segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Necessário Despertar

Dequinha alegre a cantar na área da Casa Transitória

Necessário Despertar



Inúmeros candidatos ao conhecimento das informações espíritas - portadoras dos relevantes mecanismos para a reforma íntima - detêm-se, inconseqüentes, na expectativa de milagres, que os não há, para a solução de problemas que eles próprios criaram e continuam gerando, ou esperam que a simples adesão formal a uma Sociedade, onde se divulga o Espiritismo, é suficiente para plenificá-los.



Fixados ao atavismo do maravilhoso e do sobrenatural, perseveram na crença leviana de que os Espíritos desencarnados tudo sabem, tudo podem , com a missão expressa de resolver as dificuldades humanas, desse modo, candidatando as criaturas à ignorância e ao atraso.



Acostumados às notícias extravagantes do misticismo que envolve a mediunidade e dos tabus em torno das comunicações espirituais, negam-se ao estudo sério, ou intentam-no, logo o abandonando, apoiados às bengalas psicológicas do comodismo de que lhes parece difícil a absorção do conhecimento espiritual, seja pela impossibilidade de manter a atenção, ou por deficiência de memória, ou ainda por perturbações de vária ordem, que afligem, adormecem, incomodam.



A argumentação simplista não procede, porquanto, em outras áreas do comportamento, seja no trabalho, no relacionamento interpessoal, nas pesquisas e cursos, se não houver um sincero interesse e legítima dedicação, ocorrem os mesmos fenômenos perturbardores, desestimulantes.



Toda experiência nova é desafio, caracterizado por dificuldades, superáveis, que mais despertam os valores morais de quem a deseja vivenciar. No que diz respeito àquelas de complexidade profunda, quais as de transformação do homem velho em um novo ser, os patamares a conquistar são múltiplos, revestidos de compreensíveis impedimentos.



Não se alteram hábitos doentios, perniciosos, de um momento para outro, com apenas a disposição, sem o correspondente esforço para consegui-lo.



A transformação interior para melhor, que o conhecimento espírita propicia, é precedida de um necessário despertar para a aceitação de novos e preciosos valores morais, que satisfazem e harmonizam a criatura.



Desse modo, ao desejo de crescimento, devem aliar-se o esforço contínuo e o devotamento às idéias renovadoras, trabalhando-se por entender as diretrizes que se lhe apresentam, experimentando e insistindo na sua implantação no mundo íntimo.



A vitória de qualquer tentame chega após a permanência na sua execução.

Substitui, mediante as informações libertadoras do Espiritismo, os velhos hábitos, um a um, adotando novo comportamento mental, e, depois, vivencial, a fim de que a renovação se te faça contínua, incessante.



Fixa-te no propósito de vencer os velhos condicionamentos e adota as propostas de ação positiva, que te auxiliarão no crescimento íntimo.



Liberta-te dos instrumentos frágeis de justificação, evitando as fugas psicológicas à realidade, à responsabilidade.



Insiste na lapidação das arestas grosseiras da personalidade e adapta-te ao novo modo de entender e ser, incorporando à conduta as diretrizes espirituais.



Dar-te-ás conta dos benefícios imediatos que advirão, das soluções aos problemas que surgirão, enfim, de que o empenho se coroa de êxito na razão direta do esforço encetado.

domingo, 5 de setembro de 2010

ORGULHO, RIQUEZA E POBREZA

ORGULHO, RIQUEZA E POBREZA



De todos os males o orgulho é o mais temível, pois deixa em sua passagem o germe de quase todos os vícios. É uma hidra monstruosa, sempre a procriar e cuja prole é bastante numerosa. Desde que penetra as almas, como se fossem praças conquistadas, ele de tudo se assenhoreia, instala-se à vontade e fortifica-se até se tornar inexpugnável.



Ai de quem se deixou apanhar pelo orgulho! Melhor fora ter deixado arrancar do próprio peito o coração do que deixá-lo insinuar-se. Não poderá libertar-se desse tirano senão a preço de terríveis lutas, depois de dolorosas provações e de muitas existências obscuras, depois de bastantes insultos e humilhações, porque nisso somente é que está o remédio eficaz para os males que o orgulho engendra.



Este cancro é o maior flagelo da Humanidade. Dele procedem todos os transtornos da vida social, as rivalidades das classes e dos povos, as intrigas, o ódio, a guerra. Inspirador de loucas ambições, o orgulho tem coberto de sangue e ruínas este mundo, e é ainda ele que origina os nossos padecimentos de além-túmulo, pois seus efeitos ultrapassam a morte e alcançam nossos destinos longínquos. O orgulho não nos desvia somente do amor de nossos semelhantes, pois também nos estorva todo aperfeiçoamento, engodando-nos com a superestima nosso valor ou cegando-nos sobre os nossos defeitos. Só o exame rigoroso de nossos atos e pensamentos pode induzir-nos a frutuosa reforma. E como se submeterá o orgulhoso a esse exame? De todos os homens ele é quem menos se conhece. Enfatuado e presumido, coisa alguma pode desenganá-lo, porque evita o quanto serviria para esclarecê-lo, aborrece-o a contradição e só se compras no convívio dos aduladores.



Assim como o verme estraga um belo fruto, assim o orgulho corrompe as obras mais meritórias. Não raro as torna nocivas a quem as pratica, pois todo o bem realizado com ostentação e com secreto desejo de aplausos e lauréis depõe contra o próprio autor. Na vida espiritual, as intenções, as causas ocultas que nos inspiraram reaparecem como testemunhas; acabrunham o orgulhoso e fazem desaparecer-lhe os ilusórios méritos.

Geraldo, na sua simplicidade, cortando as unhas dos pés de Dona Raimunda, na Casa Transitória, em Sousa-PB.


O orgulho encobre-nos toda a verdade. Para estudar frutuosamente o Universo e suas leis, é necessário, antes de tudo, a simplicidade, a sinceridade, a Inteireza do coração e do espírito, virtudes estas desconhecidas ao orgulhoso. É-lhe insuportável que tantos entes e tantas coisas o tornem subalterno. Para si, nada existe além daquilo que está ao seu alcance; tampouco admite que seu saber e sua compreensão sejam limitados.



O homem simples, humilde em sentimentos, rico em qualidades morais, embora seja inferior em faculdades, apossar-se-á mais depressa da verdade do que o soberbo ou presunçoso da ciência terrestre que se revolta contra a lei que o rebaixa e derrui o seu prestigio.



O ensino dos Espíritos patenteia-nos a triste situação dos orgulhosos na vida de além-túmulo. Os humildes e pequenos deste mundo acham-se ai exaltados; os soberbos e os vaidosos aí são apoucados e humilhados. É que uns levaram consigo o que constitui a verdadeira supremacia: as virtudes, as qualidades adquiridas pelo sofrimento; ao passo que outros tiveram de largar, no momento da morte, todos os seus títulos, todos os bens de fortuna e seu vão saber, tudo o que neste mundo lhes formava a glória; e sua felicidade esvaiu-se como fumo. Chegam ao espaço pobres, esbulhados; e este súbito desnudamento, contrastando com o passado esplendor, desconsola-os e sobremodo os mortifica. Avistam, então, na luz, esses a quem haviam desprezado e pisoteado aqui na Terra. O mesmo terá de suceder nas reencarnações futuras. O orgulho e a voraz ambição não se podem abater e suprimir senão por meio de existências atribuladas, de trabalho e de renúncia, no decorrer das quais a alma orgulhosa reflete, reconhece a sua fraqueza e, pouco a pouco, vai-se permeando a melhores sentimentos.



Com um pouco de reflexão e sensatez evitaríamos esses males. Por que consentir que o orgulho nos invada e domine, quando apenas basta refletir sobre o pouco que somos? Será o corpo, os nossos adornos físicos que nos inspiram a vaidade? A beleza é de pouca duração; uma só enfermidade pode destruí-la. Dia por dia, o tempo tudo consome e, dentro em pouco, só ruínas restarão: o corpo tornar-se-á então algo repugnante. Será a nossa superioridade sobre a Natureza? Se o mais poderoso, o mais bem dotado de nós, for transportado pelos elementos desencadeados; se se achar insulado e exposto às cóleras do oceano; se estiver no meio dos furores do vento, das ondas ou dos fogos subterrâneos, toda a sua fraqueza então se patenteará! Assim, todas as distinções sociais, os títulos e as vantagens da fortuna medem-se pelo seu justo valor. Todos são iguais diante do perigo, do sofrimento e da morte. Todos os homens, desde o mais altamente colocado até o mais miserável, são construídos da mesma argila. Revestidos de andrajos ou de suntuosos hábitos, os seus corpos são animados por Espíritos da mesma origem e todos reunir-se-ão na vida futura. Aí somente o valor moral é que os distingue. O que tiver sido grande na Terra pode tornar-se um dos últimos no espaço; o mendigo, talvez, aí, venha a revestir uma brilhante roupagem. Não desprezemos, pois, a ninguém. Não sejamos vaidosos com os favores e vantagens que fenecem, pois não podemos saber o que nos está. Reservado para o dia seguinte.







Se Jesus prometeu aos humildes e aos pequenos a entrada nos reinos celestes, é porque a riqueza e o poder engendram, muitíssimas vezes, o orgulho; no entanto, uma vida laboriosa e obscura é o tônico mais eficaz para o progresso moral. No cumprimento dos deveres cotidianos o trabalhador é menos assediado pelas tentações, pelos desejos e ruins paixões; pode entregar-se à meditação, desvendar sua consciência; o homem mundano, ao contrário, fica absorvido pelas ocupações frívolas, pela especulação e pelo prazer.



Tantos e tão fortes são os vínculos com que a riqueza nos prende à Terra que a morte nem sempre consegue quebrá-los a fim de nos libertar. Daí as angústias que o rico sofre na vida futura. É, portanto, fácil de compreender que, efetivamente, nada nos pertence nesta Terra. Esses bens que tanto prezamos só aparentemente nos pertencem. Centenas, ou, por outra, milhares de homens antes de nós supuseram possuí-los; milhares de outros depois de nós acalentar-se-ão com essas mesmas ilusões, mas todos têm de abandoná-los cedo ou tarde. O próprio corpo humano é um empréstimo da Natureza, e ela sabe perfeitamente no-lo retomar quando lhe convém. As únicas aquisições duráveis são as de ordem Intelectual e moral.



Da paixão pelos bens materiais surgem quase sempre a inveja e o ciúme.

Jesus lavando os pés, ensinando-nos a humildade.


Desde que esses males se implantem em nós, podemos considerar-nos sem repouso e sem paz. A vida torna-se um tormento perpétuo. Os felizes sucessos e a opulência alheia excitam ardentes cobiças no invejoso, inspiram-lhe a febre abrasadora da ganância. O seu alvo é suplantar os outros, é adquirir riquezas que nem mesmo sabe fruir. Haverá existência mais lastimável? Não será um suplício de todos os instantes o correr-se atrás de venturas quiméricas, o entregar-se a futilidades que geram o desespero quando se esvaem?



Entretanto, a riqueza por si só não é um grande mal; torna-se boa ou ruim, conforme a utilidade que lhe damos. O necessário é que não inspire nem orgulho nem Insensibilidade moral. É preciso que sejamos senhores da fortuna e não seus escravos, e que mostremos que lhe somos superiores, desinteressados e generosos. Em tais condições, essa provação tão arriscada torna-se fácil de suportar. Assim, ela não entibia os caracteres, não desperta essa sensualidade quase inseparável do bem-estar.



A prosperidade é perigosa por causa das tentações, da fascinação que exerce sobre os espíritos. Entretanto, pode tornar-se origem de um grande bem, quando regulada com critério e moderação.



Com a riqueza podemos contribuir para o progresso intelectual da Humanidade, para a melhoria das sociedades, criando instituições de beneficência ou escolas, fazendo que os deserdados participem das descobertas da Ciência e das revelações do belo em todas as suas formas.



Mas a riqueza deve também assistir aqueles que lutam contra as necessidades, que imploram trabalho e socorro.



Consagrar esses recursos à satisfação exclusiva da vaidade e dos sentidos é perder uma existência, é criar por si mesmo penosos obstáculos.



O rico deverá prestar contas do depósito que lhe foi confiado para o bem de todos. Quando a lei Inexorável e o grito da consciência se erguerem contra ele, nesse novo mundo, onde o ouro não tem mais influência, que responderá à acusação de haver desviado, em seu único proveito, aquilo com que devia apaziguar a fome e os sofrimentos alheios? Inevitavelmente, ficará envergonhado e confuso.



Quando um Espírito não se julga suficientemente prevenido contra as seduções da riqueza, deverá afastar-se dessa prova perigosa, dar preferência a uma vida simples, que o isole das vertigens da fortuna e da grandeza. Se, apesar de tudo, a sorte do destino designá-lo a ocupar uma posição elevada neste mundo, ele não deverá regozijar-se, pois, desde então, são muito maiores as suas responsabilidades e os seus compromissos. Mas também não deve lastimar-se, no caso de ser colocado entre as classes inferiores da sociedade. A tarefa dos humildes é a mais meritória; são estes os que suportam todo o peso da civilização, é do seu trabalho que a Humanidade vive e se alimenta. O pobre deve ser sagrado para todos, porque foi nessa condição que Jesus quis nascer e morrer; da pobreza também saíram Epicteto, Francisco de Assis, Miguel Angelo, Vicente de Paulo, e tantos outros grandes Espíritos que viveram neste mundo. Eles sabiam que o trabalho, as privações e o sofrimento desenvolvem as forças viris da alma e que a prosperidade aniquila-as. Pelo desprendimento das coisas humanas, uns acharam a santificação, outros encontraram a potência que caracteriza o Gênio.



A pobreza ensina a nos compadecermos dos males alheios e, fazendo-nos melhor compreendê-los, une-nos a todos os que sofrem; dá valor a mil coisas Indiferentes aos que são felizes. Quem desconhece tais princípios, fica sempre ignorando um dos lados mais sensíveis da vida.



Não invejemos os ricos, cujo aparente esplendor oculta muitas misérias morais. Não esqueçamos de que sob o cilício da pobreza ocultam-se as virtudes mais sublimes, a abnegação, o espírito de sacrifício. Não esqueçamos jamais que é pelo trabalho, pelo sofrimento e pela imolação contínua dos pequenos que as sociedades vivem, protegem-se e renovam-se.



Léon Denis



Depois da Morte








sábado, 4 de setembro de 2010

Santa Luzia - PARAÍBA


"Não posso dar-me ao luxo da política. Numa ocasião, fiquei cinco minutos a escutar um político e morreu-me um velhinho em Calcutá." Madre Tereza de Calcutá.

Residente da Casa de Lázaro feliz ao conversar de suas experiências e dos sonhos para o futuro.
Alguns dos Idosos da Casa de Lázaro

Marinho (camisa branca) sempre alegre recebe-nos na Casa de Lázaro - Santa Luzia-PB.


Fotos: Sempre que viajamos à João Pessoa, existe uma parada obrigatória (imitando o nosso amigo Edvaldo Tomé) na "CASA DE LÁZARO", albergue de Idosos mantida pela Sociedade "Amigos do Bem de Santa Luzia", cujo dirigente é o espírita Marinho(de camisa branca de bem com a vida) e de camisa azul o seu irmão Walter. Na outra foto, alguns dos albergados em conversa de final de tarde, na calçada da Casa de Lázaro. As fotos foram tiradas pela jovem Cibele, que registrou a beleza espiritual do nosso irmão Marinho, sempre alegre, sem problemas, falando sem parar dos ensinamentos do Mestre Jesus, não obstante, todos na cidade de Santa Luzia o conhecem por Fanda.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DESENCARNE DE ALLAN KARDEC

Túmulo de allan Kardec

DESENCARNE DE ALLAN KARDEC



Paris, 31 de Março de 1869.

Amigos:



Ele morreu esta manhã, entre onze e doze horas, subitamente, ao entregar um número da “Revue” a um caixeiro de livraria que acabava de comprá-lo; Curvou-se sobre si mesmo, sem proferir uma única palavra. Estava morto.



Sozinho em sua casa (rua de Sant’Anna), Kardec punha em ordem livros e papéis para a mudança que se vinha processando e que deveria terminar amanhã. Seu empregado, aos gritos da criada e do caixeiro, correu ao local, ergueu-o... nada, nada mais. Delanne acudiu com toda a presteza, friccionou-o, magnetizou-o, mas em vão. Tudo estava acabado...



Precisamente ao meio dia de 2 de abril de 1869, modesto coche funerário, seguido pelos confrades mais íntimos, por todos os membros e médiuns da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e por uma multidão de amigos e simpatizantes, ao todo, mil a mil e duzentas pessoas punham-se em marcha, rumo ao Cemitério Montmartre, o mais antigo de Paris, onde nova massa popular já se encontrava concentrada.





As despedidas:



Em nome da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que fora fundada e dirigida por Allan Kardec, discursou junto à cova ainda aberta, seu vice-presidente, Sr. Levent. Achava desnecessário recordar a fisionomia ao mesmo tempo benevolente e austera, o tato perfeito, a justeza de apreciação, a lógica superior incomparável do mestre. Refere-se, a seguir, os labores contínuos do infatigável pensador, que sempre madrugava no gabinete de trabalho, e diz da sua vasta correspondência com as quatro partes do mundo.



Lastimando a partida de Kardec, o orador logo em seguida se consola com este pensamento tantas vezes lembrado pelo extinto presidente: “Nada é inútil na natureza; tudo tem a sua razão de ser, e o que Deus faz é sempre bem feito.”









A fala de Camille Flammarion:



Depois que o Sr. Levent fez a prece junto à tumba de Kardec, tomou a palavra, o sábio astrônomo Camille Flammarion, numa oratória brilhantíssima que magnetizou por cerca de meia hora, todas as pessoas presentes ao sepultamento, das mais altas classes sociais, às mais humildes.



Lembrando o “eminente serviço” que Allan Kardec “prestou a filosofia, com chamar a atenção e provocar discussões sobre fatos que até então pertenciam ao domínio mórbido e funesto das superstições religiosas”, o celebrado autor da “Astronomia Popular” acrescentava:



“Seria, com efeito, um ato importante firmar aqui, junto deste túmulo eloqüente, que o metódico exame dos fenômenos, erroneamente qualificados de supranormais, longe de renovar o espírito de superstição e de enfraquecer a energia da razão, afasta, ao contrário, os erros e as ilusões da ignorância e serve melhor ao progresso, do que as negações ilegítimas dos que não querem dar-se ao trabalho de ver.”



Rendendo a sua homenagem à memória do “pensador laborioso”, Flammarion traça-lhe as principais fases da vida terrena, “tão útil e tão dignamente preenchida” – acentuava ele.





Mais adiante, ainda exaltando a figura do querido extinto, o orador consignava para a posteridade:



“Ele era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado. Razão reta e judiciosa, aplicava sem cessar à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum. Não era essa uma qualidade somenos, na ordem das coisas com que nos ocupamos. Era, ao contrário, pode-se afirma-lo, a primeira de todas e a mais preciosa, sem a qual, a obra não teria podido tornar-se popular, nem lançar pelo mundo suas raízes imensas.”









Flammarion faz, a seguir, inteligente exposição científico-filosófica que corrobora as doutrinas reveladas pelo espiritismo, apresentando o quadro das metamorfoses em “A Natureza”, dentro do qual resulta que a existência e a imortalidade da alma se revelam pelas mesmas leis da vida.



Após recordar as conversações que ele amiúde mantinha com Allan Kardec, quanto à vida espiritual e a pluralidade dos mundos habitados, o ilustre astrônomo francês assim terminava seu eloqüente discurso:





“Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra... Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor, e no céu imenso, onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado.



É-nos mais grato saber esta verdade, do que acreditar que jazes todo inteiro neste cadáver e que tua alma se haja aniquilado com a cessação do funcionamento de um órgão. A imortalidade é a luz da vida, como este refulgente Sol é a luz da Natureza.



Até à vista, meu caro Allan Kardec. Até à vista!”









Assim, Flammarion encerra seu discurso diante do corpo inerte de Allan Kardec, e das centenas de companheiros presentes para as despedidas ao codificador da Doutrina Espírita.







Do livro Obras Póstumas - Allan Kardec


P.S.: Hoje, pela manhã, durante o momento em que fazia a refeição matinal, mais um vô retorna ao mundo espiritual, seu nome Francisco Ferreira Queiroga, 83 anos, a maneira rápida do seu desencarne denota o mérito do irmão.   Que a Paz e a Luz do Mestre Jesus o fortaleça na nova caminhada, são os votos de todos que aqui continuam presos ao corpo físico.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que é Paixão

Voluntárias na hora do lanche na Casa Transitória-Sousa-PB

O que é Paixão
Marcos Paterra



Quando estamos apaixonados, é como adquirir super poderes, onde nada pode nos abalar, ou nos ferir... Efetuamos loucuras, deixamos que o medo se escondesse e a aparente coragem se manifeste... Mostramos que somos capazes de tudo sem nos amedrontar com a opinião dos outros.



O sexo se torna nossa meta, as indiscrições são partes de nossos fetiches, o amor brota pela compreensão de sentimentos.



Unidos por interesses em comuns a paixão dá lugar ao amor, e esse passa a ser dominante entre um casal, até o casamento.



Mas, ao se falar em paixão, muitos se confundem, e olham apenas o aspecto sexual, e esquecem que a paixão, é um sentimento muito mais amplo e que se baseia em muitas outras formas de ações.



Vejo às vezes voluntários, que auxiliam instituições filantrópicas, trabalhando por vezes em casas de repouso, muitas vezes banham e higienizam idosos ou deficientes.



Apaixonados pelo que fazem, trabalham muitas vezes de graça, e lidam com situações problemáticas sem reclamar.



Com paciência e alteridade, enfrentam o mau humor de seus pacientes, agüentando desaforos e desabafos, que muitas pessoas não tolerariam por salário algum.



Noto, que às vezes nos Centros Espíritas, que os trabalhadores, muitas vezes não querem exercer suas atividades, muitos por não serem apaixonado pelo que fazem; trabalham emburrados, e sempre olhando ao relógio, contando as horas de ir embora, não participam de eventos que sua casa promove.



Nessas horas lembro de Chico Xavier : “Em qualquer parte ou situação, não hesites quanto à atitude mais elevada a que nos achamos intimados pelos Propósitos Divinos, diante da consciência. Para encontrá-la, basta procures realizar o melhor de ti mesmo, a benefício dos outros, porquanto, onde e quando te esqueces de servir em auxílio ao próximo, aí surpreenderás a vontade de Deus que, sustentando o Bem de Todos, nos atende ao anseio de paz e felicidade, conforme a paz e a felicidade que oferecemos a cada um.”



Emmanuel (Chico Xavier) - (De Estude e Viva, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos de Emmanuel e André Luiz)



Ainda devemos, manter a consciência do que nos diz a codificação:



Questão 908 do LE: “As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o ajudam na realização dos objetivos da Providência. Mas se, em lugar de dirigi-las, o homem se deixa dirigir por elas, cai nos excessos e a própria força que, em suas mãos, poderia fazer o bem, recai sobre ele e o esmaga. Todas as paixões têm seu princípio num sentimento ou necessidade natural... O princípio das paixões, portanto, não é um mal, visto que repousa sobre uma das condições providenciais de nossa existência. A paixão, propriamente dita, é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento. Ela está no excesso e não na causa, e esse excesso torna-se um mal quando tem por conseqüência um mal qualquer. Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal o distancia da natureza espiritual”.



Se você não é apaixonado pelo que faz, não produz bem seu serviço e causa mal estar tanto a você mesmo, quanto aos demais a sua volta, o melhor é fazer o que gosta, Se não gosta... Não o faça... Procure... Ache... Apaixone-se.



Fonte: http://www.artigonal.com/religiao-artigos/o-que-e-paixao-1817706.html



Artigo de Marcos Paterra

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

DESTINO E RESPONSABILIDADE


DESTINO E RESPONSABILIDADE



O primeiro e mais imediato efeito da fé que assenta sobre as bases da razão é a consciência da responsabilidade.



Não tendo o homem senão uma visão estreita da vida, limitada aos curtos horizontes da existência terrena, as suas aspi­rações tornam-se de breve período e pequena extensão, tendo em vista o término que se anuncia ante o advento da morte.



Pelo contrário, considerando o corpo como sendo uma veste de rápida duração e elaborado para a sua finalidade transi­tória, embora fundamental ao progresso da alma,dilatam- se as ambições e transferem-se para o futuro, através de um fenômeno natural, sem acomodação ao conformismo, as metas que não po­dem, de imediato, ser alcançadas.



Os estímulos para a luta fazem-se mais poderosos e as realizações constituem vitórias logradas no dia-a-dia da existência corporal. Por outro lado, os sofrimentos perdem a aparência pri­mitiva e revelam-se como desafios que são colocados ao longo do caminho do progresso, com a finalidade de promover o indivíduo e facultar-lhe a aquisição de valores que, sem esses testes e imposi­ções, permaneceriam adormecidos.



Semeador diligente e responsável, o homem ciente dos seus deveres não tem pressa, tampouco retarda a marcha, por­quanto sabe que há época para preparar o solo, ensementá-lo, cuidar das débeis plântulas até que elas respondam corretamente através do fatalismo que lhes jaz inato. Não tem, desse modo, a presunçosa preocupação de colher em solo não semeado, assim como não pretende resultados antes do tempo adequado. Cada ação se dá no seu momento próprio.



O que antes se lhe afigurava enigma ou injustiça, cede lugar a uma ordem natural, com o conhecimento da qual tudo se aclara e revela.



A criança frágil e macerada, enferma e mutilada no corpo ou na mente, nao foi criada, como ser algum, no momento do seu nascimento, nem ali se encontra para punir os genitores ou ancestrais mais recuados, cuja conduta arbitrária ou equívoca ensejasse a rude expiação. Pelo contrário, carpe o próprio ser os seus desatinos que foram transferidos de uma para outra existência corporal, qual ocorre com o aluno rebelde e incapaz, que a benefício dele mesmo como da sociedade, no educandário, ao invés de ser promovido, o que seria uma injustiça, é conservado na mesma classe para revisar os assuntos não assimilados e aprender o que lhe permite a ascensão a outro nível.





Cumprido o áspero período de recuperação e reparação dos erros, aquele ser prisioneiro na dor se liberta e volve à sua individualidade, que reúne todas as suas conquistas, prosseguindo em novas etapas de progresso sem o sinete da aflição ou o limite explatorio.



No intervalo entre uma e outra reencarnação, reintegrado nos seus valores intelecto-morais, mantém correspondência me­diúnica com os afetos que permanecem no corpo, animando-os e impulsionando-os ao progresso, mediante o qual volverão mais tarde a reunir-se, felizes, em grupos familiares ou fraternais.



Recuperando a lucidez após a morte do corpo físico, com­preende a necessidade da provação anterior a que foi submetido, bem como as razões que ligaram os seus pais ao quadro de dor, podendo explicar-lhes tais sucessos e armá-los de valor para pro­cedimentos futuros.



A ignorância, a falta de discernimento, as limitações são corporais, logo superadas após a libertação do cárcere orgânico no qual esteve por breve ou largo período para a redenção educativa.





Pais e filhos crucificados nas traves invisíveis das enfer­midades físicas, psíquicas ou morais são comparsas dos mesmos delitos, novamente reunidos para a renovação de propósitos, através do ressarcimer o dos débitos que ficaram após a morte anterior e que não foram saldados.



As leis fomentadoras do progresso reúnem os incursos nos mesmos códigos da Justiça e os trazem aos sítios onde delin­qüiram, de modo que, juntos outra vez, recomponham a paisagem moral danificada, soerguendo os que ficaram vitimados pela sua tirania ou insensibilidade...



Manoel P. de Miranda