sábado, 20 de outubro de 2012

O Que é a Desgraça


 
O Que é a Desgraça



 
Para apreciar os bens e os males da existência, para saber em que consiste a verdadeira desgraça, em que consiste a felicidade, é necessário nos elevarmos acima do círculo acanhado da vida terrena. O conhecimento do futuro e da sorte que nos aguarda permite medir as conseqüências dos nossos atos e sua influência sobre os tempos vindouros.



Observada sob este ponto de vista, a desgraça, para o ser humano, já não é mais o sofrimento, a perda dos entes que lhe são caros, as privações, a miséria; a desgraça será então tudo o que manchar, tudo o que aniquilar o adiantamento, tudo o que lhe for um obstáculo. A desgraça, para aquele que só observar os tempos presentes, pode ser a pobreza, as enfermidades, a moléstia.
Para o Espírito que paira no alto, ela será o amor do prazer, o orgulho, a vida inútil e culposa. Não se pode julgar uma coisa sem se ver tudo o que dela decorre, e eis por que ninguém pode compreender a vida sem conhecer o seu alvo e as leis morais. As provações, purificando a alma, preparam sua ascensão e felicidade; no entanto, as alegrias deste mundo, as riquezas, as paixões entibiam-na e atiram-na para uma outra vida de amargas decepções. Assim, aquele que é oprimido pela adversidade pode esperar e erguer um olhar confiante para o céu; desde que resgata a sua dívida, conquista a liberdade; porém, esse que se compraz na sensualidade constrói a sua própria prisão, acumula novas responsabilidades que pesarão extraordinariamente sobre as suas vidas futuras.



A dor, sob suas múltiplas formas, é o remédio supremo para as imperfeições, para as enfermidades da alma. Sem ela não é possível a cura. Assim como as moléstias orgânicas são muitas vezes resultantes dos nossos excessos, assim também as provas morais que nos atingem são conseqüentes das nossas faltas passadas. Cedo ou tarde, essas faltas recairão sobre nós com suas deduções lógicas. É a lei de justiça, de equilíbrio moral. Saibamos aceitar os seus efeitos como se fossem remédios amargos, operações dolorosas que devem restituir a saúde, a agilidade ao nosso corpo. Embora sejamos acabrunhados pelos desgostos, pelas humilhações e pela ruína, devemos sempre suportá-los com paciência. O lavrador rasga o seio da terra para daí fazer brotar a messe dourada. Assim a nossa alma, depois de desbastada, também se tornará exuberante em frutos morais.



Pela ação da dor, larga tudo o que é impuro e mau, todos os apetites grosseiros, vícios e paixões, tudo o que vem da terra e deve para ela voltar. A adversidade é uma grande escola, um campo fértil em transformações. Sob seu influxo, as paixões más convertem-se pouco a pouco em paixões generosas, em amor do bem. Nada fica perdido. Mas, essa transformação é lenta e dificultosa, pois só pode ser operada pelo sofrimento, pela luta constante contra o mal, pelo nosso próprio sacrifício. Graças a estes, a alma adquire a experiência e a sabedoria. Os seus frutos verdes e amargos convertem-se, sob a ação regeneradora da prova, sob os raios do Sol divino, em frutos doces, aromáticos, amadurecidos, que devem ser colhidos em mundos superiores.



Livres em nossas ações, isentos de
males, de cuidados, deixar-nos-íamos impulsionar pelo sopro das paixões, deixar-nos-íamos arrebatar pelo temperamento. Longe de trabalharmos pela nossa melhoria, nada mais faríamos do que amontoar faltas novas sobre as faltas passadas; no entanto, comprimidos pelo sofrimento, em existências humildes, habituamo-nos à paciência, ao raciocínio, adquirimos essa calma de pensamento indispensável àquele que quiser ouvir a voz da razão.
É no
crisol da dor que se depuram as grandes almas. Às vezes, sob nossa vista, anjos de bondade vêm tragar o cálice de amargura, como exemplificação aos que são assustados pelos tormentos da paixão. A prova é uma reparação necessária, aceita com conhecimento de causa por muitos dentre nós. Oxalá assim pensemos nos momentos de desânimo, e que o espetáculo dos males suportados com essas grandes resignações nos dê a força de conservarmo-nos fiéis aos nossos próprios compromissos, às resoluções viris que tomamos antes de encarnar



Leon Denis

Do livro: Depois da Morte

Fonte: http://www.caminhosluz.com.br

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

NA VIA PÚBLICA

 
NA VIA PÚBLICA


Demonstrar, com exemplos, que o espírita é cristão em qualquer local.

A Vinha do Senhor é o mundo inteiro.

Colaborar na higiene das vias públicas, não atirando detritos nas calçadas e nas sarjetas.

As pessoas de bons costumes se revelam nos menores atos.

Consagrar os direitos alheios, usando cordialidade e brandura com todo transeunte, seja ele quem for.

O culto da caridade não exige circunstâncias especiais.

Cumprimentar com serenidade e alegria as pessoas que convivem conosco, inspirando-lhes confiança.

A saudação fraterna é cartão de paz.

Exteriorizar gentileza e compreensão para com todos, prestando de boamente informações aos que se interessem por elas, auxiliando as crianças, os enfermos e as pessoas fatigadas em meio ao trânsito público, nesse ou naquele mister.

Alguns instantes de solidariedade semeiam simpatia e júbilo para sempre.

Coibir-se de provocar alarido na multidão, através de gritos ou brincadeiras inconvenientes, mantendo silêncio e respeito, junto às residências particulares, e justa veneração diante dos hospitais e das escolas, dos templos e dos presídios.

A elegância moral é o selo vivo da educação.

Abolir o divertimento impiedoso com os mutilados, com os enfermos mentais, com os mendigos e com os animais que nos surjam à frente.

Os menos felizes são credores de maior compaixão.

Proteger, com desvelo, caminhos e jardins, monumentos e pisos, árvores e demais recursos de beleza e conforto, dos lugares onde estiver.

O logradouro público é salão de visita para toda a comunidade.


“Vede prudentemente como andais.” — Paulo.
(EFÉSIOS, 5:15.)
André Luiz
Extraído do livro Conduta Espírita

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CASAS MORTAS, CASAS VIVAS

Casa Transitória - Sousa -PB.


 
CASAS MORTAS, CASAS VIVAS



        Sua casa é viva ou morta? A pergunta soa estranha, com certeza. E você logo responderá que casa é algo inanimado.



        A casa é feita de pedras, tijolos, madeira, portanto, não tem vida.

        Entretanto, casas existem que são mortas. Você as adentra e sente em todos os cômodos a inexistência de vida. Sim, dentro delas habitam pessoas, famílias inteiras.



        Mas são aquelas casas em que quase tudo é proibido. Tudo tem que estar tão arrumado, ajeitado, sempre, que não se pode sentar no sofá porque se está arriscando sujar o revestimento novo e caro.



        Casas em que o quarto das crianças é impecável. Todos os bichinhos de pelúcia, por ordem de cor e tamanho, repousam nas prateleiras.



        Essas casas são frias. Pequenas ou imensas, carecem do calor da descontração, da luz da liberdade e da iluminada possibilidade de dentro delas se respirar, cantar, viver.



        Por isso mesmo parecem mortas.



        As casas vivas já demonstram, desde o jardim, que nelas existe vibração e alegria.



        No gramado, a bola quieta fala da existência de muitos folguedos. A bicicleta, meio deitada, perto da garagem, diz que pernas infantis até há pouco a movimentaram com vigor.



        Em todos os cômodos se reflete a vida. No sofá, um ursinho de pelúcia denuncia a presença de um pequenino irrequieto que carrega a sua preciosidade por todos os cantos.



        Na saleta, livros, cadernos e lápis dizem dos estudos que se repetem durante horas. O dicionário aberto, um marcador de páginas assinalando uma mensagem preciosa falam de pesquisa e leitura atenciosa.



        A cozinha exala a mensagem de que ali, a qualquer momento, pode chegar alguém e se servir de um copo d’água, um café, um pedaço de pão.



        Os quartos traduzem a presença dos moradores. Cores alegres nas cortinas, janelas abertas para que o sol entre em abundância.



        Os travesseiros um pouco desajeitados deixam notar que as crianças os jogam, vez ou outra, umas contra as outras, em alegres brincadeiras.



        Enfim, as casas vivas são aquelas em que as pessoas podem viver com liberdade. O que não quer dizer com desordem.



        As casas vivas são aquelas nas quais os seus moradores já descobriram que elas foram feitas para morar, mas sobretudo para se viver.

* * *

        O desapego às coisas terrenas inicia nas pequeninas coisas. Se estabelecemos, em nosso lar, rígidas regras de comportamento para que tudo esteja sempre impecável, como se pessoas ali não vivessem, estamos demonstrando que o mais importante são as coisas, não as pessoas.



        Manter o asseio, a ordem é correto. Escravizar-se a detalhes, temer por estragos significa exagerado apego a coisas que, em última análise, somente existem em função das pessoas.



        Transforme sua casa, pequena, de madeira, uma mansão, num lugar agradável de se retornar, de se viver, de se conviver com a família, os amigos, os amores.



        Coloque sinais de vida em todos os aposentos. Disponha flores nas janelas para que quem passe, possa dizer: Esta é uma casa viva. É um lar.



Redação do Momento Espírita
Disponível no CD Momento Espírita, v. 12, ed. Fep.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nos domínios da voz





NOS DOMÍNIOS DA VOZ.





Observe como vai indo a sua voz, porque a voz é dos instrumentos mais importantes na vida de cada um.



A voz de cada pessoa está carregada pelo magnetismo dos seus próprios sentimentos.



Fale em tonalidade não tão alta que assuste e nem tão baixa que crie dificuldade a quem ouça.



Sempre aconselhável repetir com paciência o que já foi dito para o interlocutor, quando necessário, sem alterar o tom de voz, entendendo-se que nem todas as pessoas trazem audição impecável.



A quem não disponha de facilidades para ouvir, nunca dizer frases como estas: "Você está surdo?",



"Você quer que eu grite?", "Quantas vezes quer você que eu fale?" ou " já cansei de repetir isso".



A voz descontrolada pela cólera, no fundo, é uma agressão e a agressão jamais convence.



Converse com serenidade e respeito, colocando-se no lugar da pessoa que ouve, e educará suas manifestações verbais com mais segurança e proveito.



Em qualquer telefonema, recorde que no outro lado do fio está alguém que precisa de sua calma, a fim de manter a própria tranqüilidade.



André Luiz

Da obra: Sinal Verde.

Francisco Cândido Xavier








terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Serviço Orientador

Evangelizadoras em serviço.
 
O Serviço Orientador



É indiscutível a vitória do pensamento novo, sob as claridades do Espiritismo Cristão, a se derramarem abundantemente no mundo.



Em todos os lugares, identificamos a fome de conforto e a sede de saber... Contudo, observamos também vacilação e dúvida, em quase toda parte.



Convicções hesitantes não conseguem manter o serviço iniciado sobre projetos grandiosos, porque, não raro, os princípios sublimes são confundidos com pessoas transitórias, velando-se a luz sob espessa cortina de sombras, no ânimo irresoluto dos aprendizes, que retardam o avanço das novas revelações.



Observamos, assim, o triunfo e o brilho na idéia, a rodear-se de obscuridade e incerteza na ação.



Não podemos esquecer, porém, de que o único dissolvente dos óbices dessa natureza é o serviço, em cujos continentes renovadores encontraremos, a todo instante, o renascimento íntimo que o trabalho bem conduzido e bem interpretado estabelece dentro de nós mesmos.



A inspiração divina não se abre a quem lhe não bata as portas. E esse “bater” simbólico, tão bem expresso nas lições de Jesus, representa a atividade incessante dos discípulos da Boa Nova a fim de materializarem no mundo os ensinamentos do Mestre.



Sem que nos afeiçoemos ao serviço que ajude ao semelhante, a própria mediunidade estaria reduzida a um poço de águas estagnadas.



Avançaremos pelos caminhos do amor e da cooperação, orientando-nos pela verdadeira fraternidade, ou permaneceremos indefinidamente cristalizados na contemplação nociva ou na discussão perturbadora.



Estejamos convencidos de que o auxílio eficiente aos outros é a nossa diretriz comum, de vez que, em todo tempo, quem ajuda ao vizinho beneficia a si mesmo com mais segurança.



Se desejamos, pois um Espiritismo triunfante com o Cristo na direção e com assembléias e realizações dignas dele, não olvidemos que o serviço é o nosso orientador primário e supremo, porque somente convertendo nossa existência em braços, olhos, ouvidos, pés, pensamentos e corações, através dos quais, se manifeste a vontade atuante e redentora do Mentor Divino, em favor de todas as criaturas e de nós mesmos, é que atingiremos o mundo regenerado com uma só fé e um só Senhor.



Bezerra de Menezes
Do livro: Nosso Livro, Médium: Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Substituido velhas frases.




Substituido velhas frases.




Antes de dizer não ao chamado do trabalho espírita com o qual se comprometeu, reflita sobre suas atividades cotidianas, à luz do sábio ditado popular: quando queremos, sempre arranjamos um jeito; quando não queremos, sempre encontramos uma desculpa.




Portanto, no lugar de dizer: não tenho tempo, diga: priorizando tarefas sei que estarei lá.


Ao invés de pensar: estou cheio de trabalho, diga: que bom que Deus me permitiu mais uma oportunidade de serviço.


No lugar de dizer: tenho um aniversário para ir, diga: depois da minha tarefa irei abraçar o aniversariante.


No lugar de dizer: o lazer me espera, diga: o fazer me chama.
Na tentação de argumentar: meu filho vem me visitar, diga: vou visitar os filhos do meu coração, na volta abraçarei o filho da minha alma.
Se é dia das mães, Finados, Carnaval, Semana Santa ou similares, não diga: é feriado, não haverá trabalho. No lugar disso, reforce: Eu trabalho e meu Pai trabalha sem cessar.


Se está chovendo, não dê a desculpa à sua consciência de que não vai ao Centro porque não tem um guarda-chuva. Ela não aceitará este argumento a não ser que esteja ocorrendo uma inundação e você não tenha uma canoa. Antes diga a si próprio: mesmo sabendo que iria morrer dolorosamente Jesus compareceu diante dos algozes.


Se um amigo o convidar para qualquer evento que o fará feliz, segundo o conceito mundano de felicidade, não diga a ele que o seguirá, mas agradeça-lhe o convite e explique-se: Tenho um compromisso inadiável com alguém mais importante que o governador. Se ele insistir em saber com quem você está comprometido, diga: com Jesus.


Se os amigos, a turma organizou uma festa em sua homenagem no dia de sua reunião mediúnica e exige sua presença, não diga: estou nessa! Seja fiel aos seus verdadeiros amigos, os espirituais, e responda com gentileza: Vou participar de um banquete neste mesmo horário. Se puderem esperar, comemoraremos juntos a alegria que este encontro me causa.


Mesmo que alguém muito amado lhe diga: Não vá! Você pode ser assaltado e morto. Responda: Se isso acontecer, já que estarei a caminho, comparecerei para trabalhar na condição de desencarnado.


Seja qual for o motivo que o leve a se afastar da Casa Espírita, este deve ser seriamente avaliado. O Espírita deve ir além do senso comum e ter a certeza de que ele é que precisa do Centro Espírita, pois este sobreviverá com a sua ausência. Além do mais deve estar convicto de que o local mais fácil de ser encontrado pelos bons Espíritos é no trabalho.



Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro.
Fonte: link http://conscienciaevida