quarta-feira, 2 de março de 2011

Créditos Espirituais


Créditos Espirituais

Não deixe que o dia se ponha sem praticares, pelo menos, uma boa ação melhorando os próprios créditos no caminho espiritual.

Vejamos algumas receitas e sugestões ao alcance de todos:

- Doar um prato de alimento a quem sofre de penúria, por não ter condições financeiras;

- Entregar uma peça de roupa aos que gemem no frio;

- Improvisar o conforto de uma criança menos feliz;

- Promover ainda que migalha de assistência, a benefício dessa ou daquela mão desditosa;

- Oferecer um livro nobilitante (enobreça, engrandeça...);

- Escrever uma página de esperança e alegria aos amigos ausentes;

- Conter irritação;

- Evitar a palavra inconveniente;

- Escutar, com paciência e bondade, a conversação inoportuna, no equilíbrio de quem ouve, sem elogiar a invigilância e sem condenar a inabilidade dos que falam, tocados de boa intenção;

- Prestar serviços desinteressados aos enfermos;

- Assegurar dois minutos de prosa consoladora aos doentes;

- Cultivar o espírito de sacrifício, em favor dos outros, seja em casa ou na rua;

- Plantar uma árvore proveitosa;

- Acrescentar a alegria dos que fazem o bem;

- Auxiliar, de algum modo, aos que procuram auxiliar;

- Encaminhar parcelas de recurso amoedados (auxílio financeiro), conquanto ligeiras, a irmãos em necessidade;

- Articular algumas frases calmantes em hora de crise;

- Usar a palavra na construção do melhor a fazer;

- Remover espontaneamente um perigo na via pública;

Na base de uma boa ação por dia terá o crédito de trezentos e sessenta e cinco boas ações por ano; se aumentares a contagem, em tempo breve, somente a Contadoria Divina conseguirá relacionar a extensão de teus bens imperecíveis e o valor de teus investimentos no erário (tesouro) da Vida Eterna.


Albino Teixeira
Chico Xavier

terça-feira, 1 de março de 2011

O Orgulho





O Orgulho

DISSERTAÇÃO MORAL DITADA POR SÃO LUÍS À SENHORITA

ERMANCE DUFAUX

(19 e 26 de janeiro de 1858)

I

Um homem soberbo possuía alguns hectares de boa terra; sentia-se envaidecido pelas grandes espigas que cobriam o seu campo e olhava com desdém o campo estéril do humilde. Este se levantava ao cantar do galo e permanecia o dia todo curvado sobre o solo ingrato; recolhia pacientemente os seixos e os lançava à beira do caminho; revolvia profundamente a terra e arrancava com dificuldade os espinheiros que a cobriam. Ora, seu suor fecundou o campo e ele colheu o melhor trigo.

Entretanto, o joio crescia no campo do homem soberbo e sufocava o trigo, enquanto o dono se vangloriava de sua fecundidade, olhando com ar de piedade os esforços silenciosos do humilde.

Em verdade vos digo que o orgulhoso é semelhante ao joio que abafa o bom grão. Aquele dentre vós que acredita valer mais que seu irmão e que disso se vangloria, é insensato; sábio, porém, é o que trabalha por si mesmo, como o humilde em seu campo, sem se envaidecer de sua obra.

R E V I S T A  E S P Í R I T A

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Caridade

Chico Xavier autografando.

A Caridade
PELO ESPÍRITO SÃO VICENTE DE PAULO
(Sociedade de Estudos Espíritas, sessão de 8 de junho de 1858)



Após comunicação do espírito de São Vicente de Paulo, sobre a Caridade, perguntou-se:
Permitiríeis que formulássemos algumas perguntas complementares a respeito do que acabastes de dizer?

Resp. – Eu o desejo muito; meu objetivo é vos esclarecer; perguntai o que quiserdes.

1. Pode-se entender a caridade de duas maneiras: a esmola propriamente dita e o amor aos semelhantes. Quando dissestes que era necessário que o coração se abrisse à súplica do infeliz que nos estendesse a mão, sem questionarmos se não seria fingida a sua miséria, não quisestes falar da caridade do ponto de vista da esmola?

Resp. – Sim; somente nesse parágrafo.

2. Dissestes que era preciso deixar à justiça de Deus a apreciação da falsa miséria. Parece-nos, entretanto, que dar sem discernimento às pessoas que não têm necessidade, ou que poderiam ganhar a vida num trabalho honesto, será estimular o vício e a preguiça. Se os preguiçosos encontrassem aberta com muita facilidade a bolsa dos outros, multiplicar-se-iam ao infinito, em
prejuízo dos verdadeiros infelizes.

Resp. – Podeis discernir os que podem trabalhar e, então, a caridade vos obriga a fazer tudo para lhes proporcionar trabalho; entretanto, também existem falsos pobres, capazes de simular com habilidade misérias que não possuem; é para os tais que se deve deixar a Deus toda a justiça.

3. Aquele que não pode dar senão um centavo, e que deve escolher entre dois infelizes que lhe pedem, não tem razão de inquirir quem, de fato, tem mais necessidade, ou deve dar sem exame ao primeiro que aparecer?

Resp. – Deve dar ao que pareça sofrer mais.

4. Não se deve considerar também como fazendo parte da caridade o modo por que é feita?

Resp. – É sobretudo na maneira de fazer a caridade que está o seu maior mérito; a bondade é sempre o indício de uma bela alma.

5. Que tipo de mérito concedeis àqueles a quem chamamos de benfeitores de ocasião?

Resp. – Só fazem o bem pela metade. Seus benefícios não lhes aproveitam.

6. Disse Jesus: “Que vossa mão direita não saiba o que faz vossa mão esquerda.” Têm algum mérito aqueles que dão por ostentação?

Resp. – Apenas o mérito do orgulho, pelo que serão punidos.

7. Em sua acepção mais abrangente, a caridade cristã não compreende igualmente a doçura, a benevolência e a indulgência para com as fraquezas dos outros?

Resp. – Imitai Jesus; ele vos disse tudo isso. Escutai-o mais que nunca.
N. do T.: Vide questão 886, de O Livro dos Espíritos.

8. A caridade é bem compreendida quando praticada exclusivamente entre pessoas que professam a mesma opinião ou pertencem a um mesmo partido?

Resp. – Não. É sobretudo o espírito de seita e de partido que se deve abolir, porquanto todos os homens são irmãos. É sobre essa questão que concentramos os nossos esforços.

9. Suponhamos que alguém vê dois homens em perigo, mas não pode salvar senão um. Qual dos dois deverá salvar, considerando-se que um deles é seu amigo e o outro é seu inimigo?

Resp. – Deve salvar o amigo, pois este amigo poderia acusá-lo de não gostar dele; quanto ao outro, Deus se encarregará.

 
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R E V I S T A E S P Í R I T A
ALLAN KARDEC


domingo, 27 de fevereiro de 2011

DEUS


Deus

Casimiro de Abreu (1839-1860)



Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno


E brincava na praia; o mar bramia,


E, erguendo o dorso altivo, sacudia,


A branca espuma para o céu sereno.










E eu disse a minha mãe nesse momento:


"Que dura orquestra! Que furor insano!


Que pode haver de maior do que o oceano


Ou que seja mais forte do que o vento?"










Minha mãe a sorrir, olhou pros céus


E respondeu: - "Um ser que nós não vemos,


É maior do que o mar que nós tememos,


Mais forte que o tufão, meu filho, é - Deus".









sábado, 26 de fevereiro de 2011

REVISTA ESPÍRITA, de ALLAN KARDEC

ALLAN KARDEC

Correspondência



Bruxelas, 15 de junho de 1858.

Meu caro Senhor Kardec:



Recebo e leio com avidez vossa Revista Espírita e recomendo aos meus amigos não a sua simples leitura, mas o estudo aprofundado do vosso O Livro dos Espíritos. Lamento bastante que minhas preocupações físicas não me deixem tempo para os estudos metafísicos, embora os tenha levado bastante longe para pressentir quanto estais perto da verdade absoluta, sobretudo quando vejo a coincidência perfeita que existe entre as respostas que me foram dadas e as vossas. Mesmo aqueles que vos atribuem pessoalmente a autoria de vossos escritos estão estupefatos pela profundidade e pela lógica que encerram. Repentinamente e de um salto, vós vos elevastes até ao nível de Sócrates e Platão, pela moral e pela filosofia estética; quanto a mim, conhecedor do fenômeno e da vossa lealdade, não duvido da exatidão das explicações que vos são dadas e abjuro todas as idéias que a esse respeito publiquei, enquanto nelas não pensava ver, juntamente com o Sr. Babinet, mais que fenômenos físicos ou charlatanice indigna da atenção dos sábios.

Como eu, não desanimeis diante da indiferença de vossos contemporâneos; o que está escrito, está escrito; o que está semeado germinará. A idéia de que a vida é uma afinação das almas, uma prova e uma expiação, é grande, consoladora, progressiva e natural.

Os que a ela aderem são felizes em todas as posições; em vez de se queixarem dos sofrimentos físicos e morais que os oprimem, devem regozijar-se ou, pelo menos, suportá-los com resignação cristã.

Espero passar brevemente em Paris, onde tenho muitos amigos a ver e bastantes coisas a fazer; deixarei tudo de lado, porém, na expectativa de vos poder levar um aperto de mão.



Jobard,

Diretor do Museu Real da Indústria.



R E V I S T A E S P Í R I T A
J U L H O D E 1 8 5 8



Bruxelas, 22 de junho de 1858.

Meu caro colega,



Com perífrases espirituosas, perguntais se eu ousaria confessar publicamente minha crença nos Espíritos e no perispírito, em vos autorizar a publicação de minhas cartas e em aceitar o título de correspondente da Academia de Espiritismo que fundastes, o que significaria, como se costuma dizer, ter coragem de sustentar a própria opinião.

Confesso que me sinto um pouco humilhado, ao ver que empregais as mesmas fórmulas e o mesmo discurso comumente dirigidos às pessoas simplórias, quando devíeis saber que toda a minha vida foi consagrada à sustentação da verdade e ao testemunho em seu favor, sempre que a encontrava, tanto na Física, quanto na Metafísica. Sei perfeitamente que o papel do adepto das idéias novas nem sempre está livre de inconvenientes, até mesmo neste século de luzes, e que podemos ser ridicularizados se dissermos que a luz se fará em pleno dia; no mínimo, seremos tachados de loucos; porém, como a Terra gira e o Sol haverá de brilhar para todos, faz-se necessário que os incrédulos se dobrem à evidência. É natural também que a existência dos Espíritos seja negada por aqueles que só acreditam no que vêem, do mesmo modo que a luz não existe para quantos se achem privados de seus raios. Podemos entrar em comunicação com eles? Eis aí toda a questão. Vede e observai.

O tolo nega sempre o que ele não entende;

Mesmo o maravilhoso é-lhe pobre vergel;

Ele não sabe nada, e nada quer ou aprende;

– Do incrédulo esse é, pois, um retrato fiel.



Disse a mim mesmo: Evidentemente o homem é duplo, visto que a morte o desdobra; quando uma metade permanece aqui, a outra vai para algum lugar, conservando a sua individualidade; o Espiritismo, portanto, está perfeitamente de acordo com as Escrituras, com o dogma, com a própria religião, que crê na existência dos Espíritos; e tanto isso é verdade que ela exorciza os maus e evoca os bons: o Vade retro e o Veni Creator dão prova disso. A evocação, portanto, é uma coisa séria e não uma obra diabólica, ou uma charlatanice, como pensam alguns.

Sou curioso, não nego, mas quero ver. Jamais me ouviram falar: Trazei-me o fenômeno. Em vez de o esperar tranqüilamente em minha poltrona, o que não faria o menor sentido, saí correndo à sua procura. A propósito do magnetismo, desenvolvi o seguinte raciocínio, e isso há mais de 40 anos: É impossível que homens tão apreciáveis dêem-se ao trabalho de escrever milhares de volumes para me fazerem crer na existência de uma coisa que não existe. Tentei em vão, durante muito tempo, obter aquilo que procurava; como perseverasse, acabei por ser muito bem recompensado, visto ter conseguido reproduzir todos os fenômenos de que ouvira falar; detive-me, depois, durante 15 anos. Com o aparecimento das mesas falantes, quis saber exatamente como as coisas se passavam; hoje surge o Espiritismo e a minha atitude é a mesma. Quando aparecer alguma coisa nova, correrei atrás dela com o mesmo ardor com que me coloco à frente das descobertas modernas de todos os gêneros. É a curiosidade que me arrasta, e lamento que os selvagens não sejam curiosos: por isso mesmo continuam selvagens. A curiosidade é a mãe da instrução. Sei perfeitamente que essa ânsia de aprender tem me prejudicado bastante, e que se me tivesse mantido nessa respeitável mediocridade, que conduz às honras e à fortuna, teria aproveitado a melhor parte. Mas há muito tempo confessei a mim mesmo que me achava apenas de passagem nesta sórdida pousada, onde não vale a pena desfazer as malas. O que me faz suportar sem dor as injúrias, as injustiças, os roubos de que fui vítima privilegiada, foi a idéia de que aqui não existe nem felicidade, nem infelicidade com que possamos nos alegrar ou nos afligir. Trabalhei, trabalhei, trabalhei, o que me deu forças para fustigar os adversários mais encarniçados e impor respeito aos demais, de sorte que agora sou mais feliz e mais tranqüilo do que as pessoas que me escamotearam uma herança de 20 milhões. Eu os lastimo, pois não lhes invejo a posição no mundo dos Espíritos. Se lamento essa fortuna não o é por mim – afinal de contas, não tenho apetite para digerir 20 milhões – mas pelo bem que deixei de fazer. Que alavanca poderosa, nas mãos de um homem que soubesse empregá-la utilmente! Quanto impulso poderia proporcionar à Ciência e ao progresso! Aqueles que têm fortuna ignoram, freqüentemente, as verdadeiras alegrias que se poderiam permitir. Sabeis o que falta à ciência espírita para propagar-se com rapidez? Um homem rico, que a ela consagrasse sua fortuna por puro devotamento, sem mescla de orgulho, nem de egoísmo, que fizesse as coisas em grande estilo, sem parcimônia, nem mesquinhez: tal homem faria a ciência avançar meio século.

Por que me foram subtraídos os meios de o fazer? Esse homem será encontrado; algo mo diz; honra a ele, pois!

Vi uma pessoa viva ser evocada; teve uma síncope até que seu Espírito retornasse. Poderíeis evocar o meu, para ver o que vos direi? Evocai também o Dr. Mure, morto no Cairo no dia 4 de junho; era um grande espiritista e médico homeopata. Perguntai-lhe se ainda acredita em gnomos. Certamente está em Júpiter, pois era um grande Espírito, mesmo aqui na Terra, um verdadeiro profeta a ensinar e meu melhor amigo. Estará contente com o artigo necrológico que lhe dediquei?

Isso está indo muito longe, direis; mas nem tudo são rosas em terdes a mim como correspondente. Vou ler vosso último livro, que acabo de receber; à primeira vista, não duvido que ele faça muito bem, ao destruir uma porção de preconceitos, pois soubestes mostrar o lado sério da coisa. O caso Badet é muito interessante; falaremos dele depois.

Todo vosso,

Jobard





Fonte: R E V I S T A E S P Í R I T A

J U L H O D E 1 8 5 8

Jornal de Estudos Psicológicos

Publicada sob a direção de ALLAN KARDEC



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SACUDIR O PÓ

Jesus bate a porta

SACUDIR O PÓ

“E se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés.” — Jesus. (MATEUS, CAPÍTULO 10, VERSÍCULO 14.)

Os próprios discípulos materializaram o ensinamento de Jesus, sacudindo a poeira das sandálias, em se retirando desse ou daquele lugar de rebeldia ou impenitência. Todavia, se o símbolo que transparece da lição do Mestre estivesse destinado apenas a gesto mecânico, não teríamos nele senão um conjunto de palavras vazias.

O ensinamento, porém, é mais profundo. Recomenda a extinção do fermento doentio.

Sacudir o pó dos pés é não conservar qualquer mágoa ou qualquer detrito nas bases da vida, em face da ignorância e da perversidade que se manifestam no caminho de nossas experiências comuns.

Natural é o desejo de confiar a outrem as sementes da verdade e do bem, entretanto, se somos recebidos pela hostilidade do meio a que nos dirigimos, não é razoável nos mantenhamos em longas observações e apontamentos, que, ao invés de conduzir-nos a tarefa a êxito oportuno, estabelecem sombras e dificuldades em torno de nós.

Se alguém te não recebeu a boa-vontade, nem te percebeu a boa intenção, por que a perda de tempo em sentenças acusatórias? Tal atitude não soluciona os problemas espirituais. Ignoras, acaso, que o negador e o indiferente serão igualmente chamados pela morte do corpo à nossa pátria de origem?

Encomenda-os a Jesus com amor e prossegue, em linha reta, buscando os teus sagrados objetivos. Há muito por fazer na edificação espiritual do mundo e de ti mesmo. Sacode, pois, as más impressões e marcha alegremente.

PÃO NOSSO
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL