sexta-feira, 21 de outubro de 2016


O caminho


“Eu sou o caminho...” - Jesus - (João, 14:6.)

Há muita gente acreditando, ainda, na Terra, que o Cristianismo seja uma panacéia como tantas para a salvação das almas.

Para essa casta de crentes, a vida humana é um processo de gozar o possível no corpo de carne, reservando-se a luz da fé para as ocasiões de sofrimento irremediável.

Há decadência na carne? Procura-se o aconchego dos templos.

Veio a morte de pessoas amadas? Ouve-se uma ou outra pregação que auxilie a descida de lágrimas momentâneas.

Há desastres? Dobram-se os joelhos, por alguns minutos, e aguarda-se a intervenção celeste.

Usa-se a oração, em momentos excepcionais, à maneira de pomada miraculosa, somente aconselhável à pele, em ocasiões de ferimento grave.

A maioria dos estudantes do Evangelho parecem esquecer que o Senhor se nos revelou como sendo o caminho...

Não se compreende estrada sem proveito.

Abraçar o Cristianismo é avançar para a vida melhor.

Aceitar a tutela de Jesus e marchar, em companhia dEle, é aprender sempre e servir diariamente, com renovação incessante para o bem infinito, porque o trabalho construtivo, em todos os momentos da vida, é a jornada sublime da alma, no rumo do conhecimento e da virtude, da experiência e da elevação.

Zonas sem estradas que lhes intensifiquem o serviço e o transporte são regiões de economia paralítica.

Cristãos que não aproveitam o caminho do Senhor para alcançarem a legítima prosperidade espiritual são criaturas voluntariamente condenadas à estagnação.

 

Emmanuel

quinta-feira, 20 de outubro de 2016


NAS CONTAS

 

"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."  -  Paulo (Romanos, 14:12)

 

Benfeitores garantem.

Instrutores educam.

Pastores guiam.

Amigos amparam.

Companheiros alentam.

Adversários avisam.

Relações ajudam.

Preces iluminam.

Lições preparam.

Dificuldades adestram.

Provas definem.

Dores corrigem.

Lutas renovam.

Problemas propõem.

Soluções indicam.

Atitudes revelam.

Lágrimas purificam.

Experiências marcam.

Entretanto, segundo a palavra do Apóstolo Paulo, todas as criaturas e todas as situações, todas as circunstâncias e todas as coisas foram dispostas, nas contas da Lei, de "maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."

 

Emmanuel

quarta-feira, 19 de outubro de 2016


COOPERAÇÃO

 

Para que alguém dirija com êxito e eficiência uma empresa importante, não lhe basta a nomeação para o encargo.

Exige-se-lhe um conjunto de qualidades superiores para que a obra se consolide e prospere. Não apenas autoridade, mas direção com discernimento.

Não só teoria e cultura, mas virtude e juízo claro de proporções.

Dilatados recursos nas mãos, a serviço de uma cabeça sem rumo, constituem tesouros nos braços da insensatez, assim como a riqueza sem orientação é navio à matroca.

Quem governa emitirá forças de justiça e bondade, trabalho e disciplina, para atingir os objetivos da tarefa em que foi situado.

Quando o poder é intemperante, sofre o povo a intranqüilidade e a mazorca, e, quando a inteligência não possui o timão do caráter sadio, espalha, em torno, a miséria e a crueldade.

Daí, conhecermos tantos tiranos nimbados de grandeza mental e tantos gênios de requintada sensibilidade, mas atolados no vício.

No mundo íntimo, a vontade é o capitão que não pode relaxar no mister que lhe é devido.

E assim como o administrador de um serviço reclama a ajuda de assessores corretos, a vontade não prescindirá da ponderação e da lógica, conselheiros respeitáveis na chefia das decisões.

No entanto, urge que o senso de cooperação seja chamado a sustentar-lhe os impulsos.

Nas linhas da atividade terrestre, quem orienta com segurança não ignora a hierarquia natural que vige na coexistência de todos os valores indispensáveis à vida.

Na confecção do agasalho comum, o fio contará com o apoio da máquina, a máquina esperará pela competência do operário, o operário edificar-se-á no técnico que lhe supervisiona o trabalho, o técnico arrimar-se-á na diretoria da fábrica e a diretoria da fábrica equilibrar-se-á no movimento da indústria, dele extraindo o combustível econômico necessário à alimentação do núcleo de serviço que lhe obedece aos ditames.

Observamos, assim, que no Estado Individual a vontade, para satisfazer à governança que lhe compete, sem colapsos de equilíbrio, precisa socorrer-se

da colaboração a fim de que se lhe clareie a atividade.

A cooperação espontânea é o supremo ingrediente da ordem.

Da Glória Divina às balizas subatômicas, o Universo pode ser definido como sendo uma cadeia de vidas que se entrosam na Grande Vida.

Cooperação significa obediência construtiva aos impositivos da frente e socorro implícito às privações da retaguarda.

Quem ajuda é ajudado, encontrando, em silêncio, a mais segura fórmula de ajuste aos processos da evolução.

 

PENSAMENTO E VIDA

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL

terça-feira, 18 de outubro de 2016


Divina Conduta

Maria Dolores

 

Esta singela narrativa

Ouvi de amado amigo – um gênio dentre os gênios –

História que ele arquiva

Em seus registros de milênios.

 

Um Espírito que, em si, já conquistara

Inteligência primorosa e rara

Manifestou anseio superior:

Desejou trabalhar junto ao Senhor,

Amá-lo, vê-lo e fruir-lhe a presença...

Para isso pediu aos Ministros da Lei

Que se lhe concedesse uma vida de rei.

Recebida a licença,

Fez-se na Terra um nobre soberano,

Foi grande, poderoso, justo e humano,

Mas, adstrito à própria posição,

Viveu atento à representação

Do povo que escolhera governar.

De volta ao Grande Lar,

Assim que o Mais Além se lhe descerra,

Subiu a conviver com benfeitores

Que haviam sido príncipes na Terra...

 

Mas, logo após, rogou aos Divinos Mentores

A graça de ser santo...

Tornou ao mundo transformado

Em famoso varão

Que só pensava em perfeição

Viveu de isolamento, entre prece e o jejum,

Sem se doar a mal nenhum;

No entanto, circunscrito

Às tradições da crença em que vivia,

Abandonando o corpo teve a companhia

De ilustrados teólogos do Além,

Mensageiros da Paz e Expoentes do Bem.

 

Decorrido algum tempo, ele quis ser um artista.

Voltou a Terra músico e pintor;

Foi um gênio a compor e recompor

Imagens de harmonia e poemas em cor.

Regressando ao Além, depois de longos dias,

A transportar consigo láureas resplendentes

Passou a respirar

No clima cultural de artistas eminentes.

 

Depois disso, por décadas afora,

De vida em vida, em largo itinerário,

Eis que a sede de Cristo mais se lhe aprimora...

Foi Escritor, Juiz, Cientista e Operário.

 

Mas um dia chegou em que ele disse:

- Senhor! Senhor! Tenho escolhido tanto,

Ignoro, porém, o que te agrade,

Dá-me agora, Jesus tua vontade,

Ensina-me o dever,

Para que eu seja o que preciso ser!...

 

Tempo vasto rolou nas vias do Infinito.

Quando voltou a renascer

Numa casa singela...

A vida lhe corria doce e bela

Quando os pais retornaram para o Além...

Os três irmãos do lar,

Consolidando a própria segurança,

Não se pejaram de o desvincular

Do direito de herança...

Ele não destacou qualquer reclamação,

Aprendera dos pais a ciência do bem.

Aceitou contas que jamais fizera

E compromissos que desconhecia,

Sem ferir ninguém.

 

Esqueceu todo o mal, buscando um novo dia,

Estudou, quanto pode, entre serviço e escola,

Fez-se negociante e depois lavrador,

Casou-se e converteu-se em pai guiado pelo amor,

Mas porque socorresse aos pobres e aos doentes,

A família insurgiu-se a golpes deprimentes...

 

A esposa sem razão

Permutou-lhe o carinho e a companhia

Por um homem tocado de ambição.

Ao vê-lo amargurado, em transes de agonia,

Os filhos declararam-no demente

E um processo instaurou-se de repente,

A julgá-lo incapaz de senso e direção.

Destituído e expulso do seu chão,

Não levantou a voz sequer

Para acusar os filhos e à mulher.

E prosseguiu servindo

Agia, sol a sol, por ínfimo ordenado,

Mas esparzindo sempre a riqueza do amor,

Onde surgisse algum necessitado.

 

Alcançou noventa anos de amargura

E nunca se queixou, nem se deu à secura...

Era sempre um amigo da alegria,

Criando paz e luz, bondade e simpatia.

 

Certa noite, sozinho,

O estimado velhinho.

Viu-se fora do corpo, ante a pressão da morte...

Procura na oração apoio que o conforte,

Mas isso um anjo posto à cabeceira,

Fala-lhe brandamente: - meu irmão,

Partamos para a vida verdadeira...

Ele escutou celeste cavatina

E, aflito, perguntou; que há que não entendo?

O Emissário aclarou: é a música divina,

Saudando um justo que acabou vencendo...

Entre assombro e receio, estranheza e torpor,

O pobre proferiu ansiosa indagação:

- Quem será esse justo, Deus de Amor?

 

O silêncio se fez qual se fosse de estalo.

Logo após, o velhinho, a chorar de emoção,

Viu que o próprio Jesus vinha buscá-lo...

Prosternado, gritou: Senhor, eu não mereço!...

Mas o Cristo avançou, estendo-lhe a mão...

 

Soluçando de amor e de alegria,

O pobre irradiou sublime claridade,

No entanto, nem notou que ele próprio trazia

No próprio coração, a estrela da humildade.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016


EXCESSO

 

Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?" - JESUS (Marcos, 8:36)

 

Enquanto a criatura permanecer no corpo terrestre, é natural que se preocupe com o problema da própria manutenção.

Vigilância não exclui previdência.

Mas não podemos olvidar que o apego ao supérfluo será sempre introdução à loucura.

Tudo aquilo que o homem ajunta abusivamente, no campo exterior, é motivo para aflição ou inutilidade.

Patrimônios físicos sem proveito, isca de sombra atraindo inveja e discórdia.

Alimentos guardados, valores a caminho da podridão.

Roupa em desuso, asilo de traças.

Demasiados recursos amoedados, tentações para os descendentes.

Todo excesso é parede mental isolando aqueles que o criam, em cárceres de orgulho, egoísmo, vaidade e mentira.

Observa, assim, o material que amontoas.

Tudo o que está fora de ti representa caminho em que transitas.

Agarrar-se, pois, ao efêmero é prender-se à ilusão.

Mas todos os bens espirituais que ajuntares em ti mesmo, como sejam virtude e educação, constituem valores inalienáveis a brilharem contigo, aqui ou alhures, sublimação para a vida eterna.

 

Emmanuel

ASSEIO VERBAL

 

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação.” – Paulo. (EFÉSIOS, 4:29)

 

Quanto mais se adianta a civilização, mais se amplia o culto à higiene.

Reservatórios, são tratados, salvaguardando-se o asseio das águas.

Mercados sofrem fiscalização rigorosa, com vistas à pureza das substâncias alimentícias.

Laboratórios são continuamente revistos, a fim de que não surjam medicamentos deteriorados.

Instalações sanitárias recebem, diariamente, cuidadosa assepsia.

Será que não devemos exercer cautela e diligência para evitar a palavra torpe, capaz de situar-nos em perturbação e ruína moral?

Nossa conversação, sem que percebamos, age por nós em todos aqueles que nos escutam.

Nossas frases são agentes de propaganda dos sentimentos que nos caracterizam o modo de ser; se respeitáveis, trazem-nos a atenção de criaturas respeitáveis; se menos dignas, carreiam em nossa direção o interesse dos que se fazem menos dignos; se indisciplinadas, nos sintonizam com representantes da disciplina; se azedas, afinam-nos, de imediato, com os campeões do azedume,

Controlemos o verbo, para que não venhamos a libertar essa ou aquela palavra torpe.

Por muito esmerada nos seja a educação, a expressão repulsiva articulada por nossa língua é sempre uma brecha perigosa e infeliz, pela qual perigo e infelicidade nos ameaçam com desequilíbrio e perversão.

 

Emmanuel