terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Recado da Vida

Se o presente é rude e amargo,
com nublados horizontes,
coração não se amedrontes
nas sombras de algum lugar...
sigamos buscando a frente,
na direção do porvir,
a paz reclama servir,
progresso pede marchar.

Olha o quadro que te cerca,
do átomo aos oceanos,
do verme aos seres humanos,
a confiança é valor;
o sol se apóia no espaço,
criando jardins fecundos
que o tempo transforma em mundos
de evolução e de amor.

A semente entregue ao solo
germina e cresce sem medo,
faz-se depois arvoredo,
depois, é verde mansão;
suporta vento e aguaceiro
cada flor que desabrocha,
confia-se o vale à rocha,
o rio tem fé no chão.

Assim também, os espinhos
da provação que te alcança,
são faixas de segurança
de invisíveis cireneus;
cumpre o dever que te cabe,
trabalha, serve e porfia,
tens a fé por luz e guia
da Terra aos braços de Deus.


Maria Dolores

Do livro: Seara de Fé, Médium: Francisco Cândido Xavier


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Parentes


"Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel." - Paulo. (I TIMÓTEO, 5:8.)





A casualidade não se encontra nos laços da parentela.



Princípios sutis da Lei funcionam nas ligações consangüíneas.



Impelidos pelas causas do passado e reunir-nos no presente, é indispensável pagar com alegria os débitos que nos imanam a alguns corações, a fim de que venhamos a solver nossas dívidas para com a Humanidade.



Inútil é a fuga dos credores que respiram conosco sob o mesmo teto, porque o tempo nos aguardará implacável, constrangendo-nos à liquidação de todos os compromissos.



Temos companheiros de voz adocicada e edificante na propaganda salvacionista, que se fazem verdadeiros trovões de intolerância na atmosfera caseira, acumulando energias desequilibradas em torno das próprias tarefas.



Sem dúvida, a equipe familiar no mundo nem sempre é um jardim de flores. Por vezes, é um espinheiro de preocupações e de angústias, reclamando-nos sacrifício. Contudo, embora necessitemos de firmeza nas atitudes para temperar a afetividade que nos é própria, jamais conseguiremos sanar as feridas do nosso ambiente particular com o chicote da violência ou com o emplastro do desleixo.



Consoante a advertência do Apóstolo, se nos falha o cuidado para com a própria família, estaremos negando a fé.



Os parentes são obras de amor que o Pai Compassivo nos deu a realizar. Ajudemo-los, através da cooperação e do carinho, atendendo aos desígnios da verdadeira fraternidade. Somente adestrando paciência e compreensão, tolerância e bondade, na praia estreita do lar, é que nos habilitaremos a servir com vitória, no mar alto das grandes experiências.

Emmanuel



sábado, 19 de janeiro de 2013

Deus Te Vê

Deus te vê, alma querida,
Quando te pões na trilha escura,
Para ajudar aos filhos da amargura
Que tanta vez se vão
Como sombras errantes no caminho
— Chagas pensantes ao relento —,
Entre as nuvens do Pó e as pancadas do Vento,
Com saudades do Pão...

Deus te vê a mensagem de bondade
Com que suprimes ou reduzes
As provações, as lágrimas e as cruzes
Dos que vagam na rua sem ninguém,
E te agradece as posses que desprendes,
No auxílio ao companheiro em desamparo,
Seja um tesouro inesperado e raro,
Seja um simples vintém!...

Deus te vê quando estendes braço amigo
Aos que carregam lenhos de tristeza,
Doando-lhes o afeto, o abrigo, a mesa,
O remédio, a camisa, o cobertor...
E, por altos recursos sem que o saibas,
Manda que a Lei te aumente os dons divinos,
Em mais belos destinos,
Para a glória do amor.

Deus te vê na palavra com que ensinas
A senda clara e boa
Da verdade que alenta e que abençoa
Sem perturbar e sem ferir...
E determina aos homens que teu verbo
Seja apoiado, aceito
E ouvido com respeito,
Na construção excelsa do porvir.

Deus te vê quando acolhes sem revide
O golpe da pedrada que te insulta,
O braseiro da ofensa, a dor oculta
Em ferida mortal...
E te louva o perdão espontâneo e sincero
Com que ajudas o Céu no trabalho fecundo
De extinguir sem alarde, entre as sombras do mundo,
A presença do mal!...

Deus te vê, através da caridade!...
Mas não só isso... Em paz calada e santa,
Pede alguém que te siga e te garanta
Na jornada de luz!...
E, por isso, onde estás, rujam trevas em torno,
Sofras humilhação, injúria, cativeiro,
Tens contigo um sublime companheiro:
— Nosso Amado Jesus!...


Maria Dolores
Do livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Acréscimo do Novo

"Aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele"


Na infância corporal, encontra-se o Espírito vulnerável à influenciação, apassivado a novidades. Para a criança, o novo é o seu objetivo, a sua busca incessante, a sua razão de ser.
Por isso, em sua simplicidade, desatando os preconceitos, o infante é um ser em transformação evidente, em renascer constante para a vida.

À idade adulta, envolve-se o indivíduo em conceituações e formas, posicionamentos e posturas, que, se na aparência, conferem-lhe estabilidade, na verdade impossibilita-o de avançar passos mais decisivos em direção ao futuro, ao se deixar entorpecer pela materialidade.

As grandes mudanças, para se processarem, não prescindem da preparação e do amadurecimento, porém freqüentemente estão vinculadas ao que o homem considera como verdadeiras catástrofes e explosões, que o induzem a desnudar-se da capa da "estabilidade" ostentada na carne em favor da
transcendência. Vê-se, a exemplo disso, o chamamento de Saulo de Tarso, na Estrada de Damasco dar-se com tamanha veemência, a ponto de torná-lo cego da vista física, ele que teimosamente fazia-se cego do espírito, aprisionado na forma e na exterioridade rabínica, enfatuado no conhecimento farisaico, arrogante na sua posição perante a sociedade de então.
Surge daí o "homem novo" asfixiando o "homem velho", não para destruí-lo por completo nadificando-o, posto necessário o seu arcabouço de experiências acumuladas, mas para remoça-lo, fazê-lo renascer do espírito.

O "homem novo" é, pois, basicamente o "homem velho" renascido.
O misoneísmo que vos escraviza e afoga no passado é, decerto, bem compreensível diante do já constituído. Mas será que já dispusestes do último tijolo da edificação que promoveis em vosso interior? A última palavra já foi dada por vós em matéria de evolução?...

Não repilais as novas idéias que parecem contrastar com as que acalentais em vosso coração! Antes, procurai entende-las e compara-las judiciosamente ao que dispondes no hoje, somando-as ao vosso acervo evolutivo.

Não desprezeis o futuro que vos conclama a luta na feição de novas idéias! O Cristianismo é a idéia nova, novíssima, por vir sendo bem pouco praticado em sua essência, confundido que foi com as manifestações orgulhosas do preferencialismo dos "escolhidos".
O Espiritismo é, por sua vez, essa nova idéia que ressurge límpida, deslindada das impurezas e nódoas que lhe foram assentadas pela incúria humana.

Cabe a vós não retardar o progresso do Ensino Cristão nos corações e nas consciências, pelo receio de renovação e de amar. Erguei bem alto a luminosa bússola do "amai-vos uns aos outros". Fazei-vos quais crianças sonhadoras, confiantes e esperançosas de um novo amanhã, de um mundo
melhor. Abri um sorriso de serenidade ao Cristo que vos chama e vos indica o luminoso, conquanto ainda espinhoso, roteiro da felicidade.

Sede simples e humildes como a criança e estareis edificando, célere, o Reino Deus em vós mesmos.

Irmão Saulo
Sobre o Autor
Pseudônimo utilizado por José Herculano Pires.
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

História Ligeira



O candidato ao ministério cristão penetrou o templo do serviço e proclamou-se transformado.



Na primeira semana, afirmou-se favorecido pela divina luz e, depois de solene profissão de fé, assinalou fronteiras entre ele e o pecado, entre a sua perfeição e o mundo envilecido.
Na segunda semana, discursou, ardentemente, conclamando o povo à salvação com o Cristo.



Na terceira, traçou programas e promessas, na esfera da beneficência, mostrando-se inclinado a socorrer infelizes, curar os doentes e asilar criancinhas abandonadas.



Na quarta, declarou-se vítima da incompreensão e da discórdia, entre pesadas nuvens de tristeza e insubmissão.



Na quinta, apareceu cansado e desiludido, indicando os males do mundo e os defeitos dos irmãos.



Na sexta, rogou ao Senhor licença para descansar.



Na sétima, deitou-se e dormiu por duzentos anos.



Nesse candidato às bênçãos do Evangelho, temos a história de milhões.

“MUITOS OS CHAMADOS, POUCOS OS ESCOLHIDOS”.
Oportunidades para todos e serviço de raros.



Em verdade, o Divino Amigo continua curando, levantando, consolando, reanimando e convidando almas para o banquete do Reino de Deus, mas os seguidores e discípulos começam a tarefa no calor fervente do entusiasmo, elevado à tensão mais alta. Pronunciam votos comovedores, gesticulam e ensinam, entretanto, em poucos dias, antes mesmo de marcharem dez passos, na senda da elevação, reclamam férias espirituais para o repouso de vários séculos.



André Luiz


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Vida Transitória



Tendo em vista a transitoriedade do corpo e a inevitabilidade da morte, vive, de maneira que possas partir, da Terra, livre e feliz.



O fenômeno
biológico pode interromper-se subitamente, não te permitindo tempo para qualquer preparação.



Conduze-te de forma que, seja qual for o momento em que sejas convidado ao retorno, possas seguir sem amarras ou aflições desconcertantes.

Organiza bem os teus labores e compromissos, a fim de que outros possam levá-los adiante com tranquilidade.

 



Regulariza as tuas atividades, liberando-te de temores ou remorsos futuros desnecessários. Enriquece-te com os tesouros do amor, enquanto podes, a fim de que disponhas de recursos para a viagem inevitável.

 



Há pessoas, que vivem no corpo, totalmente esquecidas da sua fragilidade como da sua breve duração.

 



Programam compromissos a distância, no tempo, distraídas da compulsoriedade da morte.

 



Parecem

crer que o passeio orgânico é conquista que não se interromperá, demorando-se no cultivo das fantasias e ilusões que um dia as abandonarão em doloroso estado de desencanto. Outras existem, assinaladas por sofrimentos cessar, deixando-se dominar pela revolta e pela amargura, esquecidas de que, em breve, estarão liberadas.



Nada na Terra, é definitivo, mesmo no campo físico das aglutinações moleculares, já que todos os

fenômenos aí se dão mediante sucessivas transformações.



No que diz respeito aos valores morais espirituais, a experiência corporal tem, por finalidade precípua, desenvolvê-los e ampliá-los, para a glória de cada ser.



Age com serenidade, buscando sempre solucionar os problemas e desafios com saldo positivo de paz.



Evita as

atitudes ostensivas e os comportamentos prepotentes, que ferem sem ajudar, deixando mágoas e aborrecimentos.



Usa o tempo com

propriedade, bem dividindo as horas, sem que te esqueças dos deveres de relevo na órbita espiritual.



Se queres, sempre podes produzir no bem.

 



Não te poupes, portanto, na ação da solidariedade, do esclarecimento, do amor.

 



Vida sem

bondade, é como parasita explorador e pernicioso. Usa os dons íntimos, que te jazem latentes, e amplia-os em favor do progresso de todos.



Tua vida é exemplo para outras vidas.



Torna-a uma claridade no caminho daqueles que te seguem.



Ninguém passa incólume, insensível à presença de outrem. Deixa, em quem se acerque de ti, sinais de paz e de ternura, de amizade e de gratidão.



O tempo transcorrerá, inevitavelmente, de qualquer maneira.



Usa-o na construção da tua e da felicidade alheia.



Se dispuseres de oportunidade para aguardar a

morte, faze-te exemplo de ânimo para aqueles que a temem ou a detestam, também encorajando os fracos e tímidos.



Se, entretanto, ela te chegar de improviso, recebe-a tranqüilamente, e segue, porque após a tua partida, com os t

eus exemplos bons, deixarás pegadas luminosas, como significando que por ali passou um coração afável que soube viver para a verdade e o amor.



Joanna de Ângelis


Fonte: Caminhos de Luz