segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Na Vida


Na Vida


Doa-te ao bem.



Nasces, a cada novo dia, quando despertas para dar amparo a quem vive junto de ti.



Crias, com o próprio Criador, a vida à tua volta, quando deixas que os atos de amor marquem a tua existência.



Cresces, no sentido espiritual da vida, quando te deixas envolver por um clima de tão profunda piedade pelo que sofre, que teus olhos são mares dágua a anunciar um novo tempo de edificação da alma.



Perdoas a quem te fere e segue a abençoar a mão que te feriu, porque sabes que este que te alcançou não dispunha de outra forma de te pedir socorro a não ser te ferindo.



Olhas a família e vês o teu futuro de atividades intensas para atenderes a todos.



Amas e, pelo amor, Deus te delega o mandato para começares a ordenar na vida, como o Pai Celestial ordena na Eternidade.



Doando-te, receberás o que deres, porque a vida é um espelho que te reflete e que te reproduz, para que sejas amanhã, melhor do que és nesta hora.



Ama e viverás.



Sê caridoso e criarás a vida.

Fabiano



domingo, 16 de dezembro de 2012

Males Encomendados


Males Encomendados




"Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?
Não; Deus não o permitiria. "(Questão nº 351- Livro dos Espíritos)


Há pessoas que reclamam do chamado "malfeito".

 
Por ignorado motivo haveria alguém interessado em sua desdita.
Estariam sendo exercitados sortilégios para a evocação de entidades das sombras, com

o propósito de causar-lhes embaraços variados, relacionados com família, negócios, saúde...


A experiência demonstra que isso pode acontecer. Há Espíritos que se especializam em influenciar as criaturas humanas, atormentando-as, atuando "por encomenda".

 
Se você, leitor amigo, traz indeléveis temores relacionados com essa presença, que não
está sozinho.


Multidões tremem quando essa possibilidade é mencionada para explicar a origem de
seus problemas. Mas considere algo fundamental:
Os
agentes das sombras não têm o poder de criar o mal. Apenas o alimentam. Isso significa que ninguém pode ser atingido pelo mal senão por intermédio do mal que há em si mesmo.



Jamais seremos induzidos à violência se conquistamos a mansuetude. Nem ao vício, se
legitimamente virtuosos. Nem ao roubo, se não houver espaço para a cobiça em nosso universo interior.




Respeitável chefe de família assume estranho comportamento.

Demora-se fora do lar, alegando compromissos profissionais. Torna-se monossilábico e distante. Situa-se inquieto e agressivo. — Nessa história tem mulher — comentam familiares e amigos. Observação acertada.
Envolv
eu-se com uma jovem bela e volúvel que o seduziu. Pretende afastá-lo do lar. Não mede esforços para isso. Chegou a contratar um "despachante do além", um médium habituado a evocar Espíritos para empreitadas menos dignas. Foi acertado que o alvo seria "amarrado" num enleio passional. Iniciativas dessa natureza estão presentes no dia-a-dia de muitas pessoas.



A irresponsabilidade sustentada pelo egoísmo tem alcance ilimitado.


Quem cultiva a
paixão por si mesmo não mede as conseqüências de seus desmandos, dos prejuízos que causa a outras pessoas. Interessa-lhe simplesmente a satisfação de seus caprichos. A jovem não está nem um pouco preocupada com o fato de que, atingindo seu objetivo, destruirá um casamento, traumatizando crianças e infelicitando uma esposa. Pensa nela mesma, na satisfação e nos benefícios que possa colher naquela relação indigna. — Que se dane o resto! — proclama indiferente.




O chefe de família foi envolvido, mas nem a jovem, nem o médium, nem o Espírito evocado exerceram influência irresistível. Ele não agiu por compulsão. Simplesmente lhe
sugeriram a ligação, criando em sua tela mental imagens licenciosas que acolheu sem constrangimento. Resumindo:
Não criaram o adultério. A
penas exploraram sua tendência à infidelidade. Imaginemos alguém à beira de um precipício. Nenhum Espírito vai jogá-lo no abismo. Mas poderá sugerir: — Salte! Veja como é bom! Você experimentará a sensação de voar!



Um prazer indescritível! Muitos, aceitando convites assim, mergulham em paixões e
viciações. Experimentam, efemeramente, prazeres e alegrias, nos domínios das sensações.
Invariavelmente, entretanto, "esborracham-se" no fundo do abismo, comprometidos em renitentes perturbações e
angústias que lhes amarguram a existência.




Jesus nos legou a fórmula perfeita para evitar o envolvimento com o mal: "Vigiai e orai,
para que não entreis em tentação". É preciso exercitar perene vigilância, não do próximo, mas de nós mesmos. Vigiar nossos impulsos, as idéias que surgem em nossa mente, nossos desejos, tendo por
parâmetro a moral evangélica que nos oferece o roteiro ideal para uma existência equilibrada e feliz.
O que cogitamos é compatível com o Evangelho? Se a resposta for negativa, detenhamo-nos imediatamente em oração, rogando a D
eus forças para resistir â tentação. E Deus, que criou o Bem, nos ajudará para que ninguém, aqui ou no além, induza-nos a fazer o que não deve ser feito.

Há outro ângulo importante no exemplo citado: A esposa. Não foi ela agredida em sua sensibilidade? Não estará sujeita a uma série de problemas físicos e
psíquicos, em face da injúria de que foi vítima? Não poderíamos dizer que lhe fizeram muito mal? Aparentemente, sim. Sob a óptica espiritual, onde está a realidade podemos considerar que há sempre um componente cármico em nossas dores.



O que nos parece um grande mal pode ser apenas o resgate de débitos relacionados com
o passado. Quem sabe terá ela própria destruído lares alheios, em existências anteriores? Ninguém sofre injustamente. Mal legítimo, por isso, é o que fazemos de errado, contrariando as leis divinas, com o que contraímos pesados débitos. O que fazem contra nós, impondo-nos sofrimentos, converte-se em crédito no resgate de nossas dividas, se bem administrado.




Normalmente, numa situação dessa natureza, a esposa deixa-se dominar pelo ódio.Pensa
em matar o marido. Matar a intrusa. Matar-se.
Exige satisfações. Briga. Exaspera-se. Arma
escândalo. Sobretudo, sente-se
profundamente infeliz. Entra em estado de
angústia e ansiedade. Desorienta-se. Fica doente. Reação muito humana, mas nela está a origem de seus desajustes. Faltou-lhe a mesma iniciativa que teria preservado o marido: Consultar o Evangelho.




O que recomenda Jesus ante os males que nos façam? Todos sabemos. Está contido em
pequeno verbo de grandioso alcance: Perdoar.
O perdão legít
imo é filho da compreensão. Fundamental à esposa: Compreender que a jovem leviana que feriu de morte seu casamento agiu sob inspiração da imaturidade, envolvida pelas sombras. Compreender, como dizia sabiamente antiga lidadora espírita, que para preservar a própria integridade é preciso, em situações assim, ver no cônjuge um filho transviado, vitimado pelas próprias fraquezas. Compreender que se não relevamos e seguimos adiante, atinge-nos em plenitude o mal que nos endereçam, como fogo a propagar-se em tecido encharcado de gasolina.


Richard Simonetti



sábado, 15 de dezembro de 2012

Amar, Não Sofrer

Amar, Não Sofrer



"Perguntais se é permitido abrandar as vossas próprias provas: essa questão leva a esta:


é permitido àquele que se afoga procurar se salvar? Àquele que tem um espinho cravado, de o retirar?..."


"... contentai-vos com as provas que Deus vos envia, e não aumenteis sua carga, às vezes tão pesada..." (Cap.V, item 26.)



Sofremos porque ainda não aprendemos a amar, afinal, a lei divina nos incentiva ao amor, como sendo a única forma capaz de promover o nosso crescimento espiritual.



Os métodos reais da evolução só acontecem em nós quando entramos no fluxo educativo do amor.


Sofrer por sofrer não tem significado algum, pois a dor tem como função resgatar as almas para as faixas nobres da vida, por onde transitam os que amam em plenitude.



Temos acumulado inúmeras experiências nas névoas dos séculos, em estâncias onde nossas almas estagiaram, e aprendido invariavelmente que somente repararíamos nossos desacertos e equívocos perante a vida através do binômio "dor-castigo".



Nas tradições da mitologia pagã, aprendemos com os deuses toda uma postura marcada pela dor. A princípio os duelos de Osísis, Set e Horus, do antigo Egito. Mais além, assimilamos "formas-pensamentos" das desavenças e vinganças entre Netuno e Júpiter no Olímpio, a morada dos deuses da Grécia.



Por outro lado, não foi somente entre as religiões idólatras que incorporamos essas formas de convicção, mas também nos conceitos do Velho Testamento, onde exercitamos toda uma forma de pensar, na exaltação da dor como um dos processos divinos para punir todos aqueles que se encontravam em falta.



A palavra "talião" significa "tal", do latim "talis", definida como a "Lei de Talião", ou seja, "Olho por olho, dente por dente". Significa que as criaturas deveriam ter como castigo a dor, "tal qual" fizeram os outros sentirem, sem se levar em conta que a idéia de que se tinha do poder divino era caracterizada por atributos profundamente punitivos.

Jó afirmava: "e Deus na sua ira lhes repartirá as dores", no Gênesis, em se referindo aos castigos da mulher: "multiplicarei os teus trabalhos e em meio da dor darás à luz a filhos", são algumas dentre muitas assertivas que nos levaram a formar crença profundas de que somente o sofrimento era capaz de sublimar as almas, ou reparar negligências, abusos e crimes.

No "Sermão do Monte", Jesus Cristo se refere à Lei de Talião revogando-a completamente: "Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais o mal; mas, se alguém te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra". Longa foi a estiagem dos métodos corretivos pela dor, contudo o Mestre instalou na Terra o processo da educação pelo amor.



Apesar de Jesus ter invalidado a Lei do "tal crime, tal castigo", ela ainda prevalece para todos os seres humanos que não encontraram no amor uma forma de "viver" e "pensar".



Realmente, durante muito tempo, a dor terá função dentro dos imperativos da vida, estimulando as pessoas às mudanças e às renovações, por não aceitarem que o amor muda e renova e, portanto, utiliza-se dos "cilícios mentais", como meios de suplícios e tormentos, para se auto-punirem, pondo assim em prática toda sua ideologia de "exaltação à falta/punição".

Crenças não são simplesmente credos, máximas ou estímulos religiosos, mas também princípios orientadores de fé e de idéias, que nos proporcionam direção na vida. São verdadeiras forças que poderão limitar ou ampliar a criação do bem em nossa existência.



Mudar para o amor como método de crescimento, reformulando idéias e reestruturando os valores antigos é sairmos da posição de vítimas, mártires ou pobres coitados, facilitando a sintonização com as correntes sutís e amoráveis dos espíritos nobres que subiram na escala do Universo, amando.

Podemos, sim, "sutilizar" nossas energias carmicas, amando, ou "desgastá-las" penosamente, se continuarmos a reafirmar nossas crenças punitivas do passado.



Reforçar o "espinho cravado" ou não retirá-lo é opção nossa.



Lembremo-nos, porém, de que idéias arraigadas e adotadas seriamente por nós tendem a motivar-lhes a própria concretização.



Hamed

Do livro: Renovando Atitudes, Médium: Francisco do Espírito Santo Neto - Editora Boa Nova



 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Conversas

Conversas

Onde estiveres, anota:
Se surgem lutas e crises
Com momentos infelizes
De verbo candente e vão,
Escuta com paciência,
Ajuda, ampara, abençoa
E lança a palavra boa
Que anule a perturbação.

Opiniões, confidências, diálogos, comentários,
- São forças de efeitos vários
Que se ampliam a granel;
Há palavras que são flores,
Outras recordam espinhos
Nos lares e nos caminhos
Espalhando fogo e fel.

Estende luz e esperança,
Fala no bem quando fales,
Que a Terra já tem por males
Penúria, tristeza e dor;
Jesus nos pede a palavra
Para entender e servir,
A fim de erguer no porvir
O Reino de Paz e Amor.


Maria Dolores

Do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vida e Amor

Vida e Amor

Ante as provas do mundo a que a vida te lance,
Não te sintas a sós, alma querida,
O amor é a luz os Céus, em toda parte,
Para a sustentação a própria vida.

Se algo te fere o coração ou pisa o sonho,
Não chores, nem te inclines para trás,
Ama, serve e prossegue construindo
Que o bem se te fará conforto e paz.

Fui ao campo aprender simplicidade
E admirada vi, de alma surpresa,
Que toda a evolução do homem se realiza
Pelo extremado amor da natureza.

O Solo me explicou:- Há milênios recolho
Lixo, pancadaria, lodo e estrume
Mas devo responder aos golpes recebidos
Com celeiros de pão e vagas de perfume.

A Pedreira me disse:- o martelo me oprime,
A dinamite me estraçalha e arrasa
Para doar ao homem segurança,
Na proteção de sua própria casa.

Ouvi, no subsolo, a raiz da Roseira
A esclarecer-me sem quaisquer rancores:
- Ouço dizer que tenho rosas lindas,
Mas nunca vi as minhas próprias flores.

Disse o Minério Bruto: - sei que o fogo
Purificar-me-á, de pedaço em pedaço,
Enviando-me ao corpo do Progresso
Por vínculos de apoio e nervos de aço...

Então reconheci que, em toda a Terra,
Do recurso mais nobre aos mais plebeus
A vida inteira brilha e se aprimora
Sobre o amor e o perdão da grandeza de Deus.


Maria Dolores

Do livro: Seara de Fé, Médium: Francisco Cândido Xavier


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Reflexões Sobre a Tolerância

Reflexões Sobre a Tolerância



Desejo ainda que você seja tolerante;

não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

mas com os que erram muito e irremediavelmente,

e que fazendo bom uso dessa tolerância,

você sirva de exemplo aos outros.


Vitor Hugo



Ainda restam muitas mostras de brutalidade na raça humana. Desde ambientes domésticos até as mais conturbadas relações internacionais, vemos comportamentos agressivos e violentos, e não somente produzindo ferimentos físicos, mas também, e com maior freqüência, gerando sérios danos emocionais e conseqüentemente espirituais.


Na base de todas essas ocorrências encontram-se ações humanas, o que nos leva a refletir no quanto ainda nos exige a tarefa de tolerar o outro! Quantas vezes, ainda, escorregamos em julgamentos e, por vezes, na mesma intransigência e violência, se não por atos, por palavras e pensamentos. Compreender o outro é sempre tão difícil. Afinal, por que ele tem que pensar de forma diferente? Por que tem que agir de uma forma que não me agrada? Por que tem tendências que eu abomino, não compreendo ou não aceito? São tantos os porquês que nos ocorrem em momentos de intolerância que por certo encheríamos várias páginas com eles.
Mas, o certo é que diferenças existem e precisamos aprender a ser e viver com tolerância, caso realmente aspiremos a ser dignos de nos dizermos cristãos.
Há alguns meses foi noticiado o caso de uma mulher acusada de adultério na Nigéria. Ela estava divorciada do primeiro marido e engravidou de um relacionamento posterior com outro homem. Segundo as leis vigentes naquela sociedade ela foi condenada a morte por apedrejamento. Cena idêntica nos relata o Evangelho de João:


“Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava. Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele dentre vós que estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra. E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Ergueu-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe:


– Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.”


É a velha intolerância, matando pessoas e ferindo sentimentos nos tempos atuais, como matava e feria há dois mil anos. E os ensinos de Jesus, esquecidos.
A passagem da mulher adúltera me fala de tolerância, de comportamento tolerante com o próximo. O Mestre, enquanto ensinava, foi confrontado e atacado pela mesma intransigência e intolerância que os levava a acusar a mulher. Não toleravam os pensamentos e as atitudes de Jesus e o agrediam. Ante a primeira agressão, Jesus mostrou-se passivo. Então eles insistem até obterem uma reação - a resposta do atirem a primeira pedra quem estiver sem pecado.


Essa resposta traz a noção de igualdade, compreendida não só como não sermos puros isentos de erro, mas como seres que em situações absolutamente iguais, idênticas, tanto de ordem moral, material, mental, física, espiritual e evolutiva, procederíamos do mesmo modo, o que lhes retira a capacidade de condenar. Assim são as leis da matéria: em iguais condições os elementos químicos e físicos reagem da mesma forma; assim também as leis que regem o plano mental e as que vigoram nos domínios do Espírito, pois não há leis na Natureza que se contradigam umas as outras. Talvez por isso narra João que os velhos – ou os mais experientes e capazes de compreender esse conceito – foram os primeiros a se retirar, acusados pela própria consciência que os lembrava da lei de igualdade. Ao responder-lhes Jesus exemplifica uma conduta tolerante ante aqueles que os confrontavam. Aliás, note-se que ele deixa claro que a passividade não é forma de tolerância, pois ela permite que a ação equivocada perdure.
Ao responder a segunda investida, dá exemplo de tolerância inspirada pela bondade, ou seja, a não olhar indiferente, nem a condenar o proceder alheio quando ele seja incorreto, inconveniente e possa lesar interesses morais e materiais, próprios ou estranhos, individuais ou coletivos, mas alertar o engano da conduta de forma caridosa, sem revidar agressão, lembrando para o futuro um comportamento mais saudável.


Não temos o direito de violentar a consciência de outrem, impondo-lhes maneiras de pensar e viver. A justificativa do anseio de ampliar ou desenvolver a consciência de alguém não serve, nem autoriza o uso da violência física ou verbal.


A tolerância não consiste na indiferença. Pode e deve a criatura ser tolerante em face das opiniões e condutas alheias, por mais opostas que sejam às suas próprias; ela prescreve o respeito às crenças, aos gostos e tendências dos outros, porém não nos impõe a omissão, o silêncio diante do que nos desagrade, ou seja compreendido de outro modo. O indivíduo tolerante exterioriza suas opiniões, eximindo-se de ser violento, pois compreende a necessidade de considerar os outros como a si mesmo e a fazer-lhes aquilo lhe possa convir. Se já consegue olhar um pouco além das ilusões da matéria e compreende a vida e a lei de evolução, sabe que:

“Na fonte, há lama; a rosa tem espinho;

O sol na eclipse é sol obscurecido;

Na flor também o verme faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto",


William Shakespeare – Soneto 35.



Ana Cristina Vargas - Delfos