terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A Hora da Divulgação



Quem possui um tesouro e é sábio investe-o, gerando bênçãos.


Quem conduz claridade esparze luz onde se encontra.


Quem frui felicidade distribui alegria promovendo esperança.

 


Quem ama irradia júbilo.


Quem tem conhecimento elucida problemas e auxilia nas dificuldades.


O Espiritismo é um tesouro de alto valor que tem a missão
de produzir lucros de amor e juros de paz.


Ocultá-lo, sem o promover entre as criaturas, é o mesmo que enterrar uma fortuna, que assim perde a finalidade para a qual existe.


Retê-lo, constitui crime de avareza, considerando-se a fome de luz de que padecem as criatura
s.


Adiar a sua divulgação, onde se encontre o espírita, representa perda de oportunidade valiosa, que não se repitirá.

 


Condicioná-lo às circunstâncias e interesses seria desfigurá-lo na legitimidade dos seus conceitos e objetivos edificantes.


Pessoas existem que sofrem hipertrofia dos sentimentos e não se dão conta.


Criaturas movimentam-se, no mundo, fátuas e risonhas, ignorando, porém, porque vivem e para que vivem.


Homens agem sob os automatismos de que se tornaram vítimas.
Indivíduos desajustam-se por desconhecerem os valores do espírito.


Coletividades desarticulam-se, porque vencidas pelo ego
ísmo e pelas paixões dissolventes.


O Espiritismo é o antídoto eficiente e rápido para os males que grassam, na Terra, derruindo o materialismo e promovendo a vida.

 


Difundi-lo, a rigor, é tarefa de quantos se identificam com as suas lições e nele encontraram satisfação de viver.
Não é lícito impô-lo, nem justo deixar de apresentá-lo.


A convicção de que ele se faz objeto
, favorecendo a pessoa com bênçãos, deve emular o seu beneficiário a levá-lo a quantos o ignoram.


E porque este é o momento da renovação espiritual da Humanidade, que se encontra exaurida por dores superlativas, também é a hora da divulgação, consciente e nobre, da Doutrina que "mata a morte" e alonga a vida, elucidando os enigmas complexos da existência carnal com acenos seguros de felicidade à vista.

 



Marcelo Ribeiro


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Lutando




Abnegado legionário de Cristo, guarda por tua arma predileta, no caminho pedregoso do mundo, a charrua do esforço próprio, no aperfeiçoamento do coração.



Outrora, seria lícito o nosso combate de ferro e fogo, á procura da posse na esfera enganosa dos prazeres fáceis.



A ignorância não vacilava em arrojar-nos ao precipício da miséria engodando-nos a mente infantil com a perspectiva de falaciosa dominação.

Hoje porém, meu amigo, que nos alistamos sob a bandeira lirial de Jesus, a nossa atitude será diferente...



Não atacar senão a nós mesmos, na perigosa inércia espiritual a que nos acolhemos na vida.



Não ferir senão o nosso orgulho, milenário inimigo de nossa paz, oculto nas torres abandonadas de nosso templo interior.



Não dilacerar senão a nossa vaidade, velha hidra venenosa a enroscar-se em nossos pensamentos para subtrair-nos a alegria de viver.



Não disputar senão a humildade, a riqueza que nos fará servidores felizes do mundo, em nome do Céu.



Arma-te, pois, de amor e sigamos para frente.



Veste a couraça da boa vontade e enfrentarás, com êxito, os mais ferrenhos adversários exteriores.



A Terra é um extenso campo de luta.



Enquanto nos achamos à distância do Mestre, somos vítimas das sombras que senhoreiam a nossa própria alma, contudo, quando recebemos a graça da iluminação com Jesus, somos os vitoriosos lidadores do mundo, convertendo a espada de nossas atitudes, em arado de bênçãos sobre a terra invisível do próprio sentimento, a fim de que o nosso coração se transforme em santuário vivo do Mestre e Senhor.



Agar

Do livro: Comandos do Amor, Médium: Francisco Cândido Xavier



domingo, 13 de janeiro de 2013

A Lição do Perdão



O que você faria se, de repente, por uma circunstância qualquer, tivesse nas suas mãos a possibilidade de decidir a respeito do destino de uma pessoa que muito lhe prejudicou?


Alguém que estendeu o manto da calúnia e destruiu o seu bom nome perante os amigos? Alguém que usurpou, com métodos desonestos, a sua empresa, fruto de seu labor de tantos anos?


Alguém que tenha ferido brutalmente a um membro da sua família?


Será que você lembraria da lição do perdão, ensinada por Jesus? Será que acudiriam à sua mente as palavras do mestre Galileu: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia?


Ou, ainda, a exortação a respeito de nos reconciliarmos ainda hoje com nosso adversário?


A propósito, conta-se que um escravo tornou-se de grande valor para o seu senhor, por causa da sua honradez e bom comportamento.

Dessa forma, seu senhor o elevou a uma posição de importância, na qualidade de administrador de suas fazendas.


Numa ocasião, o senhor desejou comprar mais vinte escravos e mandou que o novo administrador os escolhesse. Disse, contudo, que queria os mais fortes e os que trabalhassem melhor.


O escravo foi ao mercado e começou a sua busca. Em certo momento, fixou a vista num velho e decrépito escravo. Apontando-o para o seu senhor, disse-lhe que aquele devia ser um dos escolhidos.


O fazendeiro ficou surpreendido com a escolha e não queria concordar. O negociante de escravos acabou por dizer que se o fazendeiro comprasse vinte homens, ele daria o velho de graça.


Feita a compra, os escravos foram levados para a fazenda do seu novo senhor.
O escravo administrador passou a tratar o velho com maior cuidado e atenção do que a qualquer dos outros.


Levou-o para sua casa. Dava-lhe da sua comida. Quando tinha frio, levava-o para o sol. Quando tinha calor, colocava-o debaixo das árvores de cacau, à sombra.


Admirado das atenções que o seu antigo escravo dispensava a um outro escravo, seu senhor lhe perguntou por que fazia aquilo.


Decerto deveria ter algum motivo especial: É seu parente, talvez seu pai?


A resposta foi negativa.


É então seu irmão mais velho?


Também não, respondeu o escravo.

Então é seu tio ou outro parente.


Não tenho parentesco algum com ele. Nem mesmo é meu amigo.

Então, perguntou o fazendeiro, por que motivo tem tanto interesse por ele?

Ele é meu inimigo, senhor. Vendeu-me a um negociante e foi assim que me tornei escravo.



Mas eu aprendi, nos ensinamentos de Jesus, que devemos perdoar os nossos inimigos. Esta é a minha oportunidade de exercitar meu aprendizado.

O perdão acalma e abençoa o seu doador.


Maior é a felicidade de quem expressa o perdão. O perdoado é alguém em processo de recuperação. No entanto, aquele que lhe dispensa o esquecimento do mal, já alcançou as alturas do bem e da solidariedade.

Quando se entenda que perdoar é conquistar enobrecimento, o homem se fará forte pelas concessões de amor e compreensão que seja capaz de distribuir.



Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida e no cap. 18 do livro Trigo de Deus, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Oportunidade

"Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo está pronto." (João, 7:6.)

 
 




O mau trabalhador está sempre queixoso. Quando não atribui sua falta aos instrumentos em mão, lamenta a chuva, não tolera o calor, amaldicoa a geada e o vento.

 



Esse é um cego de aproveitamento difícil, porquanto somente enxerga o lado arestoso das situações.

 



O  bom trabalhador, no entanto, compreende, antes de tudo, o sentido profundo da oportunidade que recebeu. Valoriza todos os elementos colocados em seus caminhos, como respeita as possibilidades alheias. Nãi depende das estações. Planta com o mesmo entusiasmo as frutas do frio e do calor. É amigo da Natureza, aproveita-lhe as lições, tem bom ânimo, encontra na aspereza da semeadura e no júbilo da colheita igual contentamento.

 


Nesse sentido, a lição do Mestre reveste-se de maravilhosa significação. No torvelinho das incompreensões do mundo, não devemos aguardar o reino do Cristo como realização imediata, mas a oportunidade dos homens é permanente para a colaboração perfeita no Evangelho, a fim de edificá-lo.

Os cego
s de espírito continuarão queixosos; no entanto, os que acordaram para Jesus sabem que sua época de trabalho redentor está pronta, não passou, nem está por vir. É o dia de hoje, é o ensejo bendito de servir, em nome do Senhor, aqui e agora...



Emmanuel

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Política Divina



"Eu, porém, entre vós, sou como aquele que serve." - Jesus. (LUCAS, 22:27.)


O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da política administrativa do mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido.

O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da política do amor, representou, antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora.

Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a si mesmo.



Não vestiu o traje do sacerdote, nem a toga do magistrado.



Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa sublime, testemunhou a sua grandeza celestial.



Que seria das organizações cristãs, se o apostolado que lhes diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e parlamentos transitórios?

Se desejas penetrar, efetivamente, o templo da verdade e da fé viva, da paz e do amor, com Jesus, não olvides as plataformas do Evangelho Redentor.

Ama a Deus sobre todas as coisas, com todo o teu coração e entendimento.

Ama o próximo, como a ti mesmo.



Cessa o egoísmo da animalidade primitiva.



Faze o bem aos que te fazem mal.



Abençoa os que te perseguem e caluniam.



Ora pela paz dos que te ferem.



Bendize os que te contrariam o coração inclinado ao passado inferior.

Reparte as alegrias de teu espírito e os dons de tua vida com os menos afortunados e mais pobres do caminho.



Dissipa as trevas, fazendo brilhar a tua luz.



Revela o amor que acalma as tempestades do ódio.
Mantém viva a chama da esperança onde sopra o frio do desalento.

Levanta os caídos.



Sê a muleta benfeitora dos que se arrastam sob aleijões morais.

Combate a ignorância, acendendo lâmpadas de auxílio fraterno, sem golpes de crítica e sem gritos de condenação.



Ama, compreende e perdoa sempre.



Dependerá, acaso, de decretos humanos para meter mãos à obra?



Lembra-te, meu amigo, de que os administradores do mundo são, na maioria das vezes, veneráveis prepostos da Sabedoria Imortal, amparando os potenciais econômicos, passageiros e perecíveis do mundo; todavia, não te esqueças das recomendações traçadas no Código da Vida Eterna, na execução das quais devemos edificar o Reino Divino, dentro de nós mesmos.


Emmanuel

 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

INSTRUÇÕES DE ALLAN KARDEC AOS ESPÍRITAS DO BRASIL



Paz e amor convosco.



Que possamos ainda uma vez, unidos pelos laços da fraternidade, estudar essa doutrina de paz e de amor, de justiça e de esperanças, graças à qual encontraremos a estreita porta da salvação futura — o gozo indefinido e imorredouro para as nossas almas humildes.

Antes de ferir os pontos que fazem o objetivo da minha manifestação, devo pedir a todos vós que me ouvis — a todos vós espíritas a quem falo neste momento — que me perdoeis se porventura, na externação dos meus pensamentos, encontrardes alguma coisa que vos magoe, algum espinho que vos vá ferir a sensibilidade do coração.

O cumprimento do dever nos impõe usemos de linguagem franca, rude mesmo. Por isso que cada um de nós tem uma responsabilidade individual e coletiva e, para salvá-la, lançamos mão de todos os meios que se nos oferecem, sem contarmos, muitas vezes, com a pobreza da nossa inteligência, que não nos permite dizer aquilo que sentimos sem magoar,não raro, corações amigos, para os quais só desejamos a paz, o amor e as doçuras da caridade.

Certo de que ouvireis a minha súplica;certo de que, falando aos espíritas, falo a uma agremiação de homens cheios de benevolência, encetei o meu pequeno trabalho, cujo único fim é desobrigar-me de graves compromissos que tomei para com o nosso Criador e Pai!

Sempre compassivo e bom, volvendo os piedosos olhos à Humanidade escrava dos erros e das paixões do mundo, Deus torna uma verdade as palavras do Cristo, e manda o Consolador — o Espírito de Verdade — que abertamente fale da revelação messiânica a essa mesma Humanidade esquecida d’Aquele que foi levado pelas ruas da amargura, sob o peso das iniqüidades e das ingratidões dos homens!

Corridos os séculos, desenvolvido intelectualmente o espírito humano, Deus, na sua sabedoria, achou que era chegado o momento de convidar os homens à meditação do Evangelho — precioso livro de verdades divinas — até então ensombrado pela letra, devido à deficiência da percepção humana para compreendê-lo em espírito. Por toda a parte se fez luz;revelou-se à Humanidade o Consolador prometido, recebendo os povos — de acordo com o seu preparo moral e intelectual — missões importantes, tendentes a acelerar a marcha triunfante da Boa-Nova! Todos foram chamados: a nenhum recesso da Terra deixou de apresentar-se o Consolador em nome desse Deus de misericórdia, que não quer a morte do pecador — nem o extermínio dos ingratos —e sim os deseja ver remidos dos desvarios da carne, da obcecação dos instintos. Sendo assim, a esse pedaço de terra, a que chamais Brasil, foi dada também a Revelação da Revelação, firmando os vossos Espíritos, antes de encarnarem, compromissos de que ainda não vos desobrigastes. E perdoai que o diga: tendes mesmo retardado o cumprimento dele se de graves deveres, levados por sentimentos que não convém agora perscrutar.

Ismael, o vosso Guia, tomando a responsabilidade de vos conduzir ao grande templo do amor e da fraternidade humana, levantou a sua bandeira, tendo inscrito nela — Deus, Cristo e Caridade.Forte pela dedicação, animado pela misericórdia de Deus, que nunca falta aos trabalhadores, sua voz santa e evangélica ecoou em todos os corações,procurando atraí-los para um único agrupamento onde, unidos, teriam a força dos leões e a mansidão dos pombos; onde, unidos, pudessem afrontar todo o peso das iniqüidades humanas; onde, enlaçados num único sentimento — o do amor — pudessem adorar o Pai em Espírito e Verdade; onde se levantasse a grande muralha da fé,contra a qual viessem quebrar-se todas as armas dos inimigos da Luz; onde, finalmente,se pudesse formar um grande dique à onda tempestuosa das paixões, dos crimes edos vícios que avassalam a Humanidade inteira!

Constituiu-se esse agrupamento; a voz de Ismael foi sentida nos corações. Mas, à semelhança das sementes lançadas no pedregulho, elas não encontram terra boa para as suas raízes, e quando aquele anjo bom — aquele Enviado de Deus —julgava ter em seu seio amigos e irmãos capazes de ajudá-lo na sua grande tarefa, santa e boa, as sementes foram mirrando ao fogo das paixões, foram-se encravando na rocha, apesar de o orvalho da misericórdia divina as banhar constantemente para sua vivificação.

Ali, onde a humildade devera ter erguido tenda, o orgulho levantou o seu reduto; ali, onde o amor devia alçar-se,sublime e esplêndido, até junto do Cristo, a indiferença cavou sulcos, à justiça se chamou injustiça, à fraternidade — dissensão! Mas, pela ingratidão de uns, haveria de sacrificar-se a gratidão e a boa-vontade de outros? Pelo orgulho dos que já searvoraram em mestres na sua ignorância, havia de sacrificar-se a humildade do discípulo perfeitamente compenetrado dos seus deveres? Não!

Assim, quando os inimigos da Luz —quando o espírito das trevas julgava esfacelada a bandeira de Ismael, símbolo da trindade divina; quando a voz iníqua já reboava no Espaço, glorificando o reino das trevas e amaldiçoando o nome do Mártir do Calvário, ele recolheu o seu estandarte e fez que se levantasse pequena tenda de combate com o nome —Fraternidade! Era este, com certeza, o ponto para o qual deviam convergir todas as forças dispersas — todos os que não recebiam a semente do pedregulho.

Certos de que acaso é palavras em sentido, e testemunhas dos fatos que determinaram o levantamento dessa tenda, todos os espíritas tinham o dever sagrado de vir aqui se agruparem —ouvir a palavra sagrada do bom Guia Ismael — único que dirige a propaganda da Doutrina nesta parte do planeta e único que tem a responsabilidade da sua marcha e desenvolvimento.

Mas, infelizmente, meus amigos, não pudestes compreender ainda a grande significação da palavra — Fraternidade!Não é um termo, é um fato; não é uma palavra vazia, é um sentimento, sem o qual vos achareis sempre fracos para essa luta que vós mesmos não podeis medir, tal a sua extraordinária grandeza! Ismael tem o seu Templo, e sobre ele a sua bandeira

— Deus, Cristo e Caridade! Ismael tem a sua pequenina tenda, onde procura reunir todos os seus irmãos — todos aqueles que ouviram a sua palavra e a aceitaram por verdadeira: e chama-se Fraternidade!

Pergunto-vos: Pertenceis à Fraternidade? Trabalhais para o levantamento desse Templo cujo lema é: Deus,Cristo e Caridade? Como, e de que modo?

Meus amigos! É possível que eu seja injusto para convosco naquilo que vou dizer: o vosso trabalho, feito todo de acordo — não com a Doutrina — mas com o que interessa exclusivamente aos vossos sentimentos, não pode dar bom fruto. Esse trabalho, sem regime, sem disciplina,só pode, de acordo com a doutrina que esposastes, trazer espinhos que dilacerem vossas almas, dores pungentes aos vossos Espíritos,por isso que, desvirtuando os princípios em que ela assenta, dais entrada constante e funesta àquele que, encontrando-vos desunidos pelo egoísmo, pelo orgulho, pela vaidade, facilmente vos acabrunhará com todo o peso da sua iniquidade.

Entretanto, dar-se-ia o mesmo se estivésseis unidos? Porventura acreditais na eficiência de um grande exército dirigido por diversos generais, cada qual com o seu sistema, com o seu método de operar e com pontos de mira divergentes? Jamais! Nessas condições só encontrareis a derrota, porquanto — vede bem —, o que não podeis fazer com o Evangelho:unir-vos pelo amor do bem, fazem os vossos inimigos,unindo-se pelo amor do mal!

Eles não obedecem a diversas orientações,nem colimam objetivos diversos; tudo converge para a Doutrina Espírita —Revelação da Revelação — que não lhes convém e que precisam destruir, para o que empregam toda a sua inteligência, todo o seu amor do mal, submetendo-se auma única direção! A luta cresce dia a dia, pois que a vontade de Deus, iniciando as suas criaturas nos mistérios da vida de além-túmulo, cada vez mais se torna patente. Encontrando-se, porém, os vossos Espíritos em face da Doutrina, no estado precário que acabo de assinalar, pergunto: — Com que elemento contam eles, os vossos Espíritos, na temerosa ação em que se vão empenhar, cheios de responsabilidade?

Em que canto da Terra já se ergue o grande tabernáculo onde ireis elevar os vossos pensamentos; em que canto da Terra construístes a grande muralha contra a qual se hão de quebrar as armas dos vossos adversários? Será possível que, à semelhança das cinco virgens pouco zelosas, todo o cuidado da vossa paz tenhais perdido? Que conteis com as outras, que não dormem e que ansiosamente aguardam a vinda do seu Senhor? Mas, se é assim, em que consiste o aproveitamento das lições que constantemente vos são dadas a fim de tornar uma verdade a vossa vigilância e uma santidade a vossa oração? Se assim é, onde os frutos desse labor fecundo de todos os dias, dos vossos amigos de além-túmulo? Acaso apodreceram roídos pela traça — tocados pelo bolor os vossos arquivos repletos de comunicações? Onde, torno a perguntar, a segurança da vossa fé, a estabilidade da vossa crença, se, tendo uma única doutrina para apoio forte e inabalável, asubdividis, a multiplicais ao capricho das vossas individualidades, sem contar com a coletividade que vos poderia dar a força, se constituísseis um elemento homogêneo, perfeitamente preparado pelos que se encarregam da revelação?

Mas, onde a vantagem das subdivisões?Onde o interesse real para a Doutrina e seu desenvolvimento, na dispersão que fazeis do vosso grande todo, dando já, desse modo, um péssimo exemplo aos profanos, por isso que pregais a fraternidade e vos dividis cheios de dissensões? Onde as vantagens de tal proceder? Estarão na diversidade dos nomes que dais aos grupos? Por que isso?Será porque este ou aquele haja recebido maior doação do patrimônio divino?Será porque convenha à propaganda que fazeis?

Mas, para a propaganda, precisamos dos elementos construtivos dela. Pergunto: — onde a escola dos médiuns? Existe? Porventura os homens que têm a boa-vontade de estudar convosco os mistérios do Criador, preparando seus Espíritos para o ressurgir da outra vida, encontram em vós os instrumentos disciplinados — os médiuns perfeitamente compenetrados do importante papel que representam na família humana e cheios dessa seriedade, que dá uma ideia da grandeza da nossa Doutrina? Ou a vossa propaganda se limita tão-somente a falar do Espiritismo? Ou os vossos deveres eas vossas responsabilidades individuais e coletivas se limitam a dar a nota do ridículo àqueles que vos observam julgando-vos doidos e visionários?

Meus amigos! Sei quanto é doloroso tudo isto que vos digo, pois que cada um dos meus pensamentos é uma dor que atinge profundamente o meu Espírito. Sei que as vossas consciências sentem perfeitamente todo o peso das verdades que vos exponho. Mas, eu vos disse ao começar:— temos responsabilidades e compromissos tomados, dos quais procuramos desobrigar-nos por todos os meios ao nosso alcance!

Se completa não está a minha missão na Terra; se mereço ainda do Senhor a graça de vir esclarecer a doutrina que aí me foi revelada, dando-vos novos conhecimentos compatíveis com o desenvolvimento das vossas inteligências; se vejo que cada dia que passa da vossa existência —iluminada pela sublime luz da revelação, sem produzirdes um trabalho à altura da graça que vos foi concedida — é um motivo de escândalo para as vossas próprias consciências; devo usar desta linguagem rude de amigo, a fim de que possais, compenetrados verdadeiramente dos vossos deveres de cristãos e deespíritas, unir-vos num grande agrupamento fraterno, onde — avigorados peloapoio mútuo e pela proteção dos bons — possais enfrentar o trabalho extraordinário que vos cumpre realizar para emancipação dos vossos Espíritos, trabalho que inegavelmente ocasionará grande revolução na Humanidade, não só quanto à parte da Ciência e da Religião, mas também na dos costumes!

Uma vez por todas vos digo, meus amigos: — Os vossos trabalhos, os vossos labores não podem ficar no estreito limite da boa-vontade e da propaganda, sem os meios elementares indicados pela mais simples razão. Não vem absolutamente ao caso o reportar-vos às palavras de Jesus-Cristo quando disseque — a luz não se fez para ser colocada debaixo do alqueire. Não vem ao caso enão tem aplicação, porque não possuis luz própria!

Fazei a luz pelo vosso esforço;iluminai todo o vosso ser com a doce claridade das virtudes; disciplinai-vos pelos bons costumes no Templo de Ismael, templo onde se adora a Deus, se venera o Cristo e se cultiva a Caridade. Então, sim; distribuí a luz, ela vos pertence! E vos pertence, porque é um produto sagrado do vosso próprio esforço, uma brilhante conquista do vosso Espírito — empenhado nas lutas sublimes da Verdade. Fora desses termos, podeis produzir trabalhos que causem embriaguez àvista, mas nunca que, falem sinceramente ao coração. Podeis produzir emoções fortes,por isso que muitos são os que gostosamente se entregam ao culto do maravilhoso;nunca, porém, deixarão as impressões suaves da Verdade vibrando as cordas do amor divino no grande coração humano.

Fora dessa convenção ortodoxa, é possível que as plantas cresçam nos vossos grupos, mas é bem possível que também seus frutos sejam bastante amargos, bastante venenosos, determinando, ao contrário do que devia acontecer, a morte moral do vosso Espírito — a destruição, pela base, do vosso Templo de trabalho!

Se o Evangelho não se tornar realmente em vossos espíritos um broquel, quem vos poderá socorrer, uma vez que a Revelação tende a absorver todas as consciências, emancipando o vosso século? Se o Evangelho nas vossas mãos apenas tem a serventia dos livros profanos, que deleitam a alma e encantam o pensamento, quem vos poderá socorrer no momento dessa revolução planetária que já se faz sentir, que dará o domínio da Terra aos bons, preparados para o seu desenvolvimento, que ocasionará a transmigração dos obcecados e endurecidos para o mundo que lhes for próprio?

Que será de vós — quem vos poderás ocorrer — se, à lâmpada do vosso Espírito, faltar o elemento de luz com que possais ver a chegada inesperada do Cristo, testemunhando o valor dos bons e a fraqueza moral dos maus e dos ingratos?

Se fostes chamados às bodas do filho do vosso Rei, por que não tomam os vossos Espíritos as roupagens dignas do banquete, trocando conosco o brinde do amor e da caridade pelo consórcio do Cristo com o seu povo? Se tudo está preparado, se só faltam os convivas, por que cedeis o vosso lugar aos coxose estropiados que, últimos, virão a ser os primeiros na mesa farta da caridade divina?

Esses pontos do Evangelho de Jesus-Cristo, apesar da Revelação, ainda não provocaram a vossa meditação? Esse eco que reboa por toda a atmosfera do vosso planeta, dizendo — Os tempos são chegados! — será um gracejo dos enviados de Deus, com o fim de apavorar os vossos espíritos? Será possível nos preparemos para os tempos que chegam, vivendo cheios de dissensões e de lutas,como se não constituíssemos uma única família, tendo para regência dos nossos atos e dos nossos sentimentos uma única doutrina?

Será possível nos preparemos para os tempos que chegam, dando a todo momento e a todos os instantes a nota do escândalo, apresentando-nos aos homens sob o aspecto de homens cheios de ambições, que não trepidam em lançar mão até das coisas divinas para o gozo da carne e satisfação das paixões do mundo? Mas seria simplesmente uma obcecação do Espírito — pretender desobrigar-se dos seus compromissos e penetrar, no reino de Deus, coberto dessas paixões e dessas misérias humanas! Isso equivaleria não acreditardes naquilo mesmo em que dizeis crer; seria zombar do vosso Criador que, não exigindo de vós sacrifício, vos pede, entretanto, não transformeis a sua casa de oração em covil de ladrões!

Meus amigos! Sem caridade não há salvação — sem fraternidade não pode haver união.

Uni-vos, pois, pela fraternidade,debaixo das vistas do bom Ismael, vosso Guia e Protetor. Salvai-vos pela Caridade,distribuindo o bem por toda a parte, indistintamente, sem pensamento oculto,àqueles que vos pedem lhes deis da vossa crença ao menos um testemunho moral,que os possa obrigar a respeitar em vós o indivíduo bem-intencionado e verdadeiramente cristão.

Sobre a propaganda que procurais fazer, exclusivamente para chamar ao vosso seio maior número de adeptos, direi— se os meios mais fáceis que tendes encontrado são a cura dos vossos irmãos obsessos, são as visitas domiciliárias e a expansão dos fluidos — ai tendes um modesto trabalho para vossa meditação e estudo. E, lendo, compreendendo, chamai-metodas as vezes que for do vosso agrado ouvir a minha palavra e eu virei esclarecer os pontos que achardes duvidosos — virei, em novos termos, se preciso for, mostrar-vos que esse lado que vos parece fácil para a propaganda da Doutrina — é o maior escolho lançado no vosso caminho — é a pedra colocada às rodas do vosso carro triunfante —será, finalmente, o motivo da vossa queda desastrosa, se não souber desguiar-vos com o critério exigível de quantos se empenham numa tão grande causa.

Permita Deus que os espíritas a quem falo, que os homens a quem foi dada a graça de conhecer em espírito e verdade a Doutrina do Cristo, tenham a boa-vontade de me compreender — a boa-vontade dever nas minhas palavras unicamente o interesse do amor que lhes consagro.

Allan Kardec

Texto extraído do livro: Coletânea de Preces