domingo, 6 de setembro de 2020

 

Diferenças

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” – Jesus. (João, 13:35.)

Nas variadas escolas do Cristianismo, vemos milhares de pessoas que, de alguma sorte, se ligam ao Mestre e Senhor.

Há corações que se desfazem nos louvores ao Grande Médico, exaltando-lhe a intercessão divina nos acontecimentos em que se reconheceram favorecidos, mas não passam das afirmativas espetaculares, qual se vivessem indefinidamente mergulhados em maravilhosas visões.

São os simplesmente beneficiários e sonhadores.

Há temperamentos ardorosos que impressionam da tribuna, através de preleções eruditas e comoventes, em que relacionam a posição do Grande Renovador, na religião, na filosofia e na história, não avançando, contudo, além dos discursos preciosos.

São os simplesmente sacerdotes e pregadores.

Há inteligências primorosas que vazam páginas sublimes de crença consoladora, arrancando lágrimas de emoção aos leitores ávidos de conhecimento revelador, todavia, não ultrapassam o campo do beletrismo religioso.

São os simplesmente escritores e intelectuais.

Todos guardam recursos e méritos especializados.

Existe, no entanto, nos trabalhos da Boa Nova, um tipo de cooperador diferente.

Louva o Senhor com pensamentos, palavras e atos, cada dia.

Distribui o tesouro do bem, por intermédio do verbo consolador, sempre que possível.

Escreve conceitos edificantes, em torno do Evangelho, toda vez que as circunstâncias lho permitem.

Ultrapassa, porém, toda pregação falada ou escrita, agindo incessantemente na sementeira do bem, em obras de sacrifício próprio e de amor puro, nos moldes de ação que o Cristo nos legou.

Não pede recompensa, não pergunta por resultados, não se sintoniza com o mal. Abençoa e ajuda sempre.

Semelhante companheiro é conhecido por verdadeiro discípulo do Senhor, por muito amar.

 

Emmanuel

 

Do livro Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 5 de setembro de 2020

 

AMOR E PERDÃO

 

A Madalena fora ao túmulo querido

Entre pedras de extremo desconforto...

Levava flores para o Mestre morto,

Tinha o peito magoado e enternecido.

 

O Sol reaparecia, resplendente,

A névoa da manhã fundia-se no ar,

Na dourada invasão das flamas do Nascente,

Maria estava ali, unicamente,

 

A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.

A desfazer-se em pranto, ela argüia:

 - “Por que, por que Senhor?

Tanta saudade e tanta dor?!...

 

Toda a felicidade que eu sentia

Jaz aqui sepultada...

Transformou-se-me a vida em sombra e nada

No ermo deste pouso derradeiro...

 

 

” Nisso, ela viu alguém...

Seria um jardineiro? Um zelador daquele campo santo?

Mas tomada de espanto,

Viu-se à frente do Mestre Nazareno,

O excelso benfeitor ressuscitado,

A envolver-lhe de paz o coração cansado...

 

Ela gritou: “Senhor!”

Ele disse: “Maria!”

Ela era a expressão da perfeita alegria,

Ele, o perfeito amor.

 

Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés...

- “Maria, por quem és” – explicou-se

“Não me toques, porquanto

não te esperava aqui neste recanto,

e ainda não fui ao Pai revestir-me de luz...

 

” Maria, surpreendida,

 indagou em seguida:

- “Senhor, onde estiveste?

Em que jardim celeste

Encontraste o descanso necessário,

Que vem de Deus, nos dons da paz completa?

Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,

Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário

Revolto-me, padeço, mas não venço

A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”

 

 

Mas Jesus respondeu:

 - “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,

Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento,

 Quem ama não consegue achar o Céu de um salto...

Ao invés de subir aos Altos Resplendores,

Desci, mas desci muito aos reinos inferiores...

Despertando no túmulo, escutei

Os gritos da aflição de alguém que muito amei

E que muito amo ainda...

Embora visse Além, a Luz sempre mais linda,

Sentia nesse alguém um amado companheiro,

Em crises de tristeza e de loucura...

Fui à sombra abismal para a grande procura

E ao reencontra-lo amargurado e louco,

A ponto de não mais me conhecer,

Demorei-me a afaga-lo e, pouco a pouco,

Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer...”

 

- “Senhor” – interrogou a Madalena

“Quem é o amigo que te fez descer,

Antes de procurar a luz do Pai?”

Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:

- “Maria,

um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai...

 Antes de me altear à Celeste Alegria,

Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,

Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,

E desci para as trevas,

A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.

 

Maria Dolores

Do livro Coração e Vida.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020


CAMINHO DA PAZ


Dizem que um homem de fé se aproximou de Jesus e indagou, após externar-se em manifestações de júbilo e reverência:

 - Senhor, onde o caminho da paz? que fazer de meu filho que me arrasa a tranquilidade, atolado na rebeldia?

- Abençoá-lo-ás sempre - respondeu o Divino Mestre - procurando socorrê-lo com mais amor.

– E como agir, à frente de meu tio, aquele que me furtou a herança dos avós?

- Buscarás perdoá-lo, usando compaixão e esquecimento.

- E meu antigo sócio? de que modo proceder com esse homem que tanto me prejudicou e injuriou?

- Desculpa-lo-ás, orando em favor dele.

- Tenho quatro empregados ignorantes...
De que maneira harmonizar-me com esses companheiros problemas, se me afligem com as maiores dificuldades, dia por dia?

 - Saberás instruí-los.

 - Minha existência está repleta de perseguidores... Que fazer com essa gente cruel? 

– Esquecerás qualquer agravo e auxiliarás em benefício de cada um, tanto quanto puderes.

O devoto baixou a cabeça, sentindo-se na presença da verdade, e considerou timidamente:

- Senhor, estou satisfeito.

Conta-se que Jesus afagou-lhe  a cabeça dolorida e rematou, ao despedir-se:

 - Então, vai, serve sempre e não perguntes mais.

Meimei

Do livro “AMIZADE”.  Psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

 

Recebeste a luz?


“Recebestes o Espírito Santo quando crestes?” – (Atos, 19:2.)


O católico recolhe o sacramento do batismo e ganha um selo para identificação pessoal na estatística da Igreja a que pertence.

O reformista das letras evangélicas entra no mesmo cerimonial e conquista um número no cadastro religioso do templo a que se filia.

O espiritista incorpora-se a essa ou àquela entidade consagrada à nossa Doutrina Consoladora e participa verbalmente do trabalho renovador.

Todos esses aprendizes da escola cristã se reconfortam e se rejubilam.

Uns partilham o contentamento da mesa eucarística que lhes aviva a esperança no Céu; outros cantam, em conjunto, exaltando a Divina Bondade, aliciando largo material de estímulo na jornada santificante; outros, ainda, se reúnem, ao redor da prece ardente, e recebem mensagens luminosas e reveladoras de emissários celestiais, que lhes consolidam a convicção na imortalidade, além...

Todas essas posições, contudo, são de proveito, consolação e vantagem.

É imperioso reconhecer, porém, que se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo sol, é obrigada a trabalhar, dentro de si mesma, a fim de produzir.

Medita, pois, na sublimidade da indagação apostólica: “Recebeste o Espírito Santo quando creste?”

Vale-te da revelação com que a fé te beneficia e santifica o teu caminho, espalhando o bem.

Tua vida pode converter-se num manancial de bênçãos para os outros e para tua alma, se te aplicares, em verdade, ao Mestre do Amor. Lembra-te de que não és tu quem espera pela Divina Luz. É a Divina Luz, força do Céu ao teu lado, que permanece esperando por ti.

 

Emmanuel

 

Do livro Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020


O trabalho Espírita em equipe



Ante as inúmeras atribuições do trabalho da Casa Espírita, o servidor é convocado pela divina providência a contribuir com sua parcela de serviço, dedicação e sacrifício.

É fácil integrar-se a um grupo como simples coadjuvante no processo de formação numérica de uma organização.

É fácil integrar-se a um agrupamento ou coletividade, mantendo-se à margem das ações e das necessidades que ali existem.

O trabalhador espírita não se contenta em ser mero espectador ante as atividades voltadas para a edificação do ser humano. Sabe, de antemão, que a sua transformação no bem, necessária em sua escalada evolutiva, exige esforço, suor e lágrimas, no âmbito de atuação no meio onde foi chamado a servir.

O esforço de trabalho em equipe delineia-se no horizonte da vida como proposta que fundamenta a melhoria individual e coletiva.

A união de pessoas não se concretiza sem o burilamento dos sentimentos e o uso, bem direcionado, da razão.

Para tanto, é preciso desenvolver a humanidade, sabendo que ainda não somos seres superiores e que à nossa retaguarda há um passado de equívocos que sempre influencia o presente.

Assim, em qualquer programa de melhoria de pessoas é preciso considerar as finalidades da obra a que se dedica, mantendo a união em torno dos ideais que alimentam o processo, bem como reconhecer que cada criatura, na posição em que se encontra, é um universo em si mesma, no qual as aspirações nobres nem sempre resultam em ações concretas de ordem elevada. Entre o querer e o realizar há distância significativa, que mede a capacidade de realização de cada um.

O espírito de equipe deve nortear todo propósito que conduz o ser ao seu aperfeiçoamento espiritual, pois ninguém cresce no isolamento. 

A gregariedade da natureza indica que precisamos uns dos outros, hoje e sempre.

As lideranças positivas se constroem no dia a dia, e os verdadeiros líderes desenvolvem a habilidade de congregar, de juntar, administrando com gentileza e serenidade conflitos, deserções, intrigas.

Compreendem que a equipe, em qualquer situação, é força poderosa capaz de realizar prodígios.

Lembramos, sobretudo, que o apoio mútuo é força indestrutível. Vemos, então, que o personalismo, isto é, a ação individual e isolada nem sempre se revela produtiva para o conjunto, pois há Espíritos que se mantêm em faixas de vibração que ocasionam, pelas sintonias daí originadas, graves desequilíbrios no seio de uma comunidade.

É válido, pois, manter-nos atentos às imperfeições que ainda trazemos no íntimo do ser, cuidando para que elas sejam educadas, modificadas por meio do trabalho incessante no bem.

A causa espírita é de valor inestimável para todos nós, desencarnados e encarnados, que aceitamos as suas diretrizes como roteiro de ascensão espiritual. Nunca é demais observar que cada um, no posto de trabalho e de responsabilidade em que se encontra, deve envidar esforços para a união e a harmonia do todo. O espírita esclarecido, iluminado pelas sublimes orientações da mensagem cristã, se vê, sempre e sob quaisquer condições, como servo.

No relacionamento interpessoal é necessário, pois, fornecer a sua cota de serviço, contendo impulsos egoístas, moderando as expressões das palavras, a fim de que estas não se transformem em elementos corrosivos.

Finalmente, importa destacar lembrando a já conhecida imagem do maestro e da orquestra, quando se pensa no trabalho em equipe: a harmonia dos músicos guarda sintonia com a eficiência e a ação de quem dirige.

Entretanto, o maestro, para manter a beleza e a harmonia, vira as costas ao público que observa e acompanha.

Paz em nome de Jesus.
                                                                                       Frederico Fígner

(Mensagem psicográfica recebida por Marta Antunes de Moura, na FEB-DF, em 17.05.2012, e publicada em “Reformador” de AGO/2012.)


terça-feira, 1 de setembro de 2020


AMA SEMPRE



 ...O julgamento é dos homens, mas a Justiça é de Deus...



Encontrarás talvez, junto de tí, os que te pareçam errados.

Esse cometeu falta determinada, aquele se acomodou numa situação considerada infeliz.

Respeita o tribunal que lhes indicou tratamento, sem recusar-lhes auxílio.

Quem conhecerá todas as circunstâncias para sentenciar, em definitivo, quanto às atitudes de alguém, analisando efeitos sem penetrar as causas profundas?

Deliciava-se certa jovem com o perfume das rosas que lhe vinham desabrochar na janela. Orgulhosa das ramas que escalavam paredes, de modo a ofertar-lhe as flores, quis corrigir o jardim, no pedaço de chão em que a planta se levantava. Pequeno monte de terra adubada, a destacar-se de nível, foi violentamente arrancado, mas justamente aí palpitava o coração da roseira.

Decepada a raiz, morreram a flores.

Quantas criaturas estarão resignadas à moradia em situações categorizadas por lodo, para que as rosas da alegria e da segurança possam brilhar na janelas de nossa vida?

Aceita os outros tais quais são.

Espera e serve.

Abençoa e ama sempre.

O errado hoje, em muitos casos, será o certo amanhã.

O julgamento é dos homens, mas a justiça é de Deus.


Meimei


Do livro “AMIZADE”.  Psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.