quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

EMMANUEL FALA SOBRE O CARNAVAL




“Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.

É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave
maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.



Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens,
lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental, o largo acesso das forças da treva
nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e
de esquecimento do dever.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e
de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas, cuja evolução
depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.

Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social
aos necessitados de um pão e de um carinho.



Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofedoras.
 



Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de
que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?



Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco,
dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas,
enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso, um eloqüente atestado de sua miséria moral.”



Emmanuel
Psicografia: Chico Xavier



 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Provações




Indaga você das razões que induzem o Divino Poder a conservar uma pobre jovem, vestida de chagas, num catre humilde, relegada à assistência pública. E acrescenta: "Por que motivo expor uma infeliz menina a semelhante flagelação? Não haverá misericórdia para os seres que se arrastam na pobreza, quando há tantos sinais de socorro celeste, na casa dos felizes, quinhoados pelo conhecimento superior e pela mesa farta?




Não fora a reencarnação
, chave do crescimento espiritual e do soerguimento redentor para todas as esferas da vida terrestre, e as suas perguntas seriam realmente irrespondíveis.




Entretanto, meu amigo, a existência humana, em seus fundamentos, obedece aos comezinhos princípios de lógica e harmonia que prevalecem na sementeira vulgar. Enquanto não cultivarmos a gleba planetária, em toda a sua extensão, seremos defrontados pela Terra desventurada, aqui ou ali, povoada de serpentes traiçoeiras ou vitimada por imensas feridas de erosão. Se não plantamos com acerto com acerto, não colheremos irrepreensivelmente, e, se nos despreocupamos da vegetação daninha ou inútil, viveremos incomodados pelos cipoais e pelos espinheiros de toda sorte.


Espanta-se você, ante a dor, mas não se reporta aos débitos contraídos. Vê a cinza e não recorda o incêndio que a produziu.



Em matéria de compromissos não resgatados e de sofrimentos que os seguem, somos surpreendidos pelos remanescentes de nossos velhos delitos, à maneira do crente em desespero, constrangido a recolher os pedaços dos próprios ídolos, que o tempo esfacelou em sua marcha invariável.



É a Lei que se cumpre, harmoniosa e calma.

 
E não me diga que há desequilíbrios nos processos em que funciona, porque, na atualidade do mundo, temos a considerar a questão da "massa" e o problema do "resíduo".




A evolução garante novos panoramas ao direito, mas ainda explodem guerras pela hegemonia da força; a ciência resolveu os enigmas da alimentação, entretanto, ainda há quem morre de fome pelas úlceras do duodeno; a liberdade triunfou sobre a escravidão, contudo, ainda existem milhões de encarcerados na superfície da Terra, e, se é indubitável que o duelo e o envenenamento fugiram dos costumes tribais nos povos mais cultos, as mortes violentas e deploráveis continuam, aos milhares por ano, na própria engrenagem da maquinaria do progresso.
Tenho reencontrado amigos de outras eras que, endividados perante os tribuna
is da justiça Divina pelas fogueiras que atearam no passado às vítimas do seu desafeto, padecem hoje o "fogo selvagem" na intimidade da organização fisiológica, em que retornaram à experiência física, porque a vanguarda moral do mundo não mais tolera a perseguição religiosa ou a desvairada tirania política, e tenho desfrutado a reaproximação com inolvidáveis companheiros do pretérito que, habituados a dilacerar a carne dos adversários, pelo simples prazer de ferir, contemplam, agora, a ruína do próprio corpo, nas aflitivas amarguras de leprosários e sanatórios.




A fogueira que extingue a dívida chama-se hoje "pênfigo foliáceo", e o golpe de ontem, sangrando os que sangraram, é conhecido por "bacilo de Hansen".



No fundo, porém, meu amigo, tudo é reajuste benéfico.

 




Imagine a vida na Terra como sendo um manancial imenso, de cujos bordos se derramam correntes cristalinas em todas as direções: é a "massa" progredindo, valorosa, na direção de sublimes horizontes.







 
E pensemos em nós, indivíduos arraigados ainda ao mal, como sendo o lodo das margens ou a lama do fundo: é o "resíduo" estacionário, sofrendo a necessidade de grandes transformações.
Semelhante quadro fornece pálida notícia da verdade
.


Assim sendo, que Deus nos fortaleça e abençoe no caminho da purificação.


 
Irmão X


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Luz Acesa



A oração é luz acesa na alma.


Quando oras, os teus pensamentos se renovam e a tua disposição se modifica.


A prece é vinculo com os Planos Superiores.


Ora e examina a ti mesmo.


Sê mais vigilante.


Não dialogues sem proveito.


Permite-te a emoção das lágrimas, mas também derrama suor.


Lembra-te de Deus com maior freqüência e não apenas nos instantes de aflição.


Confia na intercessão divina, mas não pares de trabalhar.


Faze o teu próprio caminho.


Todo problema tem solução.


Jamais te desespere.



Irmão José


domingo, 10 de fevereiro de 2013

 



 

Vida Transitória



Tendo em vista a transitoriedade do corpo e a inevitabilidade da morte, vive, de maneira que possas partir, da Terra, livre e feliz.

O fenômeno
biológico pode interromper-se subitamente, não te permitindo tempo para qualquer preparação.


Conduze-te de forma que, seja qual for o momento em que sejas convidado ao retorno, possas seguir sem amarras ou aflições desconcertantes.

Organiza bem os teus labores e compromissos, a fim de qque outros possam levá-los adiante com tranquilidade.
 



Regulariza as tuas atividades, liberando-te de temores ou remorsos futuros desnecessários. Enriquece-te com os tesouros do amor, enquanto podes, a fim de que disponhas de recursos para a viagem inevitável.

 



Há pessoas, que vivem no corpo, totalmente esquecidas da sua fragilidade como da sua breve duração.

 



Programam compromissos a distância, no tempo, distraídas da compulsoriedade da morte.

 



Parecem crer que o passeio orgânico é conquista que não se interromperá, demorando-se no cultivo das fantasias e ilusões que um dia as abandonarão em doloroso estado de desencanto. Outras existem, assinaladas por sofrimentos cessar, deixando-se dominar pela revolta e pela amargura, esquecidas de que, em breve, estarão liberadas.

 



Nada na Terra, é definitivo, mesmo no campo físico das aglutinações moleculares, já que todos os fenômenos aí se dão mediante sucessivas transformações.

 



No que diz respeito aos valores morais espirituais, a experiência corporal tem, por finalidade precípua, desenvolvê-los e ampliá-los, para a glória de cada ser.



Age com serenidade, buscando sempre solucionar os problemas e desafios com saldo positivo de paz.



Evita as atitudes ostensivas e os comportamnetos prepotentes, que ferem sem ajudar, deixando mágoas e aborrecimentos.



Usa o tempo com propriedade
, bem dividindo as horas, sem que te esqueças dos deveres de relevo na órbita espiritual.



Se queres, sempre podes produzir no bem.

 



Não te poupes, portanto, na ação da solidariedade, do esclarecimento, do amor



Vida sem bondade, é como parasita explorador e pernicioso. Usa os dons íntimos, que te jazem latentes, e amplia-os em favor do progresso de todos.

 



Tua vida é exemplo para outras vidas.



Torna-a uma claridade no caminho daqueles que te seguem.

Ninguém passa incólume, insensível à presença de outrem. Deixa, em quem se acerque de ti, sinais de paz e de ternura, de amizade e de gratidão.



O tempo transcorrerá, inevitavelmente, de qualquer maneira.



Usa-o na construção da tua e da felicidade alheia.



Se dispuseres de oportunidade para aguardar a morte, faze-te exemplo de ânimo para aqueles que a temem ou a detestam, também encorajando os fracos e tímidos.

 



Se, entretanto, ela te chegar de improviso, recebe-a tranqüilamente, e segue, porque após a tua partida, com os teus exemplos bons, deixarás pegadas luminosas, como significado que por ali passou um coração afável que soube viver para a verdade e o amor.

 



Joanna de Ângelis


sábado, 9 de fevereiro de 2013



A PRECE

A fé e o amor são os dois grandes instrumentos de trabalho do doutrinador.

Ainda voltaremos a falar sobre o amor, esse tema inesgotável, fonte de belezas eternas, de reservas inexauríveis de energia criadora, de harmonias insuspeitadas, sempre a nos sur preender com o seu infinito potencial.

A fé e o amor causam impactos espantosos em nossos irmãos infelizes.

Quantas vezes tenho ouvido depoimentos, de comovedora sinceridade, de Espíritos aturdidos ante a evidência desses senti mentos:

— Que fé absurda tem você! — disse-me um deles.

Ele não queria dizer que a minha fé era falsa, extravagante, ilógica ou irracional; ele se surpreendia em achá -la tão legítima, tão viva, tão firme.

E acrescentou, estupefato:

— O mundo pode desabar em cima de você, que você não se importa.

Bem dizia o nosso Paulo, especialista em tais assuntos, que “a fé é a garantia do que se espera, a prova das realidades invisíveis” (Hebreus, 11:1). E que, mesmo depois de tudo dito e vivido, subsistiriam “a fé, a esperança e o amor, os três...” (Primeira Epístola aos Coríntios, 13:13.)

Uma fé assim é preciso para orar pelos nossos queridos irmãos desarvorados. A força e o poder da fé transmitem-se à prece, enunciada com emoção e sinceridade.

Citando os seus amigos espirituais, Kardec escreve, em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 28):

“Os Espíritos hão dito sempre: “A forma nada vale, o pensamento é tudo.

Ore, pois, cada um segundo suas convicções e da maneira que mais o toque.

Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras com as quais nada tenha o coração.”

Estes ensinamentos são, na verdade, preciosos, para qualquer tipo de prece, em qualquer oportunidade, mas são de capital importância na prece que formulamos pelo Espírito desajustado que temos diante de nós, incorporado ao médium. Kardec torna isto particularmente claro, quando diz, mais adiante, no mesmo capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo”:

“A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que são meros adornos de lantejoulas.

Cada palavra deve ter alcance próprio, despertar uma idéia, pôr em vibração uma fibra da alma. Numa palavra: deve fazer refletir. Somente sob essa condição pode a prece alcançar o seu objetivo; de outro modo, não passa de ruído. Entretanto, notai com que ar distraído e com que volubilidade elas são ditas, na maioria dos casos. Vêem-se lábios a mover-se; mas, pela expressão da fisionomia, pelo som mesmo da voz, verifica-se que ali apenas há um ato maquinal, puramente exterior, ao qual se conserva indiferente a alma.”

Lembro que os destaques não são meus; estão no original. De transcendental importância, para os trabalhos de desobsessão, é a observação de que a prece “deve fazer refletir”. Muitas vezes, é durante a prece, dita em voz alta pelo doutrinador, ou por alguém por ele indicado no grupo, que o Espírito manifestante faz uma pequena pausa para pensar. A prece o envolve em vibrações pacificadoras, em uma ternura que, talvez há muito não experimente. Ela deve ser elaborada em torno da própria temática que o companheiro nos tenha revelado, no decorrer do diálogo conosco.



Como tudo o mais que tentamos realizar nos grupos de desobsessão, a prece tem seu momento psicológico ótimo, que varia, necessariamente, de um caso para outro. Em certas ocasiões épreciso orar ainda no princípio da manifestação, em virtude de o estado de agitação, ou de alienação, do Espírito, não nos permitir colher, antes, um pouco da sua história e da sua motivação. O melhor, no entanto, é esperar um pouco, aguardar esclarecimentos e informações que — nunca é demais recomendar — não devem ser colhidas em interrogatórios e através dos artifícios da bisbilhotice.

No momento propício — e mais uma vez temos que recorrer à intuição e ao senso de oportunidade — convém dirigir-se ao próprio Espírito e propor-lhe a prece. Dificilmente ele recusará, e, ainda que o recuse, devemos fazê-la, mesmo porque, não devemos pedir-lhe permissão para orar, e sim comunicar-lhe que vamos fazê-lo. Basta dizer, por exemplo:

—Vamos orar?

Ou:

—Agora vou fazer uma prece.

Como disse, dificilmente ele se oporá. Poderá, no máximo, dar um muxoxo desinteressado, ou fazer um comentário condescendente:

—Pode orar, se quiser...

Curioso, no entanto, que muito raramente eles procuram perturbar a prece.

Geralmente ouvem-na em silêncio, senão respeitoso, pelo menos comedido.

Alguns, no entanto, insistem em continuar falando, zombando ou ridicularizando. Um deles procurou dramatizar as minhas palavras, tentando reproduzir, em gestos, que acreditava muito cômicos, as imagens contidas no sentido das palavras pronunciadas.

A prece deve ser dita de preferência de pé, ao lado do companheiro manifestado, com as mãos estendidas para ele, como que a concentrar nele as vibrações e as bênçãos que invocamos. Alguns informam depois, ou durante a prece, que se acham “defendidos”, “protegidos” por “couraças” e “capacetes” invioláveis, nos quais — esperam eles — as energias suscitadas pela prece não poderiam penetrar.

Dirija a sua prece a Deus, a Jesus ou a Maria, pedindo ajuda para o companheiro que sofre. Se já dispõe de alguma informação sobre ele, fale especificamente de seu problema, como um intermediário entre ele e os poderes supremos que nos orientam e amparam. Eles se esqueceram, às vezes por séculos, e até milênios, de que esses canais de acesso estão abertos também a eles. Não têm mais vontade, ou interesse, de se dirigirem a Deus. Ou lhes falta coragem, por julgarem-se além de toda recuperação, indignos e incapazes de projetarem o pensamento a tão elevadas entidades.

Em alguns casos, costumo orar não apenas pelo Espírito manifestante, mas como se fosse ele próprio, com as palavras e as emoções que ele mesmo escolheria para dirigir-se ao Pai ou a Jesus, se estivesse em condições de fazê-lo.

Certa ocasião, muito critica e importante, a prece foi elaborada como se partindo de nós dois: o doutrinado e o doutrinador, pois estávamos envolvidos muito profundamente em compromissos mútuos. Dirigi-me à doce Mãe de Jesus, colocando diante dela o problema de dois seres que haviam errado gravemente, julgando servi-lo. Ambos havíamos sofrido, ao longo dos séculos, por causa daqueles enganos. Já era mais do que tempo de chegarmos a um entendimento e colocarmos ponto final naquela penosa e aflitiva desarmonia, para que, juntos, como irmãos que éramos, conseguíssemos retomar, ambos, a nossa caminhada, sem os rancores que nos prendiam a um passado lamentável. Fosse Ela a advogada da nossa causa e nos ajudasse a encontrar os caminhos da paz.

Ele ouviu a prece, em silêncio, e acabou cedendo.

São incríveis a força e o impacto de uma prece límpida, pura, singela, escorada na emoção e no afeto. O efeito é “milagroso”, surpreendente, ainda que nem sempre instantâneo. São muitos os sofredores que se enquistaram de tal maneira atrás de suas defesas e de suas couraças, que precisam de algum tempo para deixarem-se alcançar, a ponto de realizar-se neles o milagre sempre renovado do amor. Estes ainda riem, por algum tempo, da prece — um riso nervoso, sem convicção. Estão com medo, pobres irmãos. Medo da emoção que os leva à crise, e da crise que os leva à dor que os espera ao longo do extenso caminho de volta...

Entre continuar numa dor que já conhecem, e que se encontra anestesiada, e entregar-se a outra que desconhecem, preferem ficar como estão. A prece muito contribui para vencer estas últimas inibições e hesitações. Ela os leva a alguns instantes de pausa, no curso dos seus pensamentos habituais.

Representa uma experiência da qual se desabituaram, ou com a qual não se acham familiarizados.

Alguns deles, quando pedimos para orar conosco, recusam-se, mas não tentam impedir-nos. Outros, quando propomos que eles orem também, desculpam-se desajeitadamente, dizendo que “ali não há condições”. Isto é especialmente invocado pelos companheiros que foram prelados. Como se julgam alienados da doce intimidade do Cristo, por exemplo, não se sentem encorajados a “falar” com Ele através da prece. Desculpam-se, então, com a impropriedade do ambiente, a falta dos paramentos e dos livros adequados.

Não são poucos os que continuam, no atormentado mundo espiritual em que vivem, a celebrar suas missas, oficiar os ritos e os sacramentos a que estiveram habituados na vida terrena; mas, no fundo, sabem que aquilo é estranho à simplicidade e à autenticidade do Cristo e de seu Evangelho. Por isso, quando convidados a orar de verdade, sentem-se atônitos e temerosos, embora reagindo, exteriormente, como se não dessem nenhuma importância a qualquer ato de contrição, ou como se somente pudessem exercê-lo com os apetrechos a que se habituaram. Não podemos esquecer-nos de que são muitos os que praticaram, a vida inteira, ou, mesmo, vida após vida, um culto formal e frio, aparatoso e vazio, no qual o coração e a fé não se envolveram.

Para esses pobres companheiros desarvorados, até mesmo a prece, manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus, transformou-se em mero instrumento de poder, esvaziando-se de todo o seu elevado e nobre conteúdo.

Com essa prece aviltada e despovoada de emoção, pediram favores insólitos a Deus, ou pronunciaram julgamento sobre o próximo. Não é de admirar, pois, que ao cabo de tantos desenganos, passem a não crer nela, ou continuem a entender que a prece é para isso mesmo, ou seja, para exigir favores de uma divindade servil, cega e injusta, que nos concede aquilo que não merecemos, ou não concede o que julgamos merecer.

A reação, pois, difere de um caso para outro, mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas, como acima esboçado. Há, pois, os que se comovem; os que ouvem, em respeitoso silêncio, mas ainda precisam de tempo; os que a ridicularizam, porque temem seus efeitos; os que se recusam a dizê-la, por julgarem-se indignos, ou não necessitados; e os que se acham de tal maneira alienados, que oram até mesmo com certa veemência, convencidos de que Deus, ou o Cristo, virá imediatamente em seu socorro, para livrá-los da situação em que se encontram, diante de um doutrinador impertinente.

Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses, por me faltar autoridade para fazê-lo. Ele ainda comentou a minha atitude, algo surpreso, e preparou-se para orar. Recolheu-se a uma postura correta, juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium, aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus, com muita veemência. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo, e nada pedia para eles próprios, porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações; mas pedia para nós, os componentes do grupo, que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. Sua prece era um tanto oratória e, de fato, depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador, falando com entusiasmo e brilho, a uma platéia invisível a nós.

É possível que ele fosse sincero no seu apelo, porque o fanatismo é, às vezes, de intensa e desastrosa sinceridade; mas, no seu caso, continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. Na profunda intimidade do seu ser, ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo, a quem orava com todo o fervor. Enquanto isso, estava ao abrigo de suas próprias contradições íntimas, de suas responsabilidades maiores, e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória, descer do pedestal de grande mestre, ou líder, para voltar a ferir os pés descalços, pelos caminhos espinhosos da recuperação, de coração sangrando, espicaçado pelo remorso.

Sendo, pois, a fé, “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”, a prece é o convite para que a esperança se realize em nós, ou diante de nós. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo; é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade.

E por ela que conseguimos alçar o nosso espírito, aprisionado ainda no erro, às culminâncias da esperança. Paulo apresentou juntos a fé, a esperança e o amor. A prece nos liga porque, apoiada na fé, contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor.



Do livro “DIÁLOGO COM AS SOMBRAS”, de HERMÍNIO C. MIRANDA

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carta Íntima



É verdade.

Conseguiste matrícula na escola da luz, a fim de que possas servir com mais segurança na causa do bem, mas encontras empeços de toda espécie, no rumo das aquisições a que te diriges.


Consideras muito difíceis as matérias em pauta.



Quantas falhas nas prova
s de paciência? Quantos desacertos nos exercícios da caridade? Quantos desajustes nas demonstrações de tolerância? E, sobretudo, que montão de erros nos exames do amor?



E choras verificando os problemas que se te afiguram insuperáveis.

Sofres com dependências e recapitulações, boletins de alarme e consequencias infelizes de teus próprios enganos.

 



De quando a quando, eis que se te amplia o desencanto, observando o alto número dos companheiros que desertam das aulas e sentes que o vazio cresce ao redor da carteira de trabalho em que te vês.

 



Entretanto, não esmoreças.



Prossegue.

Possivelmente, ainda não te conscientizaste de que o professor amigo te acompanha.



Onde haveria escola sem mestre?

 



Ouve. O instrutor que te acolheu, de braços abertos, não te abandona.



Se ele te registra os equívocos e as crises, é que deseja conduzir-te à certeza e à serenidade nos conhecimento
s que buscas.

E se insiste contigo para que te mantenhas no aprendizado é porque te ama.



Quando te entristeces, ele é a esperança que te restaura o ânimo enfraquecido.

 



Quando te afliges, ei-lo a pacificar-te no clarão do discernimento.

Confia e segue adiante.



Ele sabia que vieste à escola a fim de assimilar recursos que, até agora, não possuis e, por isso mesmo, não te pede a elevação que ainda não tens.
 



Apóia-te nele e persevera.



Em qualquer dificuldade, chama por ele. Talvez ainda não saibas que ele, o nosso mestre, é mais conhecido pelo nome de Jesus Cristo.
 



Meimei