, não olvide o Espiritismo praticado. Você está sempre disposto a doutrinar os ignorantes e os infelizes do Espaço, mas
está superlotando o seu espaço mental com adversários que esperam gostosamente o tempo de doutriná-lo.

E num gesto de carinhosa fraternidade, rematou em seguida a pequena pausa:

– Noé, esvazie o cálice de fel, desde agora; diminua a reprovação e reduza a extensão do espinheiral...

O nosso problema, meu caro, é o de não encher...

A sessão foi encerrada.

E enquanto os companheiros permutavam expressões de Júbilo, o arrojado doutrinador, com a cabeça mergulhada nas mãos, permaneceu sozinho, sentado á mesa, pensando, pensando...

Irmão X

Do livro: Contos e Apólogos, Médium: Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019


Quando em Súplica

Quando em súplica, rogando o socorro divino, não te esqueças dos recursos que o Senhor amontoou, ao teu lado, para te não falte socorro nas menores circunstâncias da vida...
Recorda:
- O corpo sadio e proveitoso que o mundo te empresta;
- O lar acolhedor em que te refugias;
- A devoção e o carinho dos que te cercam;
- O trabalho que te abrilhanta o roteiro;
- Os elementos de que dispões em teu próprio benefício;
- Os dons da saúde e da inteligência, do serviço e do amor que te enriquecem a alma;
- A visão clara;
- O ouvido percuciente;
- As mãos hábeis e o tesouro das afeições...
Recorda que a enxada não é concedida ao lavrador para a exaltação da ferrugem e o pão não te farta o celeiro para a exaltação do mofo!
Usa os instrumentos que constituem a tua bênção.
Honra os minutos para que o dia te honre.
Não menosprezes a oportunidade que te coroa a estrada como o Sol no caminho.
Trabalha, aprende, ama, crê, espera e auxilia!...
E, então, pedindo, receberás, porque atendendo aos interesses do Senhor, junto do próximo, o Senhor atenderá aos teus próprios interesses junto de ti.
Se aceitaste o Evangelho por abençoado roteiro de aperfeiçoamento, não te esqueças da representação que nos cabe em toda parte.

EMMANUEL
ALVORADA DO REINO

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019


A ESCRITURA DO EVANGELHO

Quando Jesus recomendou a pregação da Boa-Nova, em diversos rumos, reuniu-se o pequeno colégio apostólico, em torno d’Ele, na humilde residência de Pedro, onde choveram as perguntas no inquérito afetuoso.

– Mestre – disse Filipe, ponderado –, se os maus nos impedirem os passos, que faremos? caber-nos-á recurso à autoridade punitiva?

 – Nossa missão – replicou Jesus, pensativo – destina-me a converter maldade em bondade, sombra em luz. Ainda que semelhante transformação nos custe sacrifício e tempo, o programa não pode ser outro.

– Mas... – obtemperou Tomé –, e se formos atacados por criminosos?

– Mesmo assim – confirmou o Cristo –, nosso ministério é de redenção, perdoando e amando sempre. Persistindo no bem, atingiremos a vitória final.

– Senhor – objetou Tiago, filho de Alfeu –, se interpelados pelos fariseus, amantes da Lei, que diretrizes tomaremos ? São eles depositários de sagrados textos, com que justificam habilmente a orgulhosa conduta que adotam. São arguciosos e discutidores. Dizem-se herdeiros dos Profetas. Como agir, se o Novo Reino determina a fraternidade, isenta da tirania?

- Ainda aí – explicou o Messias Nazareno –, cabe-nos testemunhar as idéias novas. Consagraremos a Lei de Moisés com o nosso respeito. Contudo, renovar-lhe-emos o sentido sublime, tal qual a semente que se desdobra em frutos abençoados. A justiça constituirá a raiz de nosso trabalho terrestre. Todavia, só o espírito de sacrifício garantirnos-á a colheita.

Verificando-se ligeira pausa, Tadeu, que se impressionara vivamente com a resposta, acrescentou:

– E se os casuístas nos confundirem?

– Rogaremos a inspiração divina para a nossa expressão humana.

– Mas, que sucederá se o nosso entendimento permanecer obscuro, a ponto de não conseguirmos registrar o socorro do Alto? – insistiu o apóstolo.

Esclareceu Jesus, sorridente:

– Será, então necessário purificar o vaso do coração, esperando a claridade de cima.

Nesse ponto, André interferiu, perguntando: – Mestre, em nossa pregação, chamaremos indistintamente as criaturas?

 – Ajudaremos a todos, sem exigências – respondeu o Salvador, com significativa inflexão na voz.

 – Senhor – interrogou Simão, precavido –, temos boa vontade, mas somos também fracos pecadores. E se cairmos na estrada? e se, muitas vezes, ouvirmos as sugestões do mal, despertando, depois, nas teias do remorso?

– Pedro – retrucou o Divino Amigo -, levantar e prosseguir e o remédio,

- No entanto – teimou o pescador – e se a nossa queda for tão desastrosa que impossibilite o reerguimento imediato?

– Rearticularemos os braços desconjuntados, remendaremos o coração em frangalhos e louvaremos o Pai pelas proveitosas lições que houvermos recolhido, seguindo adiante...

– E se os demônios nos atacarem? – Interrogou João, de olhos límpidos.

 – Atraí-los-emos à, gloria do trabalho pacífico.

 – Se nos odiarem e perseguirem? – comentou Tiago, filho de Zebedeu.

Serão amparados por nós, no asilo da oração.

 – E se esses inimigos poderosos e inteligentes nos destruírem? – inquiriu o filho de Kerioth. 

– O espírito é imortal – elucidou Jesus, calmamente – e a justiça enraíza-se em toda parte.

 Foi então que Levi, homem prático e habituado à estatística, observou, prudente:

 – Senhor, o fariseu lê a Tora, baseando-se nas suas instruções; o saduceu possui rolos preciosos a que recorre na propaganda dos princípios que abraça; o gentio, sustentando as suas escolas, conta com milhares de pergaminhos, arquivando pensamentos e convicções dos filósofos gregos e persas, egípcios e romanos... E nós? a que documentos recorreremos? que material mobilizaremos para ensinar em nome do Pai Sábio e Misericordioso?!...

O Mestre meditou longamente e falou:

 – Usaremos a palavra, quando for necessário, sabendo porém que o verbo degradado estabelece o domínio das perturbações e das trevas. Valer-nos-emos dos caracteres escritos na extensão do Reino do Céu. No entanto, não ignoraremos que as praças do mundo exibem numerosos escribas de túnicas compridas, cujo pensamento escuro fortalece o império da incompreensão e da sombra. Utilizaremos, pois, todas os recursos humanos, no apostolado, entendendo, contudo, que o material precioso de exposição da Boa-Nova reside em nós mesmos. O próximo consultará a mensagem do Pai em nossa própria vida, através de nossos atos e palavras, resoluções e atitudes...

Pousando a destra acentuou:

- A escritura divina do Evangelho é o próprio coração do discípulo.

Os doze companheiros entreolharam-se, admirados, e o silêncio caiu entre eles, enquanto as águas cristalinas, não longe, refletiam o céu imensamente azul, cortado de brisas vespertinas que anunciavam as primeiras visões da noite...

IRMÃO X

Luz Acima
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

terça-feira, 17 de dezembro de 2019


O advento de Jesus

O povo judeu aguardava ansiosamente o Messias anunciado pelos profetas da Antiguidade, o qual, em chegando ao mundo, certamente libertaria Israel do jugo de Roma, mas Jesus veio e não foi absolutamente entendido pelos israelitas. Os sacerdotes não esperavam que o Redentor procurasse a hora mais escura da noite para surgir na paisagem terrestre, pois, segundo sua concepção, o Cristo deveria chegar em um carro correspondente ao seus poderes celestes e conferir a Israel a direção suprema dos povos que habitavam, então, o planeta.

Evidentemente, houve quem o reconhecesse como o Cristo anunciado pelos profetas da Antiguidade, embora tenha ele chegado humilde entre os animais de uma manjedoura e como filho de um simples carpinteiro. Entre os que o reconheceram devemos destacar aqueles que mais tarde se tornariam seus discípulos, apóstolos e seguidores, os quais puderam ouvir de sua própria voz, em diversas ocasiões, ser ele o Enviado do Pai, como mostram estes textos colhidos nos Evangelhos:

“Quem quer que me receba, recebe aquele que me enviou.” (Lucas, 9:48.)

“Aquele que me despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lucas, 10:16.)

“Aquele que me recebe não me recebe a mim, mas recebe aquele que me enviou.” (Marcos, 9:37.)

“Ainda estou convosco por um pouco de tempo e vou em seguida para aquele que me enviou.” (João, 8:42.)

Está bem caracterizado nas citações transcritas que Jesus falava em nome do Pai e que foi por Ele enviado, fato que mostra com clareza uma dualidade de pessoas e exclui a igualdade entre elas, visto que o enviado é, necessariamente, alguém subordinado àquele que o envia. Este pormenor merece ser meditado por todos quantos pensam que Jesus e Deus constituem uma única pessoa, ou que se situam em um mesmo nível evolutivo, um equívoco igualmente contestado pelas citações seguintes:

“Se me amásseis, rejubilaríeis, pois que vou para meu Pai, porque meu Pai é maior do que eu.” (João, 14:28.)

“Não tenho falado por mim mesmo; meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por mandamento seu, o que devo dizer e como devo falar; e sei que o seu mandamento é a vida eterna; o que, pois, eu digo é segundo o que meu Pai me ordenou que o diga.” (João, 12:49 e 50.)

Os apóstolos, evidentemente, acreditavam ser Jesus o Messias aguardado, o que pode ser deduzido com facilidade das seguintes citações constantes de Atos dos Apóstolos:

“Que, pois, toda a Casa da Israel saiba, com absoluta certeza, que Deus fez Senhor e Cristo a esse Jesus que vós crucificastes.” (Atos, 2:33 a 36.)

“Moisés disse a nossos pais: O Senhor vosso Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu. Escutai-o em tudo o que ele disser.
Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo. Foi por vós primeiramente que Deus suscitou seu Filho e vo-lo enviou para vos abençoar.” (Atos, 3:22, 23 e 26.)

 “Foi a ele que Deus elevou pela sua destra, como sendo o príncipe e o salvador, para dar a Israel a graça da penitência e a remissão dos pecados.” (Atos, 5:29 a 31.)

 “Mas, estando Estêvão cheio do Espírito Santo e elevando os olhos ao céu, viu a glória de Deus e a Jesus que estava de pé à direita de Deus.” (Atos, 7:55 a 58.)

 Não é difícil compreender que a vinda de Jesus à crosta da Terra envolveu intenso trabalho por parte de todos os Espíritos convocados a participar de sua gloriosa missão. Cada qual recebeu uma tarefa específica, de devotamento e amor, a fim de facilitar a vinda do governador espiritual da Terra aos planos inferiores.

Antes disso, Jesus já havia enviado às sociedades do globo o esforço de auxiliares valorosos nas figuras de Ésquilo, Eurípedes, Heródoto e Tucídides e, por fim, a extraordinária personalidade de Sócrates, entre os gregos. Na China encontraremos FoHi, Lao-Tsé e Confúcio; no Tibet, a personalidade de Buda; no Pentateuco, Moisés; no Alcorão, Maomé, de modo que cada povo recebeu, em épocas diversas, os instrutores enviados pelo Mestre.

A família romana, cujo esplendor conseguiu atravessar múltiplas eras, parecia atormentada pelos mais tenazes inimigos ocultos que, aos poucos, minaram-lhe as bases mais sólidas, mergulhando-a na corrupção e no extermínio de si mesma. A vinda do Cristo estava próxima e Roma, sede do mundo, parecia não se dar conta disso. A aproximação e a presença consoladora do Divino Mestre no mundo era, no entanto, motivo suficiente para que todos os corações experimentassem uma vida nova, ainda que ignorassem a fonte divina daquelas vibrações confortadoras.

As entidades angélicas do sistema, nas proximidades da Terra, movimentaram-se e várias providências de vasta e generosa importância foram adotadas. Foram escolhidos os instrutores, os precursores imediatos, os auxiliares divinos. Uma atividade única registrou-se, então, nas esferas mais próximas do planeta e, quando reinava Augusto na sede do governo romano, viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas, enquanto harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da natureza.

Cumpriam-se ali as profecias. Nascia Jesus e iniciava-se para o globo terrestre uma nova era, cujo advento é recordado pelos homens todos os anos, por ocasião do Natal.

Relembrando tais fatos, desejamos a todos os que nos leem um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo pleno de realizações, com muita paz, saúde e harmonia.

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019


Glória ao bem

                                     “Glória, porém, e honra e paz a qualquer que obra o bem.” – Paulo (Romanos, 2:10.)

A malícia costuma conduzir o homem a falsas apreciações do bem, quando não parta da confissão religiosa a que se dedica, do ambiente de trabalho que lhe é próprio, da comunidade familiar em que se integra.

O egoísmo fá-lo crer que o bem completo só poderia nascer de suas mãos ou dos seus. Esse é dos característicos mais inferiores da personalidade.

O bem flui incessantemente de Deus e Deus é o Pai de todos os homens. E é através do homem bom que o Altíssimo trabalha contra o sectarismo
que lhe transformou os filhos terrestres em combatentes contumazes, de ações estéreis e sanguinolentas.

Por mais que as lições espontâneas do Céu convoquem as criaturas ao reconhecimento dessa verdade, continuam os homens em atitudes de ofensiva, ameaça e destruição, uns para com os outros.

O Pai, no entanto, consagrará o bem, onde quer que o bem esteja.

É indispensável não atentarmos para os indivíduos, mas, sim, observar e compreender o bem que o Supremo Senhor nos envia por intermédio
deles. Que importa o aspecto exterior desse ou daquele homem? que interessam a sua nacionalidade, o seu nome, a sua cor?

Anotemos a mensagem de que são portadores. Se permanecem consagrados ao mal, são dignos do bem que lhes possamos fazer, mas se são bons e sinceros, no setor de serviço em que se encontram, merecem a paz e a honra de Deus.

Emmanuel
Caminho, Verdade e Vida
Francisco Cândido Xavier